Notas iniciais
o/
Hoje tem música. YO, MIKA! :D
A tradução tá inteira aí, então vou colocar o link para o Youtube quando chegar a hora. Chama-se Toy Boy, uma das minhas favoritas *-*
Esse capítulo na verdade é meio a meio... vocês vão ver.
Enjoy!

— Acorda, palmeira.

— Mhmmf.

— Todo dia a mesma coisa... — Steve suspirou, pegou o próprio travesseiro e o jogou sobre Ray, com mais força do que seria necessário.

— Tô acordado, tô acordado! — Ray sentou-se sobre a cama e esfregou os olhos, bocejando.

Alguns garotos já haviam descido, outros estavam terminando de se arrumar; inclusive Steve. Ele pegou o travesseiro de volta e guardou os pijamas, enquanto Ray ia, sonolento, se trocar.

Mika também estava lá, acordado e remexendo algo em seu malão. Sua cama ficava ao lado da de Ray; ele acenou rapidamente a cabeça para os dois amigos e voltou a se concentrar em sua busca.

Steve cutucou Ray e apontou para Mika com os olhos. Ray entendeu imediatamente; Mikey havia pedido a eles que fossem mais receptivos com o garoto, que tentassem descobrir mais sobre ele.

— Hey, Mika — Ray chamou, enquanto tentava ajeitar a gravata amarela apropriadamente. — Como você tá?

Mika olhou para ele como se tivesse ouvido algo errado.

— Ahn... estou bem, e você? — ele respondeu, claramente confuso.

— Também. É que eu acabei de perceber que a gente não se fala muito.

Mika franziu o cenho por um momento e olhou de Ray para Steve. Então sorriu de leve.

— Alguém mandou você fazer isso, né?

— Err...

— Foi o irmão do Gerard? Ele tá sempre com vocês.

Ray lançou um olhar de súplica a Steve, que deu de ombros e respondeu.

— É, foi ele.

Mika deu uma risadinha discreta e voltou a mexer em seu malão, agora guardando tudo que havia tirado.

— Agradeçam ele pelo interesse, mas não precisava.

— Hey, também estamos interessados — Steve se aproximou, sentando-se na cama de Ray. — Você é muito fechado. Por quê?

— Nenhum motivo em especial... não tenho nenhuma grande história pra contar. Eu só... sou tímido.

— Mas por quê? — Ray falou. — Timidez é basicamente medo de pessoas.

— Mais pra contato humano... — Steve comentou.

— Que seja. Ninguém nasce assim.

— Será que não? — Mika sorriu um pouco e pegou um pedaço de pergaminho e uma pena; as coisas que ele estava procurando no malão.

— O que você vai fazer? — Ray quis saber.

— Escrever uma coisa... acordei de repente com o verso perfeito para o fim... — Mika estava falando mais consigo mesmo do que com os outros; escrevia, concentrado, e não notou o olhar que Ray e Steve trocaram.

Os dois amigos esperaram que Mika terminasse para retomar a conversa.

— Então você escreve? — Steve disse.

— Brinco de escrever, é. Se eu não soltar um pouco do que se passa na minha cabeça, acho que explodo.

— Eu te entendo... — Steve murmurou.

Mika guardou o pergaminho novamente e se levantou. Pareceu querer falar alguma coisa, mas corou de leve e só acenou enquanto saía pela porta.

Ray e Steve ficaram parados, sozinhos, olhando na mesma direção

— Não deveríamos — Ray falou.

— Não mesmo.

Eles se levantaram simultaneamente e voaram até o malão do Mika. O garoto nem se preocupava em trancá-lo... ou Ray e Steve estavam com sorte. Pegaram o pergaminho, que era a primeira coisa à vista, e se aproximaram para ler, decifrando facilmente a caligrafia fina e agradável.


Eu sou um brinquedo de corda em um mundo de cabeça para baixo

Se você me deixar sozinho, eu vou fazer uma bagunça, com certeza

Eu tenho um coração de ouro no menor tamanho

Deixe-me no escuro, você nunca vai me ouvir chorar

Mais do que uma ilustração...

Pontos de articulação

Ganha vida em uma primavera dourada

Uma coisa de brincar tão maravilhosa


Ray e Steve pararam para pensar, só por um segundo.


É uma cruz cruel que eu tenho que carregar

Se você vir um pouco mais perto eu vou puxar seu cabelo

Mais do que apenas um brinquedo em um remendado terno azul

Segure-me em seus braços, eu sou apenas um garoto como você

Mas sua mãe achava que havia algo errado;

Não queria você dormindo com um garoto por muito tempo

É uma coisa séria no mundo dos adultos

Talvez você ficasse melhor com uma Barbie Girl...

Você sabia que eu adorava você

Mas você me deixou em Geórgia...

Brinquedos não são sentimentais

Como eu poderia ser alugado?


Ray parou mais uma vez, para olhar o amigo, mas este continuava lendo.


Ela é a mais malvada bruxa que já existiu

Tirou minhas tripas com um velho alfinete

Eu estou com as vistas doloridas, agora eu me sinto como lixo

Minhas roupas são feitas de trapos e eles nem combinam

Então ela me vestiu como o homem que amava!

E me jogou em uma caixa quando ela enjoou

Agora a luz do dia eu já não vejo...

Ela enfiou pinos vodus onde meus olhos costumavam ficar

Acidentalmente trágico

Vítima de sua magia negra

Tive um rapaz uma vez que me amava;

Agora ele tem tanto medo de mim

Em um dia distante, quando você estiver grisalho e velho

Você vai estar lá lembrando do seu velho garoto de brinquedo

Quando o seu único filho se perguntar o que ser,

Conte-lhe a história de um garoto como eu.

Os dois ficaram em silêncio por alguns segundos.

— Fingiu ser quem não é? — Ray falou primeiro.

— Ou foi obrigado a isso.

— Tratado como lixo por alguém que ele amava, talvez...

— Ou perdeu o amor por não ter se imposto mais? — Steve completou.

Teriam continuado com suas teorias se não ouvissem uma tosse forçada atrás deles.

— Ah, mer-

— Acho que vocês deviam ir pro salão — Mika falou, sério.

Ray e Steve ficaram parados por só um instante, antes de quase correrem para fora; Steve, porém, parou na porta.

— Mika... desculpa por ter feito isso...

— Tá, tá.

— ... mas está muito bom. De verdade.

Steve sorriu, envergonhado, e foi embora. Mika guardou o pergaminho, trancou o malão — havia voltado para isso, afinal — e sentou na cama por um minuto. Olhava para o chão, pensativo, um tanto triste com a invasão a que fora submetido. Se o respeitassem, não teriam feito isso.

Mas por outro lado... ele não havia mostrado seus escritos a ninguém. Não achava que qualquer pessoa tivesse interesse neles. E não havia como não sorrir ao ouvir seu primeiro elogio.

——


Steve e Ray não sabiam se riam ou se socavam, então ficaram em silêncio até chegarem ao salão principal. Muitos alunos já terminavam de comer, mas por sorte Mikey e os amigos ainda estavam lá.

— Hey! — ele os cumprimentou. — Falaram com o Mika?

— Sim — Ray respondeu. — Não descobrimos muita coisa... quer dizer... não sei se deveríamos contar.

— O quê? Por quê?

— É melhor ele explicar pra vocês. Sério. Não quero acordar transformado em um sapo ou qualquer coisa.

Mikey não entendeu, mas só deu uma olhada confusa para Gerard ao seu lado para buscar certo apoio moral antes de Ray voltar a falar.

— Mas que seja. Como foi a detenção ontem com os verdinhos? Mandaram eles pra enfermaria de novo?

Ray não notou que Gerard o lançou uma expressão de censura. Mikey olhou de esguelha para Hayley e fingiu um arrepio.

— Não, mas na próxima talvez nós todos acabemos lá.

Steve disse a Ray para irem logo e eles se despediram, Mikey dizendo um “até a terceira aula!”. Eles foram para a mesa da Lufa-Lufa e Steve devorou a comida em tempo recorde.

— Calma, cara, não estamos tão atrasados assim...

— Eu sei — o loiro falou, engolindo um último pedaço do bolo que estava em seu prato. — Quero falar com alguém antes da aula.

Ray pensou por um segundo, então rolou os olhos e se virou para a mesa da Corvinal. É, eles estavam lá.

— Nem preciso perguntar quem — Ray comentou. — Não vou te esperar dessa vez, Steve, se o Flitwick te xingar eu não estou nem aí.

— Sem problema — Steve já se levantava.

Ele caminhou rapidamente para a mesa da Corvinal, sorrindo assim que Brian o notou. Stefan parou de falar qualquer coisa que estivesse dizendo e sorriu também.

— Oi — Steve cumprimentou, sentando-se de frente para eles. — Tudo bem?

— Melhor agora — Brian respondeu.

— Atirado... — Stefan riu baixinho e o empurrou com o ombro, logo em seguida olhando para baixo.

Steve riu também, mas não estendeu o assunto.

— Continuando o que a gente estava falando ontem, antes do Slughorn aparecer... Vocês querem mesmo fazer aquilo?

— Claro que sim! — Brian exclamou, interessado, apoiando os cotovelos sobre a mesa. — Eu sempre quis.

— Não sei se vai dar certo... — Stefan se pronunciou. — Mas não me importo, quero também!

— Sério? Putz, vocês não têm noção de como isso é demais!

Brian e Stefan riram baixo com a animação do garoto. Ele parecia uma criança. Em momentos como esse as tatuagens que ficavam à mostra pareciam subitamente desenhos infantis que ele decidiu colocar na pele.

— Mas vamos ter que nos empenhar — Brian avisou.

— É — Stefan prosseguiu. — Temos muito o que melhorar, vai ser treino o tempo todo. Ainda quer?

— Quero! Há, eu vou mostrar pros meus pais que comprar aquela bateria não foi perda de dinheiro!

— Tem certeza que vamos poder praticar na sua casa? Vai ser um barulho desgraçado.

— A gente usa Abaffiato — Brian respondeu pelo Steve. — Então, começamos mesmo nas férias de Natal?

Os outros dois confirmaram, empolgados.

Teriam conversado mais se não percebessem estar megamente atrasados. Pularam da mesa e caminharam rapidamente, Brian e Steve falando e Stefan um pouco atrás.

Por alguns segundos ele se deixou ficar de fora. Sabia que era mais fácil se permitir ficar triste com uma situação do que tentar mudá-la. Mas então sacudiu a cabeça e se enfiou entre os dois, confiante, e os pensamentos que ameaçaram tomar conta de sua mente desapareceram no momento em que a mão de Brian apertou sua cintura e o guiou para fora; mesmo que Brian ainda estivesse dando mais atenção a Steve.

Dane-se, Stefan divagou. Aproveitar o presente, não pensar no futuro.

Não pensar no futuro.


Notas finais
Corvinal e Lufa-Lufa no mesmo capítulo porque o próximo será especial Green Day. Eles estão precisando de mais amor U______U
E estou com saudade.
Eu provavelmente tinha mais alguma coisa pra dizer.
xoxo ♥
EDIT: Ah, é, me lembraram o que eu tinha que falar.
EU AMO A NATHALIA SEDUÇÃO E EU VOU SER PAPAI!!!
...
Usem camisinha, só digo isso.
(Brincadeira, povo, por favor, UAHSUASHAUSH)