Notas iniciais
Hey you! *se controla pra não cantar*
A fic alcançou 100 comentários! Obrigado, seus lindos ♥ Tenho os melhores leitores do mundo, e ai de quem discordar! ♥
Esse capítulo não é muito grande. Mas é Drarry '-'
Então, é, boa leitura.

Harry andava rapidamente pelos corredores, tentando imaginar qualquer coisa parecida com o que Gerard falara. Uma sombra? Qual era o sentido daquilo?

Ele achou ter ouvido sons abafados de feitiços, mas devia ser só impressão.

Quando se aproximou da sala de Transfiguração, olhou em volta para ter certeza de que estava sozinho e empunhou sua varinha. Sua pulsação estava ligeiramente acelerada com a ansiedade. Ele abriu a porta lentamente, espreitando o cômodo grande, preparado para qualquer anormalidade. Ele estava esperando tudo; desde uma brincadeira que alguém pudesse ter feito com Gerard até o retorno de Voldemort. Tudo, menos aquilo.

— Finalmente! Diz logo o que o... — a voz de Draco sumiu assim que percebeu quem acabara de entrar. — Você... você não é o Frank.

Harry estacou, olhando para o sonserino sem piscar.

— E você não é um fantasma.

Alguns segundos de silêncio.

— Enganaram a gente, não foi? — Harry perguntou, e Draco só conseguiu assentir.

Eles riram, sem-graça, e desviaram os olhares. Não abriram a boca por mais algum tempo.

— Bem, acho que perderam tempo... — Harry falou novamente. Ele sorriu de leve e fez menção de segurar a maçaneta da porta.

— Não! — Draco exclamou. — Ahn... espera.

Harry franziu o cenho e colocou a mão na maçaneta do mesmo jeito. Hesitou, mas ao invés de sair, fechou a porta. Continuou parado, esperando que Draco prosseguisse.

— Eles obviamente queriam que conversássemos — o loiro afirmou, lutando contra a timidez e tendo um certo sucesso. — Então você deve ter alguma coisa pra falar.

— Eu não. Você deve ter.

— Claro que não, o que eu falaria com você?

— Então não temos o que fazer aqui.

Draco não respondeu, mas Harry também não se moveu. Aquilo estava incrivelmente desconfortável.

Harry suspirou e caminhou para uma cadeira próxima, guardando a varinha. Sentou-se e observou Draco.

— Você é quem está estranho. Você começa.

— Você é quem está com olheiras. Você começa.

— Ah, Draco, por favor.

O loiro sorriu de lado e se recostou na parede; estavam bem afastados, o bastante para se sentirem seguros.

— Já disse que não tenho o que falar.

— Mas eu acho que tem. Seus amigos não teriam te feito vir aqui se...

— Não são meus amigos.

— Pior ainda!

Draco bufou e olhou para o lado, claramente incomodado.

— Estou me fazendo muitas perguntas, ok? É só isso. Estou pensando demais.

— Pensando no quê?

— Na minha vida! No que foi, no que vai ser... no que poderia ter sido.

Draco terminou a última frase abaixando o tom de voz. Harry o fitou com uma expressão mista de preocupação e receio.

— Você se arrepende?

Draco não respondeu imediatamente. Olhava para baixo com as sobrancelhas juntas, como se estivesse pensando quase mais do que suportava.

— Eu não tenho muito do que me arrepender, Potter. Eu não tive escolha.

— Eu sei. Quero dizer antes. Você queria ser um Comensal antes.

— Eu não sabia como era.

— Então se arrepende de querer?

Draco deu de ombros.

— O que importa? Não foi minha vontade que determinou o que aconteceu. Pra que se preocupar com erros sem consequências?

— Hmm... você tem razão. Mas eu acho que você devia se arrepender de pelo menos alguma coisa.

Draco riu e olhou para Harry, firmemente.

— Qual a vantagem disso? Você vai me odiar menos?

— Eu não te odeio.

Draco abriu a boca, mas a fechou. Voltou a encarar o chão.

— Eu não me importo, de qualquer jeito — falou, baixo.

— Se importa, sim — Harry retrucou. Sua voz ecoava na sala vazia. — Na verdade, sempre se importou.

— Com você?

— Com o que eu penso. Você sempre fez questão de que eu pensasse algo. Não podia ser só mais um aluno da Sonserina, tinha que ser meu inimigo mortal. Qual era o problema de me deixar em paz? Ou pelo menos só me tratar como você trata todos os outros?

Harry sabia que não haveria resposta para aquilo. Sorriu consigo mesmo e se levantou, começando a andar.

— Você se importa, Draco. Por isso devia me contar o que está acontecendo com você. Para que eu possa pensar algo a respeito.

— Não está acontecendo nada comigo! — Draco disse, irritado, surpreendendo-se um pouco ao perceber que Harry encurtara a distância entre eles e que estava agora apoiado em uma carteira.

— Você só mente?

— Não estou mentindo!

— Mentiroso — Harry sorriu um pouco, o que pareceu deixar Draco mais nervoso.

— Cala a boca.

— Fala a verdade.

— Não.

— Então admite que estava mentindo?

— Eu... ah, que droga! — Draco se virou e caminhou para um pouco mais longe de Harry, sentando-se sobre uma mesa também. — O que você quer?

Harry o observou em silêncio. Parecia realmente pensar na pergunta.

— Não sei — disse por fim.

Eles ficaram quietos por mais algum tempo, cada um perdido em suas próprias mentes, ocasionalmente trocando olhares rápidos. Até que Draco voltou a falar.

— Eu... me arrependo de ter cedido tão facilmente. Não ao Voldemort, ao meu pai. Praticamente nem reclamei do que tive de fazer por culpa dele.

— Bem, é o seu pai.

— Eu sei que você acha que isso perdoa tudo, mas você romantiza demais o sentimento paternal. Talvez porque você tenha tido pais melhores.

— Eu... o quê? — Harry o olhou, confuso. — Você ouviu o que acabou de dizer?

— Você tem um bom pai na sua memória. Dumbledore foi como um pai pra você, e aquele seu padrinho também, né? Até o idiota do Hagrid... desculpa... mas até ele sempre te protegeu. Mesmo sendo órfão, você já se deu melhor do que a maioria das pessoas. De novo.

Draco bufou discretamente. Harry sabia que tinha tido sorte com todos que o loiro citou, mas isso não substituía a presença do seu verdadeiro pai!

— Mas não importa — Draco continuou. — Meu pai e eu só estamos vivos porque eu fiz o que tive de fazer. E eu tenho orgulho disso.

Harry fez uma careta. Orgulho de ter torturado? Não era algo agradável de se descobrir.

— Você também tem orgulho de não ter matado ninguém? — o moreno questionou. — Ou tem vergonha?

Draco suspirou.

— Todos me fizeram sentir vergonha. E eu realmente devia ter. Tão covarde, tão infantil...

— Tão bonito.

Draco balançou a cabeça, meio exasperado.

— Não sei se é um elogio que você goste de algo que eu fiz, Potter. Ou que eu deixei de fazer.

— Então faça com que seja um elogio.

— Como?

— Sei lá. Faça com que... você goste da minha aprovação.

Draco olhou para ele de repente, e dessa vez Harry foi quem se acanhou.

— Esquece o que eu disse — ele murmurou, emendando uma risadinha. — Continue falando. Então é por isso que você está pra baixo esse ano? O passado está te perseguindo?

— Não... na verdade o problema é mesmo o presente. As dúvidas estão vindo só agora, e...

— E?

— E eu já nem sei mais quem eu sou.

Harry pensou por um segundo e decidiu se aproximar de Draco em algumas carteiras.

— Então talvez esteja na hora de ser alguém novo.

— Ha. O que você quer, um novo Draco Malfoy? Nobre e bonzinho? Porque isso não vai acontecer nem em...

— Não — Harry o cortou gentilmente. — O mesmo Draco de sempre está ótimo. Só com algumas pequenas mudanças.

— … que mudanças?

— Bom... pra começar, fale alguma dessas coisas que estão te pressionando, alguma dessas dúvidas. Talvez ajude.

— Por que você se importa?

Harry suspirou.

— Não sei, Draco. Já desisti de tentar achar explicação para o que eu sinto. Só fala logo.

O sonserino o olhou por um momento.

— Acho que eu deveria... agradecer.

— Pelo quê?

— Por... salvar minha vida. Eu nunca agradeci de verdade. E também por não ter contado para ninguém.

— Sua vida teria virado um inferno.

— Eu sei. Então... obrigado... — ele terminou quase num sussurro.

Harry pensou mais um pouco e caminhou para mais perto dele. Draco sentiu a proximidade e o olhar sobre ele.

— Valeu a pena — Harry disse.

Ficaram em silêncio por mais alguns instantes, Harry parado em frente a Draco e este sem nunca levantar o olhar.

— Bem, eu... vou almoçar, então. E acabar com a raça do Gerard.

— É... é, faça isso.

Harry sorriu, mesmo que Draco não estivesse olhando. Ele passou por entre as cadeiras em direção à porta, mas uma mão segurou seu braço, impedindo-o.

— Harry... — Draco falava muito baixo, o rosto virado para outro lado. — Podemos conversar de novo?

O garoto permaneceu imóvel, encarando a mão que ainda o apertava suavemente. O arrepio que sentiu teria sido por culpa da pele fria de Draco?

Claro, claro.

— Podemos — Harry respondeu por fim. O aperto de Draco afrouxou e escorregou. Eles deixaram que suas mãos ficassem juntas por um segundo.

Harry saiu da sala rapidamente e Draco ficou lá. Os dois tinham a irritante certeza de que o outro ouvira seus batimentos cardíacos, de tão acelerados que estavam.

E os dois tinham a terrível sensação de que seus corações palpitantes tinham ido parar um na mão do outro.

Notas finais
Eu sei, não aconteceu nada tão incrível. Mas eu não podia entregar um beijo tão rápido, né?
Além do mais, gosto de torturar esses dois... Todos, aliás. Meus personagens sempre sofrem, ou morrem, ou sofrem e morrem. Eu deveria me preocupar?
Hmm.
Enfim -q
Até o próximo!