Notas iniciais
Oi -q
É isso aí, estou postando essa coisa.
Ainda não sei se terá lemon, provavelmente sim, mas não faço ideia quando. Então, é.
Boa leitura :)

Paz.

Era isso o que todos os alunos respiravam na estação; além, claro, do cheiro de dezenas de corujas e gatos, de pergaminho novo e do Expresso de Hogwarts esperando seus embarques.

Mas não havia como negar que o clima estava agradavelmente calmo. Ninguém falava mais alto do que era necessário, ninguém brigava por passagem, e poucas pessoas não tinham um sorriso no rosto. O fato de estarem indo para Hogwarts depois de tudo que aconteceu, depois de terem eles mesmos ajudado a combater o exército do Lorde das Trevas e terem visto metade do castelo ser destruído no processo, deixava impossível não estar alegre ao poder finalmente voltar.

A ansiedade era grande, mas todos no fundo já imaginavam como seria o ano, e não se incomodavam com isso. Minerva McGonagall com certeza seria uma diretora quase tão boa quanto Dumbledore havia sido, e ninguém precisaria se preocupar com Comensais da Morte “dando aulas”. Tudo seria muito bom.

Pelo menos no âmbito geral, nada tinha chances de dar errado. E nada daria. Não haveria uma nova guerra nem nada disso.

Tudo o que aconteceria seria algo que acontece todos os anos, com diversas pessoas, e que ninguém nunca percebe. Às vezes até quando deveriam perceber.

Afinal, cada aluno tem sua vida. Não é só sobre conseguir notas boas e atacar Comensais da Morte. Existem algumas outras coisas tão importantes quanto isso que podem ocorrer dentro das paredes do castelo; coisas sobre as quais o Ministério da Magia talvez não se interesse, mas que são de imensa importância para os que as vivenciam. Todos têm seus dramas pessoais, certo?

E o grande drama da vida da maioria das pessoas — pelo menos se você não for um garoto destinado a salvar o mundo ou algo do tipo — é o amor. Mas ele nunca vem sozinho. Não dá para simplesmente se apaixonar e viver feliz para sempre, porque, querendo ou não, o amor não é a única coisa na vida de ninguém. Existe também a família, a amizade... apesar de essas serem formas de amor... De qualquer jeito, existem mais coisas. Sonhos, decepções, mágoas; a nota final em Feitiços, a viagem de férias para casa, o presente para aquela irmã chatinha. É incrível como tudo isso pode ser afetado pelo simples drama de amar.

E, o que é pior, sua própria consciência pode ser afetada. E se, de repente, você já não soubesse o bastante sobre si mesmo? E se todas as suposições começassem a balancear, e você já não tivesse certeza sobre o significado de seus próprios pensamentos e desejos? Uma definição pessoal não é, como muitos gostariam de acreditar, uma simples questão de colocar um chapéu na cabeça e deixá-lo dizer qual é o seu lugar. Nós somos bem mais complexos do que isso — nós todos, bruxos, trouxas, elfos, duendes, e tudo mais que pensa e sente. Nós não somos completos, talvez em nenhum momento na vida, que dirá com menos de dezoito anos!

Mas não é o que pensamos, claro. Achamos que nos conhecemos, e quando alguém nos diz que nossa maior qualidade é a determinação, ou a bondade, ou a inteligência, ou a coragem, nós fatalmente balançamos a cabeça e dizemos “é, isso aí, eu já sabia”.

Era o caso de um grupo de estudantes de Hogwarts. Quer dizer, é o caso de quase todos, mas iremos nos focar em um específico. Enquanto Harry Potter, Hermione Granger e Rony Weasley são cercados de admiradores assim que entram na Plataforma Nove e Meia, para começar seu sétimo ano e dessa vez realmente frequentar a escola, nós nos aproximamos de alguns outros sujeitos interessantes, ainda que estejam bem afastados uns dos outros — por enquanto.

Segurando a gaiola de sua coruja e puxando suas malas distraidamente, Gerard Way caminhava, com seu irmão Mikey, procurando algum amigo para poderem entrar e achar uma cabine juntos. Encontraram dois ao mesmo tempo.

— Hayley, Ray! — Gerard exclamou, dirigindo-se à bruxa ruiva e ao jovem sorridente de cabelos armados.

— Ah, droga, os irmãos Way chegaram — Ray Toro falou, fingindo desapontamento. — Achei que ia dar pra despistar vocês antes de entrarmos no trem.

— Por favor, Ray, até parece que você não nos ama — disse Mikey, sorrindo timidamente.

Ray revirou os olhos e não respondeu.

Os quatro começaram a conversar sobre como foram as férias, passando logo ao assunto que chegaria inevitavelmente: a batalha do ano anterior.

— É uma droga que eu ainda não fosse maior de idade — Gerard reclamou. — Eu queria mesmo ter ajudado, mas fomos expulsos de lá.

— Eu sei, nem nos deram chances! — Ray concordou.

— Nós nem teríamos chances, de qualquer jeito — Hayley disse, arqueando as sobrancelhas. — Alguns menores que voltaram escondidos acabaram morrendo. Vocês sabem disso, não sabem?

Nenhum deles achou prudente contestar.

O apito anunciando a partida iminente do trem soou forte nos ouvidos de todos e a movimentação aumentou. Gerard e Mikey esticaram os pescoços e viram seus pais se aproximarem, terminando rapidamente uma conversa com algum outro casal.

— Estão prontos? — Donald perguntou, e abraçou o filho mais novo sem esperar resposta. — Comportem-se lá, ok?

— Qualquer coisa mandem uma coruja, ou se for mais urgente, tenho certeza que McGonagall não se importará em ceder uma lareira por alguns minutos...

Gerard e Mikey aceitaram quietos todas as recomendações e despedidas que se repetiam todos os anos, sabendo que não adiantava resistir. Eles só se veriam livres dos abraços e do falatório quando o trem já estivesse praticamente andando.

— Até o Natal! — foi a última coisa que Donna disse antes que eles subissem no trem, acenassem e fossem procurar uma cabine.

Passaram por Ray, sorriram e prosseguiram com a procura; Ray iria se sentar com seus amigos da Lufa-Lufa, provavelmente Steve Forrest e um garoto tímido que era conhecido como Mika.

Os irmãos levaram alguns minutos até encontrarem Hayley, que já havia embarcado há tempos. Acomodaram-se e suspiraram. Agora era só esperar.

— Eu sei que digo isso toda hora — Hayley comentou. — Mas eu realmente queria que o Ray fosse da Grifinória também.

— Eu sei — Mikey suspirou. — Ele é do meu ano, seria legal.

— Provavelmente mais legal do que andar com aqueles dois com quem ele anda — Gerard falou.

— Você mal fala com eles, como pode saber que não são legais? — Hayley disse, ligeiramente acusatória.

— Sei lá, são estranhos — Gerard respondeu, dando de ombros. — Aquele magrelo parece que é mudo, e o outro é cheio daquelas tatuagens de trouxas.

— Eu gosto delas — Hayley sorriu. — Acho que deixam ele bonito.

— É, mas não é só ele que tem dessas, né — Gerard falou, abaixando o tom de voz. — O Iero também tem algumas, eu vi no ano passado.

— Bem, ele pode ter muitos defeitos, dignos de um sonserino — Hayley disse, virando o rosto para a janela. — Mas ele também é bonito.

— Você acha? — Mikey questionou.

— Acho, não sou cega. Ele, o Armstrong e o Dirnt são os melhores da Sonserina. Pena que são tão idiotas.

— Mesma coisa pra Momsen — Gerard fez uma careta misturada com sorriso. — Ela é linda, mas...

— Sonserina — Hayley e Mikey disseram juntos.

— Ei, porque estão xingando? — ouviram uma voz vinda do corredor e viraram os rostos para descobrir mais um grifinório.

— Tré! — sorriram para ele e o convidaram para entrar.

— Não, valeu, eu vou ajudar o Potter.

Os três franziram as testas.

— Ajudar a quê?

— A respirar! Ninguém deixa ele e os outros dois em paz, fiquei com dó.

— Dó, claro — Hayley falou, irônica. — Não tem nada a ver com tentar se aproximar dele.

— Você acha que eu preciso ficar perto de alguém famoso para brilhar, Williams?

— Não, você faz isso muito bem sozinho.

— É bom que você saiba.

— Mas como você vai dispersar a multidão ao redor deles? — Mikey quis saber.

Tré Cool sorriu, de uma forma interessante e assustadora que era só dele.

— Eu fiz algumas compras antes de vir para cá.

— As Gemialidades Weasley?

Tré piscou e se afastou.

— Não se assustem se ouvirem uns barulhos meio altos — ele gritou antes de sumir.

Os três riram.

— Pelo menos temos ele na Grifinória — Gerard comentou. — Não é a mesma coisa que foi ter os gêmeos, mas ele dá um show particular.

Enquanto confirmavam com as cabeças, Hayley e Mikey viram passar pelo corredor mais dois conhecidos de outra Casa.

— Oi, vocês — Brian Molko e Stefan Olsdal falaram rapidamente, antes de sorrir e se encaminharem para uma cabine com outros alunos da Corvinal.

Em mais alguns segundos, ouviram as vozes de Billie Joe Armstrong e Mike Dirnt no corredor e viraram juntos as cabeças para a janela. Só voltaram a se encarar quando perceberam que os sonserinos estavam longe, e repetiram a cena de ignorância solene quando Frank Iero passou com Taylor Momsen.

Continuaram a conversar sobre qualquer coisa conforme a viagem se alongava, imaginando que aquele ano seria como todos os outros; ou, se tivessem sorte, melhor que os outros. Era um pouco chato estar repetindo um ano inteiro, mas eles sabiam que não tinham aprendido nada direito sob o que era o domínio de Voldemort.

Ou seja: como em todos os dramas, nenhum deles esperava que qualquer coisa diferente fosse acontecer às suas mentes e corações. Nenhum imaginava que, em pouco tempo, muitas certezas cairiam, e eles se veriam perguntando quem era quem na história toda.

Porque, afinal, quando se trata de amor, como saber quem são os mocinhos e quem são os bandidos?


Notas finais
Não estão todos no mesmo ano também, mas os mais novos estão no quinto.
Eu acho que eu tinha alguma coisa pra falar... ah, se eu lembrar eu edito.
Ok, é isso, comentem, por favor ;-;