Notas iniciais
o/
A segunda parte do capítulo tem música. Música foda. Daquelas que te faz chorar enquanto escreve '-'
http://letras.mus.br/placebo/1487093/traducao.html
Coloquem pra tocar quando a letra aparecer, sim? Eu mudei um pouco a tradução aqui.
AHHH É. Sabem o que eu ganhei de aniversário (atrasado -q) da Adrenaline Earthquake? ISSO: http://twitpic.com/b3m1e2
AWWWWW! Notaram a Hay e a Taylor brigando lá atrás? Notaram? Notaram? É a primeira vez que uma fic minha ganha ilustração. Por favor, gente, apreciem, ficou muito legal ♥
O capítulo é meio triste, mas façam como eu e olhem pra esse desenho pra ficar feliz de novo.
Ah, tem um link e uma informação adicional aí -qqq

Gerard e Hayley se encontraram na porta da sala de Feitiços. Pararam, encararam-se e correram para perto um do outro.

— O que aconteceu com você? — perguntaram ao mesmo tempo.

Hayley rolou os olhos e Gerard abriu a boca para falar, mas nesse momento o professor chegou e eles tiveram de se calar. Sussurraram que deixariam a conversa para o fim do dia e assim fizeram, aguentando mais três aulas sob um silêncio quase ininterrupto e insuportavelmente ansioso.

Haviam se esquecido, porém, de que teriam companhia. Mikey sempre se unia a eles na volta para a sala comunal da Grifinória. Eles estavam afastados de outros alunos, mas a presença do pequeno os fez hesitar por um momento.

Só um momento.

— Então, o que aconteceu? — perguntaram novamente.

— Você primeiro — mais uma vez juntos. — Você!

— Meu Deus, o que aconteceu? — Mikey questionou, já começando a ficar assustado.

— É o que queremos saber — Gerard disse. — Depois da aula de Poções, eu fui com o Frank andar pelas masmorras...

— Você o quê?

— … e a Hay foi com a Taylor pra não sei aonde.

— Ela o quê?

Hayley fez um gesto impaciente com a mão para o garoto, ainda se focando no mais velho.

— Gerard, aquilo foi porque o Frank queria falar com você. A Taylor só me tirou do caminho porque ele pediu. Então você é quem tem de falar primeiro.

— Mas...

— Fala logo!

— Ele quase me beijou!

Um som rápido e cortante de pés derrapando varreu o corredor, o que fez com que alguns estudantes virassem as cabeças. Gerard se encolheu e tentou continuar andando naturalmente. Mikey e Hayley se recuperaram do choque e correram para acompanhá-lo.

— Ele... você... como... — Hayley tentava cuspir todas as palavras de uma vez, até que respirou e escolheu algo único para falar. — Como foi?

Gerard abaixou tanto o tom da voz que eles tiveram de se grudar a ele para ouvi-lo. Narrou, sem muitos detalhes, o momento em que teve certeza que Frank estava prestes a beijá-lo.

— Mas... mano... tem certeza? — Mikey quis saber, preocupado. — Ele podia estar brincando... você sabe como é...

— Ah, cala a boca, Mi — Hayley o interrompeu. — Esquece que ele é sonserino uma vez na vida.

Mikey fez uma cara emburrada, mas ficou quieto por enquanto.

— Não sei, é possível... mas improvável. Ele não brinca com ninguém, ele mal fala com as pessoas. Por algum motivo, quis ficar conversando comigo como se fossemos amigos, pra depois fazer isso? Não vejo sentido nenhum em perder todo esse tempo se ele não me atingiu de nenh-

— Não te atingiu? — dessa vez Mikey e Hayley falaram juntos, rindo, e Hayley continuou. — Gerard, você tá da cor do meu cabelo.

— Irrelevante — Gerard murmurou, corando mais. — É claro que tô com vergonha de falar nisso, mas não significa...

Significa — Mikey o cortou. — E é bom você ver isso logo, porque se eu estou certo, o Frank vai poder se aproveitar dos seus sentimentos...

— Não tenho nenhum sent-

Dos seus sentimentos — Mikey falou um pouco mais alto, e Gerard gesticulou para que ele abaixasse o tom de novo. — e te magoar mais tarde. Sério, Gee, se você não tomar cuidado...

— Ou talvez ele esteja gostando mesmo do Gerard, já pensou nisso? — Hayley disse, com um ar orgulhoso. — É a explicação mais lógica.

— Não sei, não... O Gee se deixa levar fácil.

— Parem de falar como se eu não estivesse aqui! Eu já tenho muito o que pensar sem suas teorias idiotas.

— Ok, ok. Mas hey, o que o impediu de consumir o ato pra valer? — Hayley falou.

— Ah, é. — Gerard pareceu mil quilos mais leve com a mudança de assunto. — Harry e Draco. Nós ouvimos um deles...

Os dois seguiram bem devagar, ouvindo a narrativa, com constantes “Não, sério?” enfiados no meio.

Sério — Gerard repetia. — Teve uma hora que eu até falei pro Frank que devíamos fazer alguma coisa, porque realmente parecia que o Draco ia... sabe. Mas ele me fez calar a boca e aí...

Já nem se preocupavam tanto com a altura da voz, já que haviam ficado para trás. Ao chegarem ao corredor da Grifinória, Gerard já havia terminado seu relato e Mikey e Hayley cessaram os comentários polvorosos.

— Mas e você? — Mikey perguntou à Hayley, lembrando-se de que ela também tinha histórias a contar. — Como a Taylor te afastou deles?

Hayley olhou para os próprios pés e corou. Gerard deu uma risadinha debochada.

— Que, vai dizer que ela também quase te beijou?

— … não.

— Então por que você tá...? Hay?

— Não foi quase — Hayley sussurrou tão baixo que eles não tiveram certeza de ouvir, e seguiu rapidamente em direção ao retrato de passagem.

Abruptamente, Mikey segurou o braço dela e a fez virar de volta pra eles. Seu olhar estava duro.

— O que você disse?

Hayley olhou de um irmão para o outro lentamente.

— Eu disse que não foi quase. Ela me beijou. Dá pra me soltar agora?

Mikey não fez o que ela disse imediatamente, olhando-a sem expressão. Então puxou sua mão de súbito, como se ela tivesse alguma doença, apesar de seu rosto ainda estar em branco. Ele deu um, dois passos para trás, olhou para Gerard por um instante e começou a correr na direção oposta à do retrato.

— Mikey! — seu irmão e Hayley gritaram, mas ele os ignorou até desaparecer em uma curva.

— O que deu nele? — a ruiva exclamou, irritada. — Era só o que me faltava, ele ficar assim porque ela me beijou. Como acha que eu estou? Pelo amor de Deus, Taylor Momsen me agarrou, e eu deixei, imagina como eu estou me sentindo. Só imagina, Gerard. Foi bem pior do que você com o Frank...

Hayley seguiu falando, baixo, meio histérica, mas Gerard observava o local onde Mikey sumiu com um vinco apreensivo entre as sobrancelhas.

——

Ele engoliu os soluços imediatamente e se transformou em uma pequena bola assim que ouviu os primeiros barulhos. Mikey estava em um banheiro, vários corredores afastado da Grifinória, enrolado em si mesmo dentro de um box, sentado sobre a privada. Assim que reconheceu as vozes que vinham entrando, se xingou mentalmente por ter parado perto da torre da Corvinal.

— … ficaria melhor assim, eu tô dizendo...

— Brian, está ótimo do jeito que tá. Por que você não aceita que sua parte tá feita? — Mikey reconheceu uma voz que não pertencia à Corvinal; levou alguns segundos para associá-la à Steve, mesmo que sempre o visse, por ser amigo de Ray.

— Porque ele acha que isso significa que ele vai estar excluído do resto do processo — Stefan afirmou, convicto.

— Isso não vai acontecer! — Steve retrucou, parecendo chocado e até meio ofendido com a ideia.

— Talvez não por mal — Brian disse. — Sei que vocês não fariam de propósito, mas sem querer poderiam acabar...

— Shhh — alguém fez, de forma suave, e obteve resultado imediato.

Mikey agitou a varinha, sussurrou algo e criou uma espécie de “feitiço-reflexo” por baixo da porta, podendo então ver os três pares de pés que se encontravam do lado de fora; não o fez por cima por medo de ser visto. Reconheceu Steve imediatamente pelos tênis de trouxa que só ele usava. All Star, era esse o nome? Tinha uns desenhos sem sentido e uma correntinha de prata presa ao lado. Apesar de nunca ter comentado, Mikey sempre gostou deles.

Os pés de Steve estavam um pouco mais afastados que os outros dois pares, o que fez Mikey associar o “Shh” à Stefan.

— Ah, tá, que seja — Brian desistiu, e ficou na ponta dos pés, como se para beijar o outro rapidamente. Mikey sabia que era ele porque Stefan era o mais alto dali, não precisaria ficar na ponta dos pés para nada.

— Nós vamos fazer tudo juntos — Stefan recomeçou. — A letra tá ótima, assim que chegar o violão que você pediu pros seus pais nós vamos ter uma base, e nas férias só vai faltar adicionar a bateria.

— Eu ainda acho que podíamos pedir pra minha mãe enviar uma peça por vez... — Steve resmungou, e os outros dois riram.

— Eles não vão permitir uma bateria em Hogwarts, Steve — Brian falou, seus pés se encaminhando para os All Star e se erguendo novamente para um provável selinho ou algo que o valha, mas não muito, já que Steve não era alto. — Muito barulho.

Pela próxima risada de Brian, Mikey imaginou que Steve deva ter feito uma cara engraçada... apesar de Stefan não ter rido. Seus pés ainda estavam fixos no mesmo local.

Mikey soltou um suspiro contido. Havia se contorcido com o susto ao ouvi-los entrando, e agora estava em um posição bem desconfortável; sobre a privada, os pés apoiados em uma parede do box e a cabeça na outra, ele estava quase escorregando para o chão pelo lado das costas. Sua cabeça era o que realmente o apoiava, e seu pescoço já estava reclamando.

— Mas vocês pediram permissão para o violão? — Steve perguntou.

— Claro — Brian respondeu. — Não dá pra vir com uma coruja só, tem que pagar o mesmo tanto que entrega vassouras, e minha mãe não iria gastar se soubesse que seria viagem perdida. Aposto que ela chegou a falar com a McGonagall pra ter certeza que eu não estava mentindo sobre a permissão.

Mikey escorregou um pouco e prendeu a respiração.

— Por que ela desconfiaria de você?

— Ah, amor. Porque ela é esperta, só por isso.

Brian caminhou para o lugar onde a bancada com as pias ficava, e num impulso para cima, seus pés sumiram.

— Você não queria ir no banheiro, Stef?

— Quê? Ah, é.

Stefan caminhou para a esquerda ao mesmo tempo em Mikey escorregou mais um pouco. Ele colocou uma mão para trás por instinto, com força, e o som da sua batida na parede do box ecoou horrivelmente alta no cômodo. Stefan parou de andar.

— … tem alguém aí? — Steve questionou, um timbre ligeiramente assustado na voz.

Mikey decidiu que o pior já fora feito e se ajeitou de uma vez, o barulho de suas vestes farfalhando também audíveis, apesar de baixas. Ele quebrou o feitiço de reflexo, que poderia ser visto se alguém olhasse por debaixo da porta, e recolheu os pés, torcendo para que fossem embora.

Porém, sem poder ver os pés, ele não pode prever quando Stefan se aproximou e abriu a porta de repente.

— Por Merlin, menino, não assusta assim de novo! — ele reclamou. — Ano seguinte à Última Batalha e você fica fazendo barulho no banheiro?!

Mikey abaixou o olhar e murmurou um pedido de desculpas que ninguém ouviu. Brian e Steve se aproximaram.

— Mas o que você tá fazendo aí? — Brian apareceu empurrando Stefan gentilmente para o lado.

Mikey deu de ombros, ainda sem olhar. Queria que entendessem que ele queria ficar sozinho.

— Fugindo de alguém? — Stefan tentou, com uma voz amável, compreensiva. Mikey o encarou finalmente e sentiu um certo relaxamento ao ver sua expressão de compaixão.

— Mais ou menos. É.

Os três amigos suspiraram ao mesmo tempo. Brian empurrou Stefan de vez e estendeu a mão para Mikey. O grifinório hesitou, mas aceitou, sendo logo puxado para fora.

Brian o levou até a bancada e soltou sua mão, pulando para se sentar de novo no espaço que vem antes da pia. Stefan e Steve ficaram ao seu lado.

— Quer conversar? — Steve perguntou.

— Não, claro que não. Vocês não tem nada a ver com...

— Agora temos — Brian e Stefan juntos, e Brian prosseguiu: — Acabamos de achar um garoto chorando escondido no banheiro. Virou nosso problema.

— Eu não estou chorando.

— Mas estava. Olhos vermelhos. Tá na sua cara.

Mikey não quis argumentar. Steve colocou uma mão sobre seu ombro.

— Fala, cara, vai te ajudar. O que aconteceu?

— Nada... nada demais, na verdade. Eu devia estar preparado.

— Como assim?

— Esquece, gente. Valeu pela preocupação, mas é besteira minha. Eu devia saber que algo assim podia... iria acontecer.

Os três amigos trocaram olhares e sorriram de leve um para o outro. Brian se voltou para ele.

— Você não sabe como você está passando — ele falou, mas de uma forma mais aveludada que o normal, mais arrastada... ele cantou. — Você não sabe pelo que está passando. Você não sabe por quem você está passando.

Mikey ficou confuso, mas associou aquilo à conversa sobre instrumentos musicais que eles estavam tendo há pouco. Seria essa a letra da qual falavam? Provavelmente.

— Então você vem desfeito.

Brian estava inventando um ritmo na hora. Mikey ouvia com atenção. Era bom ouvi-lo. Steve começou a bater de leve na bancada, acompanhando o que Brian criava.

— Você não sabe como você está passando, agindo como se não se importasse. Andando como se estivesse em algum tipo de cruz... e é uma pena pra você que a ironia esteja perdida, quando você vem desfeito.

Stefan passou a sussurrar a letra junto com o amigo, apesar de este estar cantando um pouco mais alto.

You come undone. You know, you come undone. You know, you know, you know...

Havia algo naquela simples junção, da voz, do sussurro e do acompanhamento, que fez Mikey entrar em si mesmo com mais força do que gostaria. Era uma sensação estranha, boa, desejada e ao mesmo tempo dolorosa. Ele sentia algo precisamente no peito, como se seu coração estivesse entendendo aquelas palavras melhor do que ele mesmo — o que podia muito bem ser verdade. E seja lá o que for que seu coração estivesse entendendo, doía; doía, mas o dava esperança. Como se... quase como se ele realmente esperasse que, um dia, ele pudesse estar “feito”.

Ele desviou o olhar, sentindo as lágrimas voltarem, mas nenhum dos outros três parou por isso.

Steve se animou por um momento, usando as duas mãos na bancada, sem exagerar, mas claramente envolvido; os olhos fechados, a boca ligeiramente aberta, sem se importar com como estivesse parecendo aos olhos dos outros. Ninguém se incomodava mesmo.

Sem muita demora, porém, ele voltou com a lentidão nas batidas e Brian retomou a música.

You don't know how you're coming across.

Mikey desistiu de tentar segurar as lágrimas. Ficou ouvindo, olhando para baixo, até sentir o abraço de lado de Stefan, seu sussurro continuando.

— E eu não acho que você esteja ciente do custo... So you come undone!

Mikey levantou a cabeça e viu Brian de olhos fechados, cantando mais alto, mas não gritando, apesar de sua voz ecoar tanto que parecia uma gritaria de qualquer jeito.

You come! You come undone; you know, you know, you know!

Todos voltaram à si depois de alguns momentos em silêncio. Mikey chorava quieto, Stefan ainda o abraçava, e Brian agora o olhava com um pequeno sorriso.

— Não sei definir se essa sua reação foi boa ou não — ele falou.

— Foi ótima — Mikey sorriu de volta, tristemente. — Eu imagino como seria se tivesse mais coisas... tipo uma bateria.

Ele olhou para Steve e piscou para ele, sentindo algo escorrer em sua bochecha ao fazer isso.

— Ainda não quer falar? — Stefan perguntou.

Mikey inspirou fundo e falou tudo de uma vez.

— Tem essa garota. Eu gosto dela. Ela acabou de dizer que beijou outra pessoa.

Ele sentiu os dedos de Stefan apertarem seu ombro, como se ele tivesse acabado de sentir a mesma dor.

— Na sua frente? — Steve falou, quase assombrado.

— É.

— Nossa, como ela pôde fazer isso, sabendo que você ia... ai!

Brian o socara de leve. Steve não era a pessoa com mais tato do mundo.

— Não, não, ela não sabe. Não faz ideia. Eu sou... — ele hesitou, sabendo que aquilo entregaria o jogo, mas desistiu de resistir. — Sou um amigo.

— Ahh, amigo — Steve disse, balançando a cabeça. — É o pior, ela vai demorar séculos pra perceber.... desculpa, desculpa!

Stefan deu um jeito de socá-lo também.

— Já tentou falar com ela? — Brian perguntou, e Mikey soube que ele já sabia quem era.

— Não. Não é tão...

— … fácil, eu sei que não — Stefan completou. — A coragem vai aparecendo aos poucos.

— É. É, acho que sim.

Ninguém soube mais o que dizer. Stefan se afastou, Mikey limpou as lágrimas e Brian pulou da bancada.

— Obrigado por quererem me ajudar — ele falou. — Sério. Só podem, por favor...

— Não contar pra ninguém? — Brian adivinhou. — Claro.

— Valeu — Mikey sorriu e se virou, caminhando para a saída na frente deles. Virou-se antes de sair. — E sobre a música... não sei o que vocês estão planejando, mas se tem a ver com isso, continuem. Por favor, continuem.

Ele ficou contente em deixá-los com três dos sorrisos mais satisfeitos que já havia visto. Era um bom contraste ao que ele mesmo sentia.

Mikey gemeu baixinho ao caminhar de volta para a entrada da Grifinória, lembrando-se que não só veria Hayley, como também teria de enfrentar Gerard. O último olhar que lhe lançara fora muito forte para que o irmão não percebesse. Ele desejou saber se camuflar melhor, saber como agir, saber como...

Como o quê? Ninguém nasce sabendo, Mikey, ele pensou. Ninguém nasce feito.

Notas finais
HA. Aposto como a maioria de vocês não tava nem aí pro Mikey, e ele é o que mais sofre. u__u Desculpa, Ana '-'
Eu acho que tinha mais alguma coisa pra falar. Odeio essa sensação >_>
Comentem! :D