The Revenge Of Apófis
4 Capítulo 3 - Uma visita inesperada e estranha
Notas iniciais
Acordei na enfermaria, a cortina estava fechada ao redor da minha cama e Lius dormia de boca aberta em uma cadeira ao lado. Espera, Lius aqui? Dentro da Casa do Brooklyn, o Vígésimo Primeiro Nomo?
Você pode estar se perguntando por que isso é tão estranho. Bem, aqui é um quartel general de magos, nós adoramos e estudamos os deuses egípcios. Deuses Egípcios e Gregos vivem em paz no presente, mas cada um tem seu território, uma mistura dos dois lados poderia ser perigosa. Com isso você entende uma boa parte dos problemas que atormentam minha vida.
Lius nunca havia entrado na Casa do Brooklyn, nem havia chegado no pátio. Ele sempre falava que não conseguia, que um pressentimento ruim o tomava e algum sentimento louco de sátiro o mandava sair dali, mas a verdade é que os encantamentos de proteção na casa expulsavam deuses e monstros.
Lius era um sátiro protetor do Acampamento Meio-Sangue, meu lar no verão, ele me encontrou em minha escola a dois anos atrás e me contou uma coisa que eu já sabia desde que eu me lembro, meu pai me contou a verdade sobre minha mãe logo que eu consegui pensar sobre isso, eu devia ter uns cinco anos. Era o primeiro trabalho de Lius e o coitado encontrou justamente a mim. Meu caso foi levado para o Acampamento e Lius foi designado para me proteger.
Diferente dos outros sátiros, Lius treinou como um semideus, além de treinar as habilidades satirescas dele, ele era expert em combate com espadas, lanças e arcos, além de poder fazer uma árvore crescer apenas tocando uma música em sua flauta, mas mesmo assim eu tinha pena dele, ninguém merecia o trabalho de me proteger.
Me mexi e ele imediatamente pulou, pronto para lutar. Quando me viu ele sorriu embaraçado.
– Oi – falei – tendo pesadelos?
– Sim – respondeu ele — você está melhor?
– Estou. Quanto tempo? – falei, mexendo os braços e pernas sem nenhuma dor.
– Apenas um dia – respondeu ele – foi ontem.
– Alguma novidade? — perguntei, feliz por não ter ficado apagada por muito tempo.
– Nenhuma importante, os magos foram até a escola consertar os estragos e Jaz mexeu com a mente de algumas testemunhas.
– Testemunhas? Eu não vi ninguém no estacionamento – respondi, tentando fazer meu cérebro funcionar.
– Haviam algumas pessoas nas janelas que viram uma parte da batalha, mas não sei o que elas viram, os egípcios não são encobertos pela Névoa.
– Uh – falei inutilmente, eu também não sabia – mais alguma coisa?
– Bastet passou aqui ontem e hoje pela manhã e depois foi encontrar seus avós – falou Lius – e Willian veio te ver também.
– Quando? — perguntei e me arrependi. Will era meu amigo mais próximo, depois de Lius, e as vezes eu pensava que éramos um pouco mais que amigos. Lius sentia uma espécie de ciúmes saudável de Will, nada amoroso, apenas ciúmes de amigo, ele namorava uma ninfa chamada Anice, da floresta do acampamento.
– Hoje de manhã, antes de ir para a aula – falou Lius com aquela cara que ele fazia quando falava de Will.
– As aulas continuaram normais? — perguntei, tentando mudar de assunto.
– Sim, Cleo disse que quando eles eram novatos, eles não pararam de ir a aula nem quando Apófis estava prestes a se erguer e blá, blá, blá.
Cleo era nossa bibliotecária, tinha uma memória e inteligência incríveis e seguiu o caminho do deus Tot, o deus do conhecimento, então quando se fala de “estudar”, ela se empolga um pouquinho.
– Melhor assim – falei, pulei da cama e dei alguns passos hesitantes. Certamente o veneno de uma deusa iria demorar para sair de um organismo humano, certo? Errado. — Jaz é incrível.
– Ela é mesmo, mas a ambrosia ajudou.
– Ambrosia? Como Jaz tinha ambrosia com ela? — percebi que o líquido que Jaz havia coloca em minha boca na noite anterior era ambrosia, a comida dos deuses que queimaria até os ossos de um mortal normal. Para semideuses, se não consumida em excesso, era uma potente cura, devia ser esse o principal motivo da minha cura extraordinariamente rápida.
– Eu entreguei um frasco a ela, naquele dia que os Uraeus invadiram a escola – um calafrio percorreu o corpo dele. Não sei se foi a memória daquele dia, ou por estar em território completamente egípcio.
– Ahh – resmunguei sem nexo, me lembrando dos acontecimentos que fizeram Lius perceber que eu era uma semideusa. Dezenas de uraues invadiram a escola e atacaram eu e alguns de meus colegas magos. Os uraeus, cobras aladas que soltavam fogo de sua bocas e expiravam ar sulfuroso de suas narinas, e que deveriam proteger o deus Rá em sua jornada pelo Duat, estavam aparecendo por todo o mundo e atacando magos e Nomos. No começo do ano passado eles atacaram a escola, dezenas de uraeus contra oito novatos que estavam começando a estudar o caminho dos deuses e cerca de quinze crianças magas de seis a dez anos, que ainda estavam aprendendo a dominarem sua magia. Eu e os outros sete novatos protegemos os pequenos como podíamos, enquanto eles lançavam seus lápis de cor, giz de cera e cadernos que explodiam na cara dos monstros. Eles podiam não conseguir proferir encantamentos, mas seus lápis encantados eram tão mortais quanto.
Quando Lius viu o que estava acontecendo, correu para dentro da escola, naquele tempo nem nos conhecíamos, eu imediatamente pensei: ele vai chamar a polícia. Mas quando eu vi ele correndo em nossa direção novamente com uma espada de bronze, eu pensei: que merda esse idiota pensa que vai fazer? No começo pensei que ele poderia ser um mago, mas quando ele começou a lutar fatiando monstros e mais monstros eu concluí que não fazia ideia do que ele era.
Nós aguentamos até que Jaz e os outros instrutores da Casa da Vida responderam ao meu chamado e vieram com o barco oficial da Casa do Brooklyn (sim, um barco em estilo egípcio voando pelos céus do Brooklyn), sendo puxado por Freak, o grifo do vovô (longa história), sua garras e bico de águia dilaceraram alguns uraeus enquanto ele pousava com suas pernas traseiras de leão, suas asas moviam-se a uma velocidade absurda para acompanhar.
Em instantes os uraeus foram reduzidos à pilhas de areia, Lius estava suado e seus cabelos estavam chamuscados, os pequenos pulavam de felicidade e gritavam: “morram cobras malvadas” ou “nós detonamos as cobrinhas do mal”, os outros novatos que mantiveram os escudos estavam exaustos e minha cabeça ia explodir, nunca havia usado tanta magia. E ainda tive que explicar tudo para Lius.
Voltei a realidade quando passos ecoaram na enfermaria, uma voz forte conversava em sussurros com Jaz. Papai. Corri para fora do casulo de cortinas para encontrar meu pai. Eu não o via já fazia um bom tempo, ele estava, digamos, ocupado. Ele usava um simples pijama de mago branco, não era exatamente um pijama, mas lembrava muito, calça e camiseta de linho e sapatos simples, nada de material animal (atrapalhava na magia). Seu cabelo estava bagunçado e um corte recente corria em um lado de seu rosto.
– Lúcia – falou ele e correu para mim, seu rosto se contorceu em uma careta de dor. Corri e pulei em seus braços, Petter Kane não era alguém que pudesse ser chamado de alto, ele tinha altura mediana, braços fortes e ombros largos. Ele havia herdado os traços de Carter e os cabelos pretos de Zia, os quais eu havia pegado para mim. A única coisa que eu tinha parecida com a família, meus traços e minha pele eram diferentes dos traços fortes e da pele morena dos Kane, e também não eram parecidos com os traços árabes dos Rashid.
– Papai, o que foi isso? — perguntei apontando para seu corte que ainda sangrava.
– Encontrei alguns demônios no caminho – respondeu ele – mas isso não é importante, como você está?
Realmente isso não era importante, demônios estavam aparecendo em qualquer lugar nos últimos dois anos. — Estou bem, Jaz me curou a tempo. Eles voltaram. Papai, os deuses voltaram.
– Jaz me contou, ah Lúcia, me perdoe. Me perdoe por trazer isso para a sua vida.
– O que? O que você quer dizer? — perguntei.
– Lúcia, você precisa descansar. — falou Jaz quando meu pai não conseguiu responder.
– Eu não preciso descansar, eu estou bem – surtei – e quero saber o que está acontecendo! Papai.
– Você saberá em breve. Eu tenho que ir agora, eu quero que você fique aqui, não saia da Casa do Brooklyn, você ficará segura – uma lágrima escorreu pelo seu rosto e meu pai se transformou em uma Íbis, o símbolo de Tot, e voou pela janela, me deixando sem uma resposta e com a boca totalmente aberta.
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