The Revenge Of Apófis

6 Capítulo 5 - Um mergulho no Mar de Caos


Notas iniciais
Desculpem a demora, faculdade e preguiça ocupando meu tempo HAUSHAUSAHSUH, enfim, cá estou:

– Um tjesu heru – falou Félix em estado de choque.

Os pequenos gritaram e correram para se proteger atrás de nós, os mais velhos se aglomeraram ao meu lado na frente deles, protetoramente. Félix saiu de seu estupor e correu para atacar o monstro. Félix era um elementarista do gelo, acredito que o primeiro que surgiu, não era muito comum ver magos congelando monstros.

Não conhecíamos nenhum deus do gelo, mas na Casa de Repouso dos deuses deveria existir algum deus com cabeça de pinguim. Nosso professor congelou uma das cabeças do monstro e acertou sua varinha na outra, fazendo dois pinguins aparecerem com o impacto, isso sempre acontecia. Em uma batalha, Félix sempre invocava um exército de pinguins de sua varinha.

O tjesu heru atacou com a cabeça que não estava congelada e Félix pulou para o lado, os pinguins se jogaram contra o monstro dando tempo para Félix pegar seu cajado do Duat. Seu cajado branco com uma bola de neve em uma extremidade, apareceu em sua mão e ele o jogou no chão. Um enorme urso polar apareceu no lugar do cajado e investiu contra o monstro, arranhando com suas garras e tentando morder o pescoço e a cabeça do monstro.

Eles lutaram, um tentando romper a pele do outro. Félix olhava admirado para seu urso e seus pinguins lutando contra a serpente e não percebeu a poça de água que se formava aos seus pés, olhei para cima e a outra cabeça do monstro estava livre, seu veneno havia derretido o gelo e ela lançou-se ao bote. Félix foi jogado longe e de seu braço escorria um muco verde.

Os novatos ao meu redor, tanto pequenos ou grandes, gritaram e correram. Eu não podia culpá-los, o urso polar murchou até voltar a sua forma inicial de cajado, mas agora o bastão de madeira estava todo rachado. Os pinguins corriam loucamente pela sala, agora que não tinham mais um líder, não sabiam mais o que fazer.

O monstro virou sua cabeça em minha direção e uma voz arrepiante sibilou em minha mente: “Você morrerá agora Kane, seu destino não será concretizado”.

Novamente isso. Agora até uma cobra idiota com duas cabeças que andava como um caranguejo, estava falando do meu “destino”. Raiva percorreu meu corpo me dando uma coragem que eu nunca havia sentido antes. Conjurei um escudo grego feito de pura magia egípcia, funcionou perfeitamente. Um disco de luz branca apareceu em meu braço esquerdo, ele era enorme, uma cabeça de cachorro esculpida na frente, o cachorro de minha mãe.

Minha espada estava a uns dez metros dali, o monstro pulou em minha direção e eu empunhei o escudo a minha frente, a cada pancada que o escudo absorvia ele tremeluzia, mas logo voltava a ser maciço como antes. Estiquei minha mão, e com um simples feitiço de invocação, minha espada voou até ela.

O tjesu heru atacava com uma cabeça e com a outra foi contornando o escudo lentamente. Esperei ele chegar o mais perto possível antes do bote mortal que com certeza viria, pulei para trás no momento exato, minha espada de Bronze Celestial desceu e cortou a cabeça do monstro fora. A cabeça caiu e começou a se desfazer em areia, mas no lugar em que ela estivera antes, outra cabeça começou a brotar.

– Ahh, seu maldito filhote de Hidra – praguejei. As duas cabeças sibilaram em uníssono, não gostaram muito de serem chamadas de filhotes de um monstro grego, ou talvez fosse porque elas tinham apenas duas cabeças enquanto as Hidras tinham sete.

– Se... separar – sussurrou Félix.

Separar, era isso, eu já havia lido em algum lugar que para matar um tjesu heru, o método mais fácil era separar seu corpo ao meio. Falar era fácil, o problema era passar pelas cabeças, invoquei meu cajado do Duat e o joguei no chão, um enorme cachorro negro com olhos vermelhos apareceu.

O cachorro de minha mãe, Sirius, atacou a cabeça da direita da serpente e a puxou para longe. Bati o escudo contra a cabeça da esquerda e a perfurei com a espada, corri para o meio do corpo do monstro. Ergui a espada para atacar e as cabeças do monstro se torceram ao redor de meu corpo esmagando o escudo contra mim e ameaçando quebrar meus ossos, perdi meu fôlego e não consegui mais respirar. Ouvi meu cajado partir-se e cair no chão, a réplica do cachorro de minha mãe desaparecendo, o escudo explodiu em raios de luz branca. Em um último ato desesperado, lancei minha espada como se lançasse a varinha, a espada passou direto pela cobra e eu cai no chão, respirando novamente.

A cobra estava se desfazendo em areia aos meus pés, inacreditavelmente eu havia acertado o alvo. Félix se contorcia em seus delírios por culpa do veneno. Jaz havia nos ensinado a conjurar uma maca, conjurei uma e movi Félix com um feitiço para cima dela. O novatos deveriam estar chegando na enfermaria agora para avisar Jaz.

Sai correndo da arena e a maca vinha balançando em meu encalço. Quando estava quase chegando na enfermaria, Jaz irrompeu de um corredor e correu ao meu encontro aos tropeções. Ela estava muito nervosa, então levei Félix até a enfermaria e o movi para uma cama. Soluçando, Jaz pegou sua bolsa do Duat e puxou uma estatueta de dentro dela, as feições de Félix estavam delicadamente esculpidas nela.

– Você sabe o que eu preciso, não sabe? — falou Jaz preocupada.

– Si-sim – falou Félix e um olhar de cumplicidade foi trocado entre os dois.

Eu também sabia o que Jaz precisava para curar Félix, sai da sala. Esse era um momento muito particular. Em suas aventuras no passado, vovô e Sadie lutaram contra um tjesu heru e Carter foi mordido. Jaz havia tido algum tipo de pressentimento e havia feito uma estátua de Carter e entregue a Sadie, dizendo que ela iria precisar dela. Ela realmente precisou da estátua para curar Carter do veneno, mas somente isso não era suficiente, Sadie precisou descobrir o nome secreto dele. Era o que Jaz iria fazer.

O nome secreto é alguma coisa muito pessoal de cada um, que pode ser usado para controlar o indivíduo ou destruí-lo. Ou nesse caso, curar. Sadie já havia controlado o deus Set, descobrindo seu nome secreto. E junto com Carter, havia derrotado Apófis usando o seu nome secreto.

Nomes secretos são realmente poderosos, por isso quero me manter longe deles.

****

O resto da semana passou calmo dentro do Vigésimo Primeiro Nomo.

Enquanto o caos dominava lá fora, continuamos a ir para a escola, como Cleo não havia cedido. Parecia que todo demônio do Duat havia resolvido andar pela terra, junto com uraeus e outros monstros egípcios. Dois professores magos nos acompanhavam até a escola todo o dia, o que era um saco pois não podia mais parar nas livrarias para admirar os livros em exposição. Até porque, íamos pelo Duat.

Vou te falar uma coisa, viajar por um véu mágico não era nem um pouco legal, mas meus colegas pareciam sofrer mais com isso do que eu.

Além de todos esses problemas, era semana de provas na escola humana, não tínhamos provas na Casa do Brooklyn. Havia apenas mais essa e a outra semana e o ano acabava, e eu iria para o meu outro lar, o Acampamento Meio-Sangue, o lugar que eu mais adoro.

Finalmente a sexta-feira chegou e depois da aula de O Caminho dos Deuses, com o nosso professor shabti de pernas cortadas, Doughboy, fui para a sala de estar no quinto andar.

Estávamos usando essa sala como uma espécie de sala do conselho, principalmente porque era a mais afastada dos barulhos da casa e de ouvidos curiosos. A maioria dos professores já estava presente, faltavam apenas Félix e Jaz, que não viriam.

– Lúcia – chamou Bastet, sentada ao lado da cadeira à ponta da mesa. Os outros professores apenas acenaram com a cabeça.

– Podemos começar, então – começou Julius – Bastet.

– Obrigado – falou Bastet e pôs-se de pé – eu voltei do Primeiro Nomo no começo desta semana, as notícias não são boas – seus olhos brilharam negros enquanto ela falava – Os Nomos estão sendo constantemente atacados, tanto por magos rebeldes ou por monstros. Monstros diferentes.

– De que modo diferentes? — perguntou Cleo.

– Eles são mais fortes, em sua maioria uraeus, mas algumas esfinges foram vistas. Seus olhos brilham vermelhos e eles são maiores, negros como a treva dos confins da Terra dos Demônios.

– Os uraei são servos de Rá, por que estariam nos atacando agora? — perguntei.

– Seus avós acreditam que algo muito grande está movimentando-se no Duat, eles não sabem o que é. Sadie diz que sente pulsações de caos por todo o Duat, ela foi investigar.

– Ela foi sozinha? — perguntou Cleo.

– Sim, ela disse que se encontraria com Walt quando chegasse lá – o namorado de Sadie, Walt, o hospedeiro de Anúbis, o deus dos funerais. As responsabilidades de Anúbis dificultavam o namoro deles, mas eles o mantinham a anos – ainda não tivemos notícias deles.

Como o silêncio perdurou na enorme sala, Bastet continuou:

– A maioria dos Nomos que ainda resistiam, foi tomada à força, mas ainda há os que estão rebeldes, os que são completamente impenetráveis até mesmo ao Grande Faraó – durante a guerra contra Apófis, a maioria dos Nomos havia se juntado ao Senhor do Caos e mesmo cinquenta e quatro anos após, ainda haviam Nomos rebeldes.

E estes estavam trazendo guerra ao mundo mágico.

– Dois Nomos rebeldes atacaram o Primeiro Nomo esta semana, Bes apareceu para ajudar e Tot derrotou um exército inteiro de demônios no México – isso sim era uma novidade, Bes, o deus dos anões, e Tot, o deus do conhecimento, finalmente apareceram para ajudar – sem a ajuda de Bes não teríamos derrotado-os. Eles vieram ladeados por...

A janela da sala de reuniões explodiu com uma rajada fria de vento. Monstros de novo não, pensei. Mas era Walt, ou Anúbis, nunca sabia quem estava no comando. Mas a voz que ouvi foi a de Walt.

– Sadie! — gritou ele, desesperado. Seus cabelos estavam molhados e revirados, seus olhos pareciam mortos.

– O que aconteceu? — pergutou Cleo, enquanto corríamos até ele.

Seus olhos pareceram entrar em foco e a sua boca abriu em terror – Sadie, ela me salvou. Ela... Ela... Ela foi puxada pelo Mar do Caos, um tentáculo. Estúpida, ela me salvou e se deixou ir. Não devíamos ter ido até lá — seus olhos giraram nas órbitas e seu corpo caiu sem vida no chão.

Notas finais
Não me crucifiquem, nem tudo é o que parece u.u