The Revenge Of Apófis
7 Capítulo 6
Deitei na cama para tentar dormir depois de todas as notícias ruins dadas no conselho e o caos que se seguiu.
Sadie, seu corpo levado pelas ondas do Mar de Caos na terra dos demônios e Walt morto na sala do conselho.
Todos os professores e Bastet entraram em choque, embora eu acho que Bastet fosse por causa de Sadie. Eu também estava em pânico, mas não me deixei levar. Walt é uma das pessoas que eu mais gosto, ele não podia estar simplesmente morto.
Então eu lembrei, para poder hospedar Anúbis, Walt precisou morrer. Ele sofria de uma antiga maldição de família e estava morrendo, Anúbis, por gostar de Sadie, possui seu corpo, o primeiro corpo hospedado por ele. Foi a única forma de manter Walt vivo e burlar a maldição.
E então Walt estava caído, sem pulsação, na sala improvisada do conselho.
– Bastet – gritei naquele momento, para acordar todos do torpor – Walt é hospedeiro de Anúbis, a única coisa que o mantém vivo é isso. Se ele está morto aqui, é porque Anúbis deve ter saído de seu corpo...
– Ou pode ter sido expulso – falou Jaz.
– E se ele voltar para o corpo de Walt... — completei.
– Precisamos ir até um cemitério – falou Bastet, colocando-se em ação enquanto falava. Cemitérios são a área de Anúbis, então seria certo ir até um. Passando um braço por baixo de Walt, Bastet o ergueu e olhou ao redor da sala. Julius moveu-se para ajudar, mas Bastet moveu a mão livre para os lados indicando que não – Apenas Jaz virá comigo, os outros permanecem aqui, esperando. Lúcia, você vai para o seu quarto.
– Mas... — comecei a dizer, mas não continuei. Segui Bastet e Jaz para fora e fui para o meu quarto. Meu rosto queimando vermelho de indignação e vergonha.
Peguei um livro na criado-mudo ao lado de minha cama, para tentar esquecer o que havia acontecido. O meu exemplar de Ponto de Impacto todo surrado de tantas vezes que li, pesou confortavelmente no meu colo quando me virei para ler, mas nem isso me distraiu. As memórias dos últimos dias ficavam pipocando em minha mente e lembrar de meu pai doía.
Encostei a cabeça no travesseiro de pedra que usamos para evitar que nosso Ba, uma das cinco partes da alma, saia de nosso corpo para viajar pelo Duat, A dureza da pedra tornaram mais dificil tentar dormir. Mas quando finalmente consegui, senti a sensação que eu já havia me familiarizado, meu Ba saindo de meu corpo e viajando pelo mundo inferior.
O Ba geralmente toma a forma de um grande pássaro com cabeça humana. O meu Ba assumiu a minha forma humana e voou até parar na encosta de uma montanha, no centro de uma encruzilhada. Duas estradinhas de pedra se cruzavam e no final de cada uma se encontrava um portal, cada um sintonizado com uma direção, norte, sul, leste e oeste. No centro do cruzamento das estradas estava uma mulher muito linda, seus cabelos castanhos caiam em ondas em seus ombros. Percebi com espanto que era daquela mulher que eu havia herdado os meus traços.
Uma doninha enroscava-se em seu ombro, soltado gases a cada poucos segundos, e um enorme cachorro negro estava em guarda sobre os pés dela. A mulher usava um vestido vermelho que caía perfeitamente em seu corpo e uma coroa de rubis.
– Apolo – falou minha mãe.
Uma luz dourada brilhou e se expandiu em uma explosão, instintivamente fechei meus olhos com as mãos, se um mortal chegasse a ver a forma verdadeira de um Deus, em todo o seu poder, queimaria instantaneamente – Hécate – falou uma voz de homem.
Quando achei seguro, abri meus olhos e olhei na direção da voz. Minha boca abriu em um enorme O, um homem de cerca de vinte anos, com cabelos dourados e extremamente lindo estava na minha frente. Ele usava uma calça branca e uma simples faixa dourada na cintura que deixava à mostra os gomos definidos de seu abdômem e o peito desenhado à lápis.
– Você deseja fazer uma escolha, Apolo? — falou Hécate apontando os quatro portais, ácido em sua voz. Controlei meus olhos para não olhar para o final das estradas, minha mãe também é a deusa das encruzilhadas e das escolhas, ela mostra três futuros possíveis e a possibilidade de retorno ao viajantes perdidos e aos que a procurassem por respostas. Eu decididamente não queria saber o quão sangrento seria o meu futuro.
– Você sabe por que eu estou aqui, não se faça de tola – falou Apólo, o Deus-Sol Grego – você não poderá continuar com isso por muito tempo.
– Eu venho encobrindo a verdade sobre minha filha por anos Apólo, desde que ela nasceu – a calma e a dor na voz de minha mãe mexeram com alguma coisa em meu peito. Desde que eu nasci minha mãe cuidava de mim, senti vontade de chorar de angústia, de raiva, de medo e de saudade por uma mãe que esteve presente em minha vida mesmo sem eu nunca tê-la visto.
– Os outros sabem a verdade, só se recusam a aceitá-la. Mas não demorará muito, você sabe disso. E você também sabe o que acontecerá se ela falhar na missão.
– Ela não falhará Apólo. Só porque ela é filha de uma deusa menor? É por isso que você está preocupado? — perguntou Hécate com uma nota de remorso e repulsa em sua voz.
– Não – respondeu Apólo indignado – você sabe que eu não penso assim. Sem você, seria impossível manter a paz. Lúcia é a garota mais poderosa que já existiu em séculos, tanto para um lado quanto para o outro. Mas ela é perigosa, você sabe o que acontecerá se não conseguir o controle, quem está perto dela corre perigo.
– E você acha que eu não me arrependo? Eu não sou insensível para com os meus filhos como vocês são, eu vou protegê-la mesmo que seja a última coisa que eu faça, assim como faria com todos os meus outros filhos. Ela travará as batalhas dela e eu não deixarei deuses cegos pelo medo interferirem
Ressentimento cruzou o olhar de Apólo e o deus explodiu em luz dourada. Senti todo o meu corpo derretendo e acordei em minha cama, toda suada.
Acordei novamente, quando Lius bateu levemente em meu ombro. Todo sábado, nós treinávamos. Geralmente íamos em um campo abandonado ou afastado, mas hoje trenaríamos aqui mesmo. Subimos até a pequena sala de jantar no terceiro andar para tomar café da manhã.
– Você sabe de alguma história entre minha mãe e Apólo? — perguntei, fingindo casualidade enquanto comia um enorme X-burguer com fritas, precisava de gordura para passar pelos treinamentos e para afogar o que tinha acontecido ontem à noite. Bastet e Jaz ainda não haviam voltado, estavámos sem notícias delas também.
– Não – respondeu ele lentamente – por quê?
– Eu tive uma visão ontem a noite – respondi, com a boca cheia de batata
– Deles dois... juntos? — perguntou ele.
– Não – falei – só... conversando.
Preferi não mencionar o que eles estavam conversando e o quão perigosa eu sou. Terminei de comer e dei a lata da Coca que tomei para Lius, que a devorou em segundos, murmurando um “obrigado”.
– Vamos começar com o que? — perguntei, fingindo estar desanimada, quando chegamos à arena. A verdade é que eu adorava os treinamentos de combate com Lius.
– Que tal apostar uma corrida com estes lindos cascos? — perguntou ele, chutando os tênis para longe e expondo os cascos de bode.
– Só se for agora – falei, enquanto disparava ao redor das paredes, sorrindo.
– Hey, isso é roubo! — gritou Lius, atrapalhando-se com os cascos enquanto saltava para me alcançar. Logo estávamos lado-a-lado, disputando a liderança,e então Lius me passou e chegou ao final da quadra com uma boa dianteira.
Treinamos arco e espadas, Lius dizia coisas do tipo: “Erga mais o arco”, “ Mais para trás com o braço”, “Tire o dedo da frente” e “Arrume a postura”. Enquanto eu atirava em arcos e atacava bonecos de palha negra, parando apenas para almoçar e alguns pequenos descanços.
– Acho que você já está boa o suficiente para mim – falou ele, ao final dos exercícios, no meio da tarde.
– Você que pensa – falei – estou melhor — impulsionei minha espada de madeira para a frente, esperando pegar Lius de surpresa, mas o estrondo de nossas armas ricocheteando uma na outra tomou a arena, enquanto golpeavamos um ao outro. Por cima, por baixo e pelo lado. Estocadas choviam sobre Lius e ele apenas se defendia, suor começou a brotar em minha testa. Quando pensei que ia ganhar, Lius entrou no modo ataque, caindo sobre meus braços cansados e forçando passagem para sua espada.
Paramos abruptamente quando palmas surgiram das sombras das paredes.
– Lúcia – falou a pessoa que batia as palmas, um sorriso brotando em seu rosto. Sadie estava usando seu traje de combate, jaqueta de couro, calças jeas rasgadas e coturnos, seus cabelos presos em um rabo de cavalo, seu rosto cansado pelas batalhas recentes, mas ela parecia igual à última vez que a vi. Os magos envelhecem mais lentamente, Sadie tinha 68 anos, mas não parecia ter mais que 30.
– O que você está fazendo aqui? — perguntei – como saiu do Mar de Caos?
– Você devia ser mais educada com sua tia, criança – respondeu ela com sarcasmo. Mas então uma coisa estranha aconteceu, sob uma careta de dor seus olhos se tornaram estranhamente vermelhos e voltaram ao castanho de antes – Lúcia... eu não consig... você... tem que... fugir.
Seus olhos piscaram vermelhos de novo e sua voz tornou-se igual a voz do tjesu heru – Você deve seguir o seu destino e consertar o que seus avós fizeram a mim.
Borboletas esvoaçaram por meu estômago e medo nublou meu cérebro. Senti um puxão em minhas costas e agarrei a mão de Lius enquanto era sugada por um portal vermelho.
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