The Revenge Of Apófis
3 Capítulo 2 - Jaz quase leva um banho de gato
Notas iniciais
– Você — disse Serket.
– Olá — respondeu a mulher de macacão com sarcasmo.
– Você ousa protegê-la, Bastet? Você ao menos sabe quem é ela?
– É claro que sei quem é ela, você é que deve não saber – ronronou Bastet.
– Você já falhou uma vez contra mim, querida, vai querer tentar novamente?
– Rrrrrrr, se você bem lembrar, irmã, da outra vez eu ainda estava me recuperando da luta contra seu antigo mestre Apófis – um arrepio percorreu meu corpo à menção desse nome, mesmo que ele tivesse sido derrotado – Eu tive cinquenta e quatro anos para me recuperar.
Serket pareceu considerar isso e medo passou por seus olhos, seus escorpiões estavam sendo dizimados ao seu redor e ela estava sozinha contra a deusa que havia lutado tantos anos contra a Serpente. Mesmo assim, ela atacou.
Seu ferrão cravou-se no concreto onde Bastet estava um segundo antes, a deusa gato pulou nas costas da outra e tentou perfurar o escorpião em sua cabeça, Serket arrancou seu ferrão do chão e golpeou Bastet para longe.
O ferrão da deusa escorpião aumentou de tamanho e seu corpo transmutou-se para o corpo de um escorpião gigante e atacou Bastet, que rolou para o lado desviando. Juntando suas mãos em concentração, Bastet formou um Avatar de batalha ao seu redor, com ela brilhando protegida em seu interior.
O avatar possuia corpo humano com uma túnica egípcia branca enfeitada com pequenas ametistas, mas sua cabeça de gato miou impiedosamente. Bastet moveu-se e o avatar imitou seus movimentos.
Serket atacou com o ferrão e Bastet simplesmente chutou para o lado com a enorme perna de seu Avatar e pisou em cima, com a mão direita cortou fora o rabo do escorpião e com a esquerda atacou novamente. O escorpião gigante urrou e segurou a faca com suas pinças asquerosas, enquanto com as outras atacou o Avatar.
Onde as pinças perfuravam, o Avatar começava a se desfazer como se estivesse sendo corrompido por ácido, logo Bastet perderia o controle sobre ele. Consegui me erguer um pouco, apesar da dor, Lius veio e me apoiou. Ele estava de boca aberta pela batalha que estava acontecendo ali, nunca havia visto tal coisa, na verdade nem eu havia visto, mas conhecia as histórias de meus avós.
Me concentrei, eu tinha que ajudar Bastet, confundi levemente a deusa escorpião, não conseguiria fazer muita coisa, como fazer vê-la o Avatar em outro lugar, então só a fiz ver ele um pouco mais para a esquerda. Quando ela atacou novamente, suas pinças encontraram apenas o ar e essa foi a brecha que Bastet estava esperando. Com a mão livre ela golpeou o peito do monstro e ele explodiu em milhares de outros pequenos escorpiões que logo começaram a ser caçados pelo exército de gatos maníacos.
No meio dos escorpiões jazia uma mulher inconsciente em sua tunica egípcia rasgada, extinguindo seu Avatar de combate, Bastet abriu um portal e colocou a deusa escorpião dentro.
– Você a mandou para o Duat? — perguntou Lius à Bastet, um misto de preocupação e admiração em sua voz, para um sátiro grego ele estava sabendo bastante de coisas egípcias.
– Não, apenas a mandei para Hórus, ele saberá o que fazer com ela – respondeu Bastet sombriamente – Lucia, nós temos que te levar até a Casa do Brooklyn, Jaz poderá te curar – disse ela em tom carinhoso.
Tentei balbuciar alguma palavras incoerentes, tipo perguntar como ela sabia meu nome, mas nada saiu.
Bastet foi até o carro mais próximo e abriu a porta com suas facas, entrou e ligou o motor, não me pergunte como.
– Não seria mais rápido um portal? — perguntou Lius.
– Não sou muito boa com portais, aquele que eu acabei de abrir era para o reino dos Céus, é diferente. Vamos, me ajude a colocá-la no carro.
Lius e Bastet me pegaram com cuidado, mas não tenho vergonha de admitir, eu chorei igual a uma menininha, gritei e urrei. A dor era muito forte. Eles me colocaram no banco de trás e Lius foi do meu lado, Bastet dirigiu à uma velocidade absurda, em segundos estávamos no pátio do velho galpão, a mansão de cinco andares brilhava acima de nós com todas as luzes acesas. Bastet havia viajado pelo Duat.
Quando paramos, uma quantidade enorme de novatos que estavam à beira da piscina vieram nos olhar, Jaz saiu do meio deles e correu até nós. As vezes ela tinha alguns pressentimentos quando se tratava de pessoas doentes, essa foi uma dessas vezes. Antes de terminar de descer as escadas ela já havia conjurado uma maca e havia retirado a bolsa de Maga dela do Duat, de onde ela tirava quase qualquer coisa para curar. Jaz foi estagiária de Sadie e Carter quando vovô tinha 15 anos, ela terminou os estudos do Caminho da deusa das pragas Sekhmet e agora era professora na Casa do Brooklyn, e também a curandeira oficial.
Quando Bastet desceu do carro, Jaz largou a maca e sua bolsa e chorou: – Bastet!
Correu para a antiga amiga e pulou em seus braços, Bastet ronronou e a acariciou, pensei que ela poderia dar um banho de língua em Jaz a qualquer momento. Bastet se afastou quando Lius saiu enfurecido do carro
– Lúcia está morrendo e vocês duas ficam ai se lambendo? — gritou ele.
– O quê? Como? — gritou Jaz e imediatamente recuperou sua bolsa e a maca e correu para o carro, murmúrios de espanto se espalharam pelos novatos. O rosto de Jaz pairou sobre o meu e seus olhos correram assustados pelo meu rosto e ela começou a resmungar para si mesma – veneno de escorpião, mas não de qualquer escorpião, ah droga, preciso avisar Sadie.
Jaz puxou um frasco de sua bolsa e molhou meus lábios, tentei cooperar mas já não tinha o controle de meus movimentos, na verdade não tinha movimento algum. Ao longe ouvi Bastet, Lius e Cleo discutindo, aparentemente sobre chamar meu pai e avisar meus avós e Sadie. Não achei que meu estado de saúde fosse tão importante para Sadie, mas percebi que o que importava mesmo era que o deuses haviam voltado à Terra.
Jaz começou a recitar um encantamento, minhas pálpebras pesaram e uma sensação de serenidade tomou meu corpo, conforme ela cantava senti o veneno deixando meu sangue. Ouvi Jaz terminar o encanto e falar para alguém me tirar dali e me levar para a enfermaria. O sono tomou conta de meu cérebro nublado quando mãos gentis me ergueram, não havia mais dor, apenas sono.
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