The Reason Is You

2 Capítulo 2 - Redenção (Murphy Troca Histórias Com Kara Leigh)


Notas iniciais
Heey gente! Aqui está outro capítulo! Desculpem se ficou um pouco grande, é que eu me empolguei na hora de escrever rsrsrs. *Prévia de Linctavia nesse cap* Boa Leitura!

I'm not a perfect person
There's many things I wish I didn't do
But I continue learning
I never meant to do those things to you
And so I have to say before I go

Hoobastank — The Reason

Ao amanhecer, antes do sol sair completamente, Kara Leigh levantou e saiu de casa para dar uma olhada em Murphy. Ela se aproximou sem fazer barulho, pois era cedo e todos ainda estavam dormindo. Porém, foi surpreendida ao ver um guarda, protegendo a jaula onde Murphy ainda dormia. Ela se afastou rapidamente para que não fosse vista pelo guarda. Mesmo assim, o pouco que ela conseguiu ver indicava que nada tinha acontecido com Murphy, ainda.

Kara Leigh aproveitou que ainda era bem cedo e resolveu sair da aldeia para pegar suprimentos. Comida, água, ervas medicinais, qualquer coisa que ajudasse a curar Murphy. Ela só não sabia como iria fazer para libertá-lo. Estava perdida em pensamentos, apanhando algumas ervas do chão quando sentiu uma mão no seu ombro. Ela se assustou, se virou e caiu para trás. Porém, o dono da mão não era uma ameaça. Pelo contrário, era um grande amigo.

—Que susto, Lincoln! – Exclamou Kara Leigh, ainda ofegante com o susto.

—Você sabe que não deve sair por aí sozinha. – Lincoln a ajudou a se levantar. – Ainda mais desarmada.

—Desculpe, eu só vim apanhar umas ervas. Eu ia levá-las até você depois, para que me ajudasse a fazer remédios. – Disse a garota.

Lincoln a encarou e não estranhou a resposta. Ele conhecia Kara Leigh desde que ela era criança, e sabia muito bem que ela realmente não era uma guerreira. Ela sempre fora uma menina meiga demais para ser uma guerreira. Sempre ajudando a todos, com uma aura de inocência. Sinceramente, Lincoln não conseguia imaginar aquela menina segurando uma espada. Era um dos motivos pelos quais ele a protegia como se fosse o irmão mais velho dela.

—É melhor irmos antes que alguém apareça. – Disse Lincoln.

Os dois começaram a caminhar em direção à caverna de Lincoln. Lá, ele produzia todos os tipos de remédios para quase toda doença que os terrestres contraiam. Assim que chegaram, começaram a preparar os remédios imediatamente. Kara Leigh sempre observava Lincoln preparar remédios, mas nunca aprendeu como prepará-los sozinha, então sempre que precisava de um remédio pedia a ajuda dele.

—Então, por que você precisa de tantos remédios com tanta urgência para sair da aldeia assim cedo? – Perguntou Lincoln.

—Eu... bem, eu... – Kara Leigh se questionou se deveria contar ou não. – Eu estou ajudando alguém.

Lincoln riu de canto. Não era algo que não fosse típico de Kara Leigh.

—Você sempre está ajudando alguém. – Respondeu Lincoln, com um tom de brincadeira. – Algum dia você vai tomar o lugar de Nyko e irá se tornar a curandeira da aldeia.

Kara Leigh riu e voltou a triturar as ervas que Lincoln usaria para fazer remédios.

—Não se você não me ensinar a preparar remédios direito. – Disse Kara Leigh, no mesmo tom de brincadeira.

Quando ela terminou, entregou as ervas trituradas para Lincoln terminar os remédios. Ela limpou as mãos e, como sempre fazia, começou a folhear o livro de Lincoln. Dessa vez, haviam novos desenhos. Havia um desenho de uma nave espacial, e em outra página havia cem linhas verticais, algumas riscadas na horizontal.

—Essas linhas... representam o povo do céu, não é? – Ela perguntou. Lincoln apenas assentiu. – Essas riscadas ao meio.. eu não entendo.

—São as baixas deles. – Respondeu Lincoln, calmamente, pois o assunto “morte” sempre deixava Kara Leigh nervosa.

Ela folheou mais um pouco e encontrou o desenho de uma garota. Era uma garota morena, pelo que parecia, e muito bonita. Kara Leigh sorriu de orelha a orelha.

—Ela é muito bonita. É sua namorada? – Perguntou Kara Leigh.

Lincoln parou por um segundo, sem coragem de encarar Kara Leigh. Com menos coragem ainda de contar que tinha uma certa paixão pela garota do desenho. Uma garota do céu.

—Ela é... alguém. – Respondeu Lincoln, sem pensar em nada melhor para dizer.

Lincoln tem namorada! Pensou Kara Leigh. Ela não disse mais nada sobre o assunto para não constranger o amigo. A única coisa que disse foi que não iria contar para ninguém. Assim que os remédios ficaram prontos, Lincoln acompanhou Kara Leigh de volta a aldeia. Chegando lá, Lincoln abraçou sua “irmãzinha” e se despediu, dizendo que tinha coisas para fazer. Mas não antes de alertá-la.

—Tome cuidado aqui, soube que Anya está mantendo um do povo do céu preso. Eles são impulsivos, então todo cuidado é pouco. – Disse Lincoln.

—Eu vou tomar cuidado. – Ela respondeu, com um sorriso tenso, pois não queria que Lincoln soubesse que os remédios que eles fizeram eram para Murphy. – Ah, e obrigada pelos remédios.

Lincoln foi embora e Kara Leigh foi até sua casa para guardar os remédios. Não era exatamente uma casa, pois só havia uma cama e um cesto, onde guardava suas roupas. Porém, antes que pudesse chegar lá, um guarda a parou.

—Nossa líder está chamando você. – Ele disse, levando a menina praticamente à força para ver Anya.

Kara Leigh ainda segurava a trouxa com os remédios que iria levar para Murphy, mas por sorte, conseguiu jogá-la atrás de um arbusto, escondendo-a. Ela chegou até sua líder morrendo de medo de seu segredo ter sido descoberto. O que Anya iria fazer com ela se descobrisse que ela estava ajudando um garoto do céu?

—Mandou me chamar, senhora? – Perguntou Kara Leigh, nervosa. Ela era uma dos poucos terrestres que se referiam à Anya como “senhora”.

—Sim. – Respondeu Anya, com rigidez. – Apenas quero lhe avisar uma coisa.

Anya falava firme demais e isso deixava Kara Leigh com ainda mais medo de ter sido descoberta. Mesmo sabendo que Anya costuma falar firme com todos, a situação ainda a assustava um pouco.

—Pois não, senhora. – Disse Kara Leigh, abaixando a voz.

—Eu sei que é você quem costuma sair por aí ajudando todo mundo, então preste atenção. – Anya encarava a garota com um olhar frio. – Nem pense em tentar ajudar aquele lixo do céu.

Isso fez o coração de Kara Leigh disparar imensamente. Era tão óbvio assim que ela queria ajudá-lo que até a líder já sabia disso? Tudo bem, desde sempre Kara Leigh sabe que Anya a detestava. O motivo era simples: Kara Leigh não é uma guerreira. Anya a via como um desperdício, um caso perdido. De que serve uma terrestre que não sabe lutar? Ela não duraria dois segundos em uma batalha. Além disso, era fraca, pois não conseguia enxergar o inimigo como um inimigo.

—Claro que não, eu nunca faria isso. – Disse Kara Leigh, olhando nos olhos de Anya. – Apenas ajudo o nosso povo.

Anya encarou Kara Leigh novamente, mas desta vez, o clima pesado sumiu. A líder soltou um suspiro de satisfação e andou em direção à menina.

—Assim é melhor. Pelo menos você sabe diferenciar nosso povo daqueles vermes. – Anya, num movimento rápido, segurou uma faca no pescoço de Kara Leigh. – Mas se eu descobrir que você ajudou ele, eu mesma mato você!

Kara Leigh foi embora tremendo. Agora ela teria que ser realmente discreta se quisesse ajudar Murphy. Ela passou em frente à jaula dele, onde o guarda ainda o vigiava. Desta vez, Murphy estava acordado e ainda sem ferimentos. Porém, estava exposto ao sol. Era a primeira tortura. Ele ficaria exposto ao sol o dia todo para contrair uma insolação e passar mal. Provavelmente estava passando fome também. Quando Kara Leigh passou em frente à jaula, Murphy não pôde deixar de olhá-la por um segundo. Kara Leigh retribuiu o olhar, porém rapidamente para que o guarda não percebesse.

A terrestre alcançou o arbusto onde havia deixado a trouxa com os remédios e apanhou-a rapidamente, indo para casa. Ela precisava pensar rápido. Estava correndo risco de ser morta por Anya se ajudasse Murphy, mas não queria deixar aquele garoto sofrer. Não tinha como impedir as torturas, mas talvez ela pudesse curar seus machucados, se não muito graves.

Ao anoitecer, já com um plano em mente, ela caminhou em direção à jaula de Murphy. Seus cabelos loiros estavam ondulados e soltos. Mas, como uma típica terrestre, estava com terra no cabelo e na roupa, e pintura nos olhos. Ela escondeu os remédios dentro do casaco que usava. Ao chegar perto, foi direto até o guarda para tirá-lo do caminho.

—Nossa líder ordenou que você trocasse de posição e fosse para a guarita. Alguém de lá virá para vigiar o garoto. – Disse Kara Leigh, o mais firmemente possível.

O guarda, desconfiado, encarou Murphy e Kara Leigh, alternadamente. Após alguns segundos, ele foi para a guarita, ainda com um olhar desconfiado. Se Anya souber disso, ela vai me matar. Pensou Kara Leigh. Com o guarda longe, ela finalmente foi até Murphy.

—Olá, Murphy. – Ela disse, com sua voz meiga, retirando os remédios do casaco.

—Minha salvadora. – Murphy respondeu, em seu tom sarcástico, porém fraco. – O que tem pra mim hoje?

Kara Leigh enfiou a mão por dentro da jaula e tocou na testa de Murphy para medir sua temperatura. Ele estava literalmente fervendo. Sua pele, antes pálida, estava vermelha e inchada. Era um milagre que tivesse forças para fazer piadas sarcásticas.

—Você está ardendo em febre! E sua pele está em carne-viva! – Kara Leigh arregalou os olhos. – Minha nossa, o que fizeram com você?

Murphy, fraco e cansado, observou a garota pegar uma pasta verde com um cheiro estranho e esticar o braço para passar no rosto dele.

—Isso não foi nada. Foram só as boas vindas dos terrestres. – Ele disse, soltando um gemido de dor. – O que é isso?

—Babosa. – Ela respondeu, espalhando a pasta melhor no rosto dele. – Isso ajuda a hidratar a pele. É ótima contra insolação.

Após espalhar bem, a pele de Murphy foi aos poucos desinchando. Quando ele começou a se sentir um pouco melhor, acenou com a cabeça, como se estivesse agradecendo. Ela, em resposta, sorriu timidamente.

—Por que está aqui? – Ela perguntou.

—Acho que porque o seu povo me capturou. – Ele respondeu, com uma risada irônica.

—Não, eu quis dizer por que está aqui? Longe do seu acampamento e do seu povo. – Ela retomou.

Murphy se lembrou de tudo o que passou nos últimos dias. Quando quase morreu enforcado sob falsa suspeita e quando foi banido por causa da morte de uma garota de doze anos. E se lembrou do quanto estava com raiva de seu próprio povo.

—Eles me baniram. – Respondeu Murphy. – Se eu voltar eles me matam.

—Por que você foi banido? – Perguntou Kara Leigh. – Me conte o que houve.

Murphy respirou fundo e olhou para baixo. Ele tinha vergonha daquela história, mas não queria decepcionar a única pessoa que o estava ajudando. Porém, para adiar, ele inventou uma desculpa.

—Pode me dar comida antes? – Ele pediu. – Não comi nada o dia todo, estou morrendo de fome.

Kara Leigh se lembrou que também havia trazido comida. Não era muita coisa, eram apenas umas frutinhas e um pouco de água. Ela entregou a comida para ele, que devorou tudo em minutos. Ele olhou para ela e viu que ela estava com cara de quem pedia alguma coisa.

—Ok, mas eu vou avisando que é uma história longa. – Ele disse, contando a história em seguida.

Murphy contou sua história toda para Kara Leigh. Ele contou sobre ter nascido em uma estação espacial chamada Arca, sobre ter cometido um crime e ter sido preso por ser menor de dezoito anos (ele também contou que todos os maiores de idade são executados, não importa a gravidade do crime), sobre ter sido enviado à Terra em uma missão para descobrir se a Terra era habitável, sobre os primeiros dias, onde era o segundo no comando, depois de Bellamy.

Quando chegou no assunto “Bellamy”, Murphy despejou toda a raiva que sentia dele em palavras depreciativas. Ele disse que fez de tudo por Bellamy e foi retribuído com tratamento especial, na forca. E Bellamy havia chutado o caixote para que Murphy morresse enforcado por um crime que ele nem cometeu. Ele não queria mencionar Charlotte, com medo de que Kara Leigh começasse a desprezá-lo, mas fez mesmo assim. Porém, ocultou o fato de que Charlotte era uma criança.

—Você quase morreu por causa de um crime que outra pessoa cometeu? – Kara Leigh perguntou, pasma. – Isso é a maior injustiça!

Claro, ela não sabia que Charlotte era uma criança. Murphy respirou aliviado por não ter perdido a ajuda de Kara Leigh.

—E então, quando eu quis justiça, Bellamy tentou me matar de novo, mas Clarke o impediu e me baniu ao invés de me matar. – Murphy terminou. – Só que não fez muita diferença, olhe onde eu estou. Não vou durar muito tempo aqui. Eu devia ter ficado calado e ter deixado aquela terrestre me matar. Pelo menos, não estaria nessa situação.

Kara Leigh sentiu pena dele por tudo isso, mas não o deixou desanimar.

—Não foi assim tão mal. Pense só, se você não tivesse sido preso, nunca teria me conhecido. – Ela disse, tentando amenizar a situação.

—É... – Murphy concordou, evitando olhar nos olhos dela.

—Todo mundo comete erros, Murphy. – Ela retomou. – Eu mesmo, sou um caso perdido, segundo minha líder. Não sou uma guerreira. Nunca aprendi a manejar uma espada. Não porque não sei, e sim porque nunca quis. Eu odeio guerras, e não quero me tornar parte delas.

Kara Leigh, em resposta, contou sua história para Murphy. Ela não se lembrava muito da infância. Não se lembrava de seus pais, pois morreram quando ela era muito nova. A única coisa que tinha deles era um anel, diferente dos acessórios dos terrestres, com as letras “LS”, que até hoje ela não entendia o que significava. Ela contou que quando um pouco mais velha, começou a treinar para fazer parte do exército, porém nunca aprendeu a lutar com uma espada e nunca aprendeu a se defender. Em resultado disso, sempre saía ferida. Era um peso morto para o exército.

Quando Anya viu que aquela garota não iria aprender a ser uma guerreira de jeito nenhum, a suspendeu do exército e começou a tratá-la rudemente, como um fardo. Após essa vergonha, poucos terrestres a tratavam bem, sendo Lincoln um dos únicos. Ele ensinou a ela tudo o que ela sabia sobre as propriedades medicinais da natureza. Em resultado, ela se tornou uma ótima curandeira, porém ainda não sabia preparar todos os remédios sozinha. E hoje, ela era assim, uma alma caridosa, amada por uns e odiada por outros.

—Basicamente, eu sou uma rejeitada, assim como você foi. – Ela terminou, abaixando a cabeça.

—Ei... – Murphy a chamou. Ela levantou o rosto e o encarou. – Eles são uns idiotas. Se não conseguem reconhecer alguém bom como você, então que se ferrem!

Kara Leigh deu outro sorriso tímido, agradecendo o comentário.

—Desculpe, eu não posso impedir que eles te torturem... mas irei fazer o possível para curar seus ferimentos. – Kara Leigh disse, se levantando. – Não vou deixar você morrer, John Murphy.

Ela foi embora, sabendo que o guarda substituto iria chegar logo. Na verdade, foi uma sorte ela não ter sido pega.

—Até mais, Kara Leigh. – Disse Murphy, quando ela já estava longe.

Ele se sentiu mal por ter omitido seus pais da história que contou a ela. Mas ele não tinha confiado em ninguém para contar a sua história com seus pais para ninguém. E ainda não estava preparado para contar para ela.

Continua.

Notas finais
E aí? Gostaram? Eu amei colocar a primeira participação do Lincoln nesse cap, ele é tipo um dos meus personagens favoritos (depois do Murphy, Jasper e Bellamy kkk) O fato da Anya (e alguns outros persoangens que irão aparecer) não morrerem de amores pela Kara Leigh é por causa que eu não queria escrever uma OC que todos "se apaixonassem" assim que olhassem pra ela. Até porque não existe um personagem que todo mundo ama (menos o Monty. Cara não tem como odiar o Monty!!) Kisses :3