The Reason
3 Evanna I
Evanna
Evie estava sozinha na rua... De novo. Passou toda sua vida sozinha, sem ninguém para ajuda-la.
Foi abandonada pelos pais assim que nasceu e foi parar em um lar adotivo. Quando finalmente foi adotada, a família a devolveu com menos de um ano de convivência.
Voltou para o orfanato e foi obrigada a ouvir a assistente social falando que ninguém nunca iria querer adota-la, dizia que ela ficaria no orfanato para sempre porque ninguém iria querer uma filha feia e esquisita.
Com todas as ofensas que recebia, a garota tentou se matar varias e varias vezes. Ela queria e desejava morrer.
Sua última tentativa havia sido quase um sucesso. Ela havia cortado a veia principal de seu pulso, a única veia do pulso ligada diretamente ao coração. Ela teria morrido se não tivesse, infelizmente, esquecido de trancar a porta do banheiro. Uma das outras órfãs a encontrou e chamou uma ambulância.
Ela acordou duas semanas depois em uma cama de hospital, com vários tubos pelo corpo. A medica que cuidava dela foi chamada na sala e a disse que se tivessem demorado um pouco mais para fazer a transfusão de sangue ela teria morrido. Uma pena a medica não saber que ela queria morrer.
Dr. Chapman, esse era o nome da medica. Evie não tinha ideia do quanto ainda teria que conviver com ela.
Depois de algum tempo no hospital, a garota descobriu porque a doutora era tão paciente e tão amorosa com ela, mesmo quando a garota tinha ataques de fúria e dizia que queria morrer e que a medica não devia tê-la salvo.
Dr. Chapman chegou um dia, com vários papeis e fotos nas mãos, dizendo que havia procurado pela garota por anos e que havia sido Deus que a fez trocar os dias do plantão e ficar no hospital no dia em que a garota chegou.
Ela dizia que Evie era a filha que sua irmã havia dado para adoção por ser muito nova para ser mãe.
- Eu passei todos esses anos procurando a filha que minha irmã renegou, eu precisava te encontrar. Por mais que minha irmã não lhe quisesse, eu sempre quis ter filhos, mas nunca pude. Sabe, eu não posso engravidar e me apegar ao desejo e esperança de encontrar minha única sobrinha e poder cria-la era o que me fazia acordar todos os dias. — Dizia ela. — Fazia alguns meses que eu havia desistido de te procurar, mas por algum motivo eu resolvi trocar meu plantão para o dia em que você chegou ao hospital. Eu nem acredito que eu finalmente te encontrei Evanna... Você é tão linda, tão parecida com a sua mãe. Até o nome é igual.
Por algum motivo a tia de Evie achava a coisa mais perfeita do mundo ela ter o nome da mulher que a abandonou. A garota odiava ser chamada de Evanna e assim que pode contou sua repugnância por esse nome à tia. A mulher concordou em chama-la somente de Evie e disse que iria tomar sua guarda como sempre quis.
Por mais que a garota dissesse que estava bem e não teria mais nenhuma tentativa de suicídio, sua tia a mandou para uma clinica de reabilitação.
- Melhor prevenir do que remediar. — Dizia a medica.
Por mais que odiasse admitir, Evie até gostou de passar um tempo na clinica. Afinal, foi o lugar onde conheceu suas amigas.
Ela passou a vida toda sozinha, sem ninguém para se preocupar com ela, até encontrar Morg e Kat. Foram as primeiras amigas de verdade que teve.
Quando saiu da clinica foi direto morar com a tia. Não tinha nada contra ela, era até agradável morar com ela, mas a garota havia aprendido a não se apegar a ninguém. Tinha medo de que se ficasse muito próxima à tia a dor do abandono certo seria maior.
Era por isso que estava indo para o internato, estando lá passaria menos tempo com a tia e assim diminuiria as chances da mulher se cansar dela. Ela continuaria o tratamento com o psicólogo do colégio, esse fora o trato que fizera com a tia.
Por mais que quisesse ir logo para o novo colégio Evie não queria voltar para casa, mas já estava tarde e sua tia devia estar preocupada. Sabia que a qualquer momento iria ligar para saber onde estava e porque estava demorando tanto.
No dia seguinte ia para um lugar onde ninguém a conhecia, onde ninguém sabia sua história. Um lugar que a impediria de se sentir abandonada outra vez.
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