The Reason

4 Nathaniel I


Nathaniel

Nate estava tão ansioso para voltar para o colégio que chegou cedo, quando ninguém havia chegado ainda. Ele sabia que a escola estaria vazia e era assim que ele gostava de chegar lá, quando não havia ninguém naquele mundo.

Ele não queria voltar para a escola por ser estudioso ou por gostar de estudar em um internato. Só achava que se fosse obrigado a passar o ano todo trancado em um colégio, sua cama deveria ser boa o bastante para isso. E só tinha uma cama boa de verdade em cada dormitório e ela era de quem chegasse primeiro.

Depois de passar no quarto, deixar suas coisas e descobrir que dividiria o dormitório com os mesmos caras do último ano, o que o deu certo alivio, ele decidiu ir para sala de sua primeira aula.

Até o momento ele pensava que estava sozinho no colégio, mas aparentemente outra pessoa havia tido a mesma ideia que ele.

Uma garota loira com algumas mechas azuis estava sentada na última carteira da sala com um caderno aberto fazendo um desenho. Ele precisava admitir que a garota era linda.

Ele se aproximou devagar, sem ser notado pela garota, e viu o que ela estava desenhando.

— Você desenha muito bem... — Ele disse sem pensar.

A garota deu um pulo e olhou assustada para o garoto.

— Desculpe, eu não queria te assustar.

— Tudo bem. Mas o que você havia dito? — A garota tinha colocado o desenho em baixo de um caderno.

— Eu disse que você desenha muito bem... — Ele repetiu se sentando ao lado dela.

— Ah, obrigada. — A garota ficou levemente corada.

— A propósito, meu nome é Nathaniel Pucket. Mas pode me chamar de Nate. — Ele estendeu a mão para garota.

— Morgana Truscoot, ou só Morg. — A garota respondeu apertando a mão de Nate.

O garoto puxou a folha em que Morg estava desenhando.

— É um alto-retrato? — A garota balançou a cabeça em negação.

— É a minha mãe...

— Se ela for como você desenhou... Ela é linda.

— Ela ERA linda. — Morg abriu o caderno revelando a foto de um casal muito jovem com um bebe no colo da mulher, que o garoto julgou ser a mãe dela. — Ela morreu quando eu tinha seis anos.

— Sinto muito...

— Não sinta. Ela morreu lutando: descobriu que tinha leucemia aos 15 anos. O medico dizia que ela não teria nem dois anos a mais. Ela se casou aos 16 anos e me teve aos 17, o “prazo” de dois anos já havia acabado e depois disso ela conseguiu mais cinco. Para ela e para os médicos isso já era uma vitoria.

Nate estava surpreso. Tinha certeza de que se fosse com ele o garoto iria pirar, mas Morg agia como se os anos “extras” que a mãe viveu haviam sido um presente. Não fazia nem dez minutos que ele a conhecia e já a admirava por isso.

— Você se parece muito com ela... — Ele conseguiu dizer.

— Meu pai diz que eu sou o pedaço dela que Deus deu para ele para amenizar a falta. Não acaba com ela, mas ele sabe que eu sou o fruto do sentimento deles. — O garoto se encantou com o pequeno sorriso que apareceu no rosto dela ao dizer isso.

— Niel! Finalmente eu te encontrei amor... Quem é isso?

A voz de April invadiu os tímpanos de Nate o fazendo desviar a atenção de Morg para a outra garota. Pela primeira vez a voz de sua namorada parecia extremamente enjoativa para ele. Toda aquela doçura e delicadeza enjoavam o garoto.

— Oi April... Você chegou cedo. — Ele disse com um suspiro. — Essa é Morgana, ela é nova no colégio. Morg, essa é April...

— A namorada dele. Nathaniel adora dar as boas vindas aos alunos novos, mesmo sabendo que logo depois se esquece da existência deles e nunca mais trocam uma palavra sequer. — Ela disse rindo e Nate revirou os olhos.

Morg deu um meio sorriso e se levantou com o material nas mãos.

— Não se preocupe, não. Eu não faço muita questão de ter amigos aqui... Principalmente garotos. Agora, se me dão licença eu tenho que ir. — Ela caminhou até a porta.

— Aonde você vai? Não tem aula aqui? — Nate perguntou dando um passo a frente.

— Não. Eu só entrei aqui porque foi a primeira sala que eu encontrei aberta. — E se foi deixando o garoto sozinho com April na sala.

— Que garota metida... — A garota comentou se sentando na cadeira antes ocupada por Morg.

— Cala a boca April! — Ele pegou a mochila e foi para o lado oposto ao que a garota estava. — E você fica ai... Bem longe de mim.

Ela bufou e bateu as costas na cadeira com raiva.

Por mais que Nate estivesse com raiva da namorada, não conseguia deixar de sorrir ao se lembrar do sorriso e do brilho dos olhos de Morgana.