The Queen - Interativa
3 Three
Notas iniciais
Illíane
A manhã de sábado começou agitada no castelo. O rei estava trancado, como sempre, em seu escritório e não recebeu nem os filhos. Willah desceu com suas criadas, Rosie, Carrie e Amber para o café. Alec passou todo tempo fazendo piadas sobre o baile e implicando com o irmão. Will parecia alheio a tudo que se passava, a não ser para trocar umas poucas palavras com a irmã. Imagens do que ocorreria naquela noite se passavam em sua cabeça como um filme que ainda não tinha visto. Quinze garotas. Quem seriam elas? Quais suas qualidades? Ele poderia se apaixonar verdadeiramente por uma delas? Essas perguntas, somadas ao fato de que Alec passara a manhã toda fazendo piadas sobre o baile, o estava deixando tenso.
— Relaxe, Will. O pior que pode acontecer é você estragar tudo. – Alec riu.
— Pare com isso, Alec! – Willah ralhou. – Queria ver se fosse com você.
— Oh, minha princesa. Nós sabemos que eu seria um noivo muito mais divertido que nosso querido irmãozinho.
— Ele diz isso por que será o único na casa a não ter alguém. Já que em seis meses estarei me casando e Willie tem seu noivo, Nicholas. A propósito, quando ele retorna de viagem? – O mais velho perguntou.
— Ainda vai levar uma semana ou duas. O pai precisa de ajuda com os negócios da fazenda. É tão ruim ter que esperar que se case para que eu possa. Nosso pai bem que podia me deixar casar, mas não!
— Nicholas é um bom rapaz. – O irmão mais novo afirmou.
— Bem, ele me aceita como eu sou. Com meu pequeno enorme defeito. – Ela fez uma careta.
— Não fale assim, Willah! – Will olhou-a, furioso. – Você não tem defeito algum. O fato de ter perdido a visão não te faz diferente das outras garotas. Continua tão linda e inteligente quanto todas elas. E Nicholas sabe muito bem disso. Não tenha autopiedade de si mesma.
— Desculpe Will. Tem razão, nunca tive autopiedade de mim mesma e não é agora que começarei a ter.
— Ótimo. Sem lamentações, vamos voltar ao fato do nosso querido irmãozinho arruinar tudo no baile. Não sei, quem sabe ele espante todas as garotas com seu péssimo humor? Ou talvez elas vejam que ele não era tudo aquilo que aparenta, principalmente na aparência. – Alec voltou a provocar, com um sorriso zombeteiro.
— De verdade, Alec, acho que está se roendo de inveja, ou não estaria fazendo tantas piadinhas. Ou teria algum motivo para ficar nervoso, irmãozinho?
— É que o fato de você estragar tudo agita o meu dia. Quero acompanhar bem de perto seu fiasco, querido irmão.
— É definitivo, você está realmente preocupado com algo. Sua cota de sarcasmo já ultrapassou o limite a meia hora atrás. – Will amassou um guardanapo e jogou na direção do irmão.
— Você não vai querer travar uma guerra nesta mesa comigo, Will. E não estou preocupado com nada. Apenas estou apreciando toda parte cômica que posso retirar deste dia. As piadas são infindáveis.
— Idiota. – O mais velho riu do irmão.
— Rosie, pode me levar para o quarto, por favor? Quero escolher um belo vestido para a festa desta noite. – Willah pediu.
— Eu deixei um presente sobre a sua cama, Willie. Espero que goste.
— Oh, você não deveria ficar me mimando, Will. – Ela riu. – Se bem que não faz mal. Adoro presentes!
— Deixou alguma coisa pra mim também, maninho? – Alec brincou.
— É claro, irmão! Um filtro novo para o seu sarcasmo. Eu realmente achei que você estava precisando de um com maior duração.
— Muito fofo da sua parte.
— Nosso objetivo é agradar.
Will levantou-se, rindo. Depositou um beijo na bochecha da irmã e deixou o salão. Naquela manhã, quando acordou, obteve uma ideia bastante promissora. Foi em busca de Bruce, o ferreiro do castelo. Ele seria capaz de realizar a missão que o príncipe designaria. Não levou muito tempo para encontrá-lo, em uma das salas antigas no porão. O homem poderia ser facilmente assemelhado a um eremita das cavernas, por que passava a maior parte do tempo no escuro daquele lugar.
— Do que precisa, garoto? – Bruce questionou, com seu habitual maú humor.
— Oi Bruce. Preciso de um grande favor.
— É claro que precisa, ou não estaria aqui. A não ser que subitamente tenha aflorado o desejo de aprender está arte tão grosseira. – Ele ajeitou-se na cadeira de ferro, levando uma caneca de café à boca.
— Eu pensei que seu humor não poderia piorar, amigo. – William riu, arrastando um banco para sentar-se. – Ainda é um bom forjador?
— Ainda trabalho aqui, então o que acha?
— Eu tenho uma coisa para você. – O príncipe retirou uma folha branca com alguns rabiscos do bolso e entregou ao homem. – Acha que pode fazer?
— Sim, este sim. Mas o segundo vai levar bastante tempo. Talvez dois meses até ficar pronto. Vê estes detalhes? Serão bem difíceis de reproduzir.
— Não tem problema. Vou falar com nosso tesoureiro e disponibilizar tudo que precise para realizar o trabalho. – Ele se levantou. – Foi ótimo falar com você, Bruce. Sempre muito agradável. – Deu duas batidas nas costas do ferreiro e saiu rindo, ao ver o olhar fulminante que o mais velho lhe direcionava.
Distante da agitação do castelo, uma jovem de cabelos castanhos um pouco bagunçados andava apressadamente pela rua. Os livros que carregavam pendiam sobre seus braços e lutava bravamente para não deixá-los cair. Quando avistou a faixada da casa, respirou aliviada. Uma das empregadas abriu o portão e, em seguida, a porta. Ela deixou os livros sobre o enorme sofá branco e seguiu para o escritório, de onde vinham sons de falas um pouco exaltadas.
— Mãe! Mãe! – Madeline gritou, entrando no local. – O que está havendo?
— Oh, você finalmente chegou! Stella já está aqui a muito tempo, somente lhe esperando. – A mãe, Elise, disse animada. – Precisamos escolher o vestido para o baile desta noite.
— Vestido. Para. O. Baile? – Ela perguntou, pausadamente. – Você me retirou de uma aula super importante, para escolher um vestido?
— Não haja como se fosse algo extraordinário. Você precisa estar perfeita para o baile e assim logo chamar a atenção do príncipe Will. Ainda precisamos pensar em que fazer em seu cabelo, a maquiagem, as unhas e principalmente o vestido. Tem que ser elegante e avassalador. Por isso Stella está aqui.
— Você é inacreditável, mãe! – Mad revirou os olhos.
— Sua irmã já está em seu quarto tentando encontrar algo para que use. Acho que vamos ter algum trabalho quanto a isso. – Elise abanou as mãos no ar, sem dar ouvidos a filha. – Vamos querida. Nós levaremos muito tempo para arrumá-la e sabe-se lá se daremos conta.
— Ótimo saber que sou quase um caso perdido. – Ela sorriu, ironicamente. A mais velha apenas lhe encarou. – Tudo bem, já estou aqui mesmo. – Deu de ombros, rendendo-se a animação da mãe.
— Vamos! Vamos! Você vai ficar simplesmente perfeita.
— É bom mesmo. – Brincou, seguindo a mãe para fora do escritório.
Não muito longe da casa dos Lefebvre, Leah Marie Krow estava em seu quarto totalmente absorta em sua tarefa. Como uma personal stylist cheia de talento, não admitiria ir ao baile vestindo um vestido qualquer. Por isso, passara quase toda semana confeccionando-o com muito afinco. Um belo modelo de um ombro só, longo, azul royal, destacando a cor alva de sua pele. Era possível identificar pequenos pontos luminosos aplicados sobre o busto e estes desciam dispersadamente ao longo de todo vestido.
— Você continua aí? – Kity perguntou, entrando no quarto da amiga com Lola.
— Estou quase terminando. – Leah girou sua cadeira, ficando de frente para as amigas.
— Bem, nós duas não entramos na Seleção, mas como somos suas melhores amigas, decidimos que precisamos te ajudar. – Lola levantou a maleta de maquiagem. – Vou utilizar meus dons em você.
— Eu deveria me preocupar? – Ela questionou, com um sorriso sarcástico.
— Eu ficaria preocupada. – A primeira riu.
— Cala boca, Kity. E não faça gracinhas, Lee. Posso te fazer uma excelente maquiagem de palhaço se me irritar.
— Não está mais aqui quem falou, estressadinha. – Krow riu, levantando as mãos em rendição. – Scott e Nico irão ao baile?
— Com certeza. Eles parecem estar mais ansiosos do que nós mesmas. Acho que estão interessados em encontrar garotas tolas o suficiente para saírem com eles. – Kitty revirou os olhos.
— E pelo visto, vocês estão mais do que dispostas em atrapalhar tudo, não é?
— Óbvio! – As duas gritaram juntas, gargalhando logo em seguida. – Vamos começar a diversão! – Lola completou.
Na casa dos Castilho, a situação não era muito diferente. Angelina olhava-se ansiosamente no espelho, analisando o modelo que vestiria naquela noite. Tinha muitos questionamentos em sua mente, sobre o que poderia acontecer nos meses seguintes. Porém tentava deixar esses pensamentos de lado, para se concentrar totalmente no baile que aconteceria naquela noite. Estava um pouco ansiosa, entretanto não era algo ruim. Era uma sensação boa, de que coisas boas estavam por vir.
— Angie? Posso entrar? – O irmão, Alex, perguntou do lado de fora do quarto.
— Claro, entre. – A porta se abriu e logo ele estava sentado na cama da irmã.
— Tudo pronto para hoje à noite?
— Sim. Estou ansiosa. – Ela virou-se. – Será que vai dar tudo certo?
— É claro que sim! Você é linda, inteligente, engraçada. As qualidades são infinitas. Não há como aquele príncipe não se apaixonar por você. – Alex lhe deu um sorriso.
— Tomara que eu não tropece no vestido e caia de cara no chão. – Angelina fez graça.
— Vou cruzar os dedos. – Ele se aproximou e a abraçou. – Você se sairá muito bem, Angie. Agora, apronte-se e vá até lá conquistar o coração do príncipe.
— Prometo tentar. – Ela sorriu. – E para isso acontecer, dê o fora. Preciso me arrumar. – Empurrou o irmão para fora do quarto. Ele se foi, rindo.
Will caminhou elegantemente pelo salão de festas, cumprimentando à todos os convidados. Seu smoking ajustava-se perfeitamente ao corpo musculoso. Parecia um deus sobre a terra. Alec não estava a sua vista desde que o evento começara e Willah estava conversando com algumas garotas que vieram apenas para assistir. Todos lhe estendiam sorriso enormes quando o viam se aproximar. Isso lhe enervava algumas vezes. Muitos daqueles sorrisos eram puramente falsos e interesseiros, algo que o irritava muito.
As candidatas estavam esperando seu momento de entrada em alguma parte do castelo. E não demorariam muito mais. A festa havia começado a cerca de uma hora e a entrada aconteceria em pouco tempo. Todos estavam agitados para conhecer as pretendentes do príncipe. O rei, sentado majestosamente em seu trono, acenou para seu filho mais velho. Will desculpou-se pela saída com alguns dos convidados com o qual conversava e foi até o pai.
— Nós iremos começar. – O Rei Caius informou.
— Agora? – O pai assentiu.
— Seus irmãos já vem.
E foi o que aconteceu. Willah chegou acompanhada por suas criadas e Alec surgiu de alguma parte da festa, ao qual ninguém questionou. Os filhos sentaram-se ao lado do pai, em seus lugares. Por hierarquia, haveria somente o trono do rei e da rainha sobre o palco, mas o lugar dos filhos havia sido colocado ali também, em vista do motivo do baile. Jack Boyne, o apresentador de todas as festas mais badaladas de Illíane, subiu ao palco, sendo ovacionado por todos os convidados.
— Nesta noite incrivelmente bela em Illíane, o nosso cobiçado príncipe herdeiro conhecerá quinze belas pretendentes. Entretanto somente uma delas será capaz de laçar seu coração e caminhar por este salão em exatos seis meses, tornando-se a rainha de nosso amado país. – Boyne disse. – Sem mais delongas, conheçam agora as quinze eleitas!
As enormes portas do salão abriram-se em um rompante, seguindo o som da banda que tocava alguma melodia suave e marcante. Em uma marcha perfeita e sincronizada, quinze garotas vestidas de modo deslumbrante entraram caminhando pelo enorme tapete vermelho estendido pelo chão. Os holofotes coloridos brilhavam sobre todo caminho, seguido então de uma chuva de rosas e de prata que inundou todo local. Todos os convidados aplaudiram fervorosamente a entrada.
— Ir para impressionar, hein? – Alec provocou.
— Eu não brinco em serviço. – Will piscou para o irmão e voltou-se para entrada das garotas.
Naquele momento, elas pararam bem em frente ao palco. Ele olhou para cada uma delas. Seus rostos mostravam emoções diferentes, histórias completamente distintas. E uma emoção de mergulhar no desconhecido lhe atingiu. Will tinha apenas seis meses para conhecer todas aquelas garotas e decidir-se apenas por uma. Aquela que mostrasse ser a melhor rainha para seu país e que, principalmente, alcançasse seu coração.
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