The Quarterback
20 Capítulo 19 - O melhor dos dois mundos
Notas iniciais
– Podemos ir? – James se levantou abruptamente, assustando-me
– Tem certeza de que não tem ninguém mais lá?
– Claro que tenho, anda logo. – ele estendeu uma de suas mãos para mim.
– Não mesmo, vai lá confirmar antes.
– Porra Noah, você é um pé no saco.
– Se você não quiser, eu posso ir embora... – deixei a frase incompleta no ar
– Não! – James disse rapidamente – Volto em um minuto.
James Parker e toda aquela montanha de músculos saíram andando em direção ao vestiário, enquanto eu ficava sentada contemplando o céu.
– A barra está limpa. – James gritou do outro lado do campo.
Me levantei sem pressa e tirei o capacete da minha cabeça. Balancei os cabelos para soltá-los e fui andando sem muito ânimo na direção de James, que me encarava aflito.
– Assim você vai acabar me enlouquecendo. – disse ele quando cheguei mais perto
– Mas o que eu fiz?
– Como o que você fez? Você adora uma provocação.
Sem entender, desviei meus olhos dos dele e entrei no vestiário, tirando meu uniforme e ficando apenas com um short e uma leve regata.
– Vou tomar uma ducha, está bem? – sorri amarelo e me virei de costas para ele.
Entrei em um dos boxes e tirei o resto da roupa que sobrava, jogando-a por cima da porta. Liguei o chuveiro em uma temperatura morna e comecei a minha ducha.
– Não tão rápido assim. – disse ele abrindo a porta e me dando um susto
– James! Eu quero tomar banho. – disse de cara feia
– E eu também quero. Mas com você.
James se aproximou já sem roupa e colou seu corpo no meu, entrando embaixo do fluxo de água. Sorri e entrelacei meus braços em volta do seu pescoço, e ele fez o mesmo com os seus em minha cintura.
– Ah Noah – ele arfou levemente
Selei nossos lábios em um beijo e fiquei na ponta dos pés para ter a mesma altura que ele. As mãos de James passaram a percorrer pelo meu corpo, me deixando levemente sem ar. James forçou seu quadril contra o meu, penetrando-me inesperadamente. Empurrando-me para a parede, segurou as minhas pernas e puxou-as para a altura do seu quadril.
– Você é uma delicia. – ele sussurrou em meu ouvido.
Fui tomada pelos seus gemidos de acordo com a velocidade de suas estocadas, que aumentava gradativamente. Meu corpo tremia, ao mesmo tempo por conta do frio causado pelo piso em que estava apoiada e pelo prazer proporcionado naquele momento. Depois de um tempo, senti os músculos de James se enrijecerem por um instante e relaxar. Já não conseguindo me conter, fiz o mesmo.
– Uau – disse com a voz rouca
– Vou deixar você tomar sua ducha. – James se despediu com um beijo e saiu do box
Terminei meu banho rapidamente, pensando nos inúmeros trabalhos que ainda teriam que ser feitos quando eu chegasse em casa. Saí do chuveiro com a toalha enrolada em volta do meu corpo, e ao abrir a porta, vi James sentado em um dos bancos serenamente.
– Me esperando?
– Ah, claro que sim – ele abriu um sorriso a me ver.
Joguei a toalha em um dos cantos e vesti minha roupa, sentindo o olhar de James sobre o meu corpo. Peguei minha velha bolsa e larguei o uniforme nojento do time nela.
– Eu tenho que ir. – disse sem encará-lo
– Já? – James pareceu desapontado.
– Trabalhos da faculdade, um monte deles.
Com um beijo rápido me despedi de James e segui andando para fora do ginásio, cantarolando uma musica que tinha visto em um comercial. Quando atravessava o portão da escola, me deparei com Jared Brown, o cara gentil da turma de marcenaria.
– Oi Jared. – assenti levemente e segui andando.
– Noah, espera. – virei-me para ele e ele me encarava, nervoso.
– Aconteceu alguma coisa?
– Olha, eu não sei nem por onde começar. – ele tremia. – Foi algo totalmente de repente e eu não esperava... Eu não sei como agir e... Eu estou apaixonado Noah.
– Apaixonado? – a bolsa em meu ombro afrouxou. – Espera aí, por quem?
– É complicado.
– Por quem você está apaixonado, Jared? – cruzei os braços e prendi a respiração
– Promete não contar para ninguém? Nem mesmo para o seu namorado?
O nervosismo me acometeu e milhões de coisas passaram pela minha cabeça. Se James descobrisse que Jared Brown estava apaixonado por mim, ele o destruiria. E digo no sentido literal, músculos e força são o seu forte.
– Prometo. – fechei os olhos e esperei a respostas.
– Eu estou apaixonado por... han... Seu amigo, o Nicholas.
– O que? – uma gargalhada de alívio se espalhou pelo silêncio do pátio vazio. Percebendo que o deixara constrangido, fiquei séria imediatamente. – O que? – repeti
– É, nós conversamos algumas vezes, mas acho que ele pensa que sou heterossexual. Você pode conversar com ele por mim?
– Claro que posso Jared, sem problema nenhum. – sorri para acalmá-lo. – Assim que chegar em casa ligo para ele e peço para ele dar uma passada lá, e ai conversamos.
– Muito obrigada Noah, você é realmente uma ótima amiga. Nick me disse isso diversas vezes.
Lágrimas surgiram nos cantos dos meus olhos e limpei-as tão rápido que quase se tornou imperceptível. Mesmo tão afastada do meu melhor amigo, ele ainda dizia por aí que eu era ótima.
– Imagina, não tem problema nenhum. Falo com você amanhã.
Acenei com as mãos e atravessei a rua sem prestar a mínima atenção, com os pensamentos longe. Tirei a chave da bolsa com roupas imundas e abri a porta, ainda sem perceber o que eu estava fazendo.
– Cory? Pitters? Tem alguém ai? – sem resposta
Finalmente a casa seria só minha. Peguei o telefone e disquei o numero de Nicholas, que sabia de cor. Pedi para que ele viesse até minha casa com Erin, que precisávamos conversar. Por seu tom de voz senti que não era algo muito animador, mas Nick concordou.
Aproveitei o tempo de espera para fazer um dos milhões de trabalhos que eu precisava, me culpando por ter andado tão desatenta. Quando terminei de imprimir a ultima página, a campainha tocou e fui correndo atender.
– Nick. – sorri ao vê-lo do outro lado da porta, impecável como sempre.
– Acho bom você ter um motivo maravilhoso para me tirar de casa a essa hora da noite, estou de TPM. – seus hormônios estavam cada vez mais afeminados.
– Erin. – senti certa frieza em minha voz, que fiz questão de disfarçar com um sorriso. Ainda não tinha perdoado Erin totalmente pelo “incidente” com Cory.
– Noah, achei que nunca mais iríamos nos falar. – fui surpreendida por um abraço aconchegante, que acabei correspondendo.
– Sentem-se, preciso conversar com os dois. – indiquei o sofá limpo para que eles sentassem.
Erin pigarreou e olhou para Nick com ar preocupado, mas fez o que eu disse. Suas mãos estavam entrelaçadas de modo nervoso, me fazendo rir internamente. Erin achava que eu iria dar um sermão daqueles.
– Primeiro você. – me dirigi a minha melhor amiga. – Quero te pedir desculpas pela minha reação naquele dia, você não errou em ter transado com o Cory.
– Mas... – Erin começou
– Me deixe terminar. Eu fiquei chateada sim, mas já passou e não resta nenhuma mágoa, já que eu e James estamos “juntos” – fiz aspas com o dedo para indicar a palavra juntos, por não ser totalmente oficial.
– Fico feliz por isso, me desculpa. – ela sorriu
– Cem por cento desculpada. Agora vamos ao assunto que mais interessa. – e virei para Nick com um sorriso nos lábios.
– O que eu fiz? – ele parecia preocupado
– Como vai o seu namoro com aquele cara da boate, Nick? Ainda de pé?
– Terminamos há séculos, ele era um babaca e tinha o documento pequeno. – Nick revirou os olhos. – Por que a pergunta?
– Bom, digamos que a Noah aqui tenha conseguido um bofe maravilhoso para você.
– Você o que? – Nick se levantou tão rápido que eu estremeci. – Noah Collins, o que você fez?
– Eu não fiz nada, se acalme primeira dama. – ele riu com desdém e se sentou de novo. – Um passarinho veio me procurar hoje e me disse que está louquinho de paixão por você.
– Que passarinho? Para de enrolar. – dessa vez Erin foi quem se manifestou.
– Duas palavras para você: Jared Brown.
– Você está brincando?! Jared é hétero!
– Não é não.
– É sim.
– Não é não Nicholas, até eu já percebi o jeitinho especial que ele tem. – Erin dava gargalhadas.
– O que exatamente ele te disse, Noah? Isso é uma pegadinha?
– Não é pegadinha, para de ser tão desconfiado. Ele me procurou hoje e me disse que queria te pegar até o sol amanhecer. – e fiz uma tentativa de dancinha sexy na cadeira.
– Ele disse o que?!
– Ta bom, não foi exatamente isso. Mas quase. Ele está afim de você.
– Impossível.
– Tudo é possível.
– Você tem que estar brincando.
– Você não quer dar uns pegas nele? – mordi meu lábio e fingi uma pose sensual com Erin
– Eca, parem com isso. E é óbvio que eu quero pegar ele. – Nick pronunciou “pegar” como quem pronuncia “Aids”.
– Por que essa cara? Achei que você estaria dando pulinhos de alegria.
– E estou, quer dizer, mais ou menos. Jurava que ele não curtia meninos. Esse sim sabe disfarçar.
– Vê se tem umas aulas com ele, você ta precisando. – Erin disse e mordi minha boca com força para não rir.
– Engraçadinha, falou a garota que vive pegando outras por aí.
– Que história é essa? – cai da cadeira com a surpresa.
– Babado dos mais fortes, queridinha. – Nick estava afiado. – Erin curte o melhor dos dois mundos.
– Ela o que?
– Eu o que? – Erin parecia indignada. – Quem te contou isso?
– Eu vi, ou você esqueceu que eu estava naquele depósito da boate Move?
– Você estava lá? Eu não acredito. – Erin estava tão vermelha que a cor dos seus cabelos quase parecia desbotada.
– Eu é que não acredito nisso. – minhas gargalhadas os mantiveram em silêncio por algum tempo.
– Dá para você calar a boca? Eu estou tendo uma crise no momento. – Erin se jogou no sofá, abanando seu rosto com as mãos.
– O que você acha de me dar umas aulas qualquer dia desses?
– Sempre quis te pegar mesmo, diz a hora – ela deu de ombros.
As risadas que se seguiram daí com certeza acordaram toda a vizinhança.
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