The Quarterback
19 Capítulo 18 - Quem nunca teve um amigo fura olho?
Notas iniciais
Entrei em minha casa sob a pressão de dois pares de olhos impacientes, que pareciam loucos para me dizer algo que mudaria a minha vida.
– O que está havendo?
– Nick, eu não quero. – disse Erin ignorando completamente a minha pergunta
– Você tem que contar, Erin. É questão de honra. – ele colocou uma mão sobre o peito e a outra para cima, como que em forma de juramento.
– Ela vai me matar e...
– Ei, eu estou bem aqui! – os dois olharam assustados para mim, como se só naquele momento tivessem percebido que eu estivera ali o tempo todo.
– Tudo bem, você não acha melhor se sentar? – disse Nicholas
– Quer uma cerveja? – Erin exibiu seu melhor sorriso forçado.
– Parem de me enrolar e me falem logo. – cruzei os braços e permaneci em pé, resistindo a toda a distração que os dois pudessem tentar me oferecer.
– Ok, mas você tem que prometer não me matar. Eu vou dizer rápido, como quando se tira um curativo de machucado, talvez seja menos impactante. – Erin respirou fundo. – Eu dormi com Cory Pitters.
– Eu preciso de uma cerveja.
Sem dizer mais nada, sai da sala e fui até a cozinha. Peguei uma lata de cerveja, tomei um gole bem grande e voltei até a sala.
– VOCÊ O QUE? – cheguei berrando com a cerveja caindo no chão, tamanha era a minha tremedeira.
– Eu sabia. – Nick se sentou e colocou uma mão na cabeça
– Você o que? – repeti a pergunta, colocando a lata de cerveja na mesa de centro e gesticulando.
– Eu... Me desculpa. Ai meu Deus, eu sou uma burra. – Erin começou a dizer
– Para de drama e desembucha. – olhei para o relógio – Você tem cinco minutos.
– Noah, me desculpa, eu sinto muito mesmo. Ontem eu vim até aqui te procurar, porque você sumiu e não atendia o estúpido telefone. Aliás, por que você tem telefone mesmo? Você nunca atende quando precisamos nos comunicar e acabo tendo que recorrer a outros meios e...
– Quatro minutos.
– Ta bem. Eu vim aqui te procurar e você não estava em casa, mas vi o Cory e ele estava... bom, ele estava... digamos que ele estava vestido bem a vontade. E você sabe como eu sou, não consegui conter o nervosismo. Ele ficava olhando para mim e sorrindo, isso só atrapalhou mais ainda.
– Três minutos.
– Daí nós começamos a conversar – disse ela por cima de mim – e ele começou a jogar muitas indiretas, me testando. Perguntou se você tinha contado algo a mim sobre ele, e eu naturalmente respondi que não. Não queria te constranger nem queimar seu filme na frente dele...
– Então você não queria queimar meu filme com Cory Pitters e dormiu com ele? Que ótima maneira de me livrar dessa roubada, o que seria de mim sem minha querida amiga Erin? – disse sarcasticamente.
– Noah, já pedi desculpas, eu tomei impulso e...
– Três minutos...
– Tudo bem, tudo bem. Ele se ofereceu para pagar uma pizza e eu aceitei. Aí começamos a bebericar um vinho e as coisas foram ficando mais suaves depois de um tempo. Sabe, o papo fluiu e rimos bastante. Quando chegou minha hora de ir embora, fui me despedir, mas Cory me puxou e me beijou.
– Um minuto.
– Não eram dois?
– Quarenta e cinco segundos. – minha boca espumava de raiva
– Ai meu deus, tudo bem, onde eu parei? – ela pensou por um momento – Ah, nós nos beijamos e aí... E aí... Rolou.
– Rolou?! Você fala como se tivesse comido o ultimo pedaço de pizza que tinha na geladeira, não transado com o cara com quem eu transo e vive comigo!
– Eu sinto muito, se eu pudesse voltar no tempo... – e deixou a frase morrer no ar
– Mas não pode. Agradeça por eu não estar voando nessa sua cara de cachorra agora. – peguei minha bolsa e minha lata de cerveja
– Noah – dessa vez foi Nick quem falou.
– Tempo esgotado.
Abri a porta e saí para o frio de Londres que ainda gelava meus ossos. Como ela pode? Com o Cory? Que tipo de melhor amiga dorme com o seu, sei lá, ficante?
Atravessei a rua a caminho da universidade, mas me detive por um instante. Parado em frente ao portão, rindo de orelha a orelha, estava James e sua manada de brutamontes.
– Mas que merda. – gritei para o arbusto ao meu lado.
O barulho foi consideravelmente alto, já que alguns deles olharam na direção que eu estava escondida a procura da origem do ruído. Contornei os carros parados e decidi entrar pelo outro lado do imenso campus, o que levaria aproximadamente uns dez minutos andando. Joguei a mochila nas costas pesadamente e segui cambaleante até a rua que dava origem a porta dos fundos. Tentava cantarolar uma musica qualquer para espantar os pensamentos, mas um zunido em meus ouvidos não me deixava parar. Por que eu estava tão chateada que Erin tivesse transado com Cory? Afinal, eu mesma garantira para ela que nada sério existia entre nós dois. E agora eu estava com James, não estava?
– Eu queria ter nascido com um pênis. – falei olhando para o céu
Entrei no campus e me deparei com ele praticamente vazio, com exceção de uns poucos alunos retardados que decidiam estudar em horário de folga, como eu.
– Ei, Noah. – um garoto alto, magrelo e com cara de bravo se adiantou em minha direção. – Não era você quem estava interessada em uma vaga para as aulas de marcenaria?
– Hãm... Era eu sim. – disse com um sorrisinho
– Que ótimo. – ele me retribuiu o sorriso. – Porque agora temos vagas e pensei que seria um prazer tê-la na...
– Ei Noah – um grito ao longe fez o garoto se calar e se virar, juntamente comigo, para a outra direção.
James Parker andava com sua melhor cara de bad boy em encontro a nós e a cada passo eu sentia que a coisa estava ficando mais feia.
– Eu, hãm, eu tenho que ir. Já arrumei outra atividade extracurricular, mas se precisar, aviso para você. Obrigada. – e comecei a andar na direção de James
– Tudo bem. – ele deu um sorriso sem graça e começou a se afastar.
– Ei, a propósito, como é mesmo o seu nome?
– Jared Brown – ele gritou a certa distancia. – Te vejo por ai.
Virei-me novamente para frente e vi o quanto James se aproximara. Paramos a vinte centímetros um do outro e fiquei encarando-o, esperando que ele dissesse alguma coisa. Mas ele sequer abriu a boca.
– Você não vai dizer nada?
– Quem era aquele cara? – ele disse me cortando
– Quem, aquele ali? – olhei para trás. – É só um cara da turma de marcenaria, veio me avisar que abriram vagas.
– E você vai aceitar? Vai largar o time pela porra da turma de marcenaria?
– Não! James, o que está havendo com você?
– Você acha que eu não percebi você dando a volta e entrar pela porta dos fundos só para evitar passar por mim? O que está havendo com você?
– Ah James, me desculpa. – tinha me esquecido do quanto ele era sensível — Eu não fiz isso por sua causa, decidi dar a volta porque tinha acabado de ter uma briga feia com Erin e precisava de um tempo sozinha, para respirar. Não é nada com você.
James desinflou como um baiacu.
– Achei que tinha feito besteira outra vez. Sobre o que você e Erin brigaram?
– Nós, hãm, nós brigamos por... – merda, como eu era péssima em inventar desculpas – Nós brigamos por causa de um trabalho em dupla da faculdade que era para ela ter feito e não fez, nada demais.
– E esse motivo bobo gerou uma briga séria? Estranho. – James coçou sua barba mal aparada e ficou olhando para mim, me testando.
– Coisa de mulher, você sabe, fazemos drama por tudo. – estava achando minha desculpa realmente pouco convincente. – Mas e então, o que você ta fazendo na faculdade à uma hora dessas?
– Eu e os caras marcamos um treino extra para daqui a meia hora, por isso vim te avisar. Se não quiser ir, beleza...
– Não! Eu vou, claro que vou. Só vou passar na biblioteca para pegar uns livros e vou deixá-los em casa, pego meu uniforme e venho para o treino.
– Ok, te espero no campo.
Assenti com a cabeça e me precipitei para me afastar, mas James me segurou pelo braço e me puxou para um beijo na frente de todos os universitários que estavam ali. Juro ter ouvido um grito feminino de indignação, seguido por passos pesados. Sorri entre o beijo, me deliciando com a sensação de ter James para mim em qualquer lugar.
– Você vai dar o que falar com esse beijo. – falei bem perto de sua boca
– Honestamente? Eu não me importo. – e me beijou mais uma vez
Depois de um breve momento no paraíso, nos separamos e eu segui andando até a biblioteca. Encontrei-a praticamente vazia, com exceção de um dos caras mais inteligentes de toda a faculdade, que ganhara prêmios e era muito prestigiado por todos os professores, que estava ali no canto estudando. Acenei para ele, que retribuiu meu aceno, e segui para os livros de medicina em uma estante gigante e empoeirada. Procurei com os olhos por entre os títulos os que mais me chamavam atenção, e acabei separando quatro gigantes para levar para casa.
A bibliotecária me deu autorização para sair com eles e dessa vez fui em direção à porta da frente, que ficava bem mais próxima da minha casa. James ainda estava lá com seus amigos, e quando me viu piscou de um jeito bem indiscreto.
– Que isso Parker, dando mole para a... Como é mesmo o nome dela?
– Nina. – James apressou-se em dizer. – O nome dela é Nina.
Sorri ao passar por eles e atravessei a rua, pedindo mentalmente para que Erin já tivesse ido embora. E quando abri a porta, reparei que ela se fora. Respirei aliviada e coloquei todos os meus livros no meu quarto, empilhados ao lado de varias folhas de trabalhos para entregar na semana seguinte. Peguei meu uniforme de futebol americano e meu capacete, coloquei tudo em uma bolsa enorme fui para a universidade novamente. O grupo já se desfizera e James andava com seus amigos para o campo. Fui até o banheiro mais próximo e coloquei o uniforme, saindo de lá completamente vestida como o Noah.
O treino em si foi especialmente chato, pois James resolvera assumir o controle e ficava me fazendo correr para lá e para cá só para se divertir. Os jogadores estavam mais violentos do que nunca, de modo que saí de lá lotada de hematomas. O apito soou e os jogadores foram para o vestiário, exaustos. Sentei na arquibancada e reparei que James marchava em minha direção.
– Não vai tomar um banho? – disse ele com ironia
– Sabe que eu não posso ser vista, da ultima vez que isso aconteceu acabamos nos agarrando no vestiário.
– Bons tempos. – James suspirou e encarou o céu, sonhador.
– O que você está esperando para ir para o vestiário?
James se demorou um tempo, ainda contemplando o céu.
– Ah, o que? — ele disse distraidamente – Vou tomar banho com você, parte do trato de sigilo, você sabe.
Sorri timidamente e me calei, pensando que teria que adiar meus trabalhos da faculdade mais um pouco.
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