The Puppet

8 O tempo que nos resta


Notas iniciais
Gatilhos de... ah, eu não sei nem mais o que dizer. Aguenta firme, bb! Sugiro uma música pra esse capítulo, que na verdade deveria ter sido sugerida antes: https://www.youtube.com/watch?v=gsT5agfijBE Se chama Broken Toy e é cantada pelo Keane. Boa leitura!

Houve um momento onde a dor apenas deixou de ser sentida. E era a leveza do ser, e nada mais importava além daquela sensação flutuante de que nada, nada poderia atingi-lo.

Febril, via imagens de uma vida que não mais lhe pertencia, sentindo apenas a umidade dos panos gélidos a serem trocados em sua testa. Mas nada disso importava também.

Entre acessos de tosse e uma respiração ruidosa, não havia mais nada que pudesse ser feito por ele.

Era apenas uma questão de tempo, e sabendo disso, tornou-se furioso, irrefreável.

− POR QUE VOCÊ QUER ME ABANDONAR?! – A tigela de missô foi estilhaçada contra a parede. Agarrou-o pela gola da camisa, mas em delírio, apenas sorria.

− Me perdoe... – murmurou baixinho. – Por deixá-lo aqui.

Somente naquele momento notou como os traços suaves pareciam frágeis, a ponto de se quebrarem. Ele quebraria?

Ainda se lembrava quando aquelas mesmas mãos haviam lhe tocado com gentileza, ensinando-lhe tudo o que sabia para viver.

Suspirou.

− Não vou permitir que a doença leve de você o que lhe era mais importante, Sasori-san. – murmurou, os lábios tocando os dele. – Eu eternizarei você.

O sussurro em seu ouvido soara gélido.

Ele começou a preparar a cuba.

Não permitiria que a beleza de seu mestre fosse levada embora.

X

Tudo o que podia fazer agora, era aguardar. E, embora fosse paciente, esperar não era uma das virtudes de Aburame Shino. Não quando seu amado parecia correr contra o tempo. Estaria vivo ainda? Que tipos de atrocidade aquele homem teria cometido contra ele? Seria Kankuro? Se fosse, tinham deixado o assassino escapulir por aquela porta sem fazerem nada além de assistir...

Sasuke parou ao seu lado, estendendo-lhe uma caneca de café recém passado. Shino observou por trás da lente dos óculos escuros. Há quanto tempo não dormia? Duas noites? Talvez estivesse indo para a terceira.

− Se quiser se manter de pé, sugiro que beba um pouco. – Sasuke, no entanto, não o repreendeu. – Sei que você não consegue ficar parado, Shino, e que cada segundo é um segundo no qual Kiba pode estar sofrendo. – Sorveu um gole do próprio café. – Mas agora, a ciência é quem dá o próximo passo. Você não pode fazer nada. Então tente descansar um pouco.

Shino refletiu sobre essas palavras, encarando o quadro branco com todas as informações que possuíam até então.

− Se fosse o Naruto, você conseguiria dormir?

A intenção de Shino não era ferroá-lo com a pergunta, Sasuke sabia. Pois o amigo estava em um estado que não o culparia sequer se resolvesse lhe partir a cara em dois.

− Certamente que não.

Shino deu um gole no café amargo.

− Viu as atrocidades que ele faz, Sasuke. – disse ele. – Sei que duvidou o tempo todo que Puppet pudesse estar por trás disso, mas até então não tínhamos considerado a possibilidade de ele ser alguém tão próximo. E se tivermos deixado ele escapar daqui ileso? E se nunca mais o encontrarmos? Já pensou nisso?

Sasuke virou-se na direção de Shino, os olhos escuros o encarando de maneira incisiva.

− Alguém com a confiança dele, que já matou tantas vezes, não vai simplesmente embora sem apresentar sua próxima obra de arte, Shino. – Sasuke rebateu. – Ele precisa desse controle, desse ritual. Se não o completa, a insânia o toma por completo.

Shino mordiscou o lábio inferior.

− E se não for ele? E se estivermos andando em círculos? – perguntou. – Vamos para o quarto dia, Sasuke. E não sei o que Kiba já pode ter feito para tentar escapar.

Shino tinha certeza de que Kiba não havia ficado parado. Se tivesse a chance, mínima que fosse, tentaria escapar. E se falhasse, isso significava encurtar o tempo que já era curto.

Sasuke refletiu sobre isso. Poderia ter mantido Kankuro sob custódia por até 24 horas, mas escolheu não fazê-lo. Se ele fosse o assassino, isso teria dado mais tempo a Kiba. Talvez ele tivesse conseguido escapar. Havia sido uma decisão ruim?

Seu celular vibrou, antes que pudesse concluir uma resposta e Sasuke o atendeu sem nem sequer ver quem era o contato.

− Tenho os locais que você me pediu. – disse Shikamaru, sem rodeios. – Estou enviando a localização deles para o seu celular.

Sasuke permitiu que a imagem fosse transmitida para o notebook através de um aplicativo criado pelo próprio Shikamaru. Entendendo o sinal, Aburame ligou o projetor, que mostrou os locais na tela; Sasuke colocou o celular no viva voz.

− Prossiga, Shikamaru.

− Temos três possíveis localizações: uma fábrica de gessos que veio à falência há quinze anos e que está interditada desde então.

Sasuke olhou de canto para Shino.

− A fiação do local?

− Prata. É um isolante melhor do que o cobre.

Descartaram o local.

− E os outros dois, Shikamaru?

− Temos o teatro na ala norte da cidade, onde apresentações costumavam ser performadas por grandes artistas. O Teatro Akatsuki foi fundado por Akasuna no Sasori, há exatos cinco anos. No último ano, ele foi fechado por conta de um incidente com a fiação que levou a um incêndio no local. — Shikamaru fez uma pausa. – Parece que ocorreu durante uma das apresentações no teatro, e duas pessoas morreram no fogaréu. Os bombeiros conseguiram conter as chamas, mas o prédio foi considerado perigoso demais para continuar com quaisquer atrações e foi fechado.

− E o último local? – Shino questionou ao lado de Sasuke.

− Costumava ser um orfanato que possuía paredes de gesso. Eu o considerei porque tiveram problemas com essas praguinhas que você gosta de estudar. Foi fechado, também, e as crianças transferidas porque se tornou inabitável. Os insetos o tomaram por completo formando uma colônia. O serviço de dedetização não conseguia se infiltrar nas paredes mais profundas, então o prédio foi condenado e será demolido na semana que vem.

− Obrigado, Shikamaru. – Sasuke murmurou. – Pode me fazer mais um favor? Pesquise tudo a respeito de Sabaku no Kankuro. Me ligue de volta quando tiver mais informações.

− Roger.— Shikamaru desligou.

− Dois lugares distintos para ir. – Sasuke disse, descartando imediatamente a fábrica de gesso. – Irei solicitar uma equipe para investigação.

− Vou ao laboratório. – Shino encolheu os ombros, embora ainda parecesse exausto. O café lhe dera novo fôlego. – Quero saber se temos notícias do DNA.

X

Kiba não conseguia mais comer. Não tinha forças quando ele lhe ofereceu a sopa.

− Não consigo... – murmurou baixinho. Febril pela infecção em seu corpo, tudo o que queria era descansar.

Ele olhou para a perna cheia de pus, de onde larvas de insetos saíam. Seus olhos faiscaram de ódio. O ferimento, que fora causado pela forte pancada, havia formado uma miíase¹ através da fratura exposta.

− Precisa comer para tomar os remédios ou vai passar mal! – exigiu, segurando seu queixo com força.

As lágrimas desceram pelo rosto de Kiba, que já não tinha mais forças para lutar quando ele forçou a alimentação.

− Me deixa ir... – implorou baixinho. – Não vou dizer nada a ninguém, só quero o Shino...

Um tapa forte foi desferido contra seu rosto.

− Não há Shino. – rebateu, furioso. – Não existe ninguém além de mim .Eu sou! Apenas eu!

Seus brados persistentes ecoaram por todo o local. Kiba se encolheu.

− Cuidei de você. – prosseguiu. – Fiz tudo para que melhorasse e você só pensa nele! SÓ NELE!

As lágrimas ainda corriam pelo rosto de Kiba quando, em frenesi, afastou-se, começando a encher a cuba ao lado com um líquido de cheiro forte que fazia seu estômago revirar.

− Mas eu vou te mostrar, Sasori-san. Vou te mostrar que sou melhor do que ele. Ninguém vai te tirar de mim quando eu te eternizar.

O sorriso macabro que tomou seus lábios ocupou os pesadelos de Kiba em seus sonos febris quando mergulhou na escuridão.

X

Sasuke dividiu duas equipes de busca. Uma delas, liderada por ele próprio e a outra por Yamanaka Ino, uma detetive de confiança que era especialmente boa em entrar na mente dos outros. Ela estava de recesso nos últimos dias, mas quando a localizou, rapidamente a atualizou sobre o caso, e Ino mais do que prontamente se dispôs a ajudá-lo.

Estava explicando sobre os dois locais, quando Shino apareceu, uma sombra silenciosa apenas acompanhando o que tinha a ser dito. Aparentemente, sem uma resposta de Tsunade ainda. O DNA não podia ser apressado ou poderiam perder a amostra.

− Então é isso. – Sasuke disse. – Nos dividiremos e iremos atrás desse assassino. A prioridade é trazer Inuzuka Kiba vivo.

Os policiais dispersaram.

− Deixe-me ir com você. – Shino pediu. Não foi como da outra vez, a exigência gritante para que estivesse presente, Sasuke notou. Talvez porque Shino tivesse medo do que encontraria. Mas ao mesmo tempo, havia aquele pedido desesperado. A calma fria de Shino desaparecera. Restando-lhe apenas a esperança.

− Tem certeza que não quer esperar os resultados dos exames? – Sasuke perguntou, embora já soubesse a resposta.

− Quero encontrar Kiba. Isso é tudo o que importa agora. – rebateu. Sasuke anuiu. – Eu quero esse cara morto, Sasuke.

Sasuke sabia disso. Era algo que Shino não precisava dizer. Não quando se lembrava dos olhos desesperados de Tsume ao interrogá-la. Não quando se lembrava de todo o sofrimento e de toda a dor que esse assassino estava fazendo aquela família passar.

X

− I guess you’re a toy that is broken. — cantarolava. – I guess we’re just older now.

Afiava a lâmina em suas mãos, preparando-a junto com os demais instrumentos. O ofício que havia aprendido com tanto amor, aquele que havia lhe dado o título através das mídias.

Ele olhou com um sorriso para Kiba, tocando seu rosto.

− Eu vou consertar você. – murmurou baixinho e inclinou-se para beijar seus lábios. – Não se preocupe. Vai ficar tudo bem agora. Eu prometo.

Kiba entreabriu os olhos. Mas já não tinha mais forças para lutar.

X

¹ — Doença mais conhecida como bicheira, onde insetos depositam seus ovos em um ferimento aberto, permitindo que as larvas se alimentem da carne assim que nascem.

² — Acho que você é um brinquedo quebrado. Eu acho que nós só estamos mais velhos agora. São trechos da música sugerida no início das notas.

Notas finais
Shikamaru minha bandeira! Meu país! Acho que colocar ele na fic como o hacker de apoio foi a melhor coisa que já fiz. Mds, como o povo do TI ajuda! Sobre esse capítulo, só posso dizer que ele traz muitas conexões. É mais curto em relação aos últimos postados, mas eu quis deixar a parte das buscas para o final. Na minha mente, temos o próximo capítulo, que será o último, e um provável epílogo. A maioria das pessoas já fez suas apostas a respeito do Puppet. Que tal eu tornar isso mais interessante? Não sobre o assassino, mas quem acertar o final da fic nos comentários, ganha uma ShinoKiba feita por mim! E não vai ser a do desafio do White Day porque essa já tá pronta e aí não seria justo, haha. Nesse comentário eu espero as teorias, porque no último temos a conclusão. O epílogo é o fechamento! Aguardo suas teorias, queridos leitores! Até o próximo domingo!