The Proposal - Brittana
18 Terceira Noite
Em certo momento, em algum lugar do vasto OCEANO em que se encontravam, a dos olhos azuis resolveu que tentaria uma conversa com sua chefe outra vez. Não estava entendendo nadinha daquele surto repentino de Santana, e seria muito bom se a morena a explicasse, porque era estranho demais não só para Brittany, mas pra qualquer um que estivesse em seu lugar. Qual é... A Lopez estava levando aquele barco para o meio do nada praticamente, sem nenhum motivo até onde a loira sabia. Mas, é óbvio que havia algum. Ela só precisava descobrir, se fosse seguro perguntar dessa vez.
— Pode me contar o que tá acontecendo agora, por favor? — Silêncio. — Santana... Santana!
— Eu esqueci, tá legal?!
— Esqueceu o quê?
— Como era ter uma família! Tô sozinha desde os 17, e eu simplesmente esqueci como era ter pessoas que te amam e que fazem o café da manhã pra você e dizem: “Ei, nós adoraríamos ir passar as férias na sua cidade!” e todo esse tipo de coisa! Você tem tudo isso aqui, seus amigos e ainda tem a Marley, e eu estou estragando tudo!
— Você não tá estragando nada! Eu concordei com isso, lembra?
Santana olhou para o lado, encarando sua subalterna.
— Sua família te ama demais, sabia disso?!
— É claro que eu sei!
— Ah, é?
— É!
— E mesmo assim tá disposta a colocá-los no meio disso, Pierce?!
— Eles não vão descobrir, caramba!
— Como pode ter tanta certeza disso?!
— Porque você mesma me disse isso mais cedo, Santana!
— Mas, e se sua mãe descobrir... — Ela soltou o volante e levantou-se, colocando as mãos no rosto, mais desesperada que antes. — Dios, e se a Susan descobrir...
— Wow, wow! — Brittany chegou no banco do piloto em desespero, para controlar o barco. — Tá doida? Toma cuidado!
— Sua avó vai morrer do coração e a culpa vai ser minha!
— Calma! Isso não vai acontecer...
— Vai sim!
— Não, não vai! Agora segura firme! — Brittany avisou aos gritos, desviando de uma enorme boia de sinalização. Durante a manobra entretanto, Santana caiu barco afora de costas no mar. A loira por sua vez, demorou alguns segundos até perceber pois permanecia olhando adiante. — Olha, eu sinto muito, mas roubar um barco talvez não seja a melhorar maneira de demonstrar sua frustração, não acha?!... Ah, ótimo! Resolveu calar a boca agora? Santana...?
Ela olhou para trás num reflexo, e viu a morena se debater na água.
— B-Brittany!
— Santana! Calma, eu já vou voltar! — A Pierce deu meia volta, indo em direção a sua noiva. — Eu preciso que vá até a boia, tá bem?!
— Eu não s-sei nadar!
— Você consegue! Vai pra boia! Bata as pernas!
— Tá...
A Lopez movimentou-se na água congelante, com muita dificuldade, já que seu corpo inteiro estava doendo mais do que nunca pela queda de temperatura abrupta, mas conseguiu se segurar na boia de sinalização no fim. Brittany estacionou o barco próximo dali, e esticou-se na borda da embarcação para poder alcançar Santana. Ela estava extremamente vulnerável naquele minuto, como a loira jamais imaginaria que ela pudesse ficar. Era dolorido para ela assistir, a dos olhos castanhos tremia agarrada a boia e era como se ela e o oceano estivessem próximos a se tornar um só.
— Me dá a sua mão! — Vácuo. — Por favor Santana, me dá a sua mão! Vem... Só mais um pouco... Te peguei!
A Pierce alcançou os dedos da chefe, e o corpo dela enfim respondeu ao da outra. Brittany começou a puxá-la barco adentro, com ajuda da própria Lopez, que mesmo muito ofegante, ainda tinha um pingo de força dentro de si para um impulso final. A dos olhos azuis a segurou nos braços e, com cuidado, colocou-a no assentos traseiros da embarcação.
— Que merda você tava pensando, hein? — Brittany a repreendeu, tirando um cobertor de um compartimento do barco. — Poderia ter morrido!
— Eu caíí por sua c-culpa, idiota...
A loira franziu as sobrancelhas e envolveu as costas da latina com o manto, esfregando as mãos pelos braços dela cautelosamente várias vezes na tentativa de esquentá-la.
— Foi você quem soltou o volante, Santana. Quase me matou do coração!
— Desculpa...
— Tá tudo bem. Você precisa se esquentar agora, vem cá. — A Pierce sentou do lado da mais baixa e a abraçou, distribuindo seus movimentos com as mãos pelas costas dela dessa vez. — Tá tudo bem... Tá tudo bem.
Ela continuou repetindo mais para si mesma, do que para a outra. Há um segundo, mal se dava conta de como seu coração estava aflito com aquele micro acidente, mas agora estava cada vez mais claro. Não queria pensar em perder Santana em hipótese alguma, aquilo tinha a abalado demais. Soltar a morena tão cedo estava longe de ser uma opção. Muito, muito longe mesmo. Não havia espaço para se incomodar com o fato das roupas da Lopez estarem ensopadas e geladas. Não havia espaço para timidez com tamanha proximidade entre elas. Não havia espaço para nada que não fosse o trabalho de distribuir calor para a outra. Nada.
(...)
Depois de tomar um banho quente e trocar de roupa, Santana desceu para o primeiro andar da casa. Brittany estava na cozinha sentada na bancada com as mãos no rosto, mas olhou de imediato em sua direção assim que a ouviu chegar ali. Então, abriu um sorriso cansado. Fazia pouco menos de uma hora, desde que retornaram a residência dos Pierce. Estavam sozinhas – na companhia de Dino, o recém chegado cãozinho da família que, agora, dormia no carpete da sala tranquilinho. Continuariam assim por um bom tempo, mesmo sem saberem disso.
— Tá melhor?
— Sim...
— Que bom. — Ela se levantou, começando a mexer nos armários. — Quer que eu faça um chá? Ajuda a esquentar.
— Tem vinho ou coisa do tipo?
Brittany parou o que fazia e assentiu, indo até onde as bebidas estavam.
— Aqui. — Mostrou.
— Vamos beber.
— Tem preferência?
— Não.
— Ok... — A loira pegou uma das garrafas e procurou por duas taças num outro armário, servindo-as com calma. — Pronto.
— Obrigada.
Ambas as mulheres se sentaram na bancada, em silêncio.
— Então... — Brittany encarou a chefe com certo receio. — Por que tem tanto medo do mar?
— Como eu disse: não sei nadar, Brittany.
— É, eu sei. Mas... Aconteceu alguma coisa, ou sei lá?
— Não. Nada... — Admitiu. — Sempre foi um medo inconsciente que me acompanha desde a infância, sou mais a cidade grande. Odeio praia, mar e... Tudo isso.
— Entendi.
Elas continuaram bebendo, uma, duas, três taças de vinho.
— Obrigada por me salvar. De verdade. — A latina a fitou, de relance.
— Não precisa agradecer, Santana... Não foi nada.
— Claro que foi, Pierce. Mas, enfim... Pensei melhor, e não vou desistir do casamento.
— Isso é um alívio. — Riu, servindo outra taça para si, e depois exibiu a garrafa para a mais velha. — Mais?
— Uhum... — Santana sentiu um arrepio pelo corpo inteiro, o gelo ainda estava ali. — Tô precisando.
(...)
Cerca de uns quinze minutos depois de se deitarem para dormir, Santana ainda se encontrava acordada na cama de casal. Será Brittany também estava? Bom, nunca saberia se não perguntasse. Tomou coragem, afinal: estava agitada demais para dormir.
— Brittany... Já dormiu?
— Ainda não. — Ela respondeu da cama improvisada abaixo. Também estava agitada, não dava para negar. — Por quê?
— Se quiser... Pode deitar aqui comigo hoje.
— Não, não precisa. Tô bem aqui.
— Tá frio. — Santana ressaltou.
— Ah... Certo. Tá bom então. — A Pierce se colocou de pé, andando sem pressa até a cama de casal. Levantou o cobertor à medida que a noiva jogava o corpo para o outro lado, e enfim se acomodou no colchão. — Licença.
Aquilo, definitivamente, não iria prestar. Ambas estavam altinhas por conta da bebida que haviam tomado há pouco, e tinham se visto nuas no dia anterior... E o beijo que deram assim que chegaram na cidade tinha química, e seu cheiros eram atraentes além da conta, e quando cantaram I Wanna Dance With Somebody foi a melhor coisa do mundo, assim como o abraço, as mãos se tocando e o tempo que tiveram sozinhas no restaurante, naquela manhã e quando patinaram no gelo... Para somar a tudo isso, Brittany deitou-se ali virada para o lado da latina ao invés de virar as costas e, a outra mulher, continuou na mesma posição mesmo assim. Ficaram frente a frente, deitadas sob o edredom que forrava aquela cama. Então, em um segundo Santana se viu há uma distância segura, e, em outro, ela estava consideravelmente mais perto de sua assistente por livre e espontânea vontade. Olhos azuis e castanhos se fitando, continuamente, e as respirações de ambas mais lentas que o normal.
— Eu acho que... — Brittany intercalou olhares entre a boca e as pupilas da Lopez, de novo e de novo. Espera aí, o que achava mesmo? Não sabia mais. A única coisa que lhe passava pela cabeça era que queria chegar mais perto... Muito mesmo, mas não podia. O casamento era uma farsa... Toda aquela atração só existia na sua cabeça, não? Precisava virar para o outro lado, e meramente dormir... Tudo ficaria bem, depois. E se não ficasse, daria um jeito. — Boa noite, Santana.
Foi só a Pierce sussurrar isso, que sua chefe se inclinou selando os lábios carnudos nos dela. O sentimento era mútuo, a Lopez fez questão de mostrar. A verdade é que seus corpos se atraiam como imãs, era de se admirar que tivessem aguentado tanto tempo. Fecharam os olhos com necessidade, sedentas por aproveitar cada sensação, cada toque. No começo o beijo foi lento, até mesmo tímido... Como o primeiro. Indo do selinho, ao inocente perpassar de lábios, até a união de línguas. Mas, depois, o ritmo do mesmo tomou certa incorporação. Sabe, na terça-feira (por precaução de ambas as partes) fizeram questão de deixar os braços inertes ao lado dos próprios troncos durante o contato de bocas... Nesse, no entanto, se viram completamente imersas ao ato. O que quer dizer que, as mãos da morena foram parar no rosto da loira e, as dela, em meio a raiz dos cabelos negros que depois foram para as costas, cintura, escorregaram para a bunda e pararam nas coxas, apertando tudo o que podiam pelo caminho até ali. Nesse meio tempo, Santana montou em cima do corpo de sua subalterna e explorou toda a linha do maxilar, extensão do pescoço, e os lóbulos das orelhas com a boca, voltando para os lábios finos sempre que podia.
Brittany alcançou a barra do moletom que Santana usava e foi a subindo, ao mesmo tempo em que se sentava no colchão com a outra no colo. A latina levantou os braços e a ajudou com o livramento da peça – que fora emprestado da própria; fazendo o mesmo com ela. Depois disso, a loira a auxiliou com a tarefa de tirar aquela micro camisola preta rendada que usava, e foi empurrando sua chefe seminua até que ela se deitasse de ponta cabeça na cama. Assim, conseguiu encher o pescoço e clavícula dela de beijos, apreciar os seios perfeitos, chupá-los e descer com os lábios pelo o abdômen liso e moreno algum tempo depois. Não tinha pressa quando se tratava disso... Afinal, já estava acontecendo, queria usufruir ao máximo cada instante que pudesse. A Lopez sentia borboletas na barriga, como há muito tempo já não o fazia. Isso não era bom... Apesar de ser fodidamente gostoso e excitante, tanto fisicamente como emocionalmente. Haviam atravessado toda a fronteira para dentro da zona perigosa e pareciam fazer a festa ali, incapazes de voltar atrás.
Olhos azuis fitaram a calcinha molhada da latina, e Brittany enviou um sorriso travesso para ela. Estava adorando isso. Mesmo confiando nos seus dons, a Pierce jamais imaginou que Santana Lopez se molharia assim para ela... Isso a enchia de tesão. Caramba, não sabia o quanto precisava daquilo até aquele instante. Puxou as laterais do único tecido que a separava da intimidade da outra, e contornou o interior das coxas morenas com as digitais, depois lábios e língua. A deu algumas mordidinhas, e enfim chegou ao clitóris, o lambendo e sugando compassadamente. Usou as mãos para acariciar as pernas da mais baixa, e fechou os olhos se comprometendo inteiramente ao que fazia. A Lopez deu algumas arfadas baixinhas, soltando alguns gemidos um pouquinho mais altos no decorrer.
— Isso, Britt... Isso, isso. — Enterrou o dedos nos cabelos loiros e afagou-os, suavemente. — A-Aahm, dios!
— Shh... Não queremos acordar a casa inteira, queremos? — Brittany riu, ameaçando enfiar dois dedos na vagina da outra. Brincou com os sentidos dela até não poder mais. — Poxa, chefe... Esqueci o que vem depois, me ajuda aqui.
Santana a arrastou para cima pelos cabelos, a fuzilando com a maravilha dos olhos castanhos. Talvez, quisesse matá-la... Mas, para Brittany, até aquilo parecia extremamente excitante na hora. Não se incomodou nem um pouco, o que era de se admirar.
— Me fode logo, filha da puta. — A Lopez lhe arrancou um beijo de cair o queixo. — A-go-ra.
— C-com prazer...
E assim foram noite adentro, trocando as posições mais para frente. Era incrível o poder que o álcool tinha sobre as pessoas... O único problema era o dia seguinte. Isto é, posteriormente aos gemidos, toques, troca de fluidos, orgasmos e toda a intimidade que nunca tiveram até ali, até terem, é claro. Na hora nem pensavam nisso, no escuro e alteradas daquele jeito era fácil esquecer, mas em plena luz do dia e estando completamente sóbrias? Bom... Nem tanto.
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