The Proposal - Brittana
11 Sob Holofotes
A próxima parada das mulheres foi um barzinho. Com karaokê. Isso mesmo. KARAOKÊ. Bom, se não é, deveria ser de conhecimento de toda a nação que quando alguém te leva a um karaokê, geralmente espera que você cante também. E do jeito que Susan e Amélia eram, estava mais que óbvio que era isso mesmo que ia acontecer. Tudo bem que patinar havia sido divertido, mas pedir para que Santana cantasse num palco para vários estranhos já era pedir demais. Quinn e Marley começaram a conversar sobre, mas a morena já não era mais capaz de ouvir de tanto nervoso que transbordava a mil em seu interior, Brittany logo percebeu.
Em pouco tempo, o grupo de mulheres acharam uma mesa para se sentarem e se acomodaram, pedindo alguns drinks e porções de comida. Ao fundo, um cara extremamente desafinado cantando em plenos pulmões com uma mulher, também desafinada. Por sorte, pegaram apenas a metade do espetáculo.
— Ok... Pra descontrair, eu e Amélia vamos começar cantando uma coisinha pra vocês meninas. — Susan avisou, levantando-se e indo até o rapaz que administrava as músicas/fila do karaokê acompanhada de Amélia. — Britt, Santana, vocês são as próximas, hein!
— Já vão pensando no que vão cantar, queridas! — A Pierce mãe acrescentou.
— Claro! — Santana riu sem graça acenando para elas, e olhou para a assistente em seguida, cochichando aborrecida. — Mas, que porra Brittany?! Eu não vou cantar, não...
— Você também disse que não ia patinar, e patinou. Não tem nada de mais, Santana. Relaxa.
— Pessoal, vou ao toalete. — Marley anunciou, e todas assentiram. — Já volto.
— Então, Santana... — A Fabray grudou nas noivas, enquanto a Rose se afastava. — A Britt tava me contando lá no rinque como vocês começaram a sair. Muito engraçado como a vida é quase uma comédia romântica, né?
— Pois é... — Ela riu, fuzilando Brittany com os olhos. Que papo era aquele? Só faltava sobrar para ela de novo. — Legal que ela te contou.
— Sim. Vocês têm ótimas histórias. Queria ouvir mais, se por vocês tudo bem.
— Ah, Quinnie, não tem nenhuma outra história mirabolante... — A dos olhos azuis resolveu intervir, pegando na mão de Santana e dando leves toquinhos. — Somos um casal comum até demais. Né, vida?
— É, coração. Totalmente.
Aquelas mãos unidas, outra vez, no dia, não era nem perto de ser seguro. Se encaixavam tão bem. Uma droga.
— O que nós podemos te dizer é que, bom, a gente compartilha de um amor inenarrável por escrita, então nossas melhores conversas e momentos são sobre isso. Vira e mexe, a gente se vê citando uma pra outra passagens de livros que gostamos em comum, e rindo.
— Ah, é? — Quinn sorriu, curiosa. Soando desafiadora. — Tipo?
Santana lembrou-se na hora da conversa que ela e Brittany tiveram mais cedo no restaurante, e correu a responder. Tinha algumas frases de O Pequeno Príncipe na ponta da língua, o que lhe serviria de muito agora.
— “Se tu vens, por exemplo, às quatro da tarde...” — Ela começou.
— “Desde às três eu começarei a ser feliz.” — Brittany completou, fitando-a surpresa. Desviaram os olhos rapidamente, desgrudando as mãos. — É isso.
— Own, vocês são muito fofas! — Quinn se divertiu com a cena, feliz.
— Voltei... — Marley apareceu, sentando-se novamente na mesa com as garotas. — Ai, ainda bem que consegui voltar antes delas começarem a cantar.
— Né? — A dos olhos verdes concordou. — Amélia e Susan arrasam.
— Elas são as melhores.
— É o que eu sempre digo, Marley. Tá pra nascer dupla que vai superá-las.
As Pierces mais velhas se ajeitaram no palco, e passaram a cantar I Will Survive. Marley, Brittany e Quinn começaram a falar sobre outras vezes que as mulheres haviam cantado tal canção e outras ocasiões e se acabaram de rir e bater palmas. Durante esse tempo, pediram mais uma rodada de drinks e Santana começou a beber com elas enfim, deixando-se rir no círculo também.
— Você tinha que ver Santana, Brittany caiu de bunda na escada... — Lucy dizia, nostálgica. — Foi descendo, tóin, tóin, tóin.
Susan e Amélia haviam terminado de cantar fazia alguns minutos, mas não voltaram a mesa, pois cruzaram com um conhecido e enquanto o próximo da fila cantava, avisaram ao DJ que depois Brittany e Santana iriam, e aí contaram para todos no microfone que a loira e a morena estavam noivas, o que não agradou em nada ambas as garotas.
— Venham! — Susan chamou, entusiasmada. — Senhoras e senhores, com vocês as noivas!
A Lopez se ergueu depois de sua subalterna e, juntas, elas caminharam bem devagar até a vovó Pierce e a mãe de Brittany, descontentes. Os holofotes do bar seguindo-as. A cidade toda não precisava saber daquele noivado. As 50 pessoas da festinha de boas-vindas já não eram suficientes? Aparentemente, para as Pierces mais velhas, não. Estar em companhia delas era uma surpresa atrás da outra por si só. Assim que Santana e Brittany se aproximaram do palco, a dos olhos azuis chegou mais perto da avó, falando baixinho.
— Vovó, não tinha necessidade da senhora contar pra todo mundo que estamos noivas...
— Para de ser boba, Britt. Sabe que estamos num lugar seguro. — Ela deu um tapinha no braço da neta. — E isso é algo a ser comemorado!
— Sua avó tem razão, bebê. — Amélia apertou-lhe a bochecha, e recebeu uma careta da filha, o que a fez gargalhar e depositar um beijo na testa dela. — Mamãe te ama.
— Então, escolheram o que vão cantar Santana? — Susan quis saber.
— Na verdade... — Ela tentou se esquivar, sendo impedida pela loira.
— Sim. Já escolhemos, vovó.
— Ótimo! — A idosa se alegrou. — Digam para o Hector aqui. Agora, se nos dão licença... Vamos voltar aos nossos lugares.
— Boa sorte, garotas. Estou ansiosa! — A Pierce mãe revelou, saltitante.
Brittany falou com o DJ e voltou para entregar o outro microfone para a latina, que a olhou balançando a cabeça em negativa. Não iria cantar, não iria. Mal conseguia se virar para encarar a plateia. A mais alta envolveu suas mãos no microfone mesmo assim. I Wanna Dance With Somebody foi a música que a Pierce escolheu, e começou a cantar.
“Clock strikes upon the hour and the sun begins to fade...”
Durante a cantoria, ela deu uma dançadinha com os ombros e pernas, fazendo mímica para a morena cantar também. Afinal, era para ser um dueto. Mas, a outra continuava em negação, então ela se aproximou um pouco mais.
“And when the night falls, loneliness calls...”
— Eu não vou cantar... — Santana sussurrou, insegura. — É sério.
“Oh, I wanna dance with somebody, I wanna feel the heat with somebody...”
Brittany continuou fazendo graça e acabou por arrancar um riso da chefe, pois era estupidamente boba. Estava se utilizando de caretas também, no fim, conseguiu o que queria. A Lopez aproximou o microfone dos lábios e soltou a voz, em um solo esplêndido.
“Somebody ooh, somebody ooh, somebody who loves me yeah...”
A mais nova sorriu. A atenção delas, naquele instante, era tão somente nas figuras de uma e de outra, como se a plateia já não existisse mais que nem percebiam os assobios e aplausos crescendo ali. A voz de Santana conseguia ser ainda mais hipnotizante quando cantava, Brittany estava chocada e mesmo assim, não demorou a acompanhá-la.
“So when the night falls, my lonely heart calls...”
Santana sorriu outra vez, e manteve o contato visual com a assistente. Elas cantaram o refrão, e não pouparam vozes. Então, finalmente chegaram a reta final, acelerando as palavras.
“Dontcha wanna dance? Say you wanna dance uh-huh... With somebody who loves me!”
A música se acabou, e o mundo se fez presente outra vez. No mesmo segundo, desviaram os olhos e encararam a plateia eufórica. O que tinha acabado de acontecer? Que universo paralelo e pacífico era aquele? Estavam extasiadas ao extremo, agradeceram e voltaram para a mesa onde se encontrava o resto do grupo de mulheres, caladas.
— Foi incrível, meninas! — Amélia elogiou, sendo seguida de Susan, Quinn e Marley. — Quem vai agora?
— Euzinha. — A Fabray se pronunciou.
Quinn cantou You Keep Me Hangin' On, e depois foi a vez de Marley cantar Holding Out For A Hero. Santana e Brittany permaneceram quietas, ainda tentando processar toda a cena de antes. Amélia e Susan aplaudiram as outras garotas, e as seis estavam reunidas novamente. Lucy então insistiu para que ela e Brittany cantassem Toxic. Em seguida, Susan cantou Dreams do Fleetwood Mac. E aí, Amélia cantou Jolene. E mais uma vez, todas reunidas na mesa.
— Ah, agora a Britt e a Marley deveriam cantar aquela que sempre cantavam! — A vovó Pierce sugeriu. — Lembram? É tão boa.
— Concordo plenamente. — Quinn se pronunciou e Amélia concordou também. — Vão lá, garotas!
— Ok... — Brittany riu e ergueu-se de seu lugar, fitando a ex. — Tá parecendo que temos que ir, né?
— É, um pedido da Susan é sempre uma ordem como bem sabemos. Vamos.
Santana se pegou revirando os olhos, e tentou se policiar. Em alguns segundos, as ex-namoradas estavam cantando Tell Him da Linda Ronstadt. Pareciam se divertir com aquele dueto, a plateia também. Seria mentira dizer que a Lopez não se incomodava com os olhares e sorrisos animados que elas estavam trocando, enquanto o faziam. Isso a fez imaginar de modo involuntário o porquê as duas tinham se separado e, tal coisa, definitivamente, não era algo que a interessaria saber em seu estado normal. Nem um pouco, para dizer o mínimo. A culpa era do álcool. Era melhor parar por ali, ela empurrou o copo para longe sutilmente.
“Tell him, tell him, tell him, tell him right now!”
À medida que Brittany e Marley terminaram de cantar, e iam voltando para a mesa onde residiam Santana, Quinn, Amélia e Susan, o sorriso da loira foi sumindo. James apareceu no bar, e veio se aproximando das mulheres também. Parecia meio acanhado.
— Olá, meninas... Vocês parecem estar se divertindo.
— O que você quer, pai? — Brittany foi direta.
— Eu pensei de nós terminarmos aquela conversa ali fora, filha... Podemos? Não vai demorar. Eu prometo.
— Tô ocupada, não tá vendo?
— Por favor, Brittany. Fiquei pensando nisso o dia todo.
Ela suspirou e cedeu, balançando a cabeça em afirmativa. Seu pai podia ser um enorme de um chato e inconveniente, mas ainda era seu pai. Daria mais uma chance.
— Tá... Licença, pessoal. Preciso resolver um negócio com o meu pai.
As mulheres assentiram, e Santana pensou se aquilo era uma boa ideia. Todas haviam bebido ali no círculo, e agora a outra iria dialogar com James alcoolizada? Ao que tudo indicava, James era capaz de fazer Brittany soltar fumaça pelas orelhas sóbria, quem diria naquele estado. A dos olhos castanhos torceu para dar tudo certo, senão seria outra carga fortíssima em cima da loira, tudo em menos de 48 horas. Deveria ser péssimo, seja lá os motivos para eles estarem se estranhando tanto, porque obviamente não deveria ser só pela razão dela e da Pierce teoricamente namorarem e estarem para casar.
(...)
— Olha, pai... Eu gostaria que tivesse outro filho pra quem pudesse deixar tudo isso. Gostaria mesmo. Um que quisesse ficar aqui, assumir os negócios e que cassasse com quem você aprova. Mas, essa não sou eu. Não vou mudar, sinto muito.
— Mas, Brittany você não consegue perceber o absurdo que está dizendo?! Isso é ser muito egoísta e ingrata por tudo que te demos! Mimamos demais você... Eu sabia. Quem muito tem na infância, não dá valor a nada mais tarde.
A dos olhos azuis fez um barulho nasal, com um sorriso infeliz estampado nos lábios. James não iria mudar. Esse era o seu pensamento, até o fim.
— Você é um desastre em pedir desculpas. Impressionante. Aliás, essa nunca é a sua intenção de verdade, não é? — Brittany deu as costas e saiu andando, em direção contraria ao bar do karaokê. — Não vai deixar de ser cabeça dura tão cedo, eu desisto.
— Ei, pra onde está indo?
— Pra casa!
— Não vai avisar as outras?
— Eu mando uma mensagem, pode deixar!
— Vou com você, precisamos terminar a conversa direito...
— Não, não precisamos não!
(...)
Santana checou seu novo celular, quando o mesmo vibrou, e percebeu uma mensagem de Brittany, avisando que ela havia ido embora da cidade. Que ótimo. Agora era só ela, Quinn, Marley, Amélia e Susan. Tão confortável. Só que não.
— O que foi, querida? — A Pierce mãe quis saber, lendo suas expressões. — Aconteceu alguma coisa?
— Ah, é só a Brittany dizendo que precisou ir embora na frente...
— Oh, não se preocupe, daqui a pouco iremos pra casa também.
— É! Afinal, que mal faz uns minutinhos longe? — Susan riu. — Nenhum casal sobrevive grudado 24 horas por dia, querida.
Elas retornaram a assistir os “cantores” que passavam pelo palco e riram, fazendo comentários, aplaudindo e afins. Apesar de o clima não ter ficado estranho com a ausência de Brittany como a morena imaginava que ficaria, a loira fazia falta. Pediu licença em determinado momento, retirando-se até o deque do bar, a fim de pensar um pouco em todas as sensações que estavam aparecendo em seu interior, tanto boas como ruins. Marley apareceu do seu lado, pouco tempo depois.
— Ei! Achei você. Tá curtindo a cidade?
— Eu tô. Claro... — Ela forçou um sorriso, desviando olhares. — Só precisei de um ar.
— Aham. — A Rose riu. — Sei como é, os Pierces pode ser um pouco exagerados ás vezes.
— É. — Santana concordou.
— Meio diferente de Nova York, né?
— Um pouquinho. Já esteve lá?
— Não. Sempre foi o sonho da Brittany, não meu.
— Vocês tiveram algo sério, né? — A Lopez se atreveu a perguntar, encorajada pelo álcool.
— Ah, a gente namorou no colegial e durante a faculdade. Mas, éramos jovens demais.
— Hum. — Ela balançou a cabeça, ainda mais curiosa. Isso não era pouca coisa. — E vocês terminaram por quê?
— Bom... — Marley ficou sem graça, apoiando-se na braçadeira do deque. — É que um dia antes da nossa formatura, ela disse que queria fugir pra Nova York comigo e me pediu em casamento.
— Hum.
— E... — A mulher ficou sem palavras.
— Você disse não.
— E eu disse não. Isso. Eu nunca saí do Alasca, nunca me imaginei em outro lugar se não aqui. Eu amo minha casa, Sitka, tudo. Mas, enfim... Você tem sorte. A Brittany é maravilhosa, o que você obviamente já sabe.
— Sim... — Santana assentiu, sorrindo falso para a outra. Como Marley conseguia sorrir tanto era uma incógnita para ela, apesar disso, a outra parecia ser uma boa pessoa... Ótima, aliás. Não sabia o que pensar sobre isso. — Sei bem.
— Mais uma vez, felicidades!
A mulher ergueu a garrafa que tinha em mãos em direção a Lopez, que correu para pegar o copo vazio que a acompanhou até ali. Brindaram.
— Obrigada. — A latina agradeceu.
Elas ouviram Susan e Quinn chamando-as pelo microfone, e se entreolharam.
— Melhor voltarmos... — Marley concluiu.
— É.
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