The Proposal - Brittana
12 Certa Gravidade
Retornando a residência dos Pierces, após separarem-se de Quinn e Marley ainda na cidade, Santana, Amélia e Susan cruzavam a ponte em direção ao casarão, logo depois de deixarem o barco que vieram no ancoradouro, estavam se divertindo pelo trajeto relembrando-se da saída e dos eventos proporcionados em decorrência daquele dia.
— Aquele último cantor, meu Jesus... — Susan ria. — Foi penoso demais de ouvir, sorte do garoto que a dancinha que ele fez no final compensava tudo.
Santana riu com o comentário, assentindo junto a Amélia.
— E você e a Britt cantando então, Santana querida? — A mãe de Brittany recordou-se, muito bem humorada. — Foi muito bonito de ver, vocês tem uma sincronia própria.
— Imagina...
— Sim, foi mesmo muito bonito! — A vovó Pierce sorriu, concordando com a nora. — Um casal que canta desse jeito, não se separa tão cedo.
— É... — Santana respondeu, um tanto tímida. — Acho que sim.
— Quinn e Marley também não pouparam vozes. — Susan comentou. — Adoro essas garotas.
— Eu também. Elas são muito divertidas. — Reconheceu Amélia.
Assim que as mulheres pisaram no quintal frontal, conseguiram visualizar Brittany atirando flechas com um arco raivosamente em uma árvore-morta das redondezas. Costumava fazer isso quando aborrecia-se no passado, mesmo depois de abandonar as aulas de arquearia. Santana não sabia, mas Susan e Amélia sim, estava difícil de enxergar o acontecimento, pois já escurecera, mas aquela sombra era muito clara para as Pierces mais velhas, que preocuparam-se com os ânimos que as conversas que a menina andara tendo com James pudessem ter resultado.
— Ah, não... — Amélia lamentou, alarmando Santana. — Brittany! Brittany, filha, tá tudo bem?
A dos olhos azuis não respondeu, pois estava de fones de ouvido no volume máximo, focada na sua tarefa de flechar a árvore rapidamente e esquecer das palavras do pai, que insistia na ideia dela não saber o que estava fazendo com a própria vida. A Lopez apertou os olhos para enxergar melhor a cena. Ainda não entendera muito bem o que rolava ali, e Amélia se apressou para dentro de casa, deixando ela e Susan para trás.
— O que ela tá fazendo? — Santana quis saber.
— Flechando uma árvore, alguma coisa estressante aconteceu. — Susan disse, frenética, chamando-a com a mão para acompanhar Amélia. — É melhor deixá-la sozinha agora. Vamos, querida.
As três adentraram a residência, e Amélia foi até a sala de estar pisando forte no chão e desligando a TV enquanto James assistia-a. Seu semblante nada bom. Estava decepcionada.
— Não podia perguntar antes de desligar? — O Sr. Pierce questionou a esposa, em tom repreensivo. — Eu tava assistindo.
— Por que a Brittany está flechando aquela árvore-morta de novo, James?
— Não sei. Talvez, ela tenha planos de se tornar uma arqueira agora. — Ele debochou e Amélia franziu ainda mais o cenho para o marido que, voltou a falar, soando confuso: — Que foi?
Susan sentara na mesa da cozinha, pondo as mãos na cabeça e Santana percebeu que possivelmente era melhor deixá-los sozinhos, então da divisa entre a sala e a cozinha, resolveu avisar que iria para o quarto.
— Ah, eu tô tão cansada... Acho que vou subir, tomar um banho e descansar.
— Claro, querida. — Amélia virou-se para sorrir para ela. — É uma boa ideia. Tenha uma boa noite.
— Igualmente... Meu dia foi ótimo. Obrigada.
A mãe de Brittany assentiu, e assim que Santana deu as costas, ela voltou a fitar James furiosa. Pelo caminho, posteriormente a dar boa noite a Susan, a dos olhos castanhos ainda conseguia ouvir a discussão dos pais da assistente, por isso diminuiu o ritmo, parando rente as escadas. Queria ouvir o resto do falatório.
— O que você fez, James?!
— Eu? — Ele perguntou sério, na defensiva. — Eu não fiz nada. Quer dizer, você sabe, apenas tivemos uma conversa honesta sobre o futuro dela. Sempre a mesma coisa.
— Ah, claro. Claro. Foi uma ótima ideia, James! — Amélia foi sarcástica. — Agora, ela nunca mais vai voltar aqui! Ela é minha única filha e eu só a vejo a cada seis meses por sua causa! Pra mim já chega, perdi a paciência!
Dino correu até Santana, pulando em suas pernas.
“Aw, aw!”
— Você vai apoia-la na sua escolha de profissão, no casamento com a Santana e nas demais decisões que ela tomar por conta própria, ponto final!
“Aw... Aw, aw!”
— Estamos entendidos?
— Shh... — A morena tentou aquietar o mini corgi, sem sucesso. Ele latiu mais alto ainda, e ela começou a subir as escadas ligeiramente, para não chamar atenção da família da loira para a presença dela ali. — Shh!
— Olha, James, se não tomarmos cuidado, nós dois vamos acabar sozinhos nessa casa enorme! Só eu e você e tudo que detestamos! E por Deus, que elas não nos deem um neto do qual nunca poderemos conviver!
Brittany abriu a porta de casa, ainda de fones e se colocou para dentro, alheia ao monólogo de sua mãe, nem sequer sabia que já haviam voltado. Caminhou em linha reta em direção as escadas, para o andar de cima. O arco e as flechas guardara na garagem, um segundo antes.
— Você vai consertar isso, James. Falo sério. Resolva o quanto antes.
(...)
Pensativa além da conta, Santana acabou por ir tomar banho esquecendo-se de levar uma toalha consigo, coisa que só percebeu ao final do mesmo. O banheiro todo embaçado de vapor e cheirando a sabonete, ela cantarolava algo que ouvira no karaokê. Fechado a torneira, nem sinal de toalha no gancho próprio para isso, para a sua alegria... Só que não. Suspirou, lembrando-se de todos os motivos pelo qual evitava beber e pensar demais. Teria que deixar o box nua, e molhada. Maravilha. Ao menos Brittany estava lá fora, flechando uma árvore qualquer. Bom, ainda sim, não custava checar.
— Olá? — Ela chamou, tinha certeza de ter ouvido algo. — Tem alguém aí?
Era a menina Pierce entrando no quarto e se apossando de uma toalha, mas ela não respondera, porque ainda estava com os fones no volume máximo. A loira então se direcionou a sacada dos aposentos, apoiando-se no parapeito dali por um tempo.
“It doesn't matter who's wrong or right, beat it, beat it...”
A Lopez abriu a porta do banheiro, certificando-se de que não tinha ninguém no perímetro, então ameaçou por um pé para fora e foi surpreendida com a presença de Dino.
“Aw, aw... Aw, grr!”
— Não, não! Desculpa... Eu só vou pegar uma tolha, tá legal? — Ela tentou sair outra vez, sendo recebida por mais latidos e rosnados e pulos. Recuou. — Só quero pegar um toalha. Só isso... Desculpa ter te oferecido a águia. Desculpa. Vai embora, vai!
Brittany passou a se livrar das roupas despreocupada, afinal de contas a vista da sacada dava para um lado do mar com montanhas e nada mais que isso ao horizonte da ilha, e além disso, estava de noite e estava sozinha. Fora que ela curtia sentir uma brisa fria, quando o corpo estava exausto de atividades físicas. Enquanto isso, Santana continuava tentando afastar o cãozinho irado de si. Olhou pelo banheiro e teve a ideia de ligar o secador e apontar para o filhote, para assustá-lo.
— Que tal isso? Huh? — Ela sorriu, já se declarando vitoriosa. — Tá gostando?
Dino então deitou-se no chão, aproveitando o ventinho nos pelos sedosos.
— É... — Santana suspirou. — Parece que você gosta.
Ela olhou para o tapete e teve outra ideia, só precisava colocá-lo sobre o tecido. Com o pé, ela empurrou o bordado aos poucos em direção ao animal.
— Vem cá. Suba no tapete, suba. — Santana utilizou-se de uma voz abestalhada, que as pessoas costumam fazer para falar com bichinhos de estimação. Funcionou, ao menos. — Isso! Bom garoto. Quem é o garotão mais lindo? É, é você!
A editora passou a se abaixar, para puxar o tapete para dentro do banheiro e trocar de lugar com Dino. Dito e feito. Virou-os em um segundo, fechando a porta do banheiro e correndo pelo quarto ainda olhando para trás. Ao mesmo tempo, Brittany retornava ao interior do cômodo, para poder ir tomar um banho no banheiro dos aposentos, e olhava para o chão, tentando se lembrar de quem era a música que tocava naquele instante. Então, deu no que deu. O encontrão entre a chefe e a assistente, ambas sem roupa alguma, fora na certa.
— O que...
Nenhuma das mulheres entendeu o que estava acontecendo, era surreal. Santana derrubou Brittany, ficando por cima dela. Seus corpos pelados em contato. Os corações na boca. Se fitaram, com os olhos esbugalhados.
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