Enquanto Susan se arrumava para ir à cidade com as outras mulheres, Santana e Brittany permaneciam na sala de estar do casarão dos Pierce junto a Amélia. E, como havia prometido na manhã anterior, a mãe da loira mostrava mais alguns álbuns de família a Lopez, para a frustração da filha. Bom, ainda era melhor do que Amélia descobrindo toda a verdade. Então, estava tudo bem... Na medida do possível, nem tanto aceitável. Santana, por outro lado, estava adorando a situação. Aquele sentimento bom de fazer parte de uma família, e estar com essa família, ela não tinha contato há muito tempo e, apesar de ainda não ter percebido por completo, sentia muita falta. Mais do que podia imaginar.

— E aqui é de quando a nossa Brittany se formou no ensino médio.

— Oh, olha só... — Santana gargalhou, enviando um sorriso petulante a noiva de fachada. — Quem diria que passou pela fase da franjinha, Britt-Britt.

— Quem nunca, Sannie? — Ela tentou se defender, rindo de nervoso.

— Ficou uma graça.

A loira corou, Santana continuava a confundindo, provocando e tirando do sério. Ou era apenas impressão? Provavelmente, a editora-chefe estava apenas se vingando pelo momento cômico da floresta. Sabe... O canto e a dança para a “Mãe Natureza” de antes. De todo modo, a morena mal percebia o que estava fazendo. Aqueles álbuns eram hilários demais.

— Tô pronta! — A vovó Pierce disse das escadas, chamando a atenção das três. — Vamos logo pra cidade, temos um casamento inteiro pra resolver.

— Graças a Deus! — Brittany pegou o álbum de fotos da mão de Santana num sobressalto e o fechou, correndo para guardá-lo. — Obrigada por aparecer, vovó. Você me salvou dessas loucas.

— Que exagero, filha! — Amélia riu da reação dela. — Estávamos nos divertindo!

— Só vocês duas...

— Exatamente. — Santana disse, sorridente. — Não é isso o que importa, coração?

— Não mesmo, amorzinho. Chega de álbuns, por favor.

— Britt, não deveria ficar tão tímida assim com a sua noiva. São só fotos. — Susan a repreendeu, brincalhona. — Aliás, lindas fotos. E Santana as adorou, não é querida?

— Demais, vovó Susan. Não tenho nem palavras.

— Viu só?

— Ah, agora todas vocês vão ficar contra mim? — A dos olhos azuis riu. — Não é justo!

Todas riram.

— Ok. Chega de enrolação, pessoal. — Susan decretou. — Vamos indo para o barco.

— Sim, senhora. — Brittany concordou.

As mulheres se certificaram de que Dino estava dentro da casa, são e salvo de qualquer águia, e então saíram. Como James havia ido para a cidade um pouco antes por motivos de trabalho, apenas um barco e aquele jet-ski do dia anterior residiam ali, no ancoradouro da ilha particular. Por incrível que pareça, ao cruzar a ponte até aquele ponto, Santana sentiu-se extremamente grata pela presença de Susan e Amélia além de sua assistente, porque apesar de não reconhecer nenhum barco como sendo totalmente seguro, ainda conseguia ser melhor do que um jet-ski, com toda a certeza.

Ao passo que Susan e a Amélia começaram a conversar próximas ao volante, já que era a mãe da dos olhos azuis quem dirigia o barco dessa vez, Brittany se aproximou de Santana para cochichar algo a ela. Tal ação fez a outra arrepiar-se, uma vez que a loira veio sussurrar em seu ouvido inesperadamente. Maldita Pierce.

— Já contaram pra Quinn...

A dos olhos castanhos se afastou um pouco, meio ruborizada, e assentiu, fitando-a.

— Era de se esperar.

— É.... Bom, o fato é que ela vai ser a madrinha do casamento... Achei que deveria saber. Pra evitar mais surpresas, você sabe.

— É, sei bem. — Ela sorriu. — Obrigada por avisar.

— De nada. — A loira deu uma piscadela, levantando-se. — Então... Mãe, vovó, estão falando sobre mim, é? Eu sei que sim, nem precisam responder.

As mulheres riram com a brincadeira e Susan logo foi na onda.

— Até parece, Britt. O mundo não gira em torno de você, se toca.

(...)

Aquilo não era fácil. A preparação de um casamento engloba desde o setor gastronômico e decorativo aos convites, vestidos, penteados, DJs, fotógrafos, e afins. Em outras palavras, muitos, mas muitos detalhes mesmo para se pensar, debater e selecionar. Quem diria então: em cima da hora daquele jeito, beirava a loucura. Quer dizer, aparentemente para os Pierce não. Embora não mudasse o fato de que era uma quinta-feira e o casório aconteceria depois de amanhã, no sábado. Quando as noivas de mentirinha alcançaram à cidade para essa complexa missão, em companhia de Susan e Amélia, logo obtiveram a ajuda de Quinn também. Assim, as mulheres começaram sua jornada de afazeres pela gráfica onde seriam produzidos os convites para o grande evento, e lá a menina Fabray e a Pierce mãe praticamente escolheram todo o design sozinhas. Depois, resolveram os tópicos: decoração, DJs e fotógrafos (ainda sem muita participação das próprias noivas) e aí foram até uma floricultura a procura de arranjos decorativos e buquês. Nesse ponto, entretanto, Brittany se preocupou, puxando Santana até um canto onde pudessem ficar a sós.

— Que foi? — A Lopez quis saber.

— Então... — A dos olhos azuis olhou por cima do ombro dela por um instante, retornando aos olhos castanhos rapidamente. — Eu tava pensando que a gente não precisa de flores no casamento. Podemos pular essa parte... Se quiser.

— E por que eu iria querer isso?

Num primeiro momento Santana não entendeu, recordando-se em seguida do que havia dito a loira na noite anterior. Sobre não gostar de flores e vasos em casa, por ambos a lembrarem de enterros. Não imaginou que Brittany realmente estivesse a ouvindo, ou que viria a se lembrar tão cedo desse detalhe. Ficou meio sem jeito ponderando sobre aquilo e, enfim, notou a genuína preocupação da assistente, desviando os olhos e mexendo nos cabelos.

— Ahn... É que eu... Quer dizer, você disse...

— Já entendi, Pierce. — A morena voltou a fazer contato visual. — Tá tudo bem.

— Certo... Com flores então?

— O que sua família achar melhor. — Ela sorriu sutilmente, virando-se e dando alguns passos para longe da loira. — Obrigada.

— O que você falou?

— Nada...

— Ok.

— Ei garotas, olhem esses buquês aqui se não são as coisas mais bonitas!

— Já estamos indo, vovó!

(...)

Pouco antes de se dirigirem ao ateliê de noivas no qual estavam agora, Santana, Quinn, Brittany e as outras Pierces passaram em um buffet e depois em uma doceria, para escolherem e encomendarem as comidas e as sobremesas do casamento. Dessa vez, tanto Brittany como Santana foram mais participativas em suas decisões, afinal de contas a Lopez era vegana (ou quase isso, por culpa do mel que permanecia consumindo) e a menina Pierce não deixaria de opinar nessa área nunca. No fim, suas escolhas foram harmoniosas. Mas, uma cena aleatória permanecia pairando na mente de Santana, já que ao deixarem o buffet, cruzaram com Marley. Ou melhor, Brittany encontrou com a ex, antes que as outras saíssem de vez do estabelecimento comercial e bateu um papo com ela, coisa que qualquer um poderia ver do ponto onde a Lopez estava. Ouvir já era outra história.

Não que quisesse ouvir, era só uma constatação. Houveram muitos risos e toques no braço durante a conversa. Não que isso significasse alguma coisa também, era apenas outra constatação. Eram muitas, e muitas constatações para se tirar daquela cena. Quer dizer, quem sabe... Ela nem estava prestando atenção mesmo. Pff, até parece.

— É tão bom saber que aquele climão entre a gente passou, Britt...

— Nem me diga! — A Pierce riu. — Eu jurava que nunca ia passar, e cá estamos nós.

— Ninguém está isento de drama nessa vida, ainda mais naquela idade.

— Você não poderia estar mais certa, Mar. — Elas riram. — Mas, vem cá, tá gostando de ser professora?

— Muito! Você nem imagina... Esses dias um dos meus alunos aprendeu como usar o dedo do meio, você tinha que ver. Tava se achando, e nem tamanho tem direito.

— Own.

Elas conversaram um pouquinho mais, então a Rose se despediu com a chegada das mulheres, e Brittany saiu lado a lado com Santana pela rua estreita e sem carros daquela cidadezinha do Alasca. Amélia, Susan e Quinn estavam a pelo menos trinta metros à frente, conversando. A dos olhos castanhos curiosa, tendo em vista a micro conversa que teve com Marley no dia anterior. Estava claro que aquele relacionamento não tinha acabado por falta de amor, muito pelo contrário. Distância era o principal fator. O resto, elas pareciam ter de sobra. Química, conversa, atração... Por alguma razão irritante, isso afligia Santana. Era como se estivesse em estado de alerta a todo momento, como se algo seu fosse ser roubado a qualquer segundo. O coração disparava, a cabeça latejava e sentia raiva. A sensação era bem próxima a de ciúmes. Mas, claramente não era isso. Era só medo. Medo de não conseguir seu visto americano, obviamente. Era só isso. Ou será que... Não. De jeito nenhum. Seu futuro green card era o único interesse dela naquele assunto, nada mais. Nada.

— Foi bom rever a Marley, né? — Ela deixou escapar.

— É... — Brittany assentiu, enviando-a um sorriso. — Foi sim.

— Ela estava muito bonita hoje. — A Pierce balançou a cabeça em resposta, escondendo as mãos no bolso e Santana continuou: — Deve ter sido bom botar o papo em dia depois de tanto tempo...

— Com certeza. Fazia muito tempo mesmo.

— Hum.

— Estamos chegando, veja Santana, bem ali! — Quinn correu até onde elas estavam. — Brittany não saia dessa doceria, ela já te contou?

— Não...

— Ah, mas pode deixar que eu conto!

Notas finais
Até ♥