Notas iniciais
Não queria falar sobre isso, mas continuar aqui postando fanfic como se nada tivesse acontecido é algo que eu simplesmente não sou capaz de fazer. Então vamos lá. Nesse ponto todo mundo já sabe da trágica morte da Naya que aconteceu ali no começo do mês passado, é algo surreal, um assunto extremamente delicado que até agora tendo praticamente passado um mês desde o ocorrido é difícil de processar, dói demais. Me peguei imaginando se seria capaz de continuar escrevendo qualquer coisa de Glee e Brittana depois disso, e sinceramente, continuo tendo dúvidas. Ao mesmo tempo, ao fazer isso, Naya continuará viva através da Santana, que foi e é uma personagem tão importante para milhares de pessoas e Naya nos deu tanta alegria e amor ao trazê-la a vida. Basicamente, é isso o que me dá forças pra continuar por aqui, por enquanto. Então, cá estou eu. R.I.P. Naya Rivera ♥

Agora sozinha no quarto, Brittany pôde jurar que a Lopez estava fugindo dela assim que a morena deixou o cômodo o mais depressa que conseguiu. Era mais que explícito. Será que as coisas andavam estranhas para Santana também? A loira caminhou até a varanda do cômodo, observando o mar pensativa. Talvez... Não. Talvez, ela só quisesse um pouco de ar. Mas, o que foi aquela massagem em seus ombros? E o que foi aquele abraço por trás depois? Nunca imaginou que viveria para ver Santana tão carinhosa daquele jeito. Talvez, a latina tenha feito isso para que ela parasse de chorar apenas. Bom... A verdade é que nunca ia saber.

Mas, não tinha problema.

Elas se separariam logo, logo. Amélia, Susan e James nunca descobririam a farsa, e quando Brittany e Santana voltassem a Nova York a loira seria promovida e tudo voltaria ao normal. Só que melhor, é claro... Já que se tornaria enfim uma editora de livros. Era isso. Estava tudo sob controle, mais três dias e fim de fingimento no Alasca, até o divórcio meses depois. Podia expulsar qualquer sentimento confuso para longe, afinal de contas, não era recíproco. E mesmo que fosse, não durariam.

É... Não durariam. Eram muitas brigas.

A Pierce passou a ouvir o próprio celular tocar de dentro do quarto, e deixou as ponderações de lado, já que não a levariam a lugar algum. Retornou aos aposentos na hora, para poder atender ao aparelho. Quase agradecendo por isso.

— Oi?

— [Britt!] — Era Quinn. — [Bom dia!]

— Bom dia, Q... — Ela sorriu. — Tudo bem?

— [Sim, sim. E com você?]

— Também.

— [Acho bom. Então... Tenho que te dizer, eu não botava muita fé que você tinha superado a Marley não, mas depois de te ver ontem com a Lopez, menina, não me resta dúvidas que você a superou mesmo. Por falar nisso, eu adorei a Santana... Tô orgulhosa de você. Ainda puta por não ter me contato que estavam namorando, mas, ainda sim, tô orgulhosa.]

— Ah, que bom... — Ela riu, perguntando-se se isso era bom mesmo.

— Vou ser a sua madrinha de casamento, não vou?

Brittany apertou os olhos, receosa com a resposta que receberia após a pergunta que faria a seguir à melhor amiga. Puta que pariu, puta que pariu. Se forçou a ir em frente, assim mesmo.

— Já te contaram sobre o sábado, não contaram?

— Mas, é claro que contaram!

(...)

Chegando ao quintal dos Pierce, Santana respirou fundo andando rapidamente para longe da residência. Quanto mais longe ficasse naquele momento, melhor. Logo, olhos castanhos enxergaram uma bicicleta repousada ali por perto, e a Lopez teve a brilhante ideia de dar uma volta pela floresta com ela. Bom, levando em conta que estava “presa” em uma ilha, era o melhor que poderia fazer mesmo. Nem se preocupou em saber de quem era o veículo violeta florido, mas apostava em Amélia. Era a cara dela.

Durante seu trajeto com a bicicleta em meio as árvores, Santana repetia em sua cabeça foco, foco, foco. Aquilo tudo era apenas um acordo comercial. Nada mais que isso. Brittany e ela não tinham nada, nem teriam nada, nem podiam ter nada. E tudo ia dar certo. Seu green card era tudo o que importava. Tudo. Só o seu visto, só ele. Como um mantra ela continuava tentando se convencer disso, repetindo e repetindo mais um pouco em sua mente barulhenta. Começou a perder o controle da bicicleta.

— Ok... — Ela tentava domar o guidão, enquanto o mesmo tremia. — Isso tá ficando meio difícil. Wow, wow... Não!

Seu rosto foi atingido por algumas plantas que cercavam a trilha.

— Dios! Eu odeio a natureza! Odeio!

Santana se aborreceu e tentou parar a bicicleta, sem muito sucesso de primeira. Quando finalmente conseguiu se debruçou um pouco na cestinha frente ao guidão e suspirou.

Ela só queria um pouco de ar.

Resolveu então checar o celular e responder as mensagens de trabalho, isso funcionaria. É, com certeza. Tinha no mínimo umas 30 conversas para ver e se distrair. Mas, foi só depois de ler a confirmação da Sylvester — de que a mulher iria a Oprah; e se alegrar um pouco, que rapidamente a latina começou a ouvir sons de flauta e tambor aumentarem gradativamente na floresta. O que era aquilo? A Lopez guardou o celular, desmontou da bicicleta e largou-a no chão, procurando pela música. Estava curiosa, e com um leve medinho crescente também. Mas, essa parte ignoraria... Por enquanto.

Para todos os lados que olhava, só via mato, mato e mais mato. Então ela resolveu se aproximar da fonte do som e enfim foi capaz de fitar o que estava acontecendo mais a baixo da ladeira, sem entender muito à primeira vista, pois estava a uma distância segura. Havia uma mulher com um manto de pássaro vermelho e preto envolvendo o corpo e diversas penas nos cabelos, ela estava falando palavras estranhas, enquanto dançava uma coreografia igualmente estranha no ritmo dos tambores e flautas, ao redor de uma fogueira. Era a coisa mais bizarra que a morena já tinha presenciado até ali.

— Venha até mim, Santana de Nova York! — A figura a chamou de costas, dando-a um susto e tanto. Mas, não demorou a se virar revelando-se. — Sou eu, a vovó Susan!

Claro, só podia ser.

— Oh... — Ela sorriu, sem graça. — Olá?

— Vejo que você é um ser curioso. Isso é bom. Venha comigo, querida! Aprenda como se agradece a Mãe Natureza.

— Na verdade, eu não sou tão curiosa assim não... Eu só estava, sabe...

— Olhe em volta! A Mãe Natureza nos forneceu tudo isso! Do mesmo modo que fez com que seu caminho e o de Brittany se cruzassem. Precisamos agradecê-la e pedir para que essa união perdure!

Será que estava sonhando? Que bizarrice era aquela?

— Venha Santana, dance comigo para celebrar!

— Posso agradecer e celebrar daqui? — Ela perguntou receosa, aquilo estava a assustando verdadeiramente. — Eu não...

— Eu insisto! — Susan jogou algo na fogueira que tinha à frente, e as chamas aumentaram de intensidade num estalo. — Venha!

— O-ok... Tá legal. — Ela assentiu, respirando fundo. — Vou descer e dançar com você.

Santana começou a se aproximar da vovó Pierce, ladeira abaixo.

— Repita e aprenda, vamos lá.

Susan começou produzir algumas sílabas, seguindo o som dos tambores envolta da fogueira. A morena a fitou, parada no lugar. Suspostamente tinha que imitá-la, mas estava chocada demais para sequer raciocinar.

— Sinta o ritmo dos tambores! É com você, Santana!

— É comigo o quê?

— Cante!

— Cantar o quê?

— O que vier a sua cabeça!

— Eu não conheço essa língua...

— Apenas vocalize e dance! — Ela se aproximou, auxiliando a latina com os movimentos. — As árvores, as folhas, qualquer coisa que sinta no coração!

— As árvores...

— Ao universo!

— Ao universo!

— Isso! Continue, está indo muito bem!

— Certo... As árvores, universo, folhas, nuvens! — Ela começou a dar alguns pulos, entorno da fogueira. Aquela batida até que era contagiante. — “Na, na, na, come on...”

— Mais alto!

— “Na, na, na... Come on! Come on, come on! Na, na, na, na!”

Susan parou de dançar e ficou a observando, intrigada.

— “Love is great, love is fine... Out the box, outta line... The affliction of the feeling leaves me wanting more!” — Santana começara a cantar S&M da Rihanna. — “Cause I may be bad, but I'm perfectly good at it, sex in the air, I don't care, I love the smell of it! Sticks and stones may break my bones, but chains and whips excite me!”

Nesse meio tempo, Amélia havia mandado Brittany ir procurar por Santana e Susan na floresta, para as quatro poderem se dirigir a cidade planejar os detalhes do casamento, então a loira pegou quase por completa a deliciosa cena da outra cantando e dançando ao chegar ali. Foi um espetáculo e tanto de se ver. Sua chefe estava soltinha, soltinha. Não conseguiu deixar de gargalhar. Nem tinha como. Parecia outra pessoa, bem diferente daquela que fugira do quarto mais cedo.

— “Come on, come on, come on! I like it-like it! S-S-S and M-M-M, S-S-S and M-M-M...”

— O que tá fazendo? — Brittany resolveu perguntar, risonha.

— Aah... — Ela petrificou virando-se para a loira, sem jeito. Não sabia o que dizer. O rosto que sua assistente fazia era de pura satisfação, e ela entendia bem o porquê. — Você sabe, a vovó queria que eu cantasse com o coração.

— Jura? — Ela riu. — E foi isso que saiu do seu coração?

— É que... Veio com a batida.

— Claro.

As bochechas da editora começaram a queimar, outra vez.

— Não a julgue, Britt.

— Eu tento, vovó.

— Não liga, querida. — Susan deu dois toquinhos no braço da Lopez. — Você foi muito bem.

— Obrigada...

Brittany levou as mãos no bolso de sua blusa sorrindo com a cena, e Santana prendeu uma mexa do próprio cabelo atrás da orelha. Ela estava um tanto tímida, mas feliz pela outra ter aparecido. Ficaram observando as figuras uma da outra, quietinhas. Era estranho, pareciam incapazes de parar.

— O que veio fazer aqui afinal, Britt?

— Ah, claro vovó... — A dos olhos azuis saiu do transe primeiro, fazendo a outra disfarçar na sequência. — Então, a mãe falou pra gente não demorar muito pra ir pra cidade, já que tem muita coisa a ser feita hoje se quisermos que o casamento aconteça no sábado.

— Oh, verdade!

— Podemos ir?

Susan olhou para Santana, antes de responder à neta.

— Você já terminou de cantar, querida?

— Eu? — A latina riu, nervosa. — Com certeza!

— Ótimo! Então, vamos! — A idosa saiu na frente, pegando seu rádio portátil no caminho. — Obrigada, Mãe Natureza!

Brittany e Santana foram atrás, lado a lado, e a dos olhos azuis a deu um empurrãozinho com o ombro.

— Adorável esse seu lado pervertido... — Ela zoou. — Agora a situação de ontem fez muito mais sentido pra mim.

— Cala a boca! — A latina riu, dando-a um tapa no ombro.

— Ok, ok! — A Pierce pôs as mãos na frente de si, em defesa. — Aliás, fiquei sabendo que sequestrou a bike da minha mãe também, nunca imaginaria...

— Você viu?

— Ela viu. — Brittany esclareceu. — Onde tá?

— Pra lá. — A morena apontou a direção.

— Vamos resgatá-la.

— Fica à vontade pra ir sozinha.

— Oh, ok... — Ela riu. — Valeu.

— Disponha.

Notas finais
Até ♥