The Proposal
7 Capítulo 7 - Mudanças
Notas iniciais
A caminho da faculdade eu vejo tudo de uma forma diferente, como se a minha volta tudo estivesse em tons diferentes, algo nele tinha mudado. Ou foi em mim que mudou? Não sei dizer ao certo, mas tenho que descobrir por mim se isso é bom ou ruim, e essa resposta eu ainda não tenho.
Ele mexe comigo e isso eu consigo sentir, mas isso é amor? Meu Deus, o que eu estou pensando? Por que isso agora?
Chegando na faculdade, eu encontro com meus amigos, mas nada ainda de Kira, o que ele está resolvendo? O que está acontecendo para ele está distante esse tempo todo? Espero que ele esteja bem e que fique tudo bem com o que deva estar acontecendo.
Depois da aula corro para a floricultura, quando eu chego lá percebo que tem uma pessoa nova. Eu tinha esquecido que o Sr. Toso, havia mencionado sobre a contratação de um novo ajudante pois com o último festival as vendas triplicaram e estava muito alta a demanda e nós não estávamos conseguindo dar conta de tudo. Minha cabeça está realmente muito cheia de coisa. Como eu pude esquecer isso?
Eu sou péssimo.
Meus pensamentos são interrompidos por um voz.
— Licença, Kemi, certo?
— Sim, eu mesmo. E você deve ser o novo contratado?
— Isso, sou sobrinho do Toso, me chamo Yuto. Ele me disse que as vendas aumentaram bastante desde sua ideia nesse último festival, fico feliz que ele tenha um ajudante tão prestativo e responsável. — Yuto falou sorrindo simpático. — Mas como você arranja tanto tempo para se dedicar assim à loja?
Cocei a nuca envergonhado. — Na verd… conversamos melhor sobre isso depois.
Somos interrompidos pelo Sr. Toso. Ele nos chama para que possa apresentar seu sobrinho a mim e que eu fique responsável para ensinar tudo o que eu sei. Ele tinha que pegar o jeito logo, além do mais não tínhamos tanto tempo assim para desperdiçar. Principalmente pois o Sr. Toso é bem rígido, mas sempre me deixa levar para casa as flores que já não servem mais para as vendas.
Com o tempo, Yuto se atrapalha, ou ele finge ser atrapalhado, não sei bem explicar. Mas não importa quantas vezes eu repita para ele os valores e como ele deve embrulhar e guardar as flores, ele sempre se esquece de algo. Ou até mesmo deixar algo incompleto. Com o tempo ele aprende, mas como seu tio consegue ser bastante impaciente, marca no final dessa semana, aulas comigo para que eu possa passar o dia ensinando ele. Concordo prontamente com esse arranjo.
Sr. Toso se aproxima de mim com o rosto sério. — Então fica em suas mãos tudo aquilo que ele deva aprender perante as vendas e comunicação com os nossos clientes, Kemi.
Faço uma curta reverência demonstrando respeito. — Darei o meu melhor, senhor. Isso eu garanto.
— Eu, agradeço bastante o esforço e seu tempo gasto para me ensinar. — Yuto fala com a voz grave enquanto me faz uma reverência.
Franzo a testa com seu comportamento tão formal. — Não precisa de tanta formalidade. Te vejo no final de semana então.
Logo em seguida fui para casa, pensando em várias formas de ensinar o Yuto, pensei até mesmo em uma planilha. Tenho que organizar bem isso, preço, tamanho, cor, data de vencimento, melhor lugar para colocá- las, onde cada uma deva ficar. Tudo isso ele deve saber. Quando chego em casa corro logo para tomar um banho e preparar algo para me alimentar, passo um bom tempo no banho.
Logo me vem à cabeça o Hayato, me encolho só em lembrar do nosso último encontro, fico tão envergonhado. Fecho os olhos e coloco as mãos em minha cabeça, me lembro de imediato a forma como sua mão desliza sob meu cabelo. Tenho que processar isso melhor, não posso deixar esse sentimento me dominar dessa forma, mas sempre que se aproxima de mim, acabo me perdendo completamente, minha mente se esvazia e o deixo me guiar, como se estivesse em transe, isso tudo é tão estranho.
Sem lembrar que ele é um cara, como meus pais reagiriam, como seu irmão vai reagir em saber?
Onde estou com a cabeça? Estava a pouco pensando em maneiras de ajudar o novo estagiário da loja e agora estou aqui, de uma maneira completamente perdida e confusa. Quando menos percebo já se passou bastante tempo comigo na banheira, saio e vou direto preparar um bentô, assim que termino eu preparo a planilha em meu quadro. Mas não demorou tanto tempo, pois já estava quase na hora de dormir.
Me deito, lembro que foi ali que tudo aconteceu, meu corpo aquecia enquanto as memórias vinham e tomavam conta de mim, aos poucos o cansaço foi tomando conta de mim.
Acordei com o alarme soando alto, sonhei com ele na noite passada. Me dizendo aquelas palavras novamente, parecia tão real, me pergunto muito porque eu, porque ele me escolheu. Mal nos conhecemos.
Levanto, faço meu café da manhã, recebo uma mensagem de bom dia. Assim que li, me lembrei de Kira, fazia-se muito tempo que não sabia notícias dele ou ele minhas. Então mandei mensagem perguntando como ele estava, dizendo que também sentia falta. Queria notícias, e também conversar com alguém a respeito do que estava acontecendo comigo, talvez ele soubesse me dizer o que fazer numa situação dessas.
A semana logo voa, e aos poucos vou percebendo que não possuo mais o mesmo comportamento de antes, minha cabeça está repleta de perguntas e meu coração cheio de incertezas. Na sexta, no final do expediente, Yuto fala comigo.
— Então te vejo amanhã?
Aceno afirmativamente com a cabeça. — Claro, até amanhã então.
Logo me despeço, mas o Sr. Toso logo me chama antes que eu consiga chegar a porta..
Sr. Toso estende algo brilhante para mim. — Aqui está a chave da loja.
Eu o encaro confuso. — Como assim? O senhor não vem? Amanhã ainda assim é dia de trabalho.
Sr. Toso nega com a cabeça. — Preciso ir a uma viagem para resolver as novas encomendas das flores que pedi. Houve um imprevisto e eu tenho que ir lá verificar. Então amanhã você fica responsável por tudo aqui, já que sabe como funciona. Pode fechar mais cedo já que vai treinar meu sobrinho, eu confio em você. Agora eu preciso ir. Qualquer coisa é só ligar para mim.
— Tudo bem, eu te devolvo a chave como? — pergunto segurando a chave firme em minha mão.
— Eu tenho uma reserva. Essa é sua.
— Minha? — pergunto surpreso.
Sr. Toso levanta a sobrancelha divertido. — Sua, você já trabalha para mim a tanto tempo, já é uma pessoa de confiança. Já estava na hora.
Meu peito aquece com a confiança que meu chefe tem comigo e com meu trabalho. — Eu fico muito honrado por esse reconhecimento, irei cuidar muito bem da loja, eu garanto.
Sr. Toso sorri de lado. — Sei que vai. Bem, boa noite.
Então logo vou para casa, olhando para a chave que recebi pela confiança dada pelo Sr. Toso. Aquilo era tão gratificante que por um segundo esqueci que isso era uma responsabilidade ainda maior. O que me deixou um pouco assustado, pois se algo acontecer eu ia estar falhando com o Sr. Toso.
Chego em casa e me preparo para dormir.
No dia seguinte, levantei bem cedo para abrir a loja e esperar o Yuto, mas incrivelmente ele já está ali aguardando minha chegada, desço da bicicleta e a coloco no mesmo lugar de sempre.
— Bom dia. — Yuto diz sorrindo.
— Bom dia. Não precisava vir tão cedo, a loja só abre aos sábados às 8:00h, e ainda são 7:00h.
— Eu sei, mas no meu primeiro dia de treino eu não queria deixar você esperando, até porque já o mesmo já está tirando do seu tempo para me ajudar. — Yuto deu de ombros enquanto me encarava firmemente.- Então seria rude de minha parte chegar atrasado ou depois de você.
— Sem formalidades, não precisa disso comigo, eu não sou seu tio. Aliás, você é sobrinho por parte de quê? — perguntei curioso com sua história.
— Minha mãe, ela é mais nova que o meu tio, então ela me mandou ajudá-lo. — Yuto explicou sorrindo enquanto falava de sua mãe. — Ela possui um grande carinho por ele, sempre a ajudava bastante quando precisava, principalmente comigo, na época meu pai havia a abandonado e meu tio deu todo o suporte que ela precisava para que eu crescesse bem, saudável. Então… eu também sou bastante grato a ele. E não poderia virar as costas quando ele mais precisa.
Apertei seu ombro para confortá-lo. — Eu sinto muito. Entendo, você é muito gentil em pensar dessa forma com o Sr. Toso.
Yuto sorrir brilhantemente. — Não precisa ficar assim, nós nos viramos bem, ela agora está com outra pessoa. Meu padrasto, ele é um cara bacana. Vamos começar?
Volto a me concentrar no meu eminente trabalho. — Ow, desculpa. Vamos. Eu só trabalho à tarde e aos sábados até às 12h. A tarde durante a semana eu apareço às 13:30h mesmo abrindo às 14:00h, pois eu gosto de me organizar com seu tio para não esquecer de nada, pois às vezes ele trás novas encomendas de buquês e rosas, saio às 18:00h. Gosto de saber o preço de todas. E aos sábados pela manhã das 8:00h até as 11:30h. Não trabalho em tempo integral pois tenho faculdade pela manhã. Isso impede que eu venha pelo horário da manhã, mas o Sr. Toso, estava procurando alguém em tempo integral, eu dei sorte na verdade, pois só trabalho a tarde.
Yuto me encara com os olhos arregalados parecendo assustado. — Uau, como consegue?
Dei de ombros abrindo a porta da frente da loja. — Eu gosto, me faz bem, na verdade foi na loja que me fez ter menos medo de comunicação e socialização. Pois na minha antiga cidade eu tinha apenas uma ami…
Me interrompo ficando calado por um tempo, mas Yuto logo percebe. Acho que quando eu paro para pensar a respeito eu travo imediatamente, aquilo percorre e preenche toda a minha cabeça. Ainda me sinto muito mal pelo que aconteceu. Como ela deve estar?
— Tá tudo bem? Você parou de repente. — Yuto me pergunta me tirando da tormenta de pensamentos.
— Há, sim. Tá tudo bem. Desculpa por isso.
— Você se desculpa muito por não ter feito nada. — Yuto apontou.
— Descul… eu ia fazendo de novo num é mesmo? — falei envergonhado.
— Sim. Mas tá tudo bem. — Yuto sorriu dando de ombros. — Acho engraçadinho, fofo até.
— Bem, onde eu estava?
— Que a floricultura te ajudou muito.- responde Yuto.
— Isso mesmo, me ajudou com a faculdade que eu tenho, na minha antiga cidade eu não tinha muitos amigos. Tinha uma péssima comunicação e socialização. Principalmente por causa da minha faculdade, tenho que ter uma boa desenvoltura com as palavras.
Yuto balançou a cabeça seguindo minhas palavras. — Entendo, mas o que você faz? Falou tanto a respeito, mas não disse o que seria?
— Eu faço design. Acho que é um dos motivos para o Sr. Toso ter me contratado. Eu que organizo a loja, por tamanho, cores e sombreamento. Pois tem plantas e rosas que não podem levar muito sol.
Yuto me encara encantado. — Agora entendi o porquê de você estar trabalhando com o meu tio. Você faz tudo. E seus pais? — ele pergunta.
Dou de ombros checando o caixa. — Eles não gostam muito da ideia de eu estar trabalhando aqui, por que eu deveria estar focado apenas na faculdade, pois não preciso disso. Eles podem pagar, mas eu preciso disso, isso me fez tão bem. Existem coisas que eles não podem me dar, experiência e é o que eu tenho aqui. Sei que parece loucura. Soa que sou apenas um menino mimado e que quer fazer o que bem entende.
Yuto discorda imediatamente de mim. — Na verdade é o contrário disso. Eu admiro você querer buscar sua própria independência, mesmo não precisando de nada disso.
— Eu agradeço muito.
— Mas eu não disse nada além do que estou vendo.
— Bem, pois está quase na hora de abrir. Tem uma leva de coisas lá nos fundos que eu quero que você pegue, vou mostrar o que você precisa saber e fazer.
Yuto respira fundo e segue na direção que apontei. — Irei pegar.
Minutos depois que ele pegou as caixas que havia pedido para que pegasse, ele apareceu novamente.
— São essas aqui? — pergunta Yuto com pequenas caixas em mãos.
— Essas mesmo, agora vamos abrir. — suspiro deliciado com o aroma que sai da caixa quando abrimos elas. — Nossa, estão perfeitas. O cheiro que sinto, é tão natural.
Yuto me encara de lado com um sorriso no rosto. — São lindas mesmo, consigo compreender o porquê de você gostar tanto de trabalhar aqui. As fotos também são incríveis. — falou apontando para as fotos expostas nas paredes da loja.
As fotos no caso eram posters que eu desenhava e pintava todos à mão, mas acho que ele não sabia disso.
— Fico agradecido, mas não são fotos.
— Pera, então foi você quem fez isso? — perguntou chocado.
Afirmei me sentindo orgulhoso do meu trabalho. — Sim, eu fiz a mão, o Sr. Toso também gostou bastante, ele queria me pagar por elas, mas eu fiquei tão feliz de ver elas aqui que já valeu o pagamento.
Yuto me encarou com os olhos brilhando. — Você é incrível.
— Que nada, mas enfim. Essas são as que devem ser colocadas na vitrine por serem frescas e novas, as rochas você coloca ao lado das azuis, e as vermelhas ao lado das vinhos. As rosas ao lado das violetas e das vinho, já no meio você coloca as brancas. Mas antes disso você tira as que estão lá e limpa as pétalas que caíram. Os buquês que comprarem você coloca com esse papel quadriculado, vermelho branco. Tem as figurinha também que são da preferência do cliente, você pede para escolherem a que mais agrada. As maiores vendas são aos finais de semana e em datas comemorativas como dia dos namorados, natal, fim de ano e aniversário. Temos um festival que você já deve saber, e foi por isso que você foi chamado, por conta desse ano que se passou. O desse ano foi tão lindo. Bem, esse é o caixa, aqui é a chave para se fazer o troco e pagamento. A chave fica na parte de trás do caixa. E é isso, qualquer coisa que estiver com dúvidas só me chamar, estamos quase na hora de abrir as coisas por aqui, então vamos começar. Essa é a sua vestimenta, esse avental. Conseguiu acompanhar tudo?
— São muitas coisas, mas eu acho que sim.
Yuto parecia extremamente confuso, tentei sorrir encorajadamente para ele. — Nada melhor que a prática, então vamos começar. Aos poucos você vai pegando o jeito. Eu acredito nisso.
— Tudo bem, vamos começar então.
Logo abrimos a loja, coloco o tapete de bem-vindo na porta, e então eles começaram a chegar. Yuto trava em alguns momentos, mas é normal, ele está começando agora. Os clientes mais antigos eu apresento ele a todos, e aos novos deixo que ele ganhe sua própria experiência. Depois de um dia cheio, nós fechamos, Yuto me ajuda com tudo. Ele parece estar satisfeito com o dia produtivo que teve, embora tenha se confundido em alguns momentos.
— Então é dessa forma todos os dias?
— Sim, do mesmo jeito que você viu, às vezes com um fluxo menor, outros maior, depende muito do dia e da data.
Yuto balança a cabeça cansado. — Entendo, foi bem divertido. Mais uma vez eu agradeço pelo treinamento, foi bastante útil, embora eu tenha me atrapalhado.
— Tá tudo bem, é normal, um de seus primeiros dias. Você começou essa semana, não saberia de tudo. Aos poucos você pega o jeito.
Quando estamos do lado de fora da loja prestes a sair, ele passa a mão em meu cabelo rindo, senti que era uma forma de carinho dele me agradecendo pela ajuda. Assim que ele faz e estamos rindo com ele bagunçando meu cabelo, escuto alto e em bom tom.
— KEMI.
Parecia estar bravo. Olho para o lado imediatamente, assustado com o tom de voz. Mas me era familiar, quando percebo é o Hayato. Ele não aparentava estar nem um pouco feliz. Ele me segura pela mão e me puxa para perto dele. Foi tão esquisito aquela reação que nem o Yuto esperava por isso. Eu fico encarando tentando entender o que estava acontecendo.
— Tá tudo bem? — Yuto pergunta preocupado, totalmente confuso com a situação.
— Está sim, depois eu falo com você, pode ir. — afirmei dando um pequeno sorriso para Yuto.
Yuto me encara estranhamente. — Então te vejo na segunda. Fica bem.
Yuto logo vai embora, então eu tenho como lidar melhor com Hayato. Mas eu não entendo nada, eu só solto meu braço da mão dele.
— O que era aquilo, quem era aquele? — pergunta Hayato parecendo com raiva.
— Como é? — pergunto chateado. — Eu não estou em condições de falar com você agora.
Vou pegar minha bicicleta para ir para casa, enquanto ele me segue, peço para ele parar porque eu preciso de espaço, preciso pensar melhor no que aconteceu ali.
— Depois eu ligo para você. — falo subindo na bicicleta para ir embora.
— Espera, Kemi… — Hayato fala mas ignoro.
Eu dou as costas, saindo logo dali, pedalando o mais rápido que posso para casa.
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