The Proposal
4 Capítulo 4 - O festival
Notas iniciais
Pov Kemi
Chegou o dia do festival, fomos nos organizar. Chegamos cedo para ver qual seria a melhor estratégia, dei a ideia de irmos andando com pequenas cestas e distribuindo algumas flores antes do festival começar, como forma de divulgação. Aos poucos as pessoas foram chegando e o clima de primavera começando, o vento, o sol, a brisa que sentia-se na pele. As famílias reúnem-se para fazer piqueniques, ouvir músicas, dançar, e saborear comidas típicas. Logo me lembrei da minha quando minha mãe fazia “Sakura Obentô”, era simplesmente divino, mas eles não estavam ali, então me recompus e segui com minha tarefa.
Fui entregando um por um a cada família que avistava, vestindo os trajes tradicionais do festival, uma Yukata e uma Geta. Eu estava bastante animado, logo quando começou o festival, no momento em que as flores começaram a desabrochar. Eu parei para observar, estavam todos vidrados nesse processo. Que coisa mais linda, pensei enquanto observava o processo com os olhos marejados quando meus pensamentos foram interrompidos por uma voz.
— Você está bem? — perguntou uma homem se aproximando na surdina.
Me viirei assustando me desequilibrando um pouco por conta dos calçados, mas ele me segura com sua mão quente e macia. Eu fico com muita vergonha da situação, tento me recompor, me afasto um pouco e encaro o homem mais alto equipado com uma voz grave e prováveis 1,80m. Mesmo utilizando as Getas, ele ainda conseguia ser bem mais alto que eu. Enxuguei minhas lágrimas,
— Estou sim. — respondi com enquanto me recompus.
Eu o conhecia de algum lugar, só não sabia dizer de onde seria, mas minha cabeça naquele momento estava a mil. Ele pediu uma flor, eu a entreguei.
De repente escuto outras vozes, essas conheço bem, são meus amigos de faculdade. Kira estava usando um Yakuta, outro vestimento do festival. Quando eu olho para o lado não encontro mais aquele homem, não penso muito a respeito já que meus amigos estão ali me distraindo. Fomos bater algumas fotos no festival, aproveitar o tempo que as flores estão desabrochando, aquilo eu não poderia perder.
Fomos comer algumas comidas das barraquinhas por ali por perto, tiramos fotos, escutamos algumas músicas por ali. Depois eu fui deixar a cesta na barraca do meu chefe. Eu consegui entregar todas as amostras, aproveitei bastante tudo aquilo. Depois fui para casa de pés descalços por conta do Geta, meus pés estavam literalmente me matando de tão doloridos que estavam. Chegando em casa eu me troco, tomo um banho. Envio algumas fotos para os meus pais e me deito.
Mas as lembranças daquele desconhecido ecoam em minha mente, principalmente a sua voz, mas de onde eu o conheceria? Quem seria aquela pessoa? Durmo pensando nisso e acordo faminto. Eu corro para a cozinha e preparo uns pães assados com omelete como minha mãe me ensinou, mas eu não chego perto da destreza dela na cozinha, ainda assim eu reconheço minha tentativa e a aprovo. Fritei mais um ovo para comer com o arroz e assim foi meu café da manhã aquele dia.
Chegando na faculdade tivemos a apresentação do nosso projeto, fizemos uma arte 3D das cerejeiras, fazendo com que ela fosse vista em dimensões diferentes. Foi uma excelente apresentação aquele dia, tiramos a nota máxima. Nos empenhamos bastante naquele projeto. Logo depois fui para a floricultura ajudar a organizar a loja, tivemos um aumento considerável de pessoas nas vendas da loja por conta do festival, principalmente por conta dos turistas que viram o evento e gostaria de ter algumas das flores da nossa loja, e isso me deixou animado e feliz pela loja. Mais tarde, fomos comemorar em um restaurante a nota tirada no projeto mais cedo, chegamos cedo e fomos para a comemoração, depois dali fomos para casa, só que no caminho eu soube que o Kira iria viajar por alguns dias, ele não me explicou muito bem o porquê, mas ele parecia abatido, como se algo muito sério tivesse acontecido com alguém.
Será que foi alguém da sua família que está mal? Eu até queria perguntar, mas não queria ser invasivo, principalmente com ele, que já tinha me ajudado com conselhos.
— Espero que você volte logo e o que quer que esteja passando melhore logo, amigo. — falei enquanto me aproximava para abraçá-lo.
Eu vi que ele se segurou um pouco e baixou a cabeça, como alguém que quer segurar o choro, eu fiquei com um nó na garganta por ele. Sei que não somos os melhores amigos do mundo, mas depois do que aconteceu com a Hina, eu não ia mais deixar que isso acontecesse com alguém perto de mim, eu tinha que fazer algo.
Então eu o abracei, fazendo com que ele desabasse, mas eu não iria soltar ele naquele estado, mesmo não sabendo de nada o que estivesse pairando em sua cabeça. Mesmo que eu não pudesse resolver o seu problema, eu só queria que ele soubesse que eu estava lá com ele e estava disposto a ajudar, para tentar no mínimo amenizar tudo aquilo.
Passamos um tempo daquele jeito, até que ele se recompusesse, sendo assim ele fez.
— Obrigada por tudo, Kemi. Você é alguém tão especial. Merece encontrar alguém tão bom quanto ao seu lado. — Falou enxugando o rosto com um sorriso envergonhado.
Não sei porque ele disse aquilo tudo, só sei que entendi, e fomos para casa. Chegando lá pensei muito na Hina, queria mandar mensagem para ela e saber como ela estava, mas tinha medo de machucar ela ainda mais, pois eu não sabia o que estava passando ainda e se esse sentimento já tinha se cessado. Então tentei dormir com a cabeça a mil, mas com o tempo em que adormeci, meus olhos estavam cheios de lágrimas.
Acordei com um pouco de dor de cabeça em plena madrugada, tomei um medicamento para melhorar e voltar a dormir. Assim que acordei, eu estava melhor da dor, mas não dos pensamentos, era como se estivesse me perseguindo, então mais tarde decidi ir no parque, desenhar e observar as pessoas como eu fazia antes, me distrair um pouco.
E parecia que estava funcionando, fiquei ali sentado, observando cada pessoa ali presente, imaginando como era a vida delas, o tamanho da felicidade de cada um ali presente. De crianças se divertindo e me vindo em memórias tão antigas de brincar de esconde esconde com a Hina. Porque eu não senti isso que ela sente por mim, porque eu não percebi aquilo, porque eu a machuquei daquele jeito?
São tantas perguntas sem respostas que eu já nem sei mais o que estou fazendo, eu sou tão ingênuo assim? Tão burro ou frio ao ponto de não notar o que esta acontecendo a minha volta? Porque eu não segurei ela nos braços enquanto você gritava comigo chorando? Porque eu fui tão babaca com você, Hina? Eu retiro tudo isso chorando, enquanto anoitece, e a luz das lâmpadas do parque iluminam onde meu banco estar e a luz reflete em minha lágrimas escorrendo em meu rosto.
— A única coisa que eu peço é que você possa me perdoar algum dia e que você consiga seguir em frente, estando bem consigo mesmo, achando alguém que te mereça, alguém que perceba a pessoa especial que você é. — murmurei olhando para as estrelas enquanto as lágrimas escorriam livremente pelo meu rosto. — Porque eu não fui capaz de perceber isso? Eu sinto muito por tudo isso, pela dor, mágoa que te causei, toda essa angústia que te fIz passar a ter.. Se eu pudesse eu te amaria do jeito que você queria. — desabafei sentindo a dor oprimir ainda mais meu peito.
Estava perdido em pensamentos quando eu escuto novamente a mesma voz.
— Porque você está sempre chorando?
E mais uma vez eu me pego pensando de onde conheço aquela pessoa, mas acima de tudo, porque nos encontramos sempre assim e o que ele quer?
Mas eu respondo. — Parece que você só chega no momento em que eu estou chorando, mas aliás quem é você?
— Eu me chamo Hayato, e você como chama?
— Eu me chamo Kemi, mas porque eu sinto que te conheço e porque também você fica me perseguindo? Eu quero muito entender o que está acontecendo, porque tudo isso é bem estranho.
Ele se aproximou com sua maleta, usando um terno preto, olhos castanhos escuros, e seu cabelo preto, liso e bem curtinho, com seu par de óculos. Dizendo,
— Sempre te observei passando para faculdade, eu estudei lá, me formei em medicina, depois vi você novamente indo para uma floricultura, e depois para esse parque. Como se você sempre seguisse um padrão. — respondeu sentando-se do meu lado do banco. Balancei a cabeça enquanto me encostava mais no banco.
— Sim, eu trabalho na floricultura, e estudo nessa universidade.
— Eu até já comprei flores onde você trabalha, já até perguntei qual flor você me indicaria, você disse que a flor que mais se remetia a mim era a Tsubaki, pois era a flor da longevidade e que combinava muito comigo, pois eu parecia uma pessoa mais velha porém muito jovial mesmo eu tendo apenas 28 anos. — Hayato continuou a história dando de ombros.
Kemi arregalou os olhos em reconhecimento. — Me lembro sim de você! Como eu pude esquecer? Claro que me lembrei! Você parecia tão sério, espero muito ter ajudado você e que tenha gostado da flor.
— Gostei bastante. A propósito, quantos anos você tem?
— Eu tenho 21, completei a alguns meses atrás. Ainda não acredito que você realmente tem 28 anos!
— Me conforta pensar que não pareço ser tão mais velho, mas você é realmente bem novo.
— Mas o que realmente você quer? — perguntei levemente desconfiado de toda aquela conversa.
Hayato deu novamente de ombros enquanto cruzava os braços a frente do peito — Eu gostaria de recomendar você para minha empresa, soube que você faz design, seria uma boa oportunidade trabalhar lá. Posso levar você lá se quiser. — ofereceu enquanto olhava as poucas pessoas que ainda estavam no parque distante de nós.
— Eu realmente preciso de estágio para a faculdade, mas como sabe que eu faço design?
— Minha empresa me enviou para procurar novos estagiários e trabalhadores para lá, e me enviou a ficha com os nomes das turmas, e o seu estava lá. Queria ter mencionado isso no festival, mas não sabia se estava bem, pois te vi chorando. E quando seus amigos chegaram eu vi que não seria uma boa hora. — o mesmo se levantou do banco procurando algo nos bolsos do terno.
— Então é isso. Se estiver interessado, depois me procure, esse é meu cartão de trabalho. Eu espero muito que esteja tudo bem, passar bem.- Ele estendeu a mão me oferecendo o cartão se virando para sair.
Kemi ficou surpreso e agarrou o cartão com firmeza. — Eu agradeço imensamente a você sobre isso, desculpa se agi estranho ou desconfiado de você, eu realmente fico grato e desculpe mais uma vez por qualquer coisa. Pode apostar que eu ligarei, boa noite. — o agradeci fazendo uma curta referência de onde pulei para ficar em pé.
Depois daquilo eu me recompus e não podia acreditar no que tinha acabado de acontecer, seria o universo conspirando ao meu favor, me dando uma resposta, uma força? Eu não queria saber, eu iria agarrar isso mesmo que não fosse, eu preciso seguir minha vida, preciso dar sentido a tudo isso que estou fazendo, preciso me organizar, colocar a cabeça no lugar. Preciso ir para casa e pesquisar mais sobre essa empresa na qual ele trabalha. Se realmente for boa, eu irei. O que eu estou falando, eu irei de qualquer forma, eu preciso. Chegando em casa eu vejo que ele realmente falou a verdade, estão contratando pessoas na minha área, não só isso, ela é umas das maiores empresa daqui. Eu tive uma sorte tremenda e nem sei o porquê.
Me preparo para dormir e marcar com ele uma reunião o mais breve possível, aproveitar que não estou tão atarefado.
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