The Proposal

5 Capítulo 5 - A Entrevista


POV Kemi

No dia seguinte acordo energizado. Frito uns ovos para comer com fatias de pão e um chá. Enquanto minha comida prepara, ligo para Hayato perguntando qual seria o melhor horário para conversarmos sobre o estágio, ele diz que poderia ser naquele domingo, bem… eu fui às 7 horas da noite para o local marcado. Ele estava me esperando do mesmo jeito como nos encontramos, sinto nele um ar de seriedade, que às vezes não sei se estou falando com uma “pessoa” comum ou meu chefe.

Ele me recebe como se não parasse nunca de trabalhar, ele ainda de terno, como se só tivesse aquele tipo de vestimenta. Ele me levou para sua sala e falou.

— Eu analisei seu índice acadêmico, você é prestativo, pontual, não tira notas baixas, é envolvido em projetos na universidade, suas notas do ensino médio também são exemplares. Vejo que não há dificuldade em nada, sabe falar inglês também. — Hayoto pontuou parecendo ligeiramente impressionado.

— Eu sempre tive um investimento da parte dos meus pais, eles sempre quiseram que eu soubesse um pouco de tudo, então eu tinha que dar meu melhor sempre, eu devo tudo a eles. — afirmei.

— Mas o que te fez vir até aqui, sendo que em Quioto também tem boas universidades, uma boa infraestrutura? — Hayato perguntou apoiando os cotovelos nos joelhos me encarando com firmeza.

Suspirei. — Bem, eu amo de onde eu vim, mesmo. Mas é como se eu não tivesse aproveitando bem a minha vida, como se eu soubesse pouco e me limitasse aquilo, claro que sinto falta das pessoas que estão lá, minha família, Amig…

— Você deixou alguém?

— Não, não é nada, desculpa.- gaguejei me interrompendo. — Pode dar continuidade a entrevista.

Hayato sorriu de lado e balançou a cabeça. — Porque você escolheu a floricultura como trabalho sendo que você possui padrões razoáveis?

— Porque eu sentia que precisava desenvolver minha comunicação, de onde eu vim, eu não tinha tantos amigos e era mais reservado, aqui eu tive a oportunidade de desenvolver isso. Até mesmo para meu trabalho, então eu preciso…

Enquanto eu estou falando, ele olha para mim e dirige a sua mão em minha direção. Eu imediatamente travo e fecho os meus olhos, sinto ele pegar em meu cabelo, sinto um acariciado, solto um pequeno som involuntário baixinho. Eu fico sem saber o que fazer, fico sem reação alguma, tanta coisa passa em minha mente naquele momento que eu só simplesmente espere ele dizer algo, como se meu corpo estivesse condicionado a agir assim que ele terminasse. Mas eu não senti medo, na verdade eu me sentia seguro perto dele. Então ele tira a mão do meu cabelo, e fala.

— Era uma pétala. Desculpa, te assustei? — perguntou se afastando de mim.

Meu Deus, que situação embaraçosa, eu sou muito iludido com meus próprios pensamentos. Ele provavelmente deve está me achando imaturo demais, Deus, porque eu sou tão esquisito?

— De… desculpa, mil desculpas, eu só me assustei, por favor me perdoe pela minha reação. Deve ter sido mais cedo, eu estava trocando as flores da minha casa antes de sair, eu não percebi que tinha ficado algo em mim.

— Não tem que se preocupar com isso, eu quem peço desculpas pela inconveniência, foi rude da minha parte ter agido e não ter falado a você para o mesmo ter tirado.

— Não, por favor, não foi culpa sua, você estava só tentando ajudar. — falei corado.

Eu tentava me explicar cheio de vergonha, sem graça, eu só queria um buraco para me enfiar.

Mas logo a vergonha deu lugar a curiosidade, pois eu comecei a sentir um cheiro tão agradável que vinha lá de dentro. Ele tinha colocado algo no forno, ele cozinhava? Então eu falei.

— Que cheiro maravilhoso. — falei sentindo a boca encher de água.

— Eu estou fazendo o jantar para mim e meu irmão que só volta pela manhã. Mas ele só avisou isso a pouco tempo antes de você chegar, ele geralmente costuma fazer isso.- Hayato revirou os olhos. — Para não desperdiçar, gostaria de jantar comigo?

— Não teria problemas? Eu nem me arrumei bem.

Hayato — Você está ótimo para mim, e não teria problema algum, pelo contrário. Estaria só me ajudando. Sua entrevista finalizou também, o que tiver de ser finalizado como a documentação, você pode me trazer depois. — Hayato afirmou levantando-se do sofá e caminhando para a cozinha.

— Tudo bem então.

Eu não queria que ele percebesse que eu estava com fome, passei o dia muito nervoso, então só havia comido pela manhã. Assim que eu sentei na mesa, ele havia me servido, eu cortei o porco que ele tinha acabado de retirar do forno e levei a boca, me sentindo como se estivesse em casa. Tinha um sabor tão incrível que eu fiquei alguns minutos sem saber o que dizer. Eu olhava para ele ainda com o garfo em minha boca, e ele com um olhar indagador de quem queria saber como estava a comida.

— Isso está divino, como, como, você. — falei me assustando comigo mesmo. — Meu Deus. Sua esposa deve ser muito feliz ao seu lado.

Hayato negou com a cabeça tomando um pouco de água. — Eu não tenho, nunca tive, sou uma pessoa bem ocupada com trabalho e cuidando do meu irmão. Ele é mais novo e eu tenho essa obrigação com ele.

— Desculpa, eu não queria dizer nada de mais. É que você é uma pessoa atraente, tem uma casa linda, tem um emprego muito bom, então esse perfil me fez pensar que você talvez fosse casado. Desculpa mesmo, eu não queria ser desagradável.

— Por favor, você precisa parar de se desculpar por tudo, eu não vejo problema no que está dizendo. De nenhuma forma, é compreensível tudo isso, também pela minha idade. E agradeço muito pelos elogios. — finalizou sinalizando para eu continuar comendo. — Aproveite.

Eu acabei me sentindo mais tranquilo, ele me fez ficar bastante confortável, então depois do jantar, eu prometi a ele que logo voltaria para entregar minha documentação necessária para entrar na empresa.

Ele me levou a porta, e eu só sabia ficar olhando fixamente para ele, algo em mim estava mudando e eu não sabia dizer o porquê dele me causar essa sensação, eu mesmo não entendia nem o que era aquilo que me estava ocorrendo. Aquela noite estava tão fria, que assim que saímos me arrepiei por completo, ele percebeu e logo me ofereceu um casaco dele, eu neguei por um tempo mas ele insistiu tanto que eu acabei aceitando, era tão quentinho.

Assim que eu cheguei em casa estava tão cansado que quando eu menos percebi adormeço. Quando é mais tarde eu sinto um cheiro tão forte, mas agradável e familiar, isso me fez sonhar um pouco, quando eu percebo que se trata do seu casaco eu viro do avesso com um grito, fico me perguntando como, eu havia adormecido com ele, e essa sensação, de onde vem?

Estava começando a surtar com isso, com uma pessoa que nem conheço direito, eu nunca me senti assim. Mas logo percebo que não tenho tempo, estou quase atrasado para a faculdade. Então me apresento o mais rápido que posso, chegando lá percebo que aparentemente o Shuto, ainda não voltou de viagem, mas o que está acontecendo por aqui? Falo com os nossos amigos em comum, depois assistimos às aulas e logo em seguida eu corro para ir ao trabalho.