The Proposal

3 Capítulo 3 - Voltando ao normal


Pov Kemi

Quando chegou o dia de voltar a minha rotina, eu fui começando a voltar ao meu normal, ver as pessoas, ir para o meu trabalho, a faculdade, ver meus amigos. Tudo isso foi tomando formas e cores novamente em minha cabeça, isso foi mostrando que o tempo ajuda, ele não cura as coisas. Mas ajuda no processo de aceitação.

Eu aos poucos fui entendendo que a vida tinha essas nuances, pois nem sempre tudo vai ser do jeito que eu quero, e nem deve ser, pois isso tudo seria tão monótono e chato; Todo, absolutamente todos do mesmo jeito que eu.

Percebo que nem tudo é perfeito, mas não precisa ser.

Mas sempre que eu estou em casa indo dormir eu me recordo de como a Hina estava. Eu me pego pensando se eu um dia irei ter esse mesmo sentimento que ela teve, por alguma garota. Eu sei, mesmo eu sendo novo ainda, paro e penso, eu nunca namorei, nunca tive essa paixão por ninguém, nunca demonstrei interesse, pois nunca me veio à cabeça esse sentimento, será que eu estou quebrado? Quem tem algum problema comigo? Porque isso agora tá sendo um problema para mim?

Ela implantou diversos questionamentos em mim depois daquilo tudo, mas eu não a culpo, ela guardou aquilo por tanto tempo. Que eu não sei até quando a dor dela estava indo, qual a proporção, a dimensão que aquilo tinha. Eu torço por ela, que ela consiga se curar e o tempo ajuda ela a achar outros caminhos de felicidade.

Ela sempre fez parte da minha vida, eu gostaria que continuasse sendo, mas eu já não sei se isso seria saudável para ela. O que me resta é esperar e torcer pela melhora dela.

Comecei a focar mais e mais no que eu tinha que fazer, trabalho, faculdade. E logo estava chegando o dia do meu aniversário, Eu não sabia o que deveria fazer como comemoração, se ficava em casa, se saia com meus amigos, ou pedia para meus pais virem me visitar. Eram tantos planos que eu fiquei perdido em meio a isso tudo.

Mas logo Kira me deu um norte do que eu deveria fazer, irmos beber num restaurante famoso no centro. Ele e nossos amigos da faculdade, bem, eu aceitei, eu nunca havia ido lá. Não sou uma pessoa que gosto muito de beber, com 2 garrafas de saquê eu já estava alto. Era perceptível pois quando começa a afetar minha dicção eu já sei que preciso parar e beber água.

Bem, chegamos lá, éramos 5 pessoas. Chegamos por volta das 8:30 da noite numa sexta feira depois do trabalho, sentamos ali, começamos a pedir as comidas. Lámen, carne assada e bastante bebida, eu ia alternando entre a bebida e a água pois eu não queria ficar bêbado e ficar passando vergonha na frente deles. Mas logo logo a bebida foi batendo em todos ali presente. Alguns já não falavam nada com nada, o Kira, ele incentiva ainda mais que bebessem, típico dele, querer ver o caos acontecer. Um dos nossos amigos eles logo passou mal, então fez com que tivéssemos que ir embora mais cedo. O Kira comprou um bolo para finalizar a festa, mas como esse incidente do nosso amigo em comum aconteceu, acabamos que tivemos que ir para minha casa terminar a festa lá.

Mas isso para mim não seria um problema, eu nunca tinha recebido eles em minha casa, não era um apartamento tão grande assim, pois eu morava só, não tinha bichinhos de estimação nem nada. Só as minhas flores e plantas. Então ficamos por ali, cortamos o bolo, deixamos o nosso amigo desacordado deitado ali perto para que ele logo voltasse a consciência, eu era a pessoa mais baixa dos 5, como de costume. Era mais acessível para mim transitar pela casa, mas como eles eram mais altos dava um pouco a mais de trabalho. Partimos o bolo e comemos conversando sobre filmes e séries, foi divertido, eu nunca tinha feito algo parecido antes. Bem, não com tanta gente assim, eu tinha a Hina, mas era só ela, e agora, talvez eu não a tivesse mais.

Logo Kira percebeu minha distância, que eu já não estava mais ali, então, me ajudando a recolher tudo aqui ali e limpando a bagunça deixada. Quando finalmente ficamos a sós, Kira se aproximou.

— O que tá acontecendo com você? ‘tá parecendo muito pra baixo. — perguntou Kira parecendo levemente preocupado. Eu o contei tudo que aconteceu no meu encontro com Hina, ele não ficou nenhum pouco surpreso. Como se ele já soubesse de tudo.

— Então… o que acha? — perguntei o encarando.

— Bem, é triste. — deu de ombros se encostando na parede atrás dele. — Mas você não tem culpa do que aconteceu, não tem culpa dos sentimentos dela. Até por que você nem sabia de nada disso!

— Você ‘tá falando da boca pra fora. — o acusei.

— Não. — novamente deu de ombros parecendo ter muita experiência naquele assunto. — As pessoas não devem nada a ninguém, Kemi. Elas não tem que ter responsabilidades sobre outras pessoas, não tem que carregar uma vida nas mãos, isso não é certo. O peso disso é esmagador, pode te contaminar e te adoecer até que uma hora essa pessoa não te suporta mais.

Ele foi tão específico que eu não sabia do que ele estava falando e de quem.

Mas eu o entendi bem, embora não saiba de onde ele tirou esse pensamento. Então depois disso o clima ficou meio tenso, pois eu não sabia o que responder a ele.

— Não se preocupe tanto com isso, Kemi. Você vai superar isso. — disse dando tapinhas no meu ombro enquanto saía.

— Obrigado. — agradeci meio atordoado com o conselho tão sábio dele.

Eu nunca imaginei que sairia algo tão profundo e maduro dele, ele só era um ano mais velho que eu e na maioria do tempo agia como se tivesse menos. Foi dali que percebi que as pessoas não são aquilo que a gente pensa que é.

Até onde conhecemos as pessoas, será que elas só vestem uma essa máscara e fingir viver uma mentira? As vezes me sinto muito inocente em acreditar em tudo e em todos, aceitar as situações e não tomar nenhuma atitude perante absolutamente nada, como se eu esperasse que alguém resolvesse essas questões.

Eu me perco tanto em meus pensamentos que esqueço as vezes do mundo real, e o que está se passando nele. Não adianta pensar tanto nisso, tenho que reagir.

Depois da nossa conversa, toda a casa já estava terminando de ser limpa, o nosso amigo acordou e ficou melhor. Comeu um pedaço do bolo e eles foram para casa.

Quando estava perto de ir dormir eu olho o celular e percebo as ligações dos meus pais, provavelmente para me desejar as felicidades, então logo pela manhã eu iria ligar, pois já estava bastante tarde para acordá-los e provavelmente eles já haviam adormecido.

No outro dia eu liguei para eles, expliquei toda a situação, eles ficaram felizes por eu ter conseguido novas amizades, desejaram toda a felicidade do mundo e que me amavam mais que tudo. Isso me alegrou tanto, saber que eu tenho pessoas que estão ali por mim, agradeci do meu jeito. Desliguei e fui para a faculdade, pelo mesmo caminho de sempre, observando o céu que parecia estar ainda mais vibrante naquele dia, os gatos da região, as pessoas, as crianças. Tudo aquilo eu olhava com mais vivacidade. Um ano mais velho, porém parecia ser a mesma coisa, como se não tivesse mudado nada, não fisicamente, mas mentalmente estava mudando, tinham coisas que eu já conseguia perceber melhor e entender também. Será que é isso que é está mais velho? Ter percepções diferentes sobre as coisas?

Como se fosse um mundo desabrochando, como uma rosa, criando novas feições. Eu só queria entender até onde eu irei chegar e se aquilo não me mataria algum dia. Se eu não fosse engolido por isso tudo, até porque, temos responsabilidades perante tudo. Chegando na faculdade eu encontro os meus amigos, vejo que aparentemente estão os mesmos, mas vai saber. Kira aparenta ser o mesmo de sempre, diferente da versão que ele apresentava ontem, aquela atmosfera séria e madura. Mas é bom vê-lo de qualquer forma.

Falo com eles e vamos para a sala juntos, conversamos sobre a aula de hoje no final dela, mas logo me despeço deles, pois preciso correr para o trabalho. chegando lá, descubro que vamos participar do festival Hanami Matsuri, que contempla as flores, mais especificamente a flor Sakura, flor de cerejeira, é o festival mais aguardado do ano em quesito flores. Hanami que significa “contemplar flores” e Matsuri, que era um ritual que comemorava a colheita, anunciando a estação de plantação de arroz.

É um dos festivais mais aguardados em todo o país durante a primavera. É o segundo ano que eu irei comemorar o festival em Tóquio, eu sempre comemorei com os meus pais, mas esse ano irei encontrar meus amigos lá. Eu irei trabalhar até o início do festival, então, eu preciso chegar cedo para ajudar na organização, eu sempre me emociono com o evento, é tudo tão lindo.

A natureza é realmente deslumbrante.