The Proposal
6 Capítulo 6 - Conhecendo Melhor
E assim se passa mais uma semana, mesmo eu me questionando todos os dias o que possa estar acontecendo comigo em relação ao Sr.Hayato, quando chega a sexta-feira no final do meu expediente, ele aparece lá, como se já soubesse a hora que eu saio, mas tudo bem. É até bom que eu devolvo o casaco dele, eu o pergunto o que ele estava fazendo ali.
— Vim pegar uma encomenda. — respondeu Hayato dando de ombros.
— Há, tudo bem, já íamos fechar. — falei sem graça.
Como posso ficar pensando que tudo que ele faz gira em torno de mim? Eu estou doente? Coincidências podem acontecer. Porque eu fico pensando nessas coisas? Eu entrego sua encomenda e o pergunto se ele não poderia ir comigo em casa para pegar minha documentação e o casaco dele, ele aceita sem hesitar.
Fomos caminhando até lá, eu costumo ir de bicicleta, mas como eu não conseguiria levá-lo, fomos andando mesmo. Chegando em casa eu o pedi para entrar e me aguardar lá dentro enquanto eu tomava banho, eu estava encharcado de suor. Enquanto isso ele ficou bisbilhotando meus desenhos e projetos da faculdade, ele não conseguia acreditar em tanta coisa que eu fazia, bem, eu saí do banho e me troquei com minhas roupas de casa.
Ele ficou paralizado por alguns segundos um pouco sem jeito, eu não entendi muito bem sua reação. Pedi desculpas pela bagunça e ele entendeu. Eu ofereci a ele chá que eu havia colocado para fazer enquanto eu não saía do banho. Fui com ele ao meu quarto para pegar a documentação necessária para o estágio, peguei uma escada pois estava em uma caixa na parte de cima do armário, eu subi, mas por algum instante eu me desequilibrei.
Eu estava caindo, só lembro de fechar os olhos com muita força e esperar meu corpo colidir no chão, mas isso não acontecia. Quando eu abro meus olhos lá estava ele me segurando firmemente, eu abro meus olhos lentamente.
— Você está bem? Se machucou? — Hayato perguntou parecendo preocupado. — Está ferido ou algo assim?
Eu não sabia nem como reagir, eu só conseguia olhar para os seus olhos, ele me agarrava fortemente. Meu coração batia descompassadamente, era um ritmo que eu nunca havia passado por algo semelhante.
— Eu… eu estou bem. — arfei sem ar. — Hmmmm
Então ele me beijou ali mesmo. Meu corpo, aqueceu tanto, minha respiração ficou bastante pesada, eu não sabia o que estava acontecendo. Eu sentia sua língua em minha boca, era tão húmida, era como se meu corpo soubesse o que fazer naquele momento, por mais que eu não soubesse nem mesmo o que pensar ou o que dizer, eu só o segurava, e os seus braços fortes estavam envolta de mim. Ele não me soltava, mas naquele momento eu não queria. Durou poucos minutos tudo aquilo. Quando ele me soltou eu fiquei sem reação, como sempre, mas dessa vez foi diferente.
Hayato se afastou finalmente me soltando de seus braços. — Eu acho que me precipitei um pouco, mas… eu… eu não me arrependo do que fiz, espero não ter te deixado com medo de mim depois disso.
Balancei a caeça tentando reorganizar meus pensamentos. — Desculpa, eu só fiquei muito confuso, até agora eu não sei o que te dizer. Eu só acho que, não sei, não sei o que te dizer.- suspirei bagunçando meus cabelos. — Eu nunca nem havia beijado ninguém, nunca passou pela minha cabeça. E-Eu preciso que você vá embora agora, eu preciso ficar um pouco só.
O que eu estava dizendo, eu o queria ali, mas não sabia se daquele jeito, porque ele foi fazer aquilo, logo agora? Será que eu sinto algo por ele? Eu não achei ruim, mas não achei bom, eu estou muito confuso. Eu entreguei as coisas a ele, o levei até a porta, me esqueci totalmente de agradecer ele por ter me segurado para não cair da escada.
Mas eu acho que não estava entendendo mais nada.
Um homem? Me amando? Se é que é amor, ou pode ser só uma distração para ele, será que ele pode me subornar com o estágio para que eu fique com ele? Ele seria capaz disso? Ele seria esse tipo de pessoa? Que me usaria só para o satisfazer? Deus, o que eu estou pensando?
Eu preciso ir dormir, preciso muito descansar e tentar esquecer isso tudo.
Mas como esquecer?
AHHHHHHH, irei tomar um comprimido para me acalmar.
No dia seguinte eu acordo e percebo que ele não levou o seu casaco, eu nem lembro se entreguei. Daí eu entendo o que aconteceu ontem, eu logo fico bastante vermelho, porque eu fiz aquilo?
Pera, mas foi ele quem me beijou, como eu deixei essa situação acontecer?
Eu… eu queria aquilo?
Será que eu levo até ele, ou eu ligo para ele vir pegar, mando mensagem? Pera, o quê, ele virá aqui novamente, e isso se repetir? Eu não estou conseguindo lidar muito bem com isso, meu Deus, Deus, Deus.
Eu passo horas andando pela casa pensando no que eu devo fazer, está quase de tarde e eu simplesmente ainda não sei. Eu paro, respiro e decido ir até a casa dele. Mas decido isso sem avisá-lo pois eu não quero que ele pense que eu estou indo para o ver. Ok, então é isso, decido então.
Eu tomo banho, me arrumo, passo perfume, pera porque eu estou passando perfume? Isso é para impressionar ele? Eu estou me questionando demais, como isso pôde ter acontecido?
Quando eu chego perto do de sua casa, eu o vejo com uma mulher, meu coração acelera tanto, eu começo a transpirar um pouco, meus olhos ficam vidrados naquela cena, eu ainda estou de boca aberta, ele não parece nenhum pouco a mesma pessoa, como se fosse outra.
Fico incrédulo no que estou vendo, ele disse que não tinha mulher. Ele mentiu para mim? Ele me beijou ontem e hoje está assim com outra? Ela é tão bonita, pera, o que eu estou fazendo? Parece até ciúmes, quê?
Pera, pera, pera, porque eu estou com raiva?
Preciso ir embora, nem percebi que em meio aquilo tudo eu acabei deixando seu casaco cair e esqueci dele. Assim que chego em casa eu me pergunto porque fui lá, daí me lembro que foi para deixar seu casaco. Eu fico desolado sem saber o porquê.
Eu estou mesmo gostando de uma pessoa que acabei de conhecer a pouco tempo? Seria possível isso, porque ele veio até mim para me tratar assim? Acho que eu mereço isso talvez, pelo que fiz a Hina, será que foi esse o sentimento que ela sentiu, essa dor?
Mais tarde eu recebo uma ligação.
— Kemi? P- desligo antes que Hayato possa falar mais alguma coisa.
Eu não quero ouvir a voz dele agora, não quero ouvir explicações, então ele me manda mensagem de texto.
Hayato
O que está acontecendo? 20:23
Kemi, me responda, por favor. 20:25
Estou indo aí. 20:25
Então logo mais ele chega, batendo na porta e chamando meu nome.
— Kemi, me atende. — Hayato pede enquanto continua batendo na minha porta. — O que está acontecendo? Porque do nada você começou a me ignorar?
Meu Deus, o porquê de todo aquele escândalo só por eu tê-lo ignorado por pouco tempo? Como se estivéssemos namorando ou algo assim.
Eu abri a porta para ele entrar e parar de fazer escândalo, chamando atenção dos vizinhos, aquilo já estava estranho, sendo que eu nunca apresentei tal comportamento, eles iam notar algo errado.
— O que é tudo isso? — pergunto exasperado. — Eu só não estou muito bem. Quando estivesse melhor eu ligaria para você.
Eu disse aquilo andando para dentro fazendo com que ele pudesse me acompanhar e a conversa não fosse ouvida por ninguém. Ele trancou a porta e foi me questionando sobre meu comportamento.
— O que foi que eu fiz de errado para você estar agindo dessa forma? — perguntou Hayato com preocupação escrita por todo seu rosto. — Ainda foi sobre eu ter te beijado? Eu sinto muito por aquilo.
Eu apenas dei de ombros tentando deixar aquele assunto para trás. Só não sabia o que dizer, só fazia virar a cara e fingir que não estou incomodado com nada, despreocupado para ser mais exato. Mas ele cada vez mais insistia em saber o que tinha de errado comigo.
Eu tinha medo de enfrentar ele e perguntar, acho que tinha medo da resposta dele, tinha medo de me magoar com ela. Mesmo sem saber o porquê daquilo, pois não tínhamos nada, mas aquilo de alguma forma me incomodava bastante. Ele foi se aproximando. Segurando com a mão quente e grande dele o meu braço.
— Me fala o que tem de errado? — perguntou Hayato baixinho.
Eu recolhi meu braço.
— Pare de brincar comigo dessa forma. — falo com a voz fraca e baixa, quase sussurrando.
Então ele mais uma vez me segura, mas dessa vez ele se certifica de não me soltar, não importa o que eu diga, mas eu acho que também não queria que ele soltasse, eu sabia que tinha que mandar ele embora. Mas de alguma forma era como se eu não conseguisse corresponder a nada.
Então ele coloca sua mão em meu rosto, eu consigo sentir a mão dele transpirando sob minha pele.
A única coisa que eu sabia pensar era: Quem é essa pessoa? Porque ele consegue mexer tanto comigo?
Enquanto minha cabeça enlouquecia e meu corpo aquecia bastante, meu corpo tremia. E ele não precisou me beijar para que ficasse naquele estado. Em meio a todos esses sentimentos e reações, eu conseguia ouvir uma voz suave e levemente grave perto do meu ouvido.
— Eu estou aqui com você. Eu não irei deixar você. Eu te amo. — Hayato repetia diversas vezes no meu ouvido.
Foi como um disparo em mim. Então, como uma reação involuntária, envolvido em todo aquele sentimento, o segurando pelo pescoço, quando menos percebi, eu estou com meus lábios sob os dele. Ele imediatamente me levanta, me colocando em seu colo. Ele me leva até minha cama.
— Posso? — pergunta Hayato sem fôlego.
Aceno afirmativamente com a cabeça. — Sim, mas seja gentil.
Ele me deixa na cama e tira sua roupa, eu consigo ver seu corpo definido, eu fico tão sem jeito, suas curvas definidas, eu me pergunto como ele não é casado. Como aquilo poderia estar acontecendo comigo. Ele se aproxima de mim, me ajudando a tirar minha roupa também. Quando ele termina de tirar minhas roupas, ele passa a olhar para mim com um olhar vidrado sem dizer uma palavra sequer, de repente ele coloca sua perna direita entre as minhas. Ele vem com seu rosto percorrendo sobre meu corpo, beijando todo ele de cima a baixo, meu corpo vibra com tudo aquilo.
Eu gemendo involuntariamente.
— Machuquei você? — perguntou Hayato preocupado.
— Na… não. — respondi envergonhado. — Escapou.
Fiquei com tanta vergonha daquilo, principalmente depois dele ter me perguntado. Então coloquei o travesseiro em meu rosto, para ele não perceber. Mas ele passa por baixo dele e me beija, fazendo com que minha cabeça fique em chamas e confusa. Ali eu já tinha perdido todo o controle de mim mesmo. Enquanto ele me beijava meu pescoço e me aliviava, depois daquilo eu não lembro de muito mais coisa.
Eu acordo com ele preparando meu café da manhã, assustado eu pergunto.
— O que aconteceu ontem a noite? — pergunto confuso.
— Você quer que eu narre? — rebateu Hayato com um sorriso de lado.
Cubro meu rosto envergonhado. — Por favor, não.
Eu estava tão vermelho, eu ainda não acredito que eu fiz aquilo, minha primeira vez foi com um homem? Não. Isso não pode ter acontecido.
Ele vem e passa a mão em minha cabeça, eu sinto o calor dela. E ele pergunta.
— Você está bem?
— Acho que sim… estou… — pausei minha fala pensando melhor. — Bem, vou ficar.
Hayato concorda com a cabeça e me senta na mesa da cozinha. — Fiz o que ainda tinha em sua geladeira, espero que não se importe.
Eu não podia acreditar no que ele conseguiu fazer com tão pouco, eu não conseguiria fazer nem com mais a metade do que ele fez aqui.
— Nenhum problema. Uaaaaau, isso tá incrível, como cozinha tão bem?
Hayato sorri com minha empolgação. — Eu sempre tive que cuidar da casa e meio que do meu irmão, ele já fez muito por mim, então o mínimo seria eu retribuir de alguma forma. Então eu comecei a cozinhar.
Ele sempre fala do irmão dessa forma. Não sei explicar, mas sinto como se devesse algo.
— É incrível o que você fez. Agora eu preciso correr, se não me atrasar.
— O que você vai fazer esse final de semana? — Hayato me pergunta.
— Eu não tenho nada certo, mas o de sempre. Acho.
— Gostaria de jantar comigo? — Hayato me pergunta. — Irei fazer melhor que da última vez que você foi.
— Tudo bem. — respondo sorrindo.
Será que eu irei acabar conhecendo seu irmão finalmente? Como ele vai reagir?
Ai, ai, ai. Preciso focar no agora. Isso vai me deixar louco se eu pensar muito a respeito.
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