The Prophet
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Era o inverno de 2014, eu estava de férias, aproveitando o frio embaixo das cobertas, vendo um filme e tomando chocolate quente. Olhei para fora e vi uma tempestade a se formar, fechei as janelas e voltei ao sofá. Quando eu menos esperava, desmaiei.
Acordo com dor de cabeça e me levanto do chão. O céu estava limpo. De repente tenho uma visão: uma placa de pedra antiga, com escrituras enigmáticas. Não sei por qual motivo, mas eu senti que precisava achar ela.
Como meus pais estavam viajando e só voltariam dali a duas semanas, peguei uma mochila, coloquei algumas roupas, dinheiro, passaporte e saí de casa em direção ao metro. Comprei uma passagem para Colorado, (alguma coisa me dizia que era pra lá que eu tinha que ir), daria cerca de 18h de viagem, afinal, moro na Califórnia.
A viagem passou mais rápido do que eu esperava, quando cheguei já saí a procura da placa. Caminhei até meus pés doerem e nada. Talvez eu estivesse louca... Quem sabe?
Decidi arranjar um lugar para dormir, alguma coisa para comer e continuar no outro dia. Hospedei-me em um hotel barato, jantei num fast-food e capotei.
Acordei cedo no outro dia e comecei a andar... Andei... Andei... Andei... Até ter uma sensação estranha, tipo uma energia, me puxando em direção a uma casa velha e aparentemente abandonada. Um calafrio percorreu a minha espinha, esse era o cenário perfeito para um filme de terror... Não queria arrombar a casa em plena luz do dia, portanto, fui a uma cafeteria e esperei até escurecer.
Voltei quando tudo estava coberto por um breu. Peguei um grampo, coloquei na fechadura e fiquei mexendo que nem nos filmes. Por incrível que pareça, funcionou! Entrei na casa pé por pé, como se alguém fosse me ouvir... Senti a energia aumentar enquanto subia a escada. Fui seguindo o corredor até dar em um quarto, a porta estava emperrada, dei um chute e ela se abriu. A placa estava em cima de um móvel quase caindo aos pedaços. Quando encostei nela escutei um barulho no andar de baixo. Peguei-a e me escondi num armário. Comecei a ouvir passos se aproximando, me encolhi e espremi os olhos, como se fosse fazer quem estivesse ali ir embora. Haviam três homens conversando dentro do quarto.
– Cass, você disse que estaria aqui
– E está, olhe dentro do armário
Droga! Um dos homens começou a abrir a porta, minha única escolha era: correr. Agarrei a placa e saí correndo, mas não por muito tempo.
– Não tão rápido! – Um dos homens (que era do tamanho de um carro) falou, enquanto me puxava pelo braço
Estava cercada. Abri um sorriso amarelo e fiquei olhando para eles.
– Se você nos der essa placa, deixamos você ir – Falou o outro
– Hum... Então, não vai rolar. Eu preciso dela – Falei
– Pra que? – Perguntou
– Ainda não sei... Mas não posso dá-la pra vocês. – Respondi
O grandão tentou tirar a placa dos meu braços levantando-a, mas eu fui junto. O outro revirou os olhos e perguntou:
– Você ao menos consegue ler o que está escrito?
Hum... Essa era uma boa pergunta... Olhei pras escrituras, serrei meus olhos tentando me concentrar e comecei a ler com dificuldade:
– Aqui diz alguma coisa sobre... Leviatãs! O que são leviatãs?
Eles se entreolharam surpresos.
– Como ela consegue ler? Perguntou um deles
– Ela deve ser um profeta, ou uma profeta – Respondeu
Agora era eu que tava surpresa, do que ele tava falando? Como eu sabia ler e eles não?
– Como assim? Vocês não conseguem ler?
– Não... Só profetas conseguem ler
– Profeta? Eu não sou uma “profeta”, eu sou só uma guria da Califórnia, com 18 anos, indo pra faculdade e tudo mais, sabe? Tipo, beem normal – Respondi
– Tss... Parece que não mais
Eu fiquei encarando eles e eles se entreolhando e se perguntando o que fariam comigo, que confortável.
– Então, já que eu não vou dar a placa pra vocês e vocês não querem me sequestrar, não é? Que tal assim: eu vou embora e vocês esquecem da minha existência, pode ser? – Perguntei
– Cass, porque tu não simplesmente arranca a placa das mãos dela? – Perguntou indignado um deles
– Sim, e depois o que? Deixaremos ela aqui? Ela é a única que consegue ler isso – Respondeu o outro
– Ta bem, tu não nos deixa outra opção – Respondeu o loiro
Ele me colocou no ombro, de cabeça para baixo e começou a andar.
– Me tira daqui! Tu não pode me sequestrar! Me deixa descer!
– Vamos? – Ele perguntou aos outros
Nada funcionou, dei até soco nas costas dele, mas nada fez ele parar. Chegamos no carro e ele me desceu, mas ficou segurando meu braço.
– Pode entrar – Ele disse, abrindo um sorriso charmoso enquanto destrancava a porta do carro
– Tu vai mesmo me sequestrar? – Perguntei, chegando pertinho dele, na tentativa de ele me soltar, mordi meu lábio e até coloquei minha mão sobre o seu peito, mas nada o convenceu...
Ele deu uma risadinha quase muda e respondeu:
– Pode ter certeza que vou
Olhei pra baixo, suspirei e entrei no carro.
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