The Power of the Blood in my Veins
1 Um bom dia para morrer
Notas iniciais
E aquele ali da foto na mídia é o Lucian, bonito né? Também acho rs, o nome dele é Simon Van Meervenne caso queiram dar uma olhada a mais.
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Lucian
Faltava exatamente um dia para o meu aniversário de 18 anos e eu não poderia dizer com maior entusiasmo que eu não estava nem ai, clichê? Talvez, mas qualquer adolescente tem a fase aonde descobre que seu aniversário se torna algo monótono e desimportante quando não se tem muitos amigos, o que acaba de se tornar meu caso.
— Mais um dia pacato na vida do jovem Lucian — Suspiro me levantando da cama e sentindo uma pequena corrente elétrica percorrer o meu corpo aos meus pés entrarem em contato com o chão frio. Ainda assim decido deixar meu chinelo de lado e caminhar até o banheiro.
Meu quarto ainda estava um pouco escuro devido às cortinas com blackout, então apenas caminhei até porta da minha pequena sacada e abri as cortinas me deixando escapar um sorriso ao ver as flores que eu cultivo lá em todo seu esplendor e radiantes. Então aos poucos o breu do quarto vai sumindo o dando um pouco mais de vida, a cama ainda bagunçada perto o bastante da sacada para que eu tenha vista dela quando acordo, mas não o bastante para atrapalhar o caminho entre ela e a cama. Um criado mudo com alguns poucos livros e um abajur pequeno pra quando a minha insônia decidir atacar e eu não morrer de tédio completo. As paredes do meu quarto se misturam entre o preto de uma das paredes aonde a minha cama e encontra e o branco acinzentado das outras, e em uma das paredes uma escrivaninha com meu notebook e mais alguns livros o que dava o quarto um ar de "Nossa ele tem tantos livros, deve ser muito inteligente.", é o que pensariam se mais alguém além de mim e a minha mãe entrassem no meu quarto.
Nada muito extravagante ou que chama atenção num quarto, tirando a sacada claro, mas não tenho culpa por gostar tanto assim daquela vista todos os dias. Então por fim vou até o banheiro pra tentar dar um soco do meu visual matinal, acho que só um tapa não seria o suficiente.
— Como eu consigo me machucar enquanto eu durmo? — Noto ao olhar no espelho um Lucian ainda dopado pelo sono com um pequeno corte em um tom arroxeado no meu lábio inferior, eu não tinha sentido nenhuma dor ou desconforto até perceber a existência do machucado.
Cabelos negros bagunçados, talvez até grande demais para o meu gosto, pele branca e olheiras rasas devido as más noites de sono que andei tendo, olhos em uma mistura de verde e castanho, as vezes um pouco azul dependendo da claridade e "tcharam" o habitual Lucian de sempre, me deixo lembrar de como minha amiga me zoava por ter a pele um pouco clara demais "As vezes tenho dificuldades de te distinguir da parede Lucian, já pensou em ir até a praia?" então fiz questão de apenas retribuir ao comentário com uma risada sarcástica.
Então jogo um pouco de água fria no meu rosto, escovo meus dentes e desço as escadas a caminho da cozinha notando minha fome matinal crescer, descido apenas por comer um pão e tomar um café provavelmente feito pela minha mãe antes de sair para mais um plantão infernal, o que me deixa sozinho em casa pelo resto do dia.
Sento-me a mesa para terminar de comer e penso em como tinha sido minha semana, muitos trabalhos escolares e dias na qual eu passava sem dormir, seja por alguma ocupação ou pela falta do sono, "Você deveria procurar psicólogo para conversar sobre isso" lembro do que a minha mãe me disse uma vez ao entrar no meu quarto antes de ir ao trabalho e perceber que eu nem havia dormido. Não que isso não passasse na minha cabeça, mas sempre foi difícil falar sobre meus problemas, duvidas, medos e etc. É como se eu tivesse dando poder a pessoa sobre mim a ela saber minhas fraquezas e medo e eu odiava me sentir fraco e frágil o tempo todo, então eu preferia optar pelo silêncio e lidar sozinho com os meus próprios demônios, então sou tirado dos meus pensamentos ao sentir meu telefone vibrar no meu bolso e eu se lembrar da existência dele vendo algumas mensagens seguidas de outras, a maioria de Sally, a minha amiga piadista.
"Ou"
"Ei"
"Acorda logo inferno, dorme mais que a cama"
"Ei Luci, você soube da festa que vai rolar na casa da Christina? Bem que poderíamos ir, faz um tempo que não reunimos o trio."
Sorrio ao lembrar-me do nosso trio, eu, Sally e Christina. Conhecemos-nos desde que tínhamos 10 anos e eu acidentalmente derrubei tinta no cabelo da Chris e em meio a confusão a Sally tentando separar a briga entre eu pedindo mil desculpas e uma loira com mechas azuis, causadas pela minha falta de atenção, cuspindo fogo. Conclusão? Nós três fomos mandados para diretoria e após isso acabamos virando amigos apesar de tudo, e acabou que a Christina gostou da cor no seu cabelo e pintou algumas mechas de azul.
"Claro que eu vou, preciso tirar fotos da Chris bêbadas pra usar de chantagem quando ela virar uma modelo rica e poderosa."
O que era uma verdade absoluta, a nossa loira tem esse sonho desde mais nova quando via inúmeros desfiles e nos obrigava a ensaiar para eles com ela, vocês sabem como é difícil andar de salto aos 13 anos? Nem queiram.
"Ufa, achei que ia ter que ir à sua casa e te arrastar pelos cabelos, aliás, amanhã é seu aniversário e conhecendo você eu sei que você vai querer ficar em casa o dia todo vendo Netflix, tomando sorvete e de amaldiçoando pelo motivo de todos os seus namoros darem errado."
Touché, ela realmente me conhece muito bem, eu odeio a pessoa que criou a transparência entre amigos. Eu não tenho culpa se tudo começa com um mar de rosas e no final eu acabo sozinho em casa por ter sido trocado por algum motivo aleatório ou por outra pessoa, eu sou maravilhoso demais para ficar sozinho assim.
"Eles percebem a maravilha de namorado que eu sou e acabara não se achando bom o bastante, não tenho culpa disso, Sally."
"Tá Narciso, então trate de trabalhar bem toda essa sua beleza para a festa, eu vou passar na sua casa as 17:00hrs em ponto, não se atrase você sabe que eu odeio isso."
"Quando eu sair por aquela porta pode segurando seu queixo, pois tenho certeza que ele vai cair kkkkkkk."
Então eu guardo o telefone no bolso novamente dando um final a conversa, ainda eram 14:00hrs dava muito tempo de eu escolher minha roupa e me arrumar bem o bastante pra quando a Sally me ver não der uma crise e me mandar trocar de roupa alegando que eu precisava de uma repaginada do guarda roupa, "Ninguém mais se apaixona por emos góticos hoje em dia Luci, época errada." tudo isso pelo motivo de eu gostar mais preto do que cores mais vibrantes.
Arrumo a cozinha para que nada esteja bagunçado quando a minha mãe chegar era injusto deixar bagunças pra ela, principalmente após os enormes plantões dela. Subo as escadas em um pulo e vou até meu quarto e fico encarando meu guarda roupa pensando no que diabos eu iria usar. Então peguei blusa cinza, uma jaqueta preta com alguns detalhes em branco e uma calça jeans azul escura e um all star preto, desculpa Sally, mas o preto ainda é a minha cor.
Coloco as roupas na minha cama junto a um dos meus relógios lado e vou pro banheiro tomar um banho, nunca se sabe quando vai se encontrar o amor da sua vida não é? E se tratando de estar em uma festa com Sally e Chris, elas me jogariam em cima de qualquer menino que elas acharem bonito. Enquanto eu tiro minhas roupas acabo percebendo mais algumas marcas roxas no meu braço, barriga e perna. Ok, uma nos lábios? Eu poderia ter mordido enquanto durmo, mas isso tudo? Com toda certeza vou falar com a minha mãe sobre isso, afinal ela trabalha em um hospital né, ela deve saber se é algo grave ou não.
Apenas dou ombros sabendo que não adiantaria entrar em pânico e entro no box sentindo a água quente acalmar meu corpo e os meus pensamentos, era estranho como sempre temos mil coisas para refletir em um banho, principalmente após um término. Eu ainda não entendo o motivo de tudo aquilo que ele fez, a minha mãe adora ele mais do que os outros que já à apresentei, e do nada ele se tornou frio e arrogante.
— Será que tudo aquilo não valeu de nada? — Sinto minhas lágrimas se misturarem a água e sentir um pouco de amargura por não ter tentando mais com ele. — Ok, você prometeu a si mesmo que não ia chorar por isso, você sabe que não fez nada de errado, ele que saiu perdendo. — Repreendo a mim mesmo.
Não vale a pena chorar por isso agora, não agora enquanto eu tenho uma festa pra ir e que daqui a pouco a Sally estaria na minha porta, se ela descobrir, e ela sempre descobre, que eu estava chorando eu vou ser um homem morto.
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Já eram 16:50 e aqui estava eu no portão de casa esperando a rainha dos gnomos chegar para me levar a festa. Existem vários benefícios em ter amigos que sabem dirigir, esse é um deles. Porém eu já estava impaciente e por mais que ela tenha marcado as 17:00, se tratando dela ela já estaria aqui as 16:40 me perturbando pelo tanto de tempo que demoro pra me arrumar.
— Bi Bi Princesa, sua carruagem chegou! — Escutei os gritos e percebi que se tratava de Sally ao carro de aproximar mais. Trato de dar um sorriso largo e entrar no carro.
— E você seria quem? Os cavalos? — Respondi mesmo sabendo que ela sempre ia ter respostas a altura.
— Não, sou sua fada madrinha, mas se você continuar de graça eu viro sua madrasta e acabo com a sua vida mocinho. — Disse ela me olhando pelo retrovisor de olhos semicerrados enquanto começava a dirigir em caminho da festa.
— Então vamos lá atrás do meu príncipe. — Falei sem pensar, agora eu tenho certeza que ela não vai deixar minha frase passar por batido, não sem me jogar pra cima de alguém.
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— Chegamos Cinderela, volte antes da meia noite e não se esqueça de "perder um dos seus sapatinhos de cristais." o que na verdade não faz muito sentido, era pro sapato desaparecer junto com a magia. — Começou ela com mais uma das suas reclamações sobre furos se desenhos de crianças enquanto ela desce do carro e eu em seguida o trancando.
— Para de destruir minha infância Sally, é só um desenho. — Reclamo caminhando até a porta da casa da Chris.
Até mesmo dentro do carro dava pra ouvir a música animada que saia da casa e a montoeira de carros estacionados e pessoas caminhando até a casa ou simplesmente no gramado. A casa da loira era grande o bastante para dar uma festa daquelas toda vez que seus pais chateavam ela e tentavam a agradar, não que ela seja mimada, muito pelo contrário, Chris era uma menina completamente simpática e sorridente, isso se você não jogar tinta no cabelo dela, ai você vai ter que enfrentar um furacão.
— Então me diga Luci, quais seus planos para noite? — Disse ela parando em frente à porta da casa, ela teve quase falar um pouco mais alto por conta da música, que, aliás, era muito boa.
— Você sabe que não faço planos, rainha dos gnomos. — E ao entramos na casa a procura da loira no meio do mar de pessoas a música muda para uma com a batida mais suave e não tão alta quanto à última, e acabou não sendo tão difícil, afinal existia um mini palco de polidance na sala e lá estava a loira dançando, como sempre o centro das atenções. (Música: Show me Aline Baraz)
— Vamos lá avisar que chegamos. — Disse ela me cutucando e ia de encontro a o palco, assim que a loira percebe ela se aproximando ela termina sua dança colocando sua jaqueta que estava ao lado e sai do palco para abraçar a amiga e eu em seguida vou até lá para falar com ela.
— Quem diria, os cursos de dança valeram mesmo à pena. — Comento enquanto sou recebido por um abraço caloroso.
— Eu penso em usar apresentar isso no meu próximo concurso de Miss, espero que gostem e não achem vulgar demais. — Disse ela sorrindo de lado.
— Eles seriam loucos se não gostassem, você dançou muito bem Chris, fica tranqüila que você vai arrasar e estaremos lá por você. — Disse Sally querendo incentivar a Chris, nos dois sabemos o quanto é importante pra ela e a quão insegura ela pode ser às vezes.
— E se eles não gostarem, bem, a gente da cabo deles. Sally leve uma pá reserva na mala do carro, caso precise sabe. — Disse sorrindo.
— E você senhor Lucian, finalmente saiu daquele quarto, estávamos preocupados com você. — Ela fez uma cara feia fingindo estar zangada, o que me fez deixar escapar um sorriso — Você é jovem, bonito, inteligente, mas você desperdiça muito tempo isolado.
— O mundo não está preparado para conviver com a minha beleza todos os dias Chris. — Mais uma vez deixo meu lado narcisista falar o que faz as duas gargalharem.
— Então que tal você usar essa beleza e terminar de conquistar aquele garoto ali que esta te secando desde que entramos na casa. — Disse Sally apontando para o lado com o olhar para um garoto que dividia sua atenção entre beber, falar com seus amigos e olhar para o nosso grupo sorrindo.
— Ai Sally não começa, eu não vim aqui pra isso, eu vim pra curtir com vocês, apenas isso. — Era um saco, toda vez que saímos juntos elas tinham que ficar tentando dar uma de cupido.
— Ah vamos lá Lucian, você tem que seguir em frente meu amor, nós sabemos o quanto foi difícil terminar com o Matheus, mas não vale a pena ficar se privando de tudo por isso. — Disse ela de forma carinhosa e me abraçando, em seguida ela vai até o mini bar em um dos lados da casa e volta com dois copos, um para mim e o outro para Sally. — Beba e se divirta você merece.
— Bem, eu já não tenho mais nada a perder, né? — Digo pegando o copo e ingerindo o líquido nele, faço uma cara feia pelo gosto forte do álcool, mas apenas contínuo bebendo. Então olho pro relógio no meu pulso era exatamente meia noite e escuto a música parar sem motivo algum e dou por falta da Chris que tinha desaparecido. — Aonde a loira se meteu? — Pergunto a Sally que estava distraída olhando em volta.
— Estou aqu.i — Disse ela saindo pela porta da cozinha acompanhada por um garoto que a ajudava a segurar um bolo. — Feliz aniversário príncipe. — Disse ela e então todos começarem a cantar "Parabéns para você", precisa falar que eu estava vermelho de vergonha?
— Vai Luci, faz um pedido. — Disse a loira se aproximando com o bolo que tinha duas velas formando o número 18.
Eu não iria fazer desfeita da surpresa que as duas fizeram pra mim, então eu fiz questão de assopra às velas, mas um pedido? Nunca conseguia pensar em algo claro o bastante nesses momentos, sempre desejava algo bobo ou vago. Dessa vez o que me veio em mente era o desejo de conhecer meu pai, então esse foi meu pedido.
—Obrigado, vocês duas são as melhores pessoas que eu poderia desejar. — Sorrio e abraço as duas já que o bolo tinha sido colocado na cozinha novamente para ser repartido em pedaços.
Então eu percebo alguém se aproximando da gente e noto que se tratava no garoto que Sally insinuou que estava "de olho em mim." e as meninas saem de fininho me deixando sozinho com um completo estranho, francamente em.
— Feliz aniversário Lucian. — Disse o rapaz agora perto o bastante de mim para eu prestar atenção na sua aparência. Ele era alguns centímetros maiores que eu, mas o bastante para poder me chamar de baixinho, pele morena um tanto bronzeada, aparenta ter um porte atlético, cabelos castanhos, olhos esverdeados e um sorriso travesso que poderia fazer um estrago na mente de qualquer um. — Eu não tive a oportunidade de falar com você antes, prazer, Oliver. — Disse ele estendendo a mão para me cumprimentar.
— Prazer Oliver, sou Lucian, mas você já disso... — Falei sem jeito o cumprimentando com a mesma gentileza.
— Me desculpe se você se sentiu desconfortável enquanto eu o olhava, eu não consegui resistir — Confessou ele abrindo um sorriso bobo.
— Não, eu não me senti incomodado, só um pouco surpreso. — Digo tentando tornar a conversa mais amigável.
— Surpreso? Surpreso estou eu, um rapaz lindo desses e os garotos dessa festa não estarem tomando a mesma coragem que eu, por que pode ter certeza que eu não era o único querendo roubar um pedacinho, e não era do bolo. — Sorriu ele enquanto passava as mãos em minha cintura me trazendo pra perto dele, dava pra sentir que ele teve beber pura coragem, álcool na verdade, para tomar essa iniciativa. — Será que o príncipe poderia me conceder uma dança? — Perguntou ele e em uma espantosa sincronia a música voltava a tocar em uma valsa suave, imagino que Sally e Christina tenham sua parcela de culpa nisso tudo.
— Claro, não vejo porque recusar. — Tento não demonstrar o quanto envergonhado eu estava com todos agora nos olhando seguido de alguns comentários como "Olha que fofo." e "Por que você não é romântico assim comigo?"
Então ele pega minhas mãos, uma delas posicionando em seu ombro e a outra entrelaçando com a sua logo começando uma valsa calma, a esse ponto todos os convidados haviam formado um círculo para nós observar e abrindo espaço. Ele me guiava pela pista de dança improvisada com muito talento e paciência para minha falta do mesmo.
— Então, estou apto a ser escolhido como seu rei? — Perguntou ele sorrindo enquanto continuamos dançando.
— Você é bem apressado, o que seria isso? Uma aposta entre amigos? — Questiono, admito que exista um pouco de duvida sobre os seus gestos repentinos.
— Dúvida de si mesmo e da sua capacidade de encantar alguém com um simples sorriso? Ao menos foi o que aconteceu comigo. — Disse sorrindo, tirando um doa braços da minha cintura e me girando e logo me voltando a posição que eu estava.
Eu simplesmente o deixava me conduzir da forma que ele desejava, apenas o olhava nos olhos, o mesmo sorria gentilmente enquanto. A música se encerrava seguindo de aplausos daqueles que apreciavam e logo os mesmos iam para pista dança e a música que se seguia. Então o sinto pegando em minha mão me levando até um dos cantos calmos da festa aonde não havia ninguém, eu por conhecer toda aquela casa a anos não sentia desconfortável.
— Ainda não respondeu minha pergunta, príncipe. — Disse ele se encostando a parede me dando um pouco mais de espaço. — É tão difícil pensar que existiria alguém maluco o bastante pra te arrastar pra uma pista de dança improvisada e te envolvesse em uma valsa? Que, aliás, foi ótima. — Disse ele acariciando meus cabelos como se eu fosse uma criança.
— Sim? Não é todo dia que isso acontece, eu acho. — Digo encarado o chão sem saber como continuar a minha resposta. — Você parece ser legal claro, divertido, e muito bonito. — Deixo escapar o último elogio ficando um pouco vermelho ao percebe o que eu tinha dito.
— Mas? — Perguntou ele sabendo que eu teria um motivo para negar seu pedido.
— Mas eu acabei de sair de um relacionamento complicado, é difícil pra mim agora. — Digo me apoiando na parede ao lado dele.
— Então me da uma chance, apenas uma que eu faço você esquecer o nome dele de vez. — Disse ele se posicionando na minha frente segurando novamente minha cintura, perto o bastante para eu sentir sua respiração intensa.
— Mas ai eu estaria usando você para esquecer alguém, isso seria errado. — Digo sentido o clima ficar um pouco mais pesado e acabo deixando minha respiração vacilar um pouco em meio as minhas palavras.
— Então me usa Lucian, use o que puder de mim — Sussurrou ele aproximando agora seus lábios dos meus. — Não se prenda por alguém que não soube aproveitar algo tão lindo assim.
— Eu... Eu não sei Oliver... — Atropelo um pouco minhas palavras e então sou interrompido sendo tomado pelos seus lábios, e aos poucos ele vai quebrando minhas defesas me beijando intensamente.
Era um beijo voraz e necessário, parecia que ele havia se segurado desse desejo a semanas e agora quando finalmente conseguir simplesmente deixava todo esse desejo percorrer seu corpo e o passando para o meu. Tive que interromper o beijo para recuperar meu fôlego e o moreno ia com seus lábios até o meu pescoço o mordendo com leveza e depois com um pouco de mais força, obviamente iria ficar uma pela marca. E ele voltava ao beijo, dessa vez eu respondia a ele com a mesma vontade e desejo passando meus braços pelo seu pescoço o trazendo para mais perto de mim. Sinto suas mãos agora percorrem meu corpo da minha garganta até a minha bunda a apertando com vontade me fazendo escapar um gemido baixo entre o beijo e ai eu recobro minha consciência e lembro-me do lugar que estamos, me afasto um pouco dele recuperando o ar e o vejo com uma cara de criança que teve o doce tomado.
— Oliver! Olha onde estamos, se alguém nos ver fazendo essas coisas aqui séria uma confusão. — Digo já imaginando a série de perguntas daquelas duas.
— Eu não ligo, eu apenas me importo em aproveitar meu tempo com você. — Disse ele com uma voz manhosa se aproximando de mim de novo beijando meu pescoço. — Eles que arranjem um Lucian pra eles, esse já ta marcado e com dono. — Disse ele agora sorrindo pra mim.
— Eu não tenho dono, e acabamos de nos conhecer Oliver! Você age como se já estivéssemos juntos há anos. — Retruco o que ele disse sobre ser meu dono.
— Desculpa, eu não queria você interpretar-se dessa forma, é que você me cativou de uma forma inusitada, eu não costumava sentir isso por homens- Disse ele agora um pouco mais sério abandonando aquele sua postura brincalhona- Se no início do ano alguém me falasse que eu iria bater meus olhos em um garoto e me ver completamente a mercê dele, eu socaria essa pessoa, mas aqui estamos e eu não me arrependo de nada, muito pelo contrário. Pra mim não é estranho por eu já estar nutrindo algo por você a muito tempo. — Suspirou ele por fim como se estivesse retirando toneladas das suas costas.
— Eu não sabia disso tudo, me desculpe por duvidar de você e do que você sentia. — Digo me tomando pela culpa, eu o tinha julgado logo de cara, pensava que tudo se tratava de uma aposta entre amigos e/ou ele estava completamente bêbado.
— Não precisa se desculpar, eu estou completamente feliz por finalmente ter jogado fora aquele peso, eu estava cansado de fingir ser quem eu não era, sendo que tudo o que eu queria era você, mas você nem mesmo me notava... — Disse ele agora um pouco cabisbaixo. — Eu sempre fazia algo pra chamar sua atenção e você nem percebia então eu decidi vir à festa sabendo que algumas horas depois seria seu aniversário e eu teria finalmente uma chance de me aproximar de você.
— Olha, admito que eu fiquei com um pouco de vergonha das atitudes repentinas, mas não posso negar que elas mexeram comigo. — Admito em meio a um sorriso e fico encantado pela expressão de felicidade que formou no seu rosto, e sou surpreso ao ser envolvido em um abraço apertado.
— Eu não poderia ficar mais feliz com isso tudo, eu quase me esqueci do seu presente de aniversário. — Disse ele me libertando do abraço e vasculhando no bolso da sua jaqueta e retirando uma caixinha pequena coberta por um embrulho colorido. — Eu comprei para você, espero que você goste. — Disse ele sorrindo e me entregando o presente. Eu abro a caixinha meio sem jeito e nela continha um cordão de ouro com um pingente de uma asa feita de prata.
— Oliver, não precisava disso tudo, ainda mais um presente assim. — Digo sem saber o que dizer.
— Aceite, por favor, é de coração, eu demorei dias pra decidir o que te dar, e ficaria tão lindo em você, bem, você já é muito lindo. — disse ele me roubando um selinho.
— Obrigado Oliver, vou usar com carinho. — Digo tirando o cordão da caixa em seguida o colocando no pescoço.
— Olá meninos, aparentemente a festa terminou tão tarde, que tal os dois dormirem aqui hoje? — Disse a Chris aparecendo de surpresa quase me matando de susto.
— Não precisa Chris, eu vou embora com a Sally. — Digo esquivando do pedido dela.
— Mas ela vai dormir aqui também. — Agora Chris falava sorrindo, eu já sabia que elas estavam tramando algo, obviamente tudo isso era para o Oliver ficar mais um pouco aqui.
— Eu não me incomodaria em dormir aqui. — Disse o Oliver com seu sorriso travesso, já imagino que ele amou a idéia de dividir um quarto comigo.
— Tudo bem então. — Suspirei voltado até a sala acompanhado pelo Oliver, já não tinha mais ninguém na casa além de nós 4 e bagunça, provavelmente iria estar tudo arrumado logo de manhã, então eu subo as escadas para o 3 andar da casa vou até o quarto dos hóspedes aonde eu várias vezes já tinha dormido.
Aparentemente ninguém freqüentava o quarto a um bom tempo já que ele estava todo fechado e escuro, então eu caminho com um pouco de preguiça até as janelas para abrir as cortinas enquanto o Oliver tira os sapatos e se joga na cama. Por último abro a porta que dava na sacada, que era muito maior que a minha, diga-se de passagem, e apoio meus braços na madeira para admirar a vista.
— Feliz aniversário Luci. — Disse o Oliver atrás de mim e quando eu fui me virar para responder eu me sinto sendo empurrado forte o bastante para meu corpo se desequilibrar e passar por cima pela grade de madeira e sinto uma enorme dor ao meu corpo colidir com o chão.
Após isso tudo a minha volta ficou escuro e silencioso.
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