The Poems
5 Memórias Mortas
Notas iniciais
O vento lança
meus cabelos
que ondulam suavemente
A alvorada surge
trazendo planos,
sonhos, sofrimentos,
dores, amores
Coisas que um dia enxerguei
e que lembro-me vagamente
Agora só faço pensar
nas gotas que escorrem
lentamente
pela curva do azulejo branco
e caem
devagar
uma a uma
formando uma poça
que se espalha pelo chão
Nunca me esqueço
dos olhos vidrados
dos de aceitação
dos de puro terror
dos de ódio
Daqueles que se apagam
levando alguma coisa embora
Não me esqueço
das cores e texturas
flácidas e pálidas
rígidas e azuis
inchadas e roxas
ou apenas comuns
como todas as coisas ainda vivas
Lembro-me vagamente
do sabor
do fim
dos matadouros
ou dos campos floridos
das marcas deixadas
Não aprendi
a lembrar dos números
mas estes sei
todos de cor
em sua ordem
que aconteceram
Me recordo
do cheiro de tabaco
do cheiro de perfume
do cheiro de grama recém-cortada
ou apenas do cheiro de cadáver
A lâmina fria
o tilintar como moedas
que caem
dos cartuchos vazios
Sempre me lembro
Do último lampejo
Quando Ela chega
Erguendo suas frias mãos
Sombras que levam
Então vou-me
levando comigo
promessas esquecidas,
sonhos perdidos,
almas desaparecidas,
para aqueles que esperam
a chegada de um Novo Mundo
Porque a única coisa
que permanece aos vivos
é a esperança
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