The Poems
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Notas iniciais
Boa leitura!
Me perco em meus sonhos
Na desilusão de não ser a mim própria
Viajo nas vertentes da tristeza
Em rios negros de óleo
Aonde escoam ossos
palavras vazias
sentimentos perdidos
Na bruma gelada
que traz a escuridão
Aqueles olhos negros
Olhos do demônio
Prisão há pois que ei de cumprir o meu dever
Como a última tentativa
O último sonho
A última esperança
Antes de desmanchar-me
Em lágrimas amargas
E sombras dos abismos mais profundos
A lamparina acesa
Aquece-me levemente
nesse mundo meu, tão meu
Aonde perco-me
Como num oceano de sombras
Vagando à deriva
Buscando encontrar
A essência de mim mesma
A última chama
Apaga-se lentamente
O gás chega ao fim
Enquanto o tempo escoa
Nos relógios e nas ampulhetas
Tique-taque
Ouço o barulho das folhas
Balançando ao vento
Ouço a areia
A deslizar rapidamente
Tique-taque
Desço em uma ilhota suja
Aonde repousam
Meus segredos mais sombrios
Um cuco canta ao longe
Tique-taque
Enquanto o fim se aproxima
Para essa história, minha estória
Que talvez termine em tragédia
Tique
Ainda vivo
O sangue quente ainda escorre por minhas veias
Apesar das dores
Apesar das cicatrizes
Continuo
Ti — que — ta — que
De ombros curvados
De lábios ressecados
De calosos pés descalços
Segurando a chama da esperança
Vagueando por esse mar solitário
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