The Petrova Fire
6 Capítulo 6
Notas iniciais
Um minuto. Dois minutos. Três minutos. Nada. Esperando mais um minuto só para ter certeza mais nenhum barulho se fez presente e sentindo-se corajosa ela se atreveu a colocar a cabeça para o lado afim de olhar através da árvore. Seus olhos percorreram o espaço aberto tentando enxergar na escuridão, mas ela não via nada. Olhando ao redor novamente ela decidiu que estava tudo limpo, mas quando ela se virou para frente para levantar teve que segurar um grito ao ver o homem agachado na frente dela com a cabeça inclinada para o lado e encarado-a com curiosidade.
O homem na frente dela tinha o rosto encoberto pela escuridão, o que só a deixou mais nervosa. Ela apertou a mão cortada mais ainda no vestido, o que pareceu chamar a atenção, quando parecia que ele ia se aproximar dela uma voz soou um pouco distante.
— Encontras-te algo Elijah? – “Elijah, esse deve ser o nome dele” pensou Elena. Elijah a agarrou pelo pulso colocando-a em pé sem fazer nenhum barulho.
— Nada ainda Nikklaus! – ele respondeu para a noite escura fazendo Elena procurar pelo outro vampiro sem encontrar nada além de escuridão.
— Mas eu escutei um coração bater, tenho certeza! – Elena ficou ainda mais curiosa voltando a olhar para o homem que agora estava próximo o suficiente. Ele tinha uma aparência elegante, e usava um traje de festa, nenhuma gota de sangue evidente em sua roupa, ou o cheiro dele. Ele parecia imponente e ameaçador. Ele levou o dedo aos lábios enquanto ela o encarava languidamente, indicando que ela deveria fazer silêncio.
— Deve ter sido somente algum animal de pequeno porte irmão – “Ele deve querer me drenar sozinha, não quer me dividir com o irmão”, ela pensou tentando entender os motivos daquele homem.
O homem, Elijah puxou a mão que ela segurava junto ao vestido agora manchado de sangue escarlate e cheirou o ar profundamente. Ela viu o leve vestígio das veias e tentou não sorrir quando ele aproximou a mão da boca e hesitou um pequeno momento antes de levá-la a boca correndo a língua fria pela palma da mão. Quase que no mesmo instante as veias pulsaram mais fortes e terminaram de descer todo o caminho da bochecha tornando os olhos que agora se reviravam de prazer negros como a noite.
Elena pensou em pedi-lo para deixar-lhe ir, mas sabia que isso não daria certo. “Pelo menos me livro de Isobel” pensou antes de antes de fechar os olhos com a tontura repentina devido a falta de sangue. E então rápido como uma serpente ele empurrou a mão dela para longe a fazendo cair no chão com um som oco.
— Elijah? – a outra voz o chamou hesitante.
— Aqui, achei a fonte do coração – ela o olhou com expectativa esperando que ele continuasse – Era apenas um coelho velho! – ele gritou para escuridão.
Elena franziu o cenho sem entender mais nada, seus olhos começavam a pesar e ela estava ficando com o raciocínio lento.
— Que pena, achei que teríamos a sorte de achar outra escrava de sangue hoje. Se apresse irmão, não queremos perde o baile sim.
— Claro, estou voltando. – ele levantou Elena de novo evitando olhar para a mão onde o sangue voltara a fluir enquanto sussurrava – Não faça barulho e não entre no caminho de Nikklaus de novo entendeu – ele a sacudiu fazendo ela balançar a cabeça tonta – Vai.
Ele sumiu tão rápido quanto apareceu fazendo Elena se escorar na árvore quando sua visão girou. Ela precisava chegar na mansão, sentia que se passasse mais um minuto ali desmaiaria. Fazendo o seu melhor para não apoiar o peso no pé que doía miseravelmente ela voltou a fazer seu caminho pela trilha, olhando de vez em quando para trás a procura de “Elijah”, ela não entendera porque ele a rejeitou, ela sentia tanto ódio agora, fervilhava de raiva, mas a dor era maior no momento.
Quando avistou os estábulos ela nunca se sentiu tão feliz na vida. Uma dor mais forte que as outras a fez fechar os olhos com força e morder o lábio se apoiando na madeira velha da baia mais próxima. Apertando a mão com força ela se obrigou a voltar a andar, o cubículo das escravas de sangue estava só a alguns passos, e a cama que dividia com Kath estava tão perto, ela poderia deitar lá e desmaiar feliz.
Assim que fez a curva no corredor que dava para o seu quarto o mundo girou ela se sentiu cair, teria se estabanado no chão se um par de mãos fortes não a tivesse segurado, uma voz melodiosa e sussurrada preencheu os seus ouvidos enquanto o seu pé latejava e sua mão voltava a sangrar.
— Era exatamente assim que eu queria você, sangrando em toda sua glória só pra mim.
— Matt – ela sussurrou gemendo de dor – pensei... você...Candá... – ela disse em sussurros desconexos. – Aju...dói.
— Eu estava no Canadá – ele respondeu a colocando em pé e apoiando o seu peso – Quanto a dor não é problema meu. – ele concluiu enquanto a empurrava até a parede mais próxima cravando as presas no pulso, gemendo quando o sangue chegou na sua língua – Muito melhor – disse ele com a boca ainda colada no braço dela.
As veias foram descendo pela bochecha lentamente enquanto os olhos se tornavam dilatados e negros como o breu da noite. Elena deslizou pela parede sem forças para continuar em pé e ele a acompanhou gemendo com a fome saciada. Ela sentia que desmaiaria a qualquer momento, tinha perdido uma quantidade considerável de sangue ao se cortar, e agora sentia esgotada. Ela fechou os olhos pensando em tudo e nada ao mesmo tempo “Não machuca-me...”, “Dói...”, “As escravas...”, “Eu o sinto...”, “Pode sentir...?”. Com os olhos quase serrados por completo, sua boca tentou sorrir sem sucesso enquanto sua mente se concentrava em uma única palavra.
— Matt...
Os olhos de Matt de abriram de repente, quase que em transe, enquanto ele retirava as presas lentamente do pulso dela pressionando o corte para estancar o sangramento. Os olhos da Elena se fecharam enquanto Matt levava a sua mão agora ensangüentada a boca e mordia o próprio dedo, espalhando o sangue pela ferida feita por ele no pulso que já começava a cicatrizar.
Rasgando mais um pedaço da barra já curta do vestido dela ele “limpou” os restos de sangue na palma da mão ferida, mordendo o dedo já cicatrizado de novo e espalhando o sangue pela ferida.
— Minha senhora? – ele chamou baixinho observando o peito dela subir e descer lentamente. Quando não obteve resposta ele percebeu que ela deveria ter desmaiado, então ele a pegou no colo e a levou até o quarto que conhecia bem.
Matt jogou as cobertas com desapego no chão e a deitou na cama, observando a forma assimétrica com que os cabelos chocolates se espalhavam sobre o travesseiro. Suas veias já tinham sumido, mas os olhos continuavam dilatados enquanto ele percorria o corpo dela lentamente com as mãos. Começando pelo dedo dos pés, passando pelo tornozelo que estava um pouco inchado, mas não quebrado, subindo pelas pernas esguias até encontrar o vestido, passando a mão pelas laterais, chegando a curva dos seios, os quais ele apertou levemente antes de parar as mãos no pescoço.
Seu pescoço estava quente, o que ele identificou como febre. Examinando com os dedos ele não encontrou nenhuma marca de mordida recente ou vestígio de sangue. O corte em sua mão já estava fechado, assim como o do pulso, sua respiração ainda era lenta, mas ela só precisava de descanso e alimentação para recuperar o sangue. Sentando no chão devagar, ele continuou com os olhos dilatados fixos nela enquanto suas horas noturnas passavam do lado de fora.
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