The Other World
1 Um novo dia
Notas iniciais
1° de setembro, é o que indica aquelas folhinhas de calendário grudadas perto do relógio da cozinha, um novo mês, o recomeço das aulas, o dia em que muitas crianças e adolescente estão acordando felizes para irem ao colégio aprenderem cada vez mais. A quem eu quero enganar? Somente alguns estão contentes, os outros estão com aquela preguiça e desânimo normais de uma segunda-feira, principalmente logo após as férias de verão.
Mas essa história está focada naquela garota de uniforme, com uma saia xadrez que mistura vários tons de azul e uma blusa social de manga longa branca, que anda na calçada com um pouco de pressa se desviando daquelas pessoas mal-humoradas e grossas que vivem reclamando de seus trabalhos exaustivos nas indústrias.
Antes de te apresentar a garota acho que devo-lhe desculpas pelo comportamento dessas pessoas, mas acho que se eu estivesse no lugar delas também agiria assim, afinal aqui é Londres, aqui é a Inglaterra, aqui é o progresso, aqui é a revolução Industrial, mas aqui está longe de ser um ótimo lugar para se viver e com bons empregos, o que explica o motivo de tamanho estresse e tanta grosseria daqueles simples trabalhadores logo de manhã.
Olhando para a garota ela parece só mais uma adolescente brigando com seus cabelos loiros que o vento insiste em bagunçar e indo em direção à escola, mas se prestar mais atenção verá que a menina está indo para a Goode High School, seu uniforme denuncia isso e também entrega sua posição social, claramente é rica, pois, além desse ser o melhor colégio de Londres, somente quem tem uma boa condição social vai para a escola, os outros trabalham nas indústrias.
Aparentemente é uma menina tranquila e confiante, mas não julgue um livro pela capa, ela sabe fingir e muito bem, pois se olhar no fundo dos olhos dela verá o medo que a garota tanto tenta esconder, afinal ela é a novata no meio de tanta gente esnobe e é o primeiro colégio misto, tanto de garotas quanto de garotos, que ela estuda.
Infelizmente ninguém vai saber o que a loira realmente sente, só se a mesma desejar, pois é preciso muita coragem para olhá-la nos olhos, já que aqueles diferentes olhos cinza são intimidadores, eles lembram uma tempestade, eles indicam perigo.
Quando a garota chegou ao colégio reparou o quão magnífico ele era, uma construção de dois andares branca com janelas de vidro, uma longa escadaria na frente e cercada por um jardim deslumbrante. Só é uma pena que o resto da rua não seja assim, na verdade a escola é um grande contraste naquele lugar sujo, bagunçado e pobre, mas por toda a cidade é assim, essa dura realidade, para um edifício bonito existem cem feios.
A menina percebe que vai ter que entrar, ela amarra os cabelos em um rabo de cavalo alto e respira fundo, está na hora, não tem mais como fugir, o jeito é ir andando. Não sei se você entendeu o medo dela, mas isso é normal, você nem a conhece, acontece que não é somente a primeira escola mista, para dizer a verdade é a primeira escola que a jovem frequenta.
Acho que devo-lhe explicações, desculpe-me, não estou sendo muito clara em minha narrativa, mas o fato da loira nunca ter ido à uma escola não quer dizer que ela seja ignorante, longe disso, acho até que seja uma das garotas mais inteligentes que já conheci, e também não quer dizer que ela não tenha estudado, pelo contrário, a menina teve aula de... bem, basicamente tudo o que se ensina nos colégios e um pouco mais para ser sincera, tudo isso com os melhores tutores que se pode achar em Londres.
Não posso dizer que essa nova fase da vida dela seja boa ou ruim, o destino tem um ótimo senso de humor e também sofre de um terrível distúrbio de bipolaridade, mas para a adolescente era o pior dia da vida dela até agora. Muitos podem dizer que 16 anos não são nada que ela vai passar por situações piores e eu concordo com eles, mas como eu já disse: até agora.
Não posso deixar de ter pena da garota, não é nada fácil andar tranquilamente quando se está com medo e as pessoas ficam te olhando repetidamente e te rotulando, no entanto, ela fez o melhor que pôde. A jovem ainda conseguiu dar um mínimo sorriso com o canto dos lábios ao pensar qual seria o “preço” que eles colocaram nela, é um bom começo, sorrisos são bons para fazer amizades, mas infelizmente ela não sabe sorrir tão facilmente.
Talvez o fato dos sorrisos serem tão raros seja porque ela não tem amigos, seus únicos companheiros desde pequena são seus livros, eles a entendem. Porém eu não a chamaria de anti-social, o pai dela pensa isso a seu respeito, por isso a colocou nesse colégio, para ela aprender a se socializar, mas a culpa da jovem ser assim é dele, em partes, é claro, porque cada um tem sua própria personalidade, primeiramente o pai dela não a deixa nem sair da propriedade da família e agora quer que ela tenha amigos, nas palavras dele: ”vire uma moça da sociedade”, não entendo isso.
Acho que é desnecessário comentar o quanto ela se sentiu perdida e solitária ao caminhar por aqueles corredores cheios de gente falando sobre suas viagens de férias e felizes, em parte, por reencontrar os conhecidos. Vamos pular para a parte interessante, quando ela chegou à sala e sentou-se na terceira carteira da fila da janela, isso não é tão interessante, é eu sei, mas o importante é quem estava sentada na frente dela.
Uma garota de cabelos negros repicados e curtos estava sentada na segunda carteira da fileira da janela virou-se para trás com um sorriso debochado no rosto e cumprimentou a loira:
– Olá estranha! Como se sente nesse inferno?
A loira não conseguiu segurar o riso, ela sorriu levemente e respondeu ao estranho cumprimento da maneira que achou mais adequado:
– Olá desconhecida! Sinto-me extremamente perdida. Mas pelo que eu sei as pessoas se cumprimentam com um: “Meu nome é tal, prazer em te conhecer”.
Nesse momento a garota dos olhos cinzentos sentiu um pouco de medo e arrependimento, e se a morena não gostasse daquele comentário? Se ela tivesse ficado ofendida? Mas todo seu medo foi embora alguns instantes depois, porque em um primeiro momento a morena só ficou observando a loira, seus olhos azuis como o céu transbordavam curiosidade, porém, logo após isso, ela começou a rir descontroladamente.
A jovem dos olhos cinza não sabia o que fazer, não a culpo, é bem difícil entender o que se passa na cabeça da morena, mas vamos tentar decifrar: o fato é que a garota dos olhos azuis elétricos não gostava de gente patricinha e esnobe, não, me desculpe, termo errado, ela odiava, então essa frase era como um teste, pois qualquer um que fosse metido ficaria ofendido com o “estranho”, porém a garota atrás dela passou no teste, o que talvez possa significar o início de uma grande amizade.
Depois de parar de rir sem motivo aparente para qualquer um, só para ela mesma, já que a piada nem teve tanta graça assim, a morena respondeu:
–Bom, não posso dizer que foi um prazer te conhecer, mas quando eu morrer compareça ao meu enterro que eu irei deixar uma carta para você falando se foi um prazer te conhecer ou não, pois até lá eu já vou ter certeza.
A loira ficou um tempo analisando as palavras e procurando algo para dizer, até que ela optou por um pouco de ironia:
– Vou esperar ansiosamente por esse dia.
As duas começaram a rir e só forma interrompidas pela chegada do professor, no entanto, antes de se virar para frente à morena se apresentou:
– Sou Thalia Grace.
A mão de Thalia estava estendida e enquanto a loira a apertava, terminando o cumprimento, ela disse:
– Sou Annabeth Chase.
Notas finais
Um beijinho da autora.
Até o próximo capítulo...
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