Notas iniciais
Oi leitor, capítulo novo...
P.s. eu quero agradecer a Isadora Leles por ter favoritado e comentado, muito obrigada pelo incentivo.

— Aleluia!

Bom, essa foi a exclamação não tão baixa quanto o necessário que Thalia deu ao ser liberada para o intervalo, claro que o professor chato com roupas cafonas lançou-lhe um olhar mortal, mas depois de tanto tempo fingindo copiar a matéria e desenhando coisas sem nexo na borda da folha do caderno ela não ia ligar para um simples olhar, então deu de ombros e saiu andando como se nada tivesse acontecido.

Enquanto Thalia quase comprovava sua teoria de que é possível morrer de tédio, Annabeth anotava tudo que o professor falava, que a verdade seja dita: ela adora estudar. Até esse momento tudo estava sendo melhor que o imaginado para a loira, todas as suas previsões de que o dia seria péssimo não tinham se concretizado, mas e agora? Agora era a hora do intervalo, o momento em que as pessoas ficam em mesas de acordo com o seu grupinho de amizade, conversando, rindo e comendo. Bom, acho que todos sabem o que é um intervalo, até mesmo aquelas criancinhas inocentes que brincam de escolhinha com os amiguinhos. Mas dois termos que eu citei a apavoram bastante, “pessoas” e “grupinhos de amizade”.

A explicação para o segundo termo é simples, ela era novata e não tinha nenhum amigo, então onde ela se sentaria? Essa pergunta seria respondida em poucos minutos, quando a garota chegasse ao refeitório, porém agora Annabeth esperava todos saírem e ficava arrumando seus materiais intraquilamente. Acho que muitos devem estar pensando que a loira está fazendo drama, afinal ela já conhece a Thalia e provavelmente já sabem até segredos uma da outra, me desculpe quem imagina isso, mas saber o nome de alguém não significa que você é amigo dele, e os segredos? Eles aparecem com o tempo, junto com a confiança, e se essa nunca aparecer, os segredos também não aparecem, uma equação simples. Além disso, somente um louco conversaria durante as aulas, os castigos são terríveis.

E o primeiro termo? “Pessoas”, ah sim, as pessoas, uma espécie realmente assustadora se me permite dizer. É assustador o modo que elas agridem um ao outro, o modo que elas te colocam pra baixo, o modo com que elas conseguem te destruir apenas com palavras, mas também é assustador o modo como elas conseguem amar, o modo com que elas te fazem sorrir nos piores momentos, o modo que elas te ajudam a levantar. Porém a nossa jovem protagonista só consegue enxergar o lado ruim das pessoas, por quê? Acho que para explicar isso irei precisar voltar um pouco no tempo e contar com a ajuda de alguém bastante especial na vida de Annabeth:

O vento soprava frio em uma gélida manhã de dezembro, por todo o lado se ouviam as pessoas comentando como iam passar o natal, as crianças se gabavam dos presentes que imaginavam que receberiam, o cheiro daquelas comidas deliciosas preparadas especialmente para essa época do ano deixavam extasiados qualquer um que passasse pelas ruas, carruagens cheias de pessoas com seus melhores trajes não paravam de chegar às casas de parentes, as lindas decorações encantavam as mansões do bairro nobre da cidade.

Mas enquanto isso alheia a qualquer movimentação das ruas, a senhora Downson observava atentamente o jovem casal que discutia animadamente sobre algumas obras famosas e outras nem tanto que eles tiveram o prazer de ler recentemente, a biblioteca já deveria ter fechado há meia hora, porém a bibliotecária, conhecida por sua extrema generosidade e seus famosos biscoitos de gengibre, não conseguia manter sua curiosidade nem seu gosto por romances, ela estava adorando ver dois jovens tão felizes conversando e desfrutando de uma paixão adolescente, e mesmo que eles negassem, qualquer um, até mesmo um cético, poderia ver o quanto estavam apaixonados.

Sua curiosidade também não a permitia fechar o estabelecimento, a senhora Downson conhecia muito bem aquele jovem de quase vinte anos, ele ia lá desde pequeno para buscar refúgio em meio a prateleiras e mais prateleiras dos mais diferenciados exemplares de livros, sua mãe morrerá quando ele era ainda uma criança e por isso a bibliotecária era quase como uma mãe para o jovem Frederick Chase, um belo homem de cabelos loiros, ambicioso e com um futuro que prometia ser brilhante, mas aquela mulher que aparentava ter a mesma idade que seu acompanhante era totalmente desconhecida, ela apresentava uma beleza descomunal e muita elegância ao caminhar pela biblioteca, tinha lindos cabelos castanhos e uma pele de seda, o que fazia a senhora Downson sentir uma leve pontada de inveja, já que seu sonho de juventude era ter cabelos castanhos e se livrar daquelas sardas que pintavam seu rosto.

Depois de uns cinco minutos o jovem casal pareceu perceber que o sol já estava se pondo e que a noite se precipitava e resolveu sair se desculpando por não ter notado a passagem do tempo, a senhora Downson ao se despedir reparou em último detalhe naquela mulher, os olhos dela eram de maravilhoso cinza, e depois disso ficou a observar receosa os dois saírem de mãos dadas e adentrarem pelas ruas de Londres. Ela respirou fundo e pensou consigo mesma que seu garotinho ficaria bem, ele já tinha quase vinte anos e sabia se cuidar, ao sair da biblioteca mais uma vez ela respirou fundo, percebeu que uma nevasca estava prestes a cair, “tomara que meu garotinho fique bem”.

Depois de um longo tempo o jovem Frederick finalmente retornou a biblioteca, mas ele não tinha mais aquela expressão sonhadora e ambiciosa de sempre, parecia que todos seus sonhos foram destruídos e como herança de todos aqueles tempos que ele gastou planejando sua vida o homem recebeu algo inteiramente ruim, ele pareceu querer desistir, chegou a girar os calcanhares e lançar um olhar de esguelha para a porta calculando as possibilidades, mas tomou coragem e foi caminhando pesadamente e penosamente até a senhora Downson, a gentil idosa percebeu o desconforto do seu garotinho e chamou-o até um ponto mais reservado do estabelecimento para eles poderem conversar.

Frederick contou-lhe sobre todos os seus problemas, que o pai pretendia largar os negócios e deixar as responsabilidades para ele, mas com a condição de que ele se casasse com uma moça de uma das famílias influentes de Londres, contou-lhe da falta que a mulher da biblioteca na véspera do natal o fazia enquanto encarava o chão suspirando apaixonadamente, e, acima de tudo, disse-lhe com um grande desgosto da existência de sua filha, a pequena Annabeth.

Depois disso Frederick nunca mais voltou a visitar a biblioteca, ele se casou com uma daquelas moças sem interesse algum em literatura, que só se importava com dinheiro e fofocava o dia inteiro, o jovem loiro adquiriu feições mais velhas e rígidas, perdeu também o brilho dos olhos e a alegria ao falar. Enquanto o patrimônio da família Chase crescia cada vez mais a pequena Annabeth também crescia, e mais do que tudo aumentava a raiva da madrasta, a senhora Chase a detestava e fazia de tudo para tornar a vida da criança um inferno, feito que ela conseguiu com bastante sucesso, a madrasta a fez passar dias trancada no sótão ou aprendendo a como ser uma moça de família para os conceitos da época e fazendo questão de inventar erros só para poder castigá-la e chamá-la de aberração enquanto as outras crianças brincavam.

A única pessoa que a tratava bem era a senhora Downson, que sempre lia livros para ela e a deixava lamber a colher quando terminava de fazer os biscoitos de gengibre, mas a senhora Downsow já estava velha e para tristeza de toda a cidade veio a falecer quando Annabeth tinha seis anos de idade, depois disso, mesmo com a casa cheia a vida da garota sempre foi solitária, e continua da mesma maneira.

Annabeth respirou fundo, contou até 16, seu número da sorte, e saiu para o refeitório, não foi difícil encontrá-lo já que a maioria dos alunos caminhava diretamente para lá. Quando chegou ao local onde eram servidas as refeições permitiu-se um momento de hesitação, eram muitos jovens reunidos em um só local, muito mais do que já tivera a capacidade de ver, mas isso não era muito, passou despercebidamente por um grupo de garotas histéricas e pegou sua refeição, algo meio gosmento com uma cor meio estranha.

A garota loira sentou-se em uma mesa solitária mais ao canto esquerdo sob um velho carvalho e começou a comer, pelo menos a cor não interferia no gosto, pois a refeição estava boa. Depois de alguns minutos uma voz disse em bom som o que Annabeth havia acabado de pensar:

— A comida parece ter vindo do lixo, mas pode acreditar que o gosto é bom

A loira procurou quem tinha falado isso e percebeu que tinha sido a morena da aula de matemática, Thalia, esse era o nome dela, lembrou Annabeth rapidamente. A morena agora se sentara do lado da loira e começava a comer sem se importar com os bons modos. Annabeth já ia perguntar se era algum incomodo ela estar sentada naquela mesa quando um garoto interrompeu seus pensamentos:

-É aqui que nós sentamos agora, Thalia?

— É, Luke – Respondeu a garota dos olhos azuis sem nem olhar para o garoto que pelo que parece se chamava Luke.

O garoto se sentou e só então pareceu perceber a presença da garota loira e dirigiu sua fala a ela:

— Hum, oi, sou Luke Castellan, aposto que essa louca_ disse ele apontando para Thalia- nem ao menos perguntou se estava incomodando. Então, tem algum problema se nós nos sentarmos aqui?

A garota que já estava sentada na mesa antes respondeu com um aceno negativo de cabeça e se apresentou:

— Annabeth Chase.

Annabeth reparou discretamente no garoto e percebeu que ele tinha cabelos loiros e olhos azuis, ele começou a abrir a boca para cortar o silêncio quando um menino sentou-se ao lado dele reclamando de tudo da escola, menos é claro, da comida. Luke olhou para a loira como se pedisse desculpas e voltou sua atenção para o garoto interrompendo o discurso dos vários motivos para odiar o colégio:

— Hum, Percy- chamou o garoto loiro, que parecia ter certa mania de começar suas frases com a expressão “hum”- você conhece a Annabeth Chase?

— Não, por que conheceria? O que ela tem de especial? Aposto que é só mais uma garotinha chata e mimada. Quem é ela mesmo? E por que você está perguntado isso?- Retrucou Percy com toda sua raiva por ter tido de acordar cedo.

-Por nada, mas por que é que você não fala isso olhando para a cara dela?- Perguntou o loiro.

Percy ficou por um tempo com uma cara de dúvida, até que a compreensão finalmente passou pelo seu rosto e ele virou-se vergonhosamente olhando para os lados quando seu olhar caiu na loira. Annabeth reparou que ele tinha cabelos pretos bagunçados, a pele meio bronzeada e olhos incrivelmente verdes como o mar, o rosto parecia ligeiramente corado e ele então começou a se desculpar desajeitadamente:

-É, oi, olha, não é que eu te acho chata, é só que...

— Ele é lerdo assim sempre, acostume-se- Disse Thalia interrompendo o pedido de desculpas.

— Enfim, desculpe-me de qualquer jeito, só não estou no meu melhor dia. Prazer, Percy Jackson- Terminou o pedido de desculpas o moreno.

Annabeth riu em concordância mostrando que aceitava as desculpas.

Após o fim das aulas Annabeth foi direto para casa, não tinha ninguém para recebê-la de braços abertos e perguntar-lhe como foi o primeiro dia de aula, então no silêncio do seu quarto ela repetiu para si mesma:

— Foi um dia bom, até que essa escola não é tão ruim assim e nem as pessoas de lá.

Dito isso a garota loira literalmente jogou-se em sua cama e começou a reler o velho exemplar surrado de seu romance predileto cujas letras da capa já estavam ilegíveis e as páginas já se encontravam amareladas, mas que nunca ia perder a magia e nunca a deixaria parar de suspirar com o final.

Notas finais
Bom, foi isso, sei que não está muito bom, mas é que eu estou passando por um bloqueio de criatividade e por isso, juntamente com falta de tempo, eu demorei tanto pra escrever.
Espero que tenha gostado...
Beijinhos da autora e até o próximo capítulo...