Notas iniciais
Oi pra quem está lendo isso. Demorei? Sim, eu sei que demorei, me desculpa, vou tentar postar o outro capítulo mais rápido, mas por enquanto é isso... espero que goste.
P.s. eu quero agradecer a Isadora Leles pelo lindo comentário que ela deixou, eu amei, e também quero agradecer a young rose por ter favoritado a história, muito obrigada mesmo.

Não importa o quanto você esteja entediado, nada pode ser mais chato do que a aula de história do Sr. Stuart, absolutamente nada. Bom, nada contra estudar história, considero bem útil e interessante, mas a escala de utilidade e interesse acaba quando você escuta a mesma coisa no máximo três vezes, e aprender cinco dias por semana sobre a mesma revolução narrada pelo professor mais irritante e sem graça da escola definitivamente nem entra na escala, e tudo isso multiplicado por três semanas com toda certeza merece o premio internacional da inutilidade e do tédio.

Para comprovar o quanto essa aula é chata basta olhar para os lados e ver a expressão sonhadora dos alunos que não desviam o olhar de um ponto fixo na sala de aula bem próximo ao professor, com exceção é claro dos que estão dormindo, esse ponto também é bastante conhecido como porta e, nesse caso, é a solução de todos os problemas deles. Depois de exatos cinco minutos de um discurso que parecia interminável sobre a importância de estudar essa revolução, discurso que por sinal ele repete toda aula, o professor finalmente interrompe sua fala e libera os estudantes para o intervalo.

Luke, que estava muito ocupado descobrindo quantos lápis ele conseguia empilhar abandonou seu projeto e foi o primeiro a sair da sala, seguido de perto por Thalia, que passou a última hora inteira olhando pela janela e fazendo uma lista mental do que seria mais divertido do que estar naquele local, só posso dizer que a lista passou dos mil itens. Annabeth não estava muito diferente dos demais alunos, mesmo que ela tivesse sido a última a parar de prestar atenção no que o Sr Stuart dizia, fato que ocorreu na segunda semana de aula, simplesmente era impossível aguentar mais uma narração sobre uma revolução que ela já sabia tudo.

Quando a loira ia saindo reparou que um aluno ainda estava lá, e para sua surpresa, ou não, era Percy, que estava dormindo profundamente e nem havia acordado com a agitação nos corredores. Ela pensou em deixá-lo dormir, ele parecia estar tendo bons sonhos, mas não queria aturar as reclamações do garoto sobre ele estar com fome, então resolveu acordá-lo. Quando Annabeth chegou à mesa em que o moreno estava começou a sacudi-lo, porém se deteve alguns segundos quando viu que o garoto estava babando e riu internamente. Ao acordar Percy lançou um olhar confuso para a garota, mas a única coisa que ela disse antes de sair da sala foi:

— Você baba enquanto dorme!

Por alguma razão desconhecida hoje a comida estava com uma ótima aparência, além de um cheiro delicioso, a loira sentou-se na mesma mesa que tinha sentado naquele primeiro dia de aula e começou a comer. Um minuto depois alguém se senta ao seu lado e começa a falar:

— Pelos deuses, eu pensei que essa aula nunca mais fosse acabar- reclamou a pessoa ao seu lado que ela reconheceu como Percy.

— Você passou a aula inteira dormindo, como você ainda consegue reclamar disso?- Perguntou Luke indignado.

-Na verdade eu só passei a metade da aula dormindo-Respondeu o moreno.

-E a outra metade então?- Indagou o loiro com um pouco de curiosidade e descrença.

-Eu estava destruindo sua torre de lápis quando você estava olhando para o outro lado- Disse o garoto dos olhos verdes como se fosse a coisa mais simples do mundo.

— Você é que estava fazendo isso?- Perguntou Luke com um pouco de raiva.

— Claro! Achou que fosse o vento?-Debochou Percy.

-Eu vou te matar seu... seu..

Mas enquanto Luke pensava em um xingamento apropriado para a ocasião uma pessoa atrapalha seu raciocínio com uma tosse fingida, daquelas usadas para chamar a atenção de alguém quando não se quer ser indiscreto, mesmo que acabe sendo indiscreto e irritante da mesma maneira, mas enfim, ao virar para trás Luke reparou que eram três garotos que estudavam com eles, mas o jovem loiro não teve tempo de pronunciar seu desgosto pela repentina interferência, pois o garoto do meio começou a falar com tom de deboche:

-Ah, que fofo, a meninha vai chorar porque a amiguinha destruiu o castelinho dela, você quer um lencinho Castellan?- Falou com voz fina e infantil o garoto de cabelos castanhos que estava no meio do grupo, enquanto os outros que o acompanhavam davam gargalhadas.

-Acho que vou aceitar sim, não vou querer ficar todo sujo de sangue depois que eu quebrar sua cara. — Respondeu-lhe Luke com cara de deboche.

— Eu pensei que você ia sair correndo para chamar a mamãe. – Continuou com a discussão o menino de cabelos castanhos.

— E eu pensei que você tivesse deixado de ser idiota. É, parece que nós dois estávamos errados. – Retrucou-lhe o loiro fingindo falsa surpresa e tentando não acompanhar Thalia e Percy em suas risadas.

— E alguma vez você já esteve certo em alguma coisa Castellan?- O garoto parecia simplesmente não aceitar perder a discussão, mesmo com seus olhos demonstrando uma intensa raiva ele fingiu não se abalar pelos comentários de Luke.

O garoto loiro dos olhos azuis parou por um momento, como se estivesse refletindo sobre o que o outro disse e em um falso entusiasmo comentou:

— Sim, eu já estive certo uma vez. – Luke falou isso como se realmente se orgulhasse desse momento.

— Ah, e eu posso saber quando foi? – Perguntou o causador da discussão.

-Achei que fosse obvio, com toda certeza foi quando eu parei de andar com gente infantil, chata e idiota, quero dizer como gente como você.

Nesse momento os três garotos começaram a avançar na direção de Luke enquanto Percy e Thalia se levantavam prontos para encarar a briga, mas quando o garoto de cabelos castanhos estava prestes a dar o primeiro golpe o diretor entrou no refeitório e começou a olhar para todos os lados em busca de alguém descumprindo as regras, fazendo com que todos se sentassem imediatamente sem nem ao menos dar tempo para as típicas ameaças que vão desde você me paga ao eu te mato, como eu já disse: os castigos da Goode são terríveis.

Annabeth não sabia ao certo o que tinha acontecido no passado, mas tinha uma boa noção, e segundo suas teorias Luke já tinha sido amigo deles, mas como aquele grupinho era formado só por gente mimada e egocêntrica ele passou a andar com o Percy e a Thalia , porém os antigos amigos do loiro não viram isso como algo bom, pois querendo ou não querendo Luke tinha uma imensa popularidade e por isso eles viviam provocando o garoto.

O resto do intervalo foi bastante irritante para a loira, pois seus amigos não paravam de xingar o grupinho dos egocêntricos e ficaram o tempo todo expressando suas teorias, a maioria bastante improvável, sobre o que teria acontecido com os riquinhos mimados se a briga realmente tivesse acontecido.Ah, se te interessar, todas as vezes que eles brigavam Luke saía como vencedor.

Quando a aula acabou Annabeth estava um pouco receosa, ela não queria mais ouvir táticas de “como matar os mimados idiotas do colégio”, mas para sua sorte eles mudaram “agradavelmente” de assunto para “ as melhores maneiras de matar um professor de modo que pareça acidente”, a única coisa que a jovem tinha a dizer era que atirar uma pessoa do penhasco definitivamente não era a melhor opção, era melhor um veneno mais sutil aplicado em doses regulares para parecer uma doença sem cura. Que os deuses a perdoem, ela se repreendeu mentalmente, e teve que fazer isso novamente ao usar o estranho termo bastante utilizado por seus amigos. A garota dos olhos cinza não tinha nem idéia do motivo de seus amigos usarem termos relacionados à mitologia grega, mas como eles não tinham contado para ela a menina achou que era uma piada interna da qual ela não merecia saber.

Como Annabeth ia andando distraidamente pelas ruas, já que estava absorta em pensamentos, ela somente percebeu que os outros três tinham parado quando colidiu violentamente com Percy e quase caiu se o mesmo não tivesse a segurado.

-Obrigada. – Agradeceu sinceramente a loira.

— Não foi nada – Disse gentilmente o garoto dos olhos verdes.

— Vocês não gostariam de fazer só mais um pouquinho de barulho? – Luke indagou ironicamente.

— O que foi dessa vez? – Thalia perguntou curiosa querendo saber o motivo da pausa repentina ignorando a possível briga que iria surgir entre seus amigos.

— São aqueles idiotas de novo, estão bloqueando todas as ruas. — Respondeu Luke.

— E o que é que tem? Nós vamos acabar com a cara deles. — Disse Thalia que apesar de ser uma garota gostava de brigas.

— Ah sim, porque você é uma ninja que vai acabar com todos eles com apenas um golpe e sair intacta da luta?-Indagou Luke ironicamente.

— A Thalia é uma ninja?- Percy perguntou curioso.

— Tudo bem-Luke começou a falar ignorando a pergunta feita pelo Percy- mas acontece que eles estão em sete e nós estamos em desvantagem...

— Mas você acabou de dizer que a Thalia era uma ninja. -Percy protestou confuso.

— Ela não é ninja. — Annabeth afirmou.

-Mas ele acabou de dizer... Tentou persistir o moreno antes de ser interrompido pela loira:

-Ele estava sendo irônico, cabeça de alga.

-Cabeça de alga?-Perguntou um Percy ainda mais confuso que antes.

-Sim, porque pelo seu excesso de lerdeza parece que você só tem alga na cabeça.- Explicou Annabeth enquanto Thalia ria.

— O que eu disse sobre fazer barulho?- Perguntou Luke, mas continuou sem esperar por respostas- Bom, o fato é que nós estamos em desvantagem e eu não posso chegar em casa com nenhum arranhãozinho.

-Por que não? – Perguntou Percy.

-Minha mãe. – Respondeu o loiro como se isso explicasse tudo. E de um certo modo explicava. Desde pequena Annabeth e as outras crianças da cidade eram ameaçadas com frases do tipo: “não faça isso criança, ou eu vou chamar a May Castellan aqui”. Ninguém sabia ao certo quem era May Castellan, só que ela era louca e tinha um jardim assustador, mas pode acreditar que só essas informações já eram bastante assustadoras .

Depois de analisar as probabilidades resolveram ir pela floresta, que era perto e serviria como um bom atalho. Annabeth não precisava ir com eles, já que nunca tinha brigado com ninguém da escola, mas resolveu ir junto. A garota achou belíssima a floresta, com logos pinheiros e um rio com uma grande correnteza contrastando com o canto dos pássaros.

Quando o grupo de amigos estava começando a sair da floresta os pássaros pararam de cantar, eles deram espaço para o barulho de alguém correndo, alguém não, alguma coisa. Luke, Thalia e Percy se entreolharam com certa apreensão, Annabeth odiava isso, era humilhante não saber de algo que Percy sabia. Thalia começou a mexer nervosamente em sua pulseira, Percy levou a mão aos bolsos e Luke começou a levantar suas mãos lentamente em busca de algo na mochila. Eles estavam se preparando para um ataque, a garota loira percebeu, mas não sabia como uma pulseira e livros poderiam ajudar agora, nem o que estava prestes a atacá-los.

O que quer que estivesse querendo atacá-los estava se aproximando rápido, por onde a coisa passava deixava um raio de destruição, os bichos corriam desesperados a procura de abrigo e por fim a única coisa que restava eram quatro adolescentes e um vulto chegando cada vez mais perto. Luke conseguiu tirar da mochila o que estava procurando, e para o espanto de Annabeth era uma lâmina afiada, uma espada. Percy também retirou algo do bolso, mas era só uma caneta, “mas é claro, você vai entrar em uma briga com uma caneta, porque com certeza as armas do seu inimigo serão balinhas de menta”, a garota não conseguiu reprimir o pensamento sarcástico.

Logo que o que quer que fosse começou a se aproximar Annabeth conseguiu entender o motivo da espada, realmente aquela coisa não era humana, tinha claramente mais de dois metros de altura e era extremamente forte e musculoso. Quando a criatura entrou na clareira Annabeth reparou em algo realmente assustador, a cabeça da coisa era de touro, como as histórias sobre o minotauro na mitologia grega, lembrou-se prontamente.

“Não pode ser, isso não existe, não pode ser, você está delirando”, mas mesmo se fosse alucinação ou não o bicho continuava correr, e em um sobressalto Annabeth percebeu que era em direção a ela. A loira não sabia o que fazer, ficou parada, com as pernas bambas, esperando, simplesmente esperando sua morte, ela nunca tinha sentido tanto medo na vida, nem quando ela tinha pesadelo com aranhas (os bichos que ela mais temia), já tinham acontecido coisas estranhas com ela, a garota já tinha visto pessoas com um olho só, mas absolutamente nada se comparava com ter um monstro mitológico correndo em sua direção com um olhar assassino.

Talvez fosse o susto, talvez fosse o medo, talvez pudesse ser qualquer coisa conspirando contra ela, mas quanto mais à fera se aproximava mais ela perdia a capacidade de se movimentar. Annabeth estava paralisada, uma perfeita estatua, ela ouvia seus amigos gritando como se estivessem a quilômetros de distância para ela correr, a garota queria correr, mas não tinha como. E o monstro estava cada vez mais próximo, já dava para sentir seu cheiro e ouvir sua respiração, mas o medo de morrer continuava, e por mais irônico que pareça ao invés desse medo salva-lá ele acabou a condenando, como acontece com a maioria das pessoas.

Annabeth fechou os olhos, sem pensar em mais nada, simplesmente fechou os olhos e esperou acontecer. 1, 2, 3,4... pode ser loucura, mas em uma fração de segundos ela tinha calculado quanto tempo o monstro demoraria para atacar, e eram exatamente 10 segundos. 5,6,7... e algo passa em frente ao seu rosto produzindo um leve vento que fez com que ela estremecesse, e quase que ao mesmo tempo ela escuta um urro de dor e frustração. Annabeth abre seus olhos a tempo de ver um braço passar ao redor de seu corpo e a puxar para a esquerda enquanto o minotauro ainda reclamava de dor, ela viu que quem a puxara era Percy, e que na mão direita do garoto onde deveria haver uma caneta tinha uma espada.

Tudo que aconteceu depois foi muito rápido e muito estranho para a loira entender alguma coisa, mas ela conseguiu ver que a caneta do Percy tinha de transformado em uma espada e que a pulseira de Thalia era agora um escudo. Os três começaram a atacar o monstro e Annabeth conteve um grito quando o minotauro jogou Thalia contra um pinheiro. Luke correu em direção a morena dos olhos azuis enquanto Percy distraia a criatura. Luke voltou para a luta depois de se certificar que Thalia estava bem. Os dois atacavam e defendiam, investiam e recuavam, as espadas não paravam um segundo.

E logo após houve a parte mais estranha, os três se entreolharam e armaram um plano, Luke estava distraindo o monstro e o levando até o riacho, Annabeth duvidou que fosse fácil afogá-lo, mas quando estavam mais perto o rio inteiro se levantou contra o minotauro formando um redemoinho contra ele e um raio caiu bem onde monstro estava.

Sem entender mais nada Annabeth só viu a onda do rio abaixar e no lugar onde estava o monstro estava algo como uma poeira. “ Estou louca”, esse foi seu ultimo pensamento antes de desmaiar.

Notas finais
Foi isso, espero que tenha gostado e até o próximo capítulo que eu vou tentar escrever mais rápido.
Beijos da autora.