The Other World
4 Revelações
Notas iniciais
P.s. Quero agradecer a Amanda Le fay pelo comentário, muito obrigada mesmo pelo incentivo.
A garota loira se encontrava deitada em sua cama agarrada ao velho e surrado exemplar de seu romance favorito, seus olhos cinza tempestade encaravam uma rachadura na parede bem acima do lugar em que ela estava, a menina parecia estar olhando as estrelas, mas havia uma parede impedindo-a de enxergar os pontos luminosos que brilhavam no céu escuro. Seus pensamentos eram confusos, ela sempre tinha imaginado que a verdade fosse libertadora, e no final foi, mas por que é que a verdade tem que ser tão estranha? Tão irreal? Tão assustadora?
A verdade explica todas as suas perguntas, mas o que fazer quando ela é tão estranha que parece uma mentira? O que fazer quando ela parece uma história de algum de seus livros? Annabeth não sabia, o que era irônico e frustrante para a garota, como Annabeth Chase, a menina que tinha as respostas para tudo, não sabia sobre isso? A garota sempre soube que era estranha, diferente, coisas que não aconteciam com os outros aconteciam com ela, coisas que as outras pessoas não viam ela enxergava, mas mesmo assim, deveria ser um crime uma verdade parecer tão real e irreal ao mesmo tempo, deveria ser um crime algo que te liberta te prender, mas não é, não é porque é a verdade, pois se fosse mentira, ai sim seria um crime.
Ah sim, esses são os pensamentos complicados da loira, não me peça para traduzi-los, não sei se posso explicá-los, mas não acho que vai ser necessário, pois inconscientemente os pensamentos da garota voltaram para aquele dia, um dia de revelações:
Cheiro de queimado era tudo que Annabeth sentia, uma leve dor de cabeça a atrapalhava a dormir... Dormir? Ela não se lembrava de ter voltado para casa nem de que sua cama era tão dura. Uma corrente de ar fresco a fez estremecer, como ela podia ter se esquecido de fechar a janela? Uma voz conhecida fez com que ela se assustasse:
-Acho que ela mexeu, será que ela está bem?
“Será que ela está bem?”, a situação era alarmante, o que tinha acontecido com ela? Annabeth achou um pouco difícil abrir os olhos, mas quando finalmente conseguiu um raio de sol não permitiu que a garota enxergasse, depois de piscar algumas vezes ela focalizou algo verde, que só foi perceber que eram os olhos de Percy quando ele avisou aliviado que ela tinha acordado, mas logo depois o verde mar foi substituído por algo azul elétrico, Thalia.
-Como você está? – Quis saber a morena.
Annabeth parou um pouco para pensar, ela sentou-se lentamente e começou a avaliar o local em que estavam, era uma clareira próxima a um rio... Um rio... Um rio que ela tinha visto misteriosamente levantar-se e... Então era real, não foi um sonho? Aquilo tinha mesmo acontecido?
- O que aconteceu?- Indagou a loira que já nem se lembrava de responder a pergunta que Thalia tinha feito.
-Hum, nós estávamos andando e você tropeçou em um galho e bateu a cabeça em uma pedra. – Respondeu Luke prontamente. Se Annabeth não estivesse lá ela poderia ter acreditado, Luke era um ótimo mentiroso pelo o que acabara de perceber, mas ela tinha visto com seus próprios olhos, e entre acreditar em sua sanidade mental e nas palavras do loiro ela preferiu a primeira opção.
-Isso é meio constrangedor, mas não é bem isso que eu me lembro. — Annabeth afirmou e esperou por uma confirmação, mas tudo que ela recebeu foi uma troca de olhar dos três e mais mentiras.
- Ah, você deve ter batido a cabeça bem forte. – Comentou Thalia sem olhar pra loira.
O que eles achavam que ela era? Burra?! Será que eles achavam que ela não merecia confiança?Não, não importava, se eles não queriam contar então era problema deles, aliás, sempre foi, não era ela que combatia esses “monstros”, não era ela que tinha espadas e escudos, não, de modo algum, então se o problema era deles pra que se preocupar? Pra nada, não era necessário.
A garota levantou-se rapidamente, pode ver pontos amarelos dançando em sua frente e sentiu uma leve tontura, mas concluiu que ficaria bem,ajeitou sua saia e tirou um pouco de folhas que estavam em seus cabelos, seu rosto adquiriu uma falsa indiferença, e com uma voz confiante ela disse:
- Tenho que ir, já devem estar preocupados com minha ausência.
Era mentira, obvio que era mentira, como se alguém de sua “família” ao menos se importasse um pouquinho com ela para reparar em sua ausência, então imagina se preocupar. Parece piada. Mas quem se importa? Luke, Percy e Thalia estavam fazendo o mesmo, por que com ela seria diferente então? O que a impedia de querer sair dali o mais rápido possível?
Annabeth se virou e foi andando, ela ouviu seus amigos gritarem seu nome, mesmo sem olhar para trás a garota viu os três se entreolharem, decidindo o que fazer, mas já era tarde, quando a loira saiu do campo de visão deles ela começou a correr, não que a loira soubesse o caminho, mas ela tinha uma boa noção pra onde tinha que ir.
Quando saiu da floresta a claridade a deixou momentaneamente cega, mas logo voltou a correr. Enquanto passava pelas ruas ensolaradas de Londres ela só pode pensar em sua raiva e no quanto estava chateada, porém Annabeth não ia chorar, de modo algum, a jovem era orgulhosa demais pra isso.
Somente à noite, enquanto se remexia tentando dormir é que a culpa chegou, parece que é sempre assim, a falta de sono te força a pensar em tudo que você não deseja e tudo que poderia ter feito de melhor, é como ter pesadelos acordado, só que nesse caso os pesadelos são reais.
Uma das piores dores do mundo é o arrependimento, principalmente quando ele é cercado de incertezas. Será que ela tinha feito a escolha certa? Será que não deixar eles se explicarem era a atitude mais sensata? Será que ela estava realmente errada? Será que tinha sido alucinações? É, parece que tudo indica que ela estava errada, aliás, em que mundo um monstro mitológico metade humano metade touro saí por ai caçando pessoas na floresta?Somente em seus livros de mitologia grega, os quais Annabeth era viciada, mas que seu pai a proibia de ler e fazia um verdadeiro escândalo quando achava um estoque “ilegal” de livros relacionados a essas histórias no quarto dela.
E em meio a lágrimas de tristezas e arrependimento Annabeth adormeceu, em seu quarto, dentro de quatro paredes e uma profunda escuridão ela podia chorar, nem mesmo seu orgulho a acharia ali.
Foi difícil, foi quase impossível ouvir o barulho de seus sapados batendo contra a escadaria de mármore do colégio no dia após o “incidente”, e eram tantas risadas que pareciam estar rindo dela, mas não estavam, provavelmente estavam comentado do vestido que tal pessoa usou ontem, que era realmente ridículo se querem minha opinião, ridículo como toda essa sociedade mesquinha. Era estranho entrar ali e se sentir solitária, achar que tudo iria dar errado, ela tinha sentido isso nos primeiros dias de aula, mas agora era diferente, a garota tinha amigos, ou o mais próximo disso, tinha com quem conversar, e tinha sido tão bom, tinha sido uma experiência completamente nova e agradável, mas ela se apegou tanto a isso que a queda foi maior que o necessário, e doía, como doía.
Parece ridículo o modo que ela está agindo, desconfiando de tudo, aliás eles nem chegaram a discutir, mas o problema é o medo de ter feito algo que os três consideram muito ruim e nunca mais quererem falar com ela, pois a garota não os conhecia bem o suficiente, três semanas é muito pouco para afirmar tudo sobre uma pessoa, mas pode ser o suficiente para ter medo da perda. E para uma pessoa que nunca tinha cultivado amizades é muito difícil saber o que fazer.
Durante a aula Annabeth evitou contanto visual com as três pessoas que ela mais queria falar, o que foi fácil quando se tem uma janela ao lado e uma das aulas de história do Sr. Stuart. E na hora do intervalo ela foi uma das primeiras a sair da sala de aula.
A comida da cantina tinha o mesmo aspecto doentio de sempre, era meio nojento olhar pra ela, mas sentada na mesma mesa em que os quatros sempre se sentavam parecia mais fácil ficar encarando a comida enquanto esperava e contava várias vezes até 16.
Percy, Thalia e Luke não demoraram muito para chegar até a mesa, eles se entreolharam mais uma vez e se sentaram meio incomodados. Mas antes mesmo que Annabeth pudesse sentir uma leve pontada de raiva desse habito irritante Thalia começou a falar:
-Olha, nos desculpe, realmente não aconteceu o que nós te contamos, o problema é que nós somos semi...- Mas a morena não conseguiu terminar a frase pois foi interrompida por uma cotovelada de Percy.- O que foi? Pensei que nós tivéssemos concordado de contar a verdade pra ela.
-E concordamos,- Respondeu o moreno enquanto Thalia lhe lançava um olhar de desentendimento- mas você não pode simplesmente chegar em uma pessoa e ir contando isso sem que ela nos ache doidos.
- Ah, e pra quantos mortais você já contou isso?- Perguntou Thalia com um sarcasmo evidente na voz.
- Pra nenhum.- O garoto de olhos verdes respondeu sem notar a ironia- Mas eu estava pensando em como contar na aula de história, eu não tinha nada pra fazer mesmo.
- Mas você estava dormindo Percy.- Falou Luke, entrando pela primeira vez na conversa.
- Quantas vezes eu tenho que dizer que eu só durmo metade da aula de história? – Indagou Percy levantando os braços para o alto em um sinal de descrença.
- Por que você só dorme uma parte da aula?- Quis saber Annabeth.
- Porque se eu dormir muito aqui eu não consigo dormir depois da aula. –O moreno disse como se fosse obvio.- Mas voltando ao assunto.-Ele continuou, só que dessa vez olhando diretamente para a loira que estava sentada na sua frente- Existem algumas coisas que você não sabe sobre nós, e queríamos te poupar da verdade, mas como você é irritantemente insistente e curiosa...
- Eu não sou insistente e nem curiosa.- Protestou Annabeth- E definitivamente ficar falando mal de uma pessoa não é a melhor maneira de contar algo.
- Você é sim e vai me deixar terminar de contar porque você está louca de vontade de saber o que eu vou te falar- Comentou o garoto de olhos verdes, e Annabeth só não interferiu novamente porque sabia que era verdade.- Como eu estava dizendo, pelo fato de você ser irritantemente insistente e curiosa nós resolvemos te falar a verdade. Annabeth, você já ouviu falar de mitologia grega?
-Sim.- A loira concordou.
- Você conhece as histórias sobre deuses, heróis e monstros?
-Sim.- Ela concordou novamente.
- Então, todas essas histórias são reais, os deuses existem e eles mudam para onde a civilização está mais forte. Eles já passaram pela Grécia, por Roma, e agora estão aqui, na Inglaterra. E aquilo que você viu ontem era um...
- Minotauro.- Annabeth respondeu sem que Percy terminasse.
- Como você sabe?- Os três perguntaram incrédulos.
-Bem, eu não devia saber, meu pai odeia que eu leia livros sobre mitologia grega, mas não tem como evitar, eu amo as histórias, e em um deles fala sobre o minotauro.- A loira confessou timidamente.
- Então você acredita? – Luke quis saber.
- Não sei se acredito.
- Tudo bem, ninguém está te forçando a nada. – Percy a defendeu- Nós só queríamos que você soubesse a verdade e não nos odiasse.
- Mas voltando ao que eu estava falando antes e você esqueceu de mencionar, Percy, nó somos semideuses, metade...- Disse Thalia um pouco chateada com o moreno por ter sido interrompida no início da conversa.
-Metade deuses e metade humanos.- Annabeth completou a frase.
E com isso os três se entreolharam novamente, como a loira odiava quando eles faziam isso.
Depois disso haviam se passado dois meses, eu seria uma hipócrita se dissesse que ela acreditou logo de primeira, ainda podia ser uma grande piada de mau gosto, e a última coisa que Annabeth queria era ser era motivo de risadas, ela preferia deixar isso para Percy. Mas no final ela acreditou, e os quatro agora estavam mais unidos do que jamais poderiam imaginar, aliás, não a nada que ser atacado por alguns monstros famintos não resolvam, e mesmo não cortando mortais as espadas eram um bom argumento de persuasão.
Notas finais
Beijinhos da autora, até o próximo capítulo...
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