The Other World

17 Seguindo em frente


Notas iniciais
Oie! Tudo bem? Eu estou em uma luta contra o tempo então não posso demorar muito, por isso eu não revisei o capítulo nem respondi os comentários maravilhosos, me desculpem por isso, mas quando eu puder eu os responderei.

Se antes o culpado dos nossos problemas era o medo, agora é o desespero e o remorso. Mas no momento pouparei-lhe da melancolia, deixemos isso para mais tarde. Ou simplesmente pro próximo parágrafo.

Não, não e não, era tudo que Thalia conseguia pensar, como eles poderiam ter deixado isso acontecer? Pela primeira vez na vida ela teve uma melhor amiga e agora ela é sequestrada e levada para longe. Não, não e não, isso não podia estar acontecendo.

Ela não podia entender, como tinham deixado isso acontecer? Ninguém falava, mas estava implícito no ar, a culpa era deles. Nao havia perdão para isso.

Luke e Thalia alcançaram Percy, parado e inconsolável no último lugar que viram a amiga.

– Temos que ir atrás dela. — Percy falou, visivelmente desesperado, sem nem tentar esconder a aflição que o consumia.

– Como? — Luke perguntou, desesperado, mas tentando ser racional.

– Indo na mesma direção que eles. — O moreno opinou decidido.

– Não podemos simplesmente ir assim, não temos um plano. Annabeth não iria aprovar que entrássemos na floresta sem termos um plano. — Thalia tentou pensar como a amiga loira, as pessoas sempre fazem isso, tentam descobrir o que a outra pessoa faria na mesma situação, o que é uma completa perda de tempo, já que geralmente as pessoas não sabem nem mesmo o que elas próprias fariam.

– Concordo. Alguém tem um plano? — Luke se pronunciou.

– Parar de perder tempo e tentar achar Annabeth logo. Nós não vamos conseguir criar um plano. Aceitem isso. O melhor é não perdê-la totalmente de vista. — O moreno disse irritado com a demora.

– Tudo bem, você tem razão. Pra onde eles foram? — Thalia aprovou a ideia.

– Para aquela direção. — O moreno apontou e se pôs a correr. Ele não sabia, mas caso lhe interesse, eles estavam, ironicamente, seguindo para o norte, exatamente como o dono dos olhos verdes havia planejado antes.

E a cada folha que lhes acertava no rosto, a cada árvore que aparecia no meio do caminho, a cada vez que eles escorregavam na neve, cada vez que eles tropeçavam nos troncos caídos tinha gosto de arrependimento, de culpa e de decepção.

Sejamos sinceros, os três não sabiam o que estavam fazendo, não sabiam mais se estavam seguindo na direção certa, não sabiam se valia a pena continuar a correr, mas parar não era uma opção, tudo o que lhes restavam era continuar em movimento para não ter que encarar a verdade, para não ter que encarar sua impotência. Então eles corriam. Corriam, caiam, tropeçavam e corriam novamente, como em um eterno ciclo de repetição.

E depois de muito correr, cair, levantar, correr, tropeçar e correr mais um pouco eles chegaram em uma trilha, ela se destacava no caos da floresta, uma trilha livre de árvores e de folhas, era o que eles precisavam, de um pouco de sorte.

Perdoe-me, eu realmente disse sorte? Pela situação atual sorte é tudo que nós não temos. Então digamos que foi somente uma ligeira trégua na sucessão de acontecimentos trágicos, mas que, como já era de se esperar, não durou por muito tempo. A relativa trégua chegou ao fim e eles se viram novamente em uma enrascada, agora de frente a uma encruzilhada sem saber qual caminho escolher.

Seria apropriado que eles simplesmente seguissem as pegadas, deveria ser algo chamativo no meio de todo aquele branco absoluto, mas o problema? O único rastro e a única dica de que algo com vida havia passado por ali eram pegadas de algum animal, um bode talvez?

Os três pararam ofegantes e com as bochechas coradas pelo esforço da correria, demoraram um tempo para recuperarem o fôlego e tomar alguma iniciativa.

– Esquerda ou direita? — Luke foi o primeiro a se pronunciar, buscando uma decisão dos seus amigos para o problema no qual se encontravam,mas não dando de maneira alguma a opção de desistir, eles a encontrariam, Annabeth fazia parte da equipe e eles não iriam abandoná-la, tudo bem que eles não sabiam onde estavam nem para onde a loira havia sido levada, porém Luke estava decidido a continuar procurando e esperava que os outros também.

– Esquerda! — Percy respondeu prontamente.

– Por quê? — Indagou Thalia confusa com a rapidez da resposta do moreno.

– Não vê as pegadas? — Percy questionou impaciente.

– Mas não são de pessoas, são de algum animal. — Thalia insistiu.

– Você prefere seguir pela outra trilha totalmente deserta? O animal tem que nos levar pra algum lugar, seja pra um abrigo ou para uma fonte de água. — Percy continuou a defender seu ponto de vista.

– Você tem certeza disso? — Luke interrompeu a possível resposta da amiga, agilizando o processo, não poderiam perder tanto tempo assim, a cada palavra pronunciada mais longe Annabeth estava e menores eram as chances de encontra-la.

– Não! — O moreno disse sem nem tentar esconder a verdade. — Tem alguma ideia melhor?

– Também não. — Luke afirmou.

Sem dizer nada e sem esperar por confirmação Percy pegou o caminho da esquerda e continuou correndo, em um ritmo menos acelerado dessa vez , ele já estava ficando cansado e seu corpo já começava a reclamar do excesso de esforço, o proporcionando uma dor aguda nas pernas. Luke e Thalia estavam na mesma situação, cansados e com dores, mas correndo, sempre, sem rumo e sem certezas, só aposta do que talvez as coisas pudessem se resolver.

E elas se resolveram, não do jeito que eles esperavam, mas se resolveram. A trilha teve fim, mas seu ponto de chegada era, para dizer o mínimo, decepcionante. Não tinha mais para onde correr, não havia mais pra onde andar, eles chegaram em um ponto que se você quisesse continuar em frente só tinha duas opções, ou caía e enfrentava a morte certa, ou criava assas e aprendia a voar. Eles agora estavam na beira de um abismo, e a sensação era desesperadora.

– Nós falhamos! Não adianta! — Percy sentou- se na neve e começou a se entregar ao desespero, era notável seu medo e seu sentimento de arrependimento, era tão claro quanto aquela neve irritante, era dolorosamente visível.

– Percy, não foi culpa sua, nem nossa, de nenhum de nós! — Thalia o consolou sentando ao seu lado e passando os braços por seu ombro para oferecer conforto.

– Foi sim! — Percy levantou já alterando a voz. — Foi culpa nossa, toda nossa!

– Não diga isso. — A morena tentou usar um tom de voz calmo, mas no fundo ela concordava com ele, Percy estava certo, ela sabia disso, mas no momento precisava se convencer do contrário.

– Mas é a verdade! Nós a colocamos nesse mundo louco, fomos nós que contamos para ela sobre as nossas origens, nós que dizemos a ela que todos aqueles monstros e seres mitológicos eram reais, se não fosse por nós isso nunca teria acontecido. — Percy esbravejou não tentando conter a culpa e o ressentimento em sua voz, com os olhos já marejados, ele era a figura viva da desistência e do medo. Thalia permaneceu calada, ela não conseguia dizer o contrário se no seu íntimo ela concordava com as palavras do seu amigo, ela poderia enganar a todos mas não si mesma.

– Ah, tenham dó, parem vocês dois! Parem de agir como se ela já estivesse morta e parem de se culpar. Tenho certeza de que ela não se arrepende um minuto de ter conhecimento sobre tudo isso, e sabe por que? Porque ela é nossa amiga! Ela ganhou grandes revelações e grandes loucuras, a vida dela foi virada de cabeça pra baixo, mas eu sei que pra ela valeu a pena, porque se não tivesse valido ela já teria ido embora na primeira oportunidade. Ela não desistiu da gente, e o que nós estamos fazendo? Desistindo dela! Vocês vão mesmo parar de procurar? Se sim, tudo bem, fiquem aí parados reclamando, eu não vou ficar de braços cruzados enquanto minha amiga pode estar sofrendo! — Luke gritou, irritado com a desistência dos amigos e foi dirigindo para cada vez mais perto da ponta do abismo .

– Onde você vai? — Ele ouviu a voz de Thalia o chamando.

– Vou dar um jeito de descer e continuar a procurar lá embaixo e voces não vão me impedir. — O loiro respondeu decidido.

– E quem disse que nós vamos deixar você ir sozinho? — Thalia disse.

– Então resolveram me acompanhar? — Luke perguntou, mas já sabia a resposta.

– Você demora demais! Vamos logo com isso! — Percy disse, já passando na frente do amigo e tentando descer o barranco se apoiando nas pedras.

Não desmerecendo o esforço dos três, mas eles estavam péssimos, estavam fazendo um esforço sobrenatural para conseguirem descer aquela superfície rochosa, fria e escorregadia, mas não iremos critica-los dessa vez, realmente acho que essa deve ter sido uma tarefa árdua, mas de modo algum irei omitir os detalhes da queda. Ah sim, eles caíram, mas para felicidade deles faltava pouco para chegar ao chão, dando um saldo de roupas sujas de terra e neve, alguns arranhões no rosto, braços esfolados e cabelos desgrenhados, mas não se preocupe, não houve fraturas graves.

Olhando ao redor era possível perceber que eles estavam em um vale, e que um lago, agora congelado, costuma a dar vida aquele lugar. Os três trocaram um daqueles olhares característicos e tomaram uma decisão, seguiram em frente, como seus pés já estavam acostumados a fazer.

Porém, após alguns passos, doze para ser mais exato, algo estranho, ainda mais do que tudo que havia acontecido naquele dia, os chama a atenção. Não, corrigindo: os desespera ainda mais. Thalia, que seguia alguns passos na frente dos garotos, some misteriosamente, em uma fração de segundos mais rápida que um piscar de olhos.

– Thalia! — O grito se estende pelo vale, eles esperavam não obter resposta, mas rapidamente a garota volta alguns passos para entender o motivo do desespero e reaparece.

– Mas como? Como isso é possível? — Luke pergunta visivelmente pertubado enquanto Percy apenas encara tudo de boca aberta.

– Isso o quê? — A garota indaga, sem perceber o que tinha acontecido.

– Você sumiu e... — O loiro tenta explicar sem sucesso.

– Você está bem Luke? Não há nada aqui, olhe.- Ela afirma enquanto volta a caminhar com aos mãos esticadas para demonstrar que o caminho estava limpo, porém o que tinha acontecido antes torna a se realizar, fazendo com que a mão de Thalia sumisse em plena vista, levando-a gritar e recuar alguns passos, fazendo com que seu membro reaparecesse. — Tudo bem, isso foi estranho! O que vamos fazer?

– Parece meio óbvio não?! Está meio claro, é só seguir a trilha de acontecimentos bizarros. — Percy comenta ao se recuperar.

– Tudo bem, concordo, mas eu não vou entrar aí sozinha. — Afirma Thalia um pouco temerosa.

– Também não, vamos todos juntos no três, ok? — Luke diz sensatamente.

E assim aconteceu, no três eles entraram na paisagem desconhecida, mas nada mudara muito, ainda havia algumas árvores brancas, o solo continuava coberto de terra e o rio estava congelado, no entanto agora havia algo de diferente, algo constratante na imensidão branca, algo não, alguém. Um homem. Vestido totalmente de preto, com cabelos da mesma cor e pele pálida, trazendo junto consigo uma espada negra e bloqueando a passagem.

– Quem é você? — Thalia perguntou hesitante ao estranho misterioso e assustador na sua frente.

– Acho que sou eu quem deveria fazer essa pergunta. — Ele afirmou com um sorriso de lado levemente irônico. — Mas respondendo a sua pergunta, meu nome é Nico, Nico Di Ângelo. Bem- vindos ao Acampamento Meio-Sangue.

Notas finais
Espero que tenham gostado, foi escrito meio as pressas mas não acho que está tão ruim assim. Ah, e eu não posso esquecer de dedicar esse capítulo para a incrível Mrs Azul, afinal foi ela quem sugeriu isso a um bom tempo atrás! Beijinhos da autora...