Notas iniciais
Oiiee pra você que quer me matar pela demora! Ah, eu prefiro uma morte rápida e indolor ta?! Mas como eu acredito na bondade humana eu sei que você vai me perdoar pela demora, bom, eu espero que sim. Antes que eu me esqueça, como se eu fosse capaz de esquecer disso, eu queria agradecer com toda a sinceridade do mundo a minha maravilhosa leitora Leticia di Angelo, pois além de todos os comentários inspiradores ela deixou uma recomendação perfeita, e eu acho que eu tenho que começar a aprender outras línguas, pois só um obrigada não bastaria para agradecê-la por isso. Então, para tentar demonstrar minha gratidão eu dedico esse capítulo especialmente a Leticia di Angelo. P.s. Obrigada a todas as leitoras que comentaram no capítulo passado. Vocês são muito importantes para mim.

Há muito tempo já diziam, essa frase sussurrada pelo vento: " os olhos são o reflexo da alma". E talvez a sentença seja verdadeira, porque enquanto a dona dos cabelos loiros cacheados se olhava no espelho e forçava sorrisos, não conseguia fazer com que seu olhar demonstrasse qualquer tipo de felicidade, eles demonstravam uma garota frágil e quebradiça, e isso era tudo que ela queria esconder.

Ela queria de todas as maneiras esconder que o mundo tinha controle sobre ela. Essa era uma guerra, uma batalha que a loira tinha travado não com alguém em especial, mas com o próprio mundo, e cada um atacava com as armas que tinha. Era uma batalha injusta, porque o mundo tem mil maneiras de te destruir, mas ainda assim, era uma batalha, e Annabeth estava disposta a contra-atacar com seus sorrisos, pois tudo que ela podia fazer era fingir que não se importava, mesmo que ela se importasse.


E finalmente era Natal! Antigamente essa era a data do ano favorita de Annabeth. Era uma época mágica. Uma definição simples, mas verdadeira. No entanto, nos últimos dias, o sonho se tornou um pesadelo. Mas ela sabia que não era exatamente assim, a mágica ainda estava lá, era possível sentir em qualquer momento, o problema era que ela não queria sentir, porque agora a loira tinha aprendido a associar aquela data com sua ruína. Para Annabeth, todos aqueles pisca-pisca das árvores de natal perderam seu brilho, mesmo que ainda estivessem brilhando, todas aquelas crianças cantando no coral natalino perderam a melodia, mesmo estando completamente afinadas, todos aqueles doces que só se preparam no natal perderam o sabor adocicado como mel, mesmo que eles continuassem sempre com a mesma receita.

Porém, nada de ruim havia acontecido com Annabeth, ela não teve um coração partido, não perdeu alguém especial, não estava gravemente ferida, não estava doente e não estava morrendo, sua dor era causada pela aquela estranha mania que os seres humanos tem de sofrer antes de tudo, de ficar aguardando pelo pior e de se destruir aos poucos com isso, sempre esperando o momento em que eles vão se quebrar sem perceber que eles mesmo já estão se machucando.


16! Há muito tempo Annabeth não precisava disso, há muito tempo não se sentia tão nervosa, e nem percebeu que estava contando até 16 até que a contagem acabou. Era hora de encarar a realidade, era hora de esquecer os contos de fadas, era hora de deixar de lado seus princípios, era hora de ser quem a sociedade gostaria que ela fosse, era hora de deixar de lado suas fantasias. Essa era a hora em que o mundo ganharia a batalha, e a hora em que ela perderia, não dinheiro, não joias, Annabeth perderia a si mesma, a perda mais dolorosa de todas.


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Annabeth levantava seu vestido branco longo enquanto descia as escadas de sua casa para não pisar em sua roupa, e também tomava muito cuidado para não tropeçar e cair, ela não era uma garota desastrada, mas aqueles saltos que usava eram muito altos, e, pela primeira vez na vida, ela agradeceu aquela instrutora chata por alguma coisa, pois foi com a instrutora que a loira aprendeu a usar saltos.


A cor branca do vestido a incomodava muito, aquela era uma cor muito simbólica, repleta de sentimentos bonitos, era uma cor terna e singela, que representava a união, mas tudo o que ela queria era usar preto, porque para a garota, ela estava indo diretamente para um enterro, para o seu próprio enterro, para o enterro da sua liberdade, ela estava perdendo, perdendo de todas as formas possíveis.


E, quando chegou a sala de estar, seu pai foi o primeiro a vê-la. Frederick sempre agia de forma estranha no natal, sempre se fechava no quarto, ficava ainda mais rabugento e rancoroso, porém, o motivo dele odiar o natal era o motivo que ela mais tinha para adorar essa época do ano. Seu pai nunca comentou sobre isso, nunca nem mencionou o fato, mas Annabeth sabia, ela tinha lido as entrelinhas, tinha juntado os pontos, resolvido o quebra-cabeça, foi próximo a essa data que ele tinha conhecido a sua mãe, foi quando ele aprendeu o que era amor, foi quando ele viveu sua fantasia, quando ele teve seu romance, e depois... Nada, só os pedaços quebrados do seu coração que ele teve que lutar para juntar novamente, e fracassou, ele não voltou a amar depois disso, seu mundo já tinha perdido as cores, e ele se conformou com os dias cinzentos e escuros.


Annabeth deveria odiar o natal também, mas ela não conseguia, pois era o único momento em que se sentia perto de sua mãe, mesmo que ela a tenha abandonado, a deixado a mercê da sorte, a esquecido, Annabeth ainda assim sentia falta de ter alguém para lhe contar histórias, para lhe dar um beijo de boa noite, para secar suas lágrimas e para dizer as palavras que ninguém jamais tinha pronunciado para ela: " eu te amo". Ela daria tudo o que pudesse para algum dia se sentir amada, para um dia ter um pouco do que as pessoas chamam de carinho de mãe.


E por um instante, por um doloroso instante, Frederick só a encarou, mas não como se a visse, mas sim como se visse outra pessoa. E depois ele andou até sua filha, deu um abraço desajeitado e sussurrou em seu ouvido:


– Você está linda filha! Está parecendo a sua mãe!


E Annabeth se permitiu chorar. Aquilo era o maior elogio que ele poderia lhe fazer, e a coisa mais doce que ele tinha pra lhe falar, porque era o mais perto que ele chegaria de um " eu te amo", a melhor maneira que ele acharia de disser isso era a comparando com a mulher que ele mais amou.


E eles ficaram ali, parados, abraçados, um dando suporte pro outro, como uma verdadeira família, e pela primeira vez, eles se permitiram confiar, eles se permitiram se abrir, eles se permitiram desabar, mas eles também se permitiram reerguer, juntos.


E, quando as lágrimas pararam de cair e o abraça teve fim, Annabeth olhou para a sua madrasta, ela nunca fora uma mãe para ela, nunca nem ao menos tentou, mas agora, ela a entendia, agora ela a compreendia.


Porque em um passado recente, mais exatamente algumas horas antes, aquela estranha conhecida, aquela com quem Annabeth convivia diariamente mas não sabia absolutamente nada sobre ela, só que importunar sua vida parecia ser seu passa-tempo predileto, subiu as escadas e bateu na porta de seu quarto. E, se terminasse por aí a história até teria sentido, talvez a madrasta quisesse somente mandar que a loira se apressasse, mas se fosse só isso não haveria o que contar.


– Parece que está com problemas com seus cabelos! Deixe-me ajudar você. — E a madrasta ficou lá parada na porta esperando que ela concordasse, ou a expulsasse, a recusa também era uma opção.


Assustada. Era a palavra que melhor descrevia Annabeth nesse momento. Talvez surpresa fosse uma boa palavra também, mas as vezes as pessoas associam surpresas a coisas boas, e a loira ainda não sabia dizer se aquilo era bom ou ruim. Ainda era um mistério e, involuntariamente, nós temos medo do desconhecido. Talvez ela devesse estar indignada também, parecia que o mundo ainda não tinha se contentado com a vitória, parecia que queria manipula-la em mais um de seus jogos, e talvez esse fosse o xeque- mate, Annabeth tinha certeza de que não aguentaria ter sua madrasta arruinando ainda mais seu dia, a fazendo se sentir pior, ela já conseguia se sentir péssima muito bem sozinha.


Então, seguindo toda a lógica que há no universo, a loira deveria expulsá-la do quarto, deveria recusar a oferta. Mas ela escolheu a opção ilógica, a que talvez a destruísse, mas ela conseguia ver algo diferente nos olhos da madrasta, e queria descobrir o que era e porque ela estava ali. Ou talvez ela a deixou ficar porque as pessoas ficam mais sentimentais no natal, ah sim, elas sempre ficam mais sensíveis.


E enquanto a escova deslizava por seus cachos, que estavam realmente lhe dando trabalho antes, Annabeth encarava sua madrasta no espelho, mas não estava reparando aquelas pequenas rugas ao lado dos olhos, nem os cabelos negros presos em um coque perfeito, muito menos o nariz com uma leve deformação para esquerda, mas sim os olhos daquela mulher, porque mais uma vez aquela frase se provou verdadeira, e, mais uma vez, os olhos foram o reflexo da alma.


Porque por um instante Annabeth pode ver, pode enxergar o fardo que ela escondia dentro de provocações e maldades, pode ver quem ela era de verdade. A loira viu dentro dos olhos da morena o seu sofrimento, viu seus sonhos que se quebraram e a destruíram junto, viu que sua vida era toda baseada em fantasias, e que quando ela foi obrigada a voltar a realidade ela não suportou o choque, era demais para uma ela.


Porque acima de tudo, antes de qualquer coisa, aquela mulher que penteava os cabelos de Annabeth era uma sonhadora, uma sonhadora que perdeu o direito de sonhar. Ela era como qualquer garota que um dia já acreditou em contos de fadas. Aquela mulher esperou ansiosamente seu príncipe encantado, e no lugar dele recebeu um homem frio, rude e sem amor. E ainda foi encarregada de cuidar de uma criança que não era dela. E do mesmo modo que Frederick culpou Annabeth por a mulher que amava ter partido, a madrasta da menina culpou-a por ser filha da mulher que roubara o homem que um dia poderia vir a ser o amor de sua vida.


Talvez Annabeth estivesse delirando, talvez ela só quisesse uma desculpa para inocentar a madrasta, mesmo não sabendo porque estava fazendo isso. Porém de uma coisa ela tinha certeza, aquele era um pedido de desculpas silencioso e mascarado, mas mesmo assim, Annabeth queria perdoá-la, porque as duas dividiam uma mesma dor, nenhuma delas era amada por Frederick, e as duas sofriam por isso.


– Você poderia fazer um coque em meus cabelos. — Annabeth sugeriu, a loira odiava esse penteado, porém essa era uma forma de dizer que a perdoava, pois a madrasta adorava usar coques.


– Não! Você fica melhor de cabelo solto! — E dito isso a mulher saiu do quarto. E Annabeth não conseguiu evitar um sorriso, era bom estar em paz com alguém com quem sempre esteve em guerra.


Porém, voltando pro presente, para o momento em que Annabeth, totalmente insegura, lançou um sorriso para a madrasta, a mesma retribuiu.


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O caminho até o local que ia ser realizado o Baile era curto, para a sorte de todos, pois o silêncio que dominou os três foi realmente incômodo para Annabeth. Não que ela já não estivesse acostumada em não falar com o pai ou com a madrasta, pois ela estava, mas o silêncio a permitia se desesperar. Por tanto tempo Annabeth tratou esse baile como um evento distante, que demoraria séculos para chegar, mas os séculos eram na verdade meses, e infelizmente os meses passam rápido, rápido até demais.

Mas ela não podia negar, aqueles pequenos meses foram os melhores que ela já tinha vivido.Annabeth entrou no Salão Central, onde era realizado o maldito Baile, com o pé direito, ela não acreditava nas superstições da sociedade, acreditava nas suas, é claro, mas dessa vez ela abriu uma exceção, pois ainda queria que desse tudo certo, ou pelo menos o mais certo possível.


Porque aquele lugar tinha que ser tão bonito? Era injusto que um lugar que pra Annabeth significasse tantas coisas ruins fosse tão deslumbrante. Com carpetes vermelho vinho, pinturas majestosas penduradas nas paredes, lustres enormes ornamentados com magníficas pedras que espalhavam uma luz meio precária no ambiente, dando uma sensação romântica e agradável. Taças de cristais perfeitamente distribuídas pelas mesinhas com enfeites fofos, que estavam organizadas de modo que deixassem um grande espaço circular no centro, como um espaço para danças. Flores amarelas, alaranjadas e brancas por todo o lado. Estava tudo incrível, a decoração era impecável, tanto que nem Annabeth, na sua profunda tristeza, foi capaz de deixar de admirar cada mínimo detalhe.


– Annabeth, estes são o Senhor e a Senhora Fray, amigos de longa data. Eles tem um filho alguns anos mais velho que você. — O Senhor Chase disse, e foi só então que Annabeth percebeu que tinha seguido seu pai enquanto observava o local, e agora ele estava a apresentando para um monte de estranhos, como se ela estivesse em condições de conversar com alguém, mas sabia que se não falasse algo iria ficar muito encrencada depois.


– Ah sim! É muito bom poder enfim conhece-los, meu pai fala muito de vocês. — Annabeth mentiu descaradamente. Ela nunca nem tinha ouvido o sobrenome Fray na vida, mas, em um jogo de falsidade, é preciso saber quais cartas usar, e essa parecia ser uma bem valiosa.


Frederick deu um pequeno sorriso para filha, mas era bem clara a mensagem: obrigada por não me causar problemas. E bem, para deixar claro, Annabeth tinha sim pensado em um jeito de envergonhar seu pai na frente de todas aquelas pessoas, porém depois do que tinha acontecido mais cedo ela não conseguia nem pensar em colocar o plano em prática. Se a loira não poderia ser feliz, não ia estragar a felicidade de seu pai também, ou pouquinho que restava dela.


E se passou uma eternidade, talvez tivessem sido só alguns minutos, talvez tivessem sido horas, mas o termo eternidade representa a opinião da loira, então é melhor usá-lo. E durante toda aquela eternidade Annabeth fez um bom papel fingindo sorrisos e fingindo estar interessada nos assuntos de negócios. Fingir, era tudo o que ela fazia. Fingia estar feliz, fingia ser um prazer conhecer aquelas pessoas e fingia que lembrava o nome das pessoas de quem fingia que era um prazer conhecer.


E no meio de tantos fingimentos e de tantas conversas com desconhecidos ela não pode evitar que começasse a perder um pouco a voz, então pediu licença para o seu pai, para sua madrasta e para os... Qual era mesmo o nome deles? Esses eram os Ravenwood ou os Priors? Honestamente, ela não se lembrava. Mas enfim, a loira se retirou da mesa e foi procurar por alguma bebida.
Annabeth poderia ter ficado esperando um garçom, mas já não aguentava mais ficar escutando sobre o interessantíssimo preço do açúcar, que vinha subindo muito por causa da infração. Então quando finalmente encontrou algo para beber foi impedida por uma voz grave:


– A Senhorita me concederia essa dança?


Annabeth levou a taça até a boca e tomou um gole, e no momento em que se virava para ver quem era o desconhecido uma música lenta começou a tocar.

Notas finais
Então, foi isso, eu sei que foi meio parado, mas esse capítulo era necessário para mostrar o que a Annabeth estava sentindo e resolver uns assuntos inacabados. Bom, sobre a minha demora para postar: eu estava sem criatividade alguma, eu já tinha escrito metade do capítulo fazia um tempão, mas nesse dia eu estava meio pra baixo então ele tinha saído bem dramático, mas depois eu não conseguia mais escrever, eu sabia o que ia acontecer mas não estava conseguindo transmitir isso! Mas, pra minha sorte, existe Once Upon a Time In Wonderland, que me inspira muito, porque tem muita coisa que me lembra The Other World lá, mas a madrasta da Alice é mais cruel do que a madrasta da Annabeth! Bem mais! Mas depois de assistir um episódio dessa série me deu um surto enorme de criatividade, então é isso. E enfim, quem você acha que chamou a Annabeth pra dançar? Girem os dados, façam suas apostas, preparem suas cartas, e não percam o próximo capítulo! kkkkkk! Eu sei quem é, mas eu quero saber sua opinião! Por hoje é só. Obrigada por ter lido! Até o próximo capítulo!