Notas iniciais
Oiiiiiii, eu voltei! E convenhamos, foi até rápido, Primeiramente eu quero pedir desculpas, eu sei que prometi que esse capítulo seria maior, mas eu tomei uma decisão,vou escrever capítulos menores para conseguir postar mais rápido, bom isso está aberto a sugestões, então se você gostar de capítulos maiores é só falar.
P.s Esse agradecimento é para as minhas leitoras incríveis: Leticia chase, Leticia Di Angelo e Isadora Leles, por me inspirarem e não e deixarem desistir.

O vento produzia um som harmonioso e um pouco assustador ao passar entre as folhas dos pinheiros da floresta, a forte correnteza da água ajudava a música se espalhar com um som grave, mas contrastava com a melodia das notas agudas atingidas pelos passarinhos. Seria uma canção agradável se eles não estivessem na situação em que estavam: três meio-sangues em uma floresta perigosa, esconderijo de monstros assustadores que desejavam ansiosamente por carne de semideuses para um agradável lanche da tarde, uma mortal desarmada, e para completar estavam os quatro naquela mesma clareira onde o minotauro os atacara. Uma entre três opções: ou somente Annabeth tinha juízo e percebia o quanto aquilo era arriscado, ou Percy, Luke e Thalia gostavam do perigo, ou esse três eram muito burros. Fique a vontade para escolher mais de uma opção.

Enfim, não adiantava mais, eles estavam lá e não pareciam querer retornar a cidade tão cedo, então a única coisa que restava a Annabeth fazer era tirar os sapatos e sentar ao lado de Percy em um monte de folhas secas enquanto a água fria entrava em contato com seus pés quentes. Luke que estava encima de uma árvore exótica com os galhos meio retorcidos, diferente dos altos pinheiros, comentou:

-Hum, então Thalia, nós já estamos aqui, quando você quiser falar... — O garoto de cabelos cor de areia começou falou com o tom casual de quem não quer nada, mas seus olhos azuis refletiam sua curiosidade e sua preocupação.

Thalia que até então estava deitada em uma grande pedra aproveitando o sol que abria caminho entre as árvores, sentou-se, pegou um graveto e começou a rabiscar coisas aleatórias na terra. Ela respirou fundo e começou a dizer sem encarar nenhum dos amigos:

- Meu pai, quero dizer, meu padrasto. – Thalia falou como se isso explicasse tudo, mas na verdade só fazia sentido para ela mesmo. Além disso, Annabeth tinha demorado um certo tempo para descobrir que quem se dizia ser o pai de Thalia era na verdade o padrasto da garota dos olhos azuis. O fato é que a mãe da menina de cabelos negros tinha se apaixonado loucamente por um deus grego ( literalmente um deus) e vivido seu próprio romance mágico, e é claro que esse deus tinha sentido atração por ela, já que era uma das damas mais bonitas e cobiçadas da época, mas no final ele a abandonou como sempre fazia. A bela moça não só saiu desse romance com o coração em pedaços, ela também tinha uma cicatriz que levaria para toda a vida: uma criança crescia em seu ventre. Em sua dor e decepção ela gastou suas lágrimas contando ao pai o que havia acontecido, a dama achou que ele compreenderia sua paixão, seu amor e seu sofrimento, porém ele só entendeu a parte que sua filha estava grávida, e interpretou como vergonha e escândalo.

O pai, que queria evitar que o nome da família fosse manchado, obrigou a moça a se casar com o Sr Grace, um dos homens mais ricos da cidade. A mãe filha chorou por vários dias, só que nem mesmo sua expressão aflita fazia o pai mudar de ideia, ele era inflexível nesse ponto. Quando a criança nasceu a mentira já estava tão bem formulada que o Sr Grace realmente acreditou que aquela pequena criança era sua, e lhe deu o nome de Thalia, mesmo sendo um bom homem sua esposa o via como um monstro, pois para ela fora ele quem destruíra seus sonhos. Quando estava a beira da morte, com uma certeza inabalável de que o fim estava próximo, mandou que chamassem sua filha e contou a pequena Thalia a verdadeira história, como a menina era inocente acreditou sem pestanejar, e com um último suspiro o mundo dos vivos perdeu mais uma pessoa para a tuberculose. Mas , voltando para a nossa história, vendo que a amiga não iria explicar o loiro perguntou:

- Thalia, não estamos entendendo, o que seu padrasto tem a ver com isso? – Annabeth nunca o tinha visto tão fofo e compreensível, chegava até a ser um pouco engraçado. Depois de um longo suspiro a morena olhou diretamente para Luke e pronunciou a seguinte frase:

- Eu vou me casar.

Annabeth já tinha visto os amigos lutarem contra monstros e agirem normalmente, como se eles tivessem somente espantado um inseto que os incomodava, mas ao ouvir isso Percy parou de brincar com a água e olhou espantado para Thalia ao mesmo tempo que Luke quase caia da árvore, porém ele se segurou ficando em uma posição estranha.

- Você não pode! É simplesmente injusto! Não, não e não! – Luke nem se conteve em manter sua indignação, estava tão revoltado que achava que não conseguiria nem se tentasse.

Percy se recuperou primeiro do susto, parece que pelo fato deles serem semideuses não achavam que as regras de conduta da sociedade não se aplicavam a lês, mas ao que parece ninguém estava a salvo dessas estúpidas normas.

- Bom, eu consigo imaginar a Thalia se casando. Eu teria pena do marido dela se ele a estressasse, ou se ele falasse, ou se ele andasse, enfim, se ele respirasse. – O garoto dos olhos verdes tentou aliviar o clima. Sem sucesso.

- Você não pode Thalia! Você não pode nos deixar. – Luke disse como se não tivesse nem escutado o que Percy tinha falado, que, aliás, ele realmente não tinha escutado.

- Não é como se eu estivesse me mudando para outro país. E além disso eu não vou deixar que nossa amizade acabe. Nunca. – Nem mesmo Thalia sabia de onde estava tirando coragem para falar qualquer coisa que fosse. Era muito doloroso. Annabeth sentiu pena dela, era uma guerreira, entretanto não havia armas para isso, para essa luta.

- Como você pode ter tanta certeza disso? Como você garante que não vai se mudar? Como você garante que nós continuaremos nos falando? – Luke estava descontrolado, tinha saltado da árvore e caído de pé com a agilidade de um gato. Ele falava olhando desesperado para Thalia, o loiro se recusava a aceitar a situação.

- Não faça tudo parecer pior. – Ao falar isso os olhos azuis dela embaçaram com as lágrimas que ameaçavam deslizar por sua pele. Ao notar a infelicidade da garota e que a mesma lutava para não chorar Luke se sentiu extremamente culpado, agachou-se para pegar as mãos dela e tentou consertar seu erro.

- Olha, vai ficar tudo bem, vai dar tudo certo. – Era impossível dizer se com essas palavras o jovem tentava consolar a si mesmo ou a amiga. – Quando? – Mesmo que não quisesse mais tocar no assunto esse era um detalhe que ele precisava saber.

- No baile de Natal. – Annabeth respondeu pela garota, ela já tinha entendido tudo, as duas foram jogadas na mesma situação, no mesmo abismo. – Não exatamente no baile, mas em qualquer momento depois disso.

-Como você sabe? – Thalia indagou curiosa.

- Bem vinda ao meu pesadelo.- A loira respondeu tristemente olhando para a água corrente.

- Eu não sabia, me desculpa, eu realmente não sabia. – A garota dos olhos azuis estava desconcertada, como não tinha reparado na tristeza da amiga?

- Tudo bem, eu não tinha contado mesmo. – Annabeth disse dando de ombros, ainda sem encarar ninguém.

- Como você consegue estar tão calma?- Quis saber a outra menina.

A virou para poder encarar a morena e disse:

- Não estando.

Quando a dona dos olhos tempestuosos virou-se novamente para encarar o rio percebeu que Percy a olhava com um misto de surpresa e pena, mas ele rapidamente desviou o olhar. Sim, a situação era grave,parece que tudo estava desabando, Percy não havia feito piadas, e isso comprovava tudo.

Notas finais
Bom, foi isso, espero que tenha gostado.
Até o próximo capítulo.
Beijinhos da autora.