Notas iniciais
"Eu morreria por você." - Malu & Bruno

Fomos almoçar em um restaurante lindo, de frente para o mar.

Pedi lagosta e então devoramos tudo em pouco mais de uma hora — incluindo a sobremesa.

Caminhamos de mãos dadas pela praia.

Aquilo me trazia conforto... era tão bom sentir a areia quente em meus pés ao lado do homem que eu amava.

Um trovão de repente brilha no céu que já estava coberto e nuvens, e do nada, começou a chover.

Sim, estava um dia totalmente lindo e do nada começa a chover.

- Merda. — disse Bruno, me pegando pela mão e me arrastando até o carro.

Entramos no carro, ensopados, rindo feito idiotas.

Beijei Bruno, me demorei nos detalhes tentando reconhecer os mil sabores de seus lábios.

O rádio que Bruno ligou antes de nos beijarmos, na voz sensalionalista de um locutor do que parecia um jornalzinho diário dizia:

"Homem se matou assim que soube que sua namorada foi assassinada."

Pensar daquele jeito era assustador e os dois pararam de se beijar na hora.

Nenhum deles respirava, até dizerem as mesmas palavras:

- Eu morreria por você.

Então eles pararam de respirar de novo e começaram a gaguejar palavras sem sentindo.

Sorrimos juntos.

Sabíamos o quão difícil era tirar a própria vida por alguém que amava... Mas sem ele eu não saberia como continuar.

Sou medrosa e então acho que deixaria que a vida me levasse... se eu desse um empurrãozinho... Só sei que não sobreviveria sem ele.

Encontrá-lo do outro lado, no paraíso, seria mais doce e seria melhor do que continuar vivendo com o sabor amargo de ter perdido o que mais importava na sua vida.

Meu telefone toca e vibra.

Pego para atender.

- Alô?

- É a filha de Marília Groeff?

Engoli em seco com a voz de um homem, que eu não conhecia.

- S-Sim. — disse receosa, com vontade de desligar o telefone, prevendo uma notícia péssima.

- A Senhorita poderia acompanhar sua mãe na Emergência Ambulatorial do Hospital Central?

- Claro... O que aconteceu? — senti meus lábios tremerem.

- Ela sofreu um acidente... — o celular caiu de minhas mãos.

O homem continuou a falar, mas eu não ouvia.

Não pelo fato de o celular ter caído de minhas mãos, mas pelo fato de estar em choque.

Bruno pegou o mesmo e começou a falar com o provável médico.

Arrancou com o carro, andando numa velocidade absurda.

Chegamos em tempos no Hospital Central, mas eu ainda estava em choque.

- Não sabemos se ela vai sobreviver. — disse o doutor Conrad, que obviamente não era o mesmo médico que estava comigo no telefone.

Meus joelhos enfraqueceram e caí no chão gelado do Hospital, chorando.

- Ela vai ir... para o paraíso. — eu disse chorando prevendo que iria ficar sem a minha mãezinha, dizendo coisas sem sentido, até que senti que desmaiei.

Ao menos a dor parecia menor com isso.

Acordei no colo de Bruno, com os olhos ainda molhados de meu choro.

- E ela... melhorou? — perguntei para Bruno, que estava de cabeça baixa.

- É... — não! Não!

Comecei a gritar e a chorar.

- ELA NÃO MORREU! — disse chorando feito louca. — Ela não morreu. — cai nos braços de Bruno. — Ela não morreu. — repeti chorando frenéticamente. — Quem... Quem atropelou ela? — pude ouvir parte da conversa enquanto 'dormia'.

- É melhor esquecer isso...

- NÃO! — gritei, me arrependendo no mesmo segundo. — Desculpe. Me conta, AGORA.

- Mary. — senti como se facas perfurassem meu corpo novamente.

Aquela sensação era uma das que eu mais odiava.

- Por que? — minha voz saiu falha e fraca.

- Ela quis se vingar... E então... — disse com a voz baixa.

- NÃÃÃÃÃO! — gritei levando as mãos à cabeça. — Ela não vai morrer, mesmo que eu tenha que matar essa Mary.

- Não, você não vai fazer isso. — disse Bruno, segurando meu braço com força.

- E-Ela morreu? — perguntei para Bruno.

Ele engoliu em seco.

- Sim.

Notas finais
LOOH
@looh_reis
xoxo