The Other Side
44 Heaven ♕
Notas iniciais
Fomos almoçar em um restaurante lindo, de frente para o mar.
Pedi lagosta e então devoramos tudo em pouco mais de uma hora — incluindo a sobremesa.
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Caminhamos de mãos dadas pela praia.
Aquilo me trazia conforto... era tão bom sentir a areia quente em meus pés ao lado do homem que eu amava.
Um trovão de repente brilha no céu que já estava coberto e nuvens, e do nada, começou a chover.
Sim, estava um dia totalmente lindo e do nada começa a chover.
- Merda. — disse Bruno, me pegando pela mão e me arrastando até o carro.
Entramos no carro, ensopados, rindo feito idiotas.
Beijei Bruno, me demorei nos detalhes tentando reconhecer os mil sabores de seus lábios.
O rádio que Bruno ligou antes de nos beijarmos, na voz sensalionalista de um locutor do que parecia um jornalzinho diário dizia:
"Homem se matou assim que soube que sua namorada foi assassinada."
Pensar daquele jeito era assustador e os dois pararam de se beijar na hora.
Nenhum deles respirava, até dizerem as mesmas palavras:
- Eu morreria por você.
Então eles pararam de respirar de novo e começaram a gaguejar palavras sem sentindo.
Sorrimos juntos.
Sabíamos o quão difícil era tirar a própria vida por alguém que amava... Mas sem ele eu não saberia como continuar.
Sou medrosa e então acho que deixaria que a vida me levasse... se eu desse um empurrãozinho... Só sei que não sobreviveria sem ele.
Encontrá-lo do outro lado, no paraíso, seria mais doce e seria melhor do que continuar vivendo com o sabor amargo de ter perdido o que mais importava na sua vida.
Meu telefone toca e vibra.
Pego para atender.
- Alô?
- É a filha de Marília Groeff?
Engoli em seco com a voz de um homem, que eu não conhecia.
- S-Sim. — disse receosa, com vontade de desligar o telefone, prevendo uma notícia péssima.
- A Senhorita poderia acompanhar sua mãe na Emergência Ambulatorial do Hospital Central?
- Claro... O que aconteceu? — senti meus lábios tremerem.
- Ela sofreu um acidente... — o celular caiu de minhas mãos.
O homem continuou a falar, mas eu não ouvia.
Não pelo fato de o celular ter caído de minhas mãos, mas pelo fato de estar em choque.
Bruno pegou o mesmo e começou a falar com o provável médico.
Arrancou com o carro, andando numa velocidade absurda.
Chegamos em tempos no Hospital Central, mas eu ainda estava em choque.
- Não sabemos se ela vai sobreviver. — disse o doutor Conrad, que obviamente não era o mesmo médico que estava comigo no telefone.
Meus joelhos enfraqueceram e caí no chão gelado do Hospital, chorando.
- Ela vai ir... para o paraíso. — eu disse chorando prevendo que iria ficar sem a minha mãezinha, dizendo coisas sem sentido, até que senti que desmaiei.
Ao menos a dor parecia menor com isso.
Acordei no colo de Bruno, com os olhos ainda molhados de meu choro.
- E ela... melhorou? — perguntei para Bruno, que estava de cabeça baixa.
- É... — não! Não!
Comecei a gritar e a chorar.
- ELA NÃO MORREU! — disse chorando feito louca. — Ela não morreu. — cai nos braços de Bruno. — Ela não morreu. — repeti chorando frenéticamente. — Quem... Quem atropelou ela? — pude ouvir parte da conversa enquanto 'dormia'.
- É melhor esquecer isso...
- NÃO! — gritei, me arrependendo no mesmo segundo. — Desculpe. Me conta, AGORA.
- Mary. — senti como se facas perfurassem meu corpo novamente.
Aquela sensação era uma das que eu mais odiava.
- Por que? — minha voz saiu falha e fraca.
- Ela quis se vingar... E então... — disse com a voz baixa.
- NÃÃÃÃÃO! — gritei levando as mãos à cabeça. — Ela não vai morrer, mesmo que eu tenha que matar essa Mary.
- Não, você não vai fazer isso. — disse Bruno, segurando meu braço com força.
- E-Ela morreu? — perguntei para Bruno.
Ele engoliu em seco.
- Sim.
Notas finais
@looh_reis
xoxo
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