The Other Miku
1 I Want Her, But I Want That Her Die Too
Miku pov.:
Eu suspirava olhando janela a fora. Não entendo o porquê de ir para a escola. Ver os mesmos rostos. Conversar sobre as mesmas coisas. Reclamar das mesmas aulas.
Mesmo ele faltara. E os meus amigos traidores também.
Fechei a mão no lápis e o apertei. Por que ele tinha de ficar doente? Por que os outros viajaram? Por que eu não pude viajar?
Comecei a rabiscar na mesa. Ora, fora minha culpa pegar recuperação. Eu sei. Mas, bem, eu tenho culpa se odeio ir para a escola? E também, tem ela.
Quando olhei o meu rabisco, lá estava ela. Observando-me constantemente. Apaguei o desenho rapidamente com meu dedo. Por que tinha de ter outra eu?
Por que eu sentia falta dela?
Eu precisava ficar calma, inspirar e respirar. Ela estava sendo observada vinte e quatro horas. Por uns trezentos caras.
Eu esperava fielmente que ela não saísse. Mas ela sairia. Eu sabia disso, tanto quanto que no final da recuperação eu passaria raspando.
Só esperava que adiasse. Eu me dividia em duas. A Miku que gostava dela, e a Miku que tinha medo dela.
Essa eu que tinha medo era a que raciocinava. E a outra que ia pelo coração. A única coisa que eu tinha de normal com as garotas normais (além de amar o Kaito sem ele saber) é que eu sempre sigo meu coração. E sempre me ferro.
O professor de japonês continuava falando, falando e, ah, falando. Os auto-falantes desviaram minha atenção.
- Olá, queridos e queridas. – Soou a voz da coordenadora. – Vocês serão liberados mais cedo e amanhã não haverá aula.
Os outros começaram a socar as mesas demonstrando alegria.
- Fiquem quietos meu amores. – Pedia. Como ela sabia que estavam fazendo festa? Ninguém a obedeceu. – Calem a boca, pirralhos.
O silêncio entrou na sala.
- Obrigada. Os senseis distribuirão panfletos. Boas férias.
O estrondo na sala foi imenso. Nunca vi tanto escândalo. Fizeram até nosso mestre dançar! Ainda tento apagar a imagem da minha cabeça.
Peguei o panfleto que sensei me entregou.
“ Como se cuidar de maníacos:” – era a manchete.
Joguei todos meus materiais dentro da minha bolsa e tentei sair da sala. Seria muito estranho se tudo se interligasse.
Mesmo assim, era melhor correr. Comecei a empurrar todos, escutando xingamentos. Não me importei nem um pouco.
Eu não podia ir para casa. Estaria sozinha. Meus pais viajaram, e Mikuo, incompetente que só ele, estaria na casa de alguma “amiga”.
Kaito. Ele era o único que me entenderia.
Tudo bem. Ele não sabia que eu tinha uma irmã doida. Só a minha família sabia, e fingiam que ela não existia. Mas eu sabia. Eu a sentia todo o dia.
Eu corri, as lágrimas me seguiam. Ela me mataria, ou me faria sentir culpada. O que era pior que morrer.
Eu comecei a entrar em pânico. Isso acontecia com muita freqüência. Tudo começava a ficar preto.
Cheguei na casa de Kaito e gritei por ajuda. Escutei a porta se abrindo mas eu não via nada, apenas o rosto dela.
Suas palavras ainda pareciam recentes: “Você me traiu. Vai pagar por isso!”.
Eu comecei a gritar e tapar os ouvidos. Senti alguém fechando os braços em torno de mim. Fechei os olhos e abri rapidamente.
Kaito estava ali. E estava me abraçando.
- Miku, Miku, eu estou aqui. O Kaito. Eu não vou deixar nada de mal acontecer com você. – sussurrava ele, com a voz doce. Ele era o único que conseguia tirar meu pânico rapidamente. Eu comecei a soluçar no braço dele.
- E-ela. E-ela, ..., ela, Kaito! – soluçava.
- Eu sei, eu sei. – sussurrava ele.
Não. Ele não sabia.
Logo me levantou e fomos abraçados para dentro da casa dele. Kaito também estava sozinho. Seus pais e seus irmãos viajaram.
Depois de um tempo soluçando, percebi que Kaito não estava doente. Joguei uma almofada nele.
- Baka! – murmurei. Ele sorriu e toda a raiva que eu tinha dele desapareceu.
- Eu sei que você me ama. – falou ele, rindo. Eu corei e joguei mais algumas almofadas nele.
Meu celular começou a tocar.
Era só Mikuo.
- Hai? – falei.
- Miku, onde você ta? – perguntou desesperado.
- Na casa do Kaito. – falei.
Podia quase ver o sorriso malicioso de Mikuo.
- Hum... Ta. Liga a tv no canal 7 agora. – pediu Mikuo.
Eu liguei a tv sem a permissão de Kaito. A foto da minha irmã ocupava a tela.
Deixei o celular cair.
- A polícia ainda está investigando como Mika (N/A, não tive nome melhor u.u) Hatsune conseguiu escapar. – falava a mulher da TV.
Eu comecei a tremer. Muito.
- Miku, quem é... – começou ele.
- Investigadores acharam um pequeno papel escrito no quarto da paciente: “Te aguardo, maninha.”. – Falou a mulher.
Uma recordação me veio à mente. Quando Mika e eu brincávamos de esconde-esconde, e ela era quem contava, antes de me procurar ela gritava: Te aguardo, maninha.
Naquela época, não tinha lógica. Infelizmente agora tinha.
Kaito se aproximou como quem pede explicação.
Quando abri a boca para dá-lo, escutei uma voz fina, doce e assustadora, que eu ouvia sempre em meus pesadelos:
- Você me esperou, não foi, maninha?
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