The Orphan: Endless Love

8 Capítulo 8 - Sometimes When We Touch


Notas iniciais
Para escrever esse capítulo me baseei em algumas músicas, mas a mais incrível e que leva o nome do capítulo é essa, espero que gostem: “Sometimes When We Touch” https://www.youtube.com/watch?v=zQoQqkfBURw

“As vezes quando nos tocamos”

– Setembro de 1998 –

– Acho que Robert estava certo... Eu não deveria ter ido à inauguração de Hogwarts, sinto como se um trator tivesse passado por cima de mim. – suspirou – Só não conte a ele, ainda estou brava pela vergonha que me fez passar! Aquele amigo da sua mãe pensou que éramos um casal, mas depois de me carregar no colo ele deve ter certeza! Ah se eu estivesse forte o suficiente... – ameaçou.

– Mas foi engraçado, admita.

– Como pode achar engraçado se nem viu? Estava ocupada tendo um ataque do coração!

– De certa forma ainda estou...

– Sophie, vocês vão se encontrar alguma hora! Não é melhor que...

– Não é isso. – interrompeu sentando-se na cadeira ao lado da cama. – Draco me procurou ontem...

– E o que ele queria?

– Conversar. – respondeu abaixando a cabeça envergonhada.

E então despejou tudo. Alessa ouviu atentamente ao que a loira dizia. Draco a procurara para pedir desculpas e explicar o que aconteceu... E ela realmente acreditou que era verdade. Mas a última parte da conversa era...assustadora.

– Ele pediu uma segunda chance... – disse brincando com os dedos – Como amigos. Não sei se... Se isso é bom ou ruim. Ambos, eu acho...

– Ambos?

– É ruim porque não sei se consigo confiar nele novamente. – suspirou – Digo... Eu realmente entendo o que aconteceu, os motivos de ele fazer aquilo. Mas foram tantas mentiras... Enganações... Eu não consigo deixar de me sentir traída e tenho medo que ele faça novamente.

– Mas?

– Em qualquer namoro saudável existe a amizade, certo? Geralmente você começa a se apaixonar depois disso, você o conhece melhor e passa a gostar de algumas particularidades... Então vem a atração e... Bem, acontece o namoro. – disse sem jeito – Veja você e o Rob.

– Somos amigos.

– Exato! É óbvio que existe atração entre vocês, diria até que certa química. Mas são amigos antes de qualquer coisa. Estão se conhecendo! – explicou, apesar da careta da ruiva. – E todos os casais que conheço começaram assim também. Mas nós aparentemente pulamos essa parte e fomos direto para a atração e o namoro. Nós conversávamos, é claro, mas não era algo muito profundo... Era mais uma introdução antes de... Bem, você sabe. – disse mordendo o lábio inferior – Então agora teremos essa oportunidade... De sermos amigos. Não dói tanto quanto imaginei, estar por perto... E eu vejo como ele e a Violet se dão bem com isso, como irmãos! Eles se entendem melhor que qualquer outro e conhecem, realmente, um ao outro. Eu quero isso... Quero conhecer quem é Draco Malfoy, sem o compromisso de um relacionamento amoroso. Não existe a possibilidade de voltarmos a namorar, eu me recuso a isso! Mas uma segunda chance para a amizade... É tão tentador...

– Você acha que está pronta para isso? Digo... Vocês estiveram juntos uma vez, eram um casal realmente grudento, do tipo que se beijam o tempo todo... O desejo era vista de longe! – começou a ruiva, tentando brincar – Acha que isso acabou? Porque, se vão tentar a amizade... Essa parte de vocês também voltará. Consegue lidar com isso?

– É engraçado que... Enquanto os outros tentam me animar para ser positiva, você consegue me deixar alerta. – sorriu – Foi a mesma coisa naquela época, quando me falou da possibilidade de ele ceder ao Lorde as Trevas...

– Temos que ver os dois lados... E eu sou chata, sei disso. – riu.

– Bem... Acho que está certa. Ele ainda mexe comigo, não vou negar. É um campo perigoso voltar a vê-lo com frequência... Mas estou contando com a minha força de vontade para ignorar essa parte e me concentrar na amizade.

Alessa sabia que aquilo não aconteceria. Conhecia o suficiente de Sophie para afirmar que a loira ainda era apaixonada e que, intimamente, aquela amizade era uma desculpa para se aproximar do Malfoy novamente. E mesmo estando preocupada pela possibilidade de a amiga sair ferida, resolveu não interferir mais. Violet afirmou que Draco havia mudado e ela mesma havia conversado com ele em uma ocasião... Talvez, apenas talvez, os dois conseguissem se ater à amizade...

– Isso é loucura, não é? – disse Sophie encarando o vazio – Me sinto uma criança brincando com fogo e...

Quem brinca com fogo acaba se queimando”, completou Alessa mentalmente, porém, antes que pudesse falar algo a respeito, ouviu um grito fora do quarto e assustou-se. Sophie correu até a porta para descobrir o que havia acontecido e logo se voltou, pálida, para a amiga.

– O que?

– Greyback... – sussurrou preocupada, e apenas a menção do nome deixou Alessa desesperada e lágrimas começaram a escorrer. – Está vindo...

– Oh Merlin, não, por favor, de novo não... – começou, quase entrando em histeria. – Sophie...

– Eu deixei a varinha lá em baixo, droga! – reclamou ao abrir a bolsa. – Alessa, eu vou tentar descer para pedir ajuda...

– Robert... Ele está de plantão no andar de baixo, ele... Não... Não me deixa sozinha... – pediu encolhendo-se na cama como um animal assustado.

–Vai ficar tudo bem, não se preocupe. – tentou acalmá-la – Consigo fugir quando ele entrar no quarto, mas...

– Oh Merlin, ele vai me matar não é? – sussurrou ao ouvir um barulho no corredor, como se alguém tivesse sido derrubado.

– Não, não vai. – interrompeu Sophie segurando seu rosto entre as mãos. – Escuta Alessa, eu vou me esconder atrás da porta e quando ele entrar corro o mais rápido que puder. Ele vai sentir meu cheiro, é claro, mas temos que tentar. Você precisa se acalmar, por favor... Tente distraí-lo, eu...

– Ele vai me matar... – repetiu assustada, as lembranças do último encontro com o felino vívidas em sua mente.

– Shhhh, vai ficar tudo bem... Prometo que volto com ajuda, ok? – garantiu antes de se esconder atrás da porta, que foi brutalmente aberta logo em seguida.

– Olá doçura... – rosnou Greyback para a ruiva, que o encarou mortificada. – Sentiu minha falta? – disse aproximando-se, ciente da presença da loira no quarto. – Parece que consegui dois coelhos de uma vez hein? Que sorte a minha...

Antes que ele se virasse para Sophie, a garota tomou coragem e avançou para fora do quarto. Porém, Greyback foi mais rápido e jogou-a contra a parede do corredor, arranhando seu estômago no processo.

– Não! – gritou Alessa em desespero, chamando a atenção do felino.

Sophie estava caída no chão, então ele teria tempo de matar a ruiva antes de voltar a ela... E foi o que fez. Aproximou-se com um sorriso diabólico da cama onde Alessa estava, as presas afiadas prontas para cravarem no pescoço da garota... Aproveitando a deixa, a loira correu o mais rápido que pode, descendo as escadas com dificuldade enquanto sangrava.

Ao sair no andar de baixo, encontrou Robert e Olivia conversando no fim do corredor. Gritou por seu nome apoiando-se na parede e, assim que o médico a viu sangrar, correu em sua direção, preocupado.

– Greyback... – disse ela antes de qualquer pergunta. – Ele vai mata-la... Ele...

– Alessa... – sussurrou preocupado, deixando Sophie com Olívia e correndo desesperado pelas escadas, seu coração apertado e angustiado com a possibilidade de perder a ruiva. Não, isso não podia acontecer!

Alessa tentava se afastar do lobo, mas não estava forte o suficiente e suas pernas mal sustentavam o corpo. Antes que chegasse à janela, Greyback apertou seu pescoço fortemente... Ela podia sentir que iria morrer, não havia chances de ser salva a tempo e já imaginava reencontrar a irmã, seja lá onde for que os mortos vão. Quando o comensal a soltou para dar-lhe a mordida que tiraria sua vida, Alessa viu Robert passar pela porta e gritou, ao mesmo tempo em que o médico.

Greyback ficou furioso e deu-lhe um forte tapa no rosto, jogando-a brutalmente no chão e despertando a fúria de Robert, que ergueu a varinha e, pela primeira vez na vida, pronunciou a Maldição da Morte. O lobisomem não teve tempo de revidar, caiu instantaneamente e Robert correu até onde Alessa chorava, ajoelhando-se de qualquer jeito e puxando-a para seus braços. A ruiva chorava desesperada em seu peito e apertava sua camisa entre as mãos, como se algo fosse afastá-la.

– Vai ficar tudo bem Alessa, tudo bem... – disse ele apertando-a em seus braços em uma tentativa de acalmá-la e, de certa forma, acalmar a si mesmo. O medo de perdê-la foi horrível e ainda podia sentir a sensação.

Logo aurores apareceram para levar o corpo do comensal, e mesmo insistindo, Olívia os convenceu a colher os depoimentos no dia seguinte e os tirou do quarto, lançando um olhar significativo a Robert, que apenas agradeceu antes de ver a porta ser fechada.

– Alessa, olha para mim... – pediu tentando afastá-la, mas a ruiva havia enterrado o rosto na curva de seu pescoço de tal modo que recusava-se a encará-lo. – Alessa, por favor... Olha para mim... Ally... – pediu novamente, e dessa vez a ruiva ergueu o rosto para ele, que acariciou carinhosamente sua bochecha vermelha e beijou o pequeno corte. – Ele não vai mais machuca-la... Nunca mais. – garantiu firmemente, encarando os olhos chocolates assustados. – Você está segura...

– Ele vai voltar... Sempre volta. – disse com a voz fraca, lágrimas escorrendo livremente e soluços logo em seguida.

– Não Alessa, dessa vez não. – afirmou segurando seu rosto com ambas as mãos — Ele está morto.

– Você... fez isso? – perguntou quase incrédula.

– E prometo que ele não encostará um dedo em você novamente. – assentiu — Você confia em mim?

– Com a minha vida... – respondeu sem pensar, recebendo um sorriso estonteante em retorno.

– Vem, você precisa descansar... – disse pegando-a no colo e a deitando na cama gentilmente. Porém, antes de afastar, Alessa apertou sua camisa.

– Não, por favor... – pediu assustada – Não... Não me deixa sozinha, por favor...

Robert percebeu a intensidade do olhar que a ruiva lhe lançava, não pensou duas vezes e sentou-se na cama ao lado dela, puxando-a para seus braços logo em seguida.

– Não deixarei. – garantiu beijando sua testa antes de senti-la enterrar o rosto em seu pescoço novamente. – Nunca.

Ao passar pelo quarto para ver se Alessa estava bem, Olívia os viu abraçados na cama, de olhos fechados... Percebeu também o maxilar de Robert travado e soube, nesse exato momento, que eles estavam apaixonados. Apenas algo tão forte faria com que seu irmão mais novo sacasse a varinha para matar alguém... Sorriu com o pensamento e resolveu não incomodá-los, deu a ordem para que ninguém dos enfermeiros o fizesse e caminhou até o quarto no final do corredor, onde Sophie permanecia deitava.

– Ela está bem? – perguntou com os olhos avermelhados de chorar.

– Não... Mas vai ficar. Robert está lá e acho que não sairá até amanhã de manhã. – respondeu – E você, como se sente?

– Não sei... Ele... Ele me arranhou... – disse preocupada. – Eu posso...

– Licantropia? – perguntou verificando o prontuário — Não. Já aconteceu algo assim antes. Um dos Weasley, creio que o conhece...

– Sim.

– É a mesma situação. Mas de qualquer forma, quero que fique aqui por uns dias para monitorarmos a situação...

Assim como dissera, Sophie não foi contaminada pela licantropia, já que não aconteceu uma mordida propriamente dita. Mas provavelmente seus sentidos iram se aguçar, assim como o Weasley, e muito em breve poderia deixar o hospital.

Robert permaneceu abraçado a Alessa a noite toda e vigiou seu sono, acordando-a quando era visitada por pesadelos e apertando-a mais forte sempre que podia... Vê-la tão frágil o fez pensar em inúmeras coisas e prometeu a si mesmo que iria protegê-la. Sempre. Faria qualquer coisa para isso.

Meryl, por outro lado, entrou em desespero quando soube e não saiu de perto da filha a noite toda. Agradecia pela ajuda de Robert, se Greyback estivesse vivo ela mesma daria um jeito de matá-lo. Na manhã seguinte, entretanto, precisou ir para casa e deixou a filha aos cuidados dos médicos.

E foi nesse momento que a garota recebeu uma visita inesperada.

– Draco? O que faz aqui?

– Que tipo de amigo eu seria se não a visitasse no hospital? – brincou.

“Talvez...”

Nunca ficara tão feliz em ouvir uma hipótese em sua vida! Sophie não o merecia, estava ciente disso, mas não conseguia deixar de se sentir bem com a possibilidade de vê-la com frequência, conquistar seus sorrisos e, um dia, voltar a ter uma relação saudável com ela... Mesmo que apenas amigos.

No fundo, entretanto, não poderia negar que daria tudo para tê-la em seus braços novamente e resgatar aquele amor maravilhoso que sentiam. E ele sabia que esse sentimento não tinha morrido, não completamente ao menos, e era com isso que contaria.

Ele a visitara no hospital sempre que podia, levando doces e desenhos de Lizzie. E após se recuperar, Sophie e Draco encontraram-se diversas vezes para os preparativos do casamento da Violet, que não escondeu sua satisfação ao vê-los conviver civilizadamente, e durante as visitas do loiro à pequena irmã, que passava os finais de semana com Sophie. Com o tempo, vê-lo doía menos e a loira logo conseguiu se aproximar sem o constante lembrete das mentiras.

Violet permanecia preocupada com os dois e chegara a tentar conversar sobre o assunto várias vezes, e enquanto Draco se recusava a falar disso, Sophie despejava seus pensamentos e sentimentos. Quando perguntava se o tinha perdoado, a loira pigarreava e mudava de assunto, a frase “não sei” rondando sua mente.

Decidida a dar uma chance à amizade que poderia nascer entre eles, Sophie deu o primeiro passo quando Lizzie a convidou para brincar com os Malfoy. Draco surpreendeu-se ao vê-la sorrir e não recuar aos seus toques, e antes de levar a irmã naquela noite, recebeu o maior presente que poderia ter desde muito tempo... Sophie respirou fundo e, armada com a coragem dos Seyfried, abraçou-o.

Este foi o passo decisivo para que os dois passassem a conversar mais... Draco a convidava para passeios inusitados, como um parque de diversões trouxa, e levava Lizzie junto, não queria forçar a situação e dar a entender que eram encontros românticos... Mas a cada sorriso da loira ao acertar o dardo no alvo em uma das barracas, seu coração inflava e sentia-se aquecido. Os dois revezavam-se para entrar nos brinquedos com a garota, e não podiam deixar de pensar que Lizzie estava representando o filho que eles poderiam ter, caso nada os tivesse separado.

– Eu quero algodão doce... – pediu a pequena.

– O que é isso?

– Você não sabe o que é algodão doce?! – surpreendeu-se Sophie. – Não acredito!

A cada dia dividiam alguma situação juntos e conheciam algo novo... Como Sophie o apresentar ao algodão doce dos trouxas, e Draco compartilhar o desejo que sempre teve, desde pequeno, de ser um famoso médico, talvez o responsável por algum hospital grande... E com o incentivo dos amigos, decidiu-se a realmente seguir essa profissão.

Era nesses momentos que os dois percebiam que nunca tiveram uma amizade realmente. Quando se conheceram partiram para o namoro e não compartilhavam tantas coisas... E aqueles pequenos momentos, por vezes tímidos, os ajudavam a relembrar o porquê de terem se apaixonado.

– Novembro de 1999 -

– Eu não sei se consigo fazer isso.

– E eu não acredito que a garota que salvou o mundo não tem coragem de sair desse quarto para o próprio casamento! – exclamou Alessa do outro lado da porta. – Vamos logo Violet, a noiva atrasar é normal, mas você já passou no normal!

– Eles foram embora? – perguntou com a cabeça para fora do quarto para encarar as duas amigas, que riam. – Isso não tem graça! – disse fechando-a novamente.

– É claro que tem... – riu Sophie cruzando os braços. – Você está prestes a desistir do casamento dos seus sonhos...

– Com um pedaço de mal caminho... – continuou Alessa, recebendo uma careta da morena.

– Por causa de uns repórteres na porta! – concluiu a loira, ainda rindo. – Isso não se vê todos os dias.

– Depois do que a Skeeter publicou no jornal eles me perseguem! Eu não aguento mais isso, onde está a paz que deveria ter? É o meu casamento!

– Exato! É o seu casamento, não o deles! Vamos logo Violet... – insistiu Alessa – Você está linda, as madrinhas estão com roupas ridicularmente combinando e o Moody está quase fazendo um buraco no chão da sala!

– Se tirar isso te quebro. – avisou Tonks tentando acalmar o ex auror, que parecia brigar com a gravata que o forçaram a vestir.

– Terei que te levar amarrada para o altar? – ameaçou Eileen.

– Você estava igualzinha no seu casamento Lee, não reclame.

– Fica quieta Ravenna. – rebateu — Saia logo Violet, sabe que cumpro minhas promessas.

– Ok, vocês venceram... – suspirou Violet abrindo a porta e saindo do quarto, deixando boa parte dos presentes encantados. – Não me olhem assim ou eu volto para o quarto. – disse ameaçando voltar, mas Eileen a abraçou pelos ombros e a afastou da porta rindo.

– Você está incrível querida, e é melhor se acostumar a ser observada durante o casamento... Teremos longas horas pela frente. – riu.

– Sabe, só porque sobrevivi ao casamento da minha irmã como dama de honra, não quer dizer que eu vá sobreviver a esse.

– Você é a madrinha!

– Mas o vestido é combinado com o das outras! Isso é quase pior... E eu não sei se consigo me manter em pé por muito tempo.

– Não se preocupe, Robert estará lá para te segurar. – debochou Sophie enquanto Eileen e os demais acompanhavam a noiva para fora da casa.

– Draco estará lá também, pronto para te salvar de uma assassina ruiva que só não te joga da escada agora porque não temos tempo de arrumar outra madrinha. – ameaçou.

– Você é tão doce... – ironizou, e embora fosse apenas uma brincadeira, Sophie sabia que Alessa estava certa. Draco estaria lá para salvá-la... Do que quer que acontecesse.

O casamento de Violet Snape Black e Vitor Krum foi um dos acontecimentos do ano, e embora o escândalo das Prince ameaçasse acabar com isso, nada aconteceu. Nenhum repórter chegou perto do enorme jardim da mansão dos Krum, na Bulgária, e tudo ocorreu perfeitamente bem.

Sophie entrou de braços dados com Draco, que não escondeu um minuto sequer o quanto estava feliz. Tanto pelo casamento da melhor amiga quanto pelo anjo que aceitou o convite para a primeira dança após Violet ser oficialmente a Sra. Krum.

Há tempos que os dois estavam se encontrando, cultivando a amizade que crescia... Mas aquela era a primeira vez que ficavam daquela forma publicamente, na frente de todos da família e amigos. Meryl os observava de longe, não havia esquecido o que a filha sofreu por causa do Malfoy, e Pierce tentava afastá-la, admitindo que o rapaz estava se recuperando e que não poderiam interferir.

– Você não precisa fazer isso... – comentou Draco durante a dança, próximo ao ouvido da loira.

– O quê?

– Estar aqui, comigo.

– O que quer dizer? – estranhou, afastando-se para poder encará-lo.

– Todos estão olhando e julgando... Não sou bom o suficiente para você Sophie, sabe disso. E prevejo que a qualquer momento o jornal publicará que estamos juntos novamente e todos vão te olhar com...

– Pena? – completou divertida – Bem, eles que falem o que quiserem, não me importo. Estou cansada de ser julgada... Isso já aconteceu a minha vida inteira, não quero mais.

– E o que você quer?

– Agora? – perguntou encarando-o – Dançar.

Sophie estava ciente do que a mãe, e o resto do mundo, diria... Que não existia amizade entre eles e que Draco a estava enganando novamente. Mas sabia que não era verdade. Nos últimos meses havia conhecido o verdadeiro Draco Malfoy... E apesar de “apenas amigos”, certa vez ele perguntara se ela ainda o amava... Como homem.

Aquilo a pegou desprevenida. O que responder? Sophie estava tão confusa que chegava a ser irritante. Poderia dizer que não, mas... Ela sentia algo por ele. Poderia então dizer sim... Mas ainda existia aquela relutância e medo em seu peito. Preferia então machucá-lo honestamente com um “não sei” do que contar-lhe uma agradável mentira.

Mas às vezes, quando sentia o toque suave de suas mãos na pele de seu braço, a honestidade era pesada demais para sustentar... E ela tinha que fechar os olhos e esconder. Queria abraça-lo até a morte, até que ambos estivessem exaustos e chorando, até que seus medos deixassem de existir! Mas eles estavam ali, presentes em seu íntimo. O medo de se apaixonar novamente, de tentar e de ser enganada. E, além disso, havia o orgulho. Sophie prometera a si mesmo que não sucumbiria ao amor... Mas o romance tem suas estratégias e, a cada dia, aproximava os dois ainda mais.

Draco pegava-se constantemente encarando-a, observando os contornos de seu rosto delicado, das mãos suaves e do sorriso que se abria em sua face... Imaginava aquele sorriso abrindo-se verdadeiramente por ele, e o braço caloroso que Sophie dava nos noivos... Podia ser nele.

E então punia-se novamente por ter tais pensamentos.

Ele sabia o quanto ela estava tentando... E após os meses que passaram juntos, sentiu como se a conhecesse mais que a ele mesmo. Observou quando o amor a controlava, o brilho em seus olhos verdes... Sabia quando estava irritada e, estranhamente, sabia o que deveria fazer para acalmá-la. Passou a reconhecer os sinais de quando a loira ficava nervosa e descobriu os meios para deixa-la tranquila.

A quem tentavam enganar? Eram apenas sonhadores... Procurando um amigo, um irmão, uma irmã...

Mas então...

Voltavam a se apaixonar.

– Você o ama? – perguntou Alessa sob os olhares atentos de Robert.

– Não sei...

– Sophie Seyfried, seja sincera! – repetiu a ruiva.

– Acho que sim... – confessou apoiando a cabeça sobre os ombros, em cima da mesa. – Me sinto uma idiota! Depois de tudo que ele fez eu nem deveria olhar para a cara dele!

– Pare de se torturar...

– Todo mundo diz que ele não me merece, começando dele! Vocês são meus amigos, então sejam sinceros... Também pensam assim?

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– Bem... Aceitamos o amor que achamos que merecemos. – disse Robert encarando rapidamente Alessa.

– Ou nos escondemos, com medo. – rebateu. – Posso te dar um conselho?

– Você nunca pediu antes. – riu.

– Pare de se preocupar com o que os outros vão pensar... É tudo besteira! Quem terá que arcar com as consequências de ir em frente ou não são vocês dois! Então faça por si mesma... Você o ama? Corra atrás. É bem óbvio que ele sente o mesmo.

– O amor é um risco... E às vezes, vale a pena se arriscar. Pode acabar se arrependendo de não o fazer. – comentou encarando Alessa profundamente.

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Notas finais
Então… Muitas emoções aqui hein? Digamos que Greyback ficou frustrado quando a atacou pela primeira vez e foi impedido, atacou uma segunda e não conseguiu… E a dignidade de vilão? Não, ele tinha que dar um jeito nisso… Mas, novamente, fracassou. Robert é um herói!!!! Ficou desesperado quando soube da Alessa hein? Eu achei bem fofinha essa cena, dele a salvando e depois passando a noite ao seu lado. Entenderam agora porque ela disse, quando caiu na piscina, que graças a ele Greyback estava morto? Sophie ainda está confusa... Ela o ama, muito! Mas se recusa a “cair em outro golpe”, ao mesmo tempo em que quer se enterrar em seus braços e nunca mais sair. Uma grande ambiguidade. Mas digamos que essa conversa com o casal maravilha dará um empurrãozinho (ão) na decisão da loira... Curiosidade #5 - Draco tinha três possíveis interesses românticos: Luna Lovegood, Saoirse Krum e Violet Prince (*o*). Luna ficaria um tanto surreal, Saoirse nunca teria contato frequente com ele a ponto de despertar um sentimento forte e Violet, apesar do contato e da proximidade, não serviria para um romance com o Malfoy (embora exista a curiosidade #8). E então surgiu Sophie e roubou o coração do sonserino. Curiosidade #6 – Cheguei a considerar um romance entre Alessa e Rony, mas a ideia logo foi descartada. No próximo capítulo teremos aquela festa do ministério, na qual Sophie “desaparece” do jardim com Draco, deixando para trás apenas uma camisa, um blazer e uma gravata. Ansiosos? Então não deixem de comentar!! “Capítulo 9 – Boom” Beijos e até mais!