The Orphan: Endless Love
2 Capítulo 2 - Just a Kiss, Goodnight
Notas iniciais

“Apenas um beijo, boa noite”
– Janeiro de 2000 -
– Acho que entendo o que vocês passaram na época em que eu estava descobrindo que estava apaixonada... – comentou Violet sorrindo marotamente.
– Por quê? – perguntou Alessa confusa.
– Porque você não para de olhar o Robert a festa toda...
– Para com isso! – reclamou a ruiva – Estou apenas deixando claro que estou bem... Mesmo meses depois de ter alta ele ainda fica me regulando e nas últimas semanas quer me convencer a fazer exercícios.
– E você não gosta disso?
– Violet Krum! – exclamou. – Será que da para nos ater na festa? Aposto que a Sra. Seyfried gastou uma boa nota para fazer esse “evento ministerial”... E você quase não comeu.
– Fugindo do assunto... – riu Violet indicando o copo de água em sua frente — Meu estômago não está muito bem nos últimos dias, aliás, até que horas precisamos ficar aqui mesmo?
– Você está destruída... Isso é o resultado da lua de mel?
– Quando você tiver uma me conta. – piscou rindo.
– Ok, isso foi muita maldade... – gargalhou.
– Oi, desculpa, vocês viram a Sophie? – interrompeu Astoria aproximando-se das garotas. — Bem, não importa... Quando encontrarem o Draco podem entregar isso, por favor? Provavelmente deixou cair no jardim quando... Vocês sabem.
Violet quase não acreditou quando viu em suas mãos uma camisa negra, um blazer e uma gravata. De Draco Malfoy.
– Oh Merlin! – exclamou Alessa surpresa e maliciosa.
– Da última vez que vi os dois foram para o jardim... – comentou Astoria – Bem, até mais. – despediu-se.
– Violet diga-me que o que estou pensando é besteira.
– Oh sim, besteira certamente é... – riu tentando esconder as roupas.
– Sophie e Draco... Eles...
– Eu sei! – concordou gargalhando – Quando eu disse para ela assumir logo eu não estava pensando em uma resolução tão...
– ...Íntima.
– Alessa!
– O quê? É verdade. – riu – Sabe, duvido que volte ainda hoje e os Seyfried logo vão para casa...
– Isso é um problema, certamente. – concordou.
– E fácil de ser resolvido. – completou com um sorriso debochado. – Eu vou procurar o Rob e pedir para jantarmos em algum lugar, então você procura a Sra. Seyfried e fala que a Sophie não estava muito bem e que foi para casa comigo, pediu desculpas por não avisar e prometeu ligar amanhã. E, claro, você dá um jeito de devolver essas roupas... – comentou gargalhando, era impossível se manter na seriedade numa situação daquelas — Problema resolvido.
– Por que eu tenho que devolver a roupa?
– Porque ele é o seu irmão, conviva com isso... – piscou antes de caminhar divertidamente até o bar, onde Robert pedia uma bebida. – Rob! Queria te pedir uma coisinha...
– Ah não, você não vai pedir nada antes de cumprir o que me prometeu. – interrompeu divertido.
– E o que eu prometi?
– Dançar. – completou sorrindo e, após perceber a ruiva não se mover, puxou-a pelo braço delicadamente. – Vamos, não será tão ruim...
– Ah claro, sabe que não consigo andar mais rápido...
– Conseguiria se aceitasse os exercícios. – concluiu enlaçando sua cintura.
– Já disse que não gosto de exercícios, que teimosia! – rebateu subindo os braços para o pescoço do médico, que apenas sorriu.
– Chama-se perseverança. Sabe que quero que fique bem...
– Para se livrar de mim? – disse manhosa.
– Não... Não pretendo me livrar de você. – respondeu com a voz baixa e firme, o que calou Alessa por um momento e serviu como deixa para o silêncio se instaurar entre os dois.
A “conversa” que Robert tivera com Régulus e Sirius não saia de sua cabeça. Ele afirmara que a ruiva era apenas uma grande amiga, certo? Uma irmã... Robert se recusava a acreditar que tinha algum interesse em sua paciente.
– O que queria me pedir? – comentou numa tentativa de espantar tais pensamentos de sua mente.
– Que me levasse para jantar em algum lugar.
Aquele assunto não era dos melhores para esquecer os pensamentos impuros que rondavam sua mente a noite toda, especialmente com Alessa Chambers estando tão próxima...
– Ohh, e posso saber o motivo? – engoliu em seco, não tinha certeza se seria fácil leva-la para sair daquele modo. Quando a viu entrar no salão, no início da noite, inúmeras coisas passaram por sua cabeça, mas certamente o vestido justo negro foi o principal item...
– Precisa de motivo para levar a melhor companhia possível para jantar? – debochou.
– Me diz você.
– Tá, você venceu... – suspirou — Sophie e Draco aparentemente se resolveram e deixaram rastros no jardim... Obviamente eles não voltam hoje e se os Seyfried descobrirem terei dois amigos a menos.
– Acho que posso suprir a falta de dois amigos não? – disse galanteador encarando-a.
– Não, esse tipo de amigos não. – garantiu, não deixando de observar o sorriso nos lábios entreabertos extremamente próximos aos seus. – Teoricamente, Sophie passou mal na festa e foi para casa comigo, então preciso desaparecer da festa...
– E pensou justamente em mim para sequestra-la? – divertiu-se.
– Oh, bem... Não tenho tantos amigos livres que estão dispostos a fazer qualquer coisa por mim... – respondeu sedutoramente, tentando convencê-lo.
– Nesse caso, acho que sabe que me enquadro nessa categoria. – respondeu aproximando-os lentamente, para logo depois girá-la. – Faremos o seguinte... Você termina essa dança comigo, e depois te sequestro.
– Sequestro é uma palavra forte não? – sorriu abertamente, sentindo-se cada vez mais perto do corpo de Robert.
– Eu adoraria sequestra-la Srta. Chambers.
– E eu adoraria sair daqui... A música é animada, todos estão quase pulando por aí e você é obrigado a acompanhar uma mulher que não pode nem acelerar um pouco.
– Nós somos românticos então! – brincou – Fora do normal... E por mim assim está ótimo. A menos que queira sair para tomar um ar e descansar antes de ser sequestrada.
– Por favor. – concordou sorrindo.
Robert logo ofereceu seu braço para a ruiva, que aceitou e o acompanhou até a área da piscina. A música continuava alta ali, mas a brisa era tão calma e aconchegante que deixava um ar extremamente leve e romântico, com vagalumes iluminando o espaço e pequenas e delicadas flores enfeitando o jardim.
– Sabe, estou muito feliz que você tenha vindo... – começou Robert cruzando os braços enquanto a ruiva observava tudo ao redor. – Você está andando com mais facilidade e já não dói, até dançou! Se continuar assim e aceitar os exercícios, ficará completamente curada em pouco tempo.
– Será que você pode parar de agir apenas como meu médico por um momento? – pediu voltando seus olhos aos dele.
– Você não gostaria se eu fizesse isso...
– Nunca vai saber se não tentar. – desafiou.
Robert a encarou profundamente e, quando finalmente foi vencido pelos olhos desafiadores da ruiva, deu um passo à frente. Alessa, entretanto, percebeu seu olhar intenso e até mesmo...sedutor. A mudança brusca a assustou e, já tendo ideia do que ele faria, recuou ao mesmo tempo em que ele se aproximava.
Mas ela não havia visto a piscina logo atrás e só percebeu o que havia feito quando seus pés perderam o apoio e seu corpo bateu na imensidão fria e molhada.
– Alessa?! – gritou Robert na tentativa de lhe estender a mão. – Alessa! – chamou novamente e, ao não obter uma resposta, tirou o casaco e mergulhou logo em seguida para pegá-la. – Alessa, está me ouvindo? Alessa...
Quando puxou a ruiva pela cintura percebeu que os olhos castanhos da mulher tinham um brilho de desespero e medo.
– G-Greyback... – sussurrou assim que ele pegou seu rosto entre as mãos.
– Olha para mim Alessa, ele não vai te machucar... – respondeu encarando-a profundamente – Ouviu? Greyback está morto, e mesmo que não estivesse... Eu não permitiria que ele se aproximasse de você... Nunca. – garantiu e, logo que ela assentiu, desceu uma das mãos até a cintura da moça, que rapidamente segurou-se em seu pescoço, enquanto a outra mão segurava seu rosto firmemente. – Estou aqui Ally... – murmurou com o rosto a centímetros do dela, o nariz encostado ao seu levemente, os lábios entreabertos...
Nenhum deles havia percebido o quão próximos estavam. Alessa recuperava-se lentamente e Robert ainda a segurava firmemente quando seus olhos se cruzaram sob a luz da lua, grande e redonda. Forte.
Robert queria aquilo há muito tempo e vinha resistindo desde que vira a ruiva entrar na festa, mas tê-la ali, aconchegada em seus braços, foi demais para o médico, que ignorou as possíveis consequências e concentrou-se naqueles olhos chocolates assustados. Alessa permanecia fixa em seus olhos, como um ímã puxando-o para mais perto...
Mais perto...
Tão perto que a respiração fria de ambos cruzava-se até tornarem-se uma, os lábios foram finalmente selados e um vulcão entrou em erupção no peito da ruiva, que viu seus fantasmas desaparecerem.
Sua cintura foi envolvida com ainda mais força enquanto suas mãos subiam para o colarinho da camisa azul, o beijo que começou lento transformou-se em uma batalha quando a Alessa puxou levemente os fios negros do médico, que apenas a puxou para mais perto, como se fosse possível. A mulher arrepiou-se assim que sentiu mãos frias subirem vagarosamente por suas costas, reações que não imaginava existirem a cada beijo inocente na pele nua de seu pescoço.
Seu primeiro beijo fora estranho, é claro, mas uma sensação prazerosa gritava em seu peito por mais toques como aquele e mais beijos urgentes como os que invadiam sua boca naquele exato momento... E uma ânsia por mais quando acabaram, restando-lhe apenas um formigamento nos lábios levemente avermelhados e a consciência de que havia acabado de beijar seu médico.
– Frio? – perguntou ele em tom baixo assim que a ruiva arrepiou-se. – O que estou perguntando, você não deveria ter caído na piscina! Vamos, vou te tirar daqui... – disse condenando-se internamente por ter ultrapassado os limites.
– Rob? Alessa? – chamou Olívia aparecendo com seu agora inseparável suco, porém, ao vê-los totalmente encharcados saindo da piscina, preocupou-se. – O que aconteceu?
– Eu caí... – respondeu Alessa recebendo o casaco de Robert, que a apertou gentilmente numa tentativa de aquecê-la.
– E você não fez nada?! – repreendeu o irmão conjurando uma toalha branca.
– Eu a tirei de lá, não tirei? – respondeu impaciente, e foi nesse momento que Olivia percebeu que algo havia acontecido.
– Me leva para casa? – pediu a ruiva ao homem ao seu lado, que assentiu surpreso. – Liv, você pode avisar o Sirius para mim? Ele não precisa se preocupar...
– Claro! Afinal, você tem um médico ao seu lado que certamente cuidará para que não pegue um resfriado... – sorriu.
Com um último sorriso de agradecimento, Robert aparatou com Alessa e logo encontraram-se em frente à casa dos Black. Ele poderia ter ultrapassado todos os limites, mas não a deixaria sozinha antes de se certificar que estivesse bem.
– É melhor tomar um banho, vou preparar algo quente para você...
– Eu posso...
– Não comece a reclamar Srta. Chambers. – arriscou uma brincadeira, e ficou aliviado quando Alessa retribuiu com um sorriso. – Prometo não bagunçar nada... – piscou.
– Eu não me importaria, de qualquer forma... – brincou agarrando a toalha e subindo as escadas até seu quarto, onde rendeu-se à banheira com mil pensamentos em mente.
Robert não estava muito diferente enquanto preparava chocolate quente e arrumava cobertores na sala. Cada toque ficara gravado em sua mente e ele não pode deixar de pensar em quanto havia amado aquela piscina... Alessa era uma mulher incrível e o estava conquistando cada dia mais. E o beijo foi tão...intenso! Robert não conseguia se imaginar viver longe da ruiva por muito tempo, mesmo que fosse como médico e amigo. Tinha consciência da diferença de idade entre os dois e...
– Perdido doutor? – perguntou ela subitamente enrolada a um cobertor, o nariz avermelhado.
– Acho que alguém pegou um resfriado... – debochou entregando-lhe uma caneca com chocolate quente e a ajudando a se sentar no sofá.
– Isso não é justo! Eu já espirrei umas dez vezes e você não tem nem sinais de uma gripe... Qual o segredo?
– Você está mais fraca que eu no momento, lembre-se disso... – riu.
– Mesmo assim, você deveria ter ficado resfriado também, seria quase como uma vingança pessoal por me obrigar a fazer exercícios às sete da manhã! – reclamou deitando sua cabeça no ombro do médico, que não demorou para rondá-la com um dos braços sutilmente.
E assim ficaram nas próximas horas. Conversaram sobre o tratamento, sobre a festa e até mesmo sobre a possível reconciliação de Sophie e Draco, mas sequer tocaram no que aconteceu na piscina. Estavam bem, sorriam e brincavam. Robert estava aliviado por não ter comprometido a amizade que tinha com a ruiva e, após bombardeá-la de cócegas e deliciar-se com as risadas, levantou-se para ir embora.
– Obrigada... – disse ela, cada um deles de um lado da porta aberta. – Por tudo. Quando eu caí as lembranças daquela... Você sabe, elas voltaram com tanta força...
– Ele não vai machucá-la de novo Alessa. – afirmou aproximando-se um pouco.
– Eu sei, graças a você Greyback está morto... – sorriu levemente. – Viu? Mais um motivo para agradecê-lo.
– No que depender de mim ninguém irá machucá-la, nunca. – garantiu puxando-a para um forte abraço.
Alessa podia ouvir o palpitar do coração de Robert, e sentia aquela mesma ânsia por mais preencher seu peito, o abraço logo foi rompido e a ruiva se viu encarando os mesmos olhos castanhos esverdeados que a salvaram da piscina.
– Eu... Preciso ir. – avisou ele aproximando-se – Qualquer coisa ligue para o seu médico e...
– ...ele virá correndo. – completou engolindo em seco com a proximidade.
Robert viu quando Alessa se aproximou, porém, acreditou que seria apenas mais um dos inúmeros beijos na bochecha que trocavam. Estava enganado. Ao invés disso, a ruiva tocou suavemente o canto de seus lábios com os próprios, surpreendendo-o pela ousadia.
Quando encarou-a confuso, encontrou um sorriso tímido e até mesmo um brilho de malícia reluzindo em seus olhos, o que foi mais do que suficiente.
– Eu acho que você beijou o lugar errado... – sorriu charmoso, aproximando-se da ruiva.
– Desculpe, eu...
– Não se preocupe, eu posso concertar isso... – disse antes de puxá-la pela nuca e beijá-la avidamente.
Alessa não sabia exatamente o que sentia, mas as mãos ágeis do médico subindo por sua espinha a deixaram arrepiada e claramente pedindo por mais. A porta foi fechada rapidamente pelos pés do homem, que prensou a ruiva entre a parede e o seu corpo. Seus fios curtos despenteavam-se entre os dedos delicados enquanto a outra mão descia por seu pescoço e apertava a gola da camisa com força.
Dessa vez nem mesmo a pausa para respirar separou-os. Logo seus lábios desceram pelo alvo e eriçado pescoço distribuindo beijos e carícias nada inocentes, um rastro de fogo...
– Fazer exercícios às sete da manhã não me parece tão ruim... – sussurrou entre inaudíveis gemidos que escaparam de sua garganta – Desde que meu médico me acompanhe...
Alessa queria mais, muito mais, e sentiu seu mundo girar quando Robert afastou seus cabelos para beijar sua nuca, sua garganta, seu maxilar e todo seu rosto, para terminar nos lábios entreabertos que corresponderam na mesma intensidade.
– Só o médico? – perguntou rouco entre seus lábios.
– O homem por trás dele também... – completou apertando seus ombros quando sentiu um beijo avassalador a prender novamente.
Ambos estavam felizes e pareciam não se cansar dos movimentos ágeis de suas mãos, mas logo ouviram uma chave virar na fechadura da porta e separaram-se rapidamente a tempo de verem Régulus, Sirius e Olivia entrarem com Alpha logo ao lado.
– Robert? – estranhou Sirius, porém, o sorriso de Régulus e Olívia poderiam comprometê-los tanto quando os lábios avermelhados da ruiva e os cabelos bagunçados do médico, que tentou ajeitá-los rapidamente. – Alessa, está melhor? Liv disse que tinha passado mal e voltou para casa...
– É, eu... Hmmm... Eu caí na piscina e o Rob veio me trazer. – explicou tentando acalmar os batimentos de seu coração. – Ele fez chocolate quente, mas eu acho que mesmo assim peguei um resfriado...
– Você está vermelha...
– Ela está resfriada Sirius, o que esperava? – brincou Robert piscando levemente para a ruiva quando ninguém estava olhando. – Bem, eu já estava indo embora... Te vejo depois Alessa, Liv?
– Eu vou ficar para o jantar. Mas depois conversamos... – insinuou antes que Robert assentisse e deixasse a casa dos Black com um sorriso bobo no rosto. – Vamos subir Alessa? Eu posso verificar se não está com febre antes de dormir.
– Claro... Boa noite Régulus, Sirius, Alpha meu anjo... – disse antes de beijar cada um deles e acompanhar a morena escada acima.
Olivia tinha muitas perguntas para serem feitas, mas decidiu esperar até chegar em casa e “enquadrar” o irmão. Ele não iria escapar tão facilmente.
No dia seguinte, entretanto, quem não escapou foi Alessa, despertada de seu sono com frenéticas batidas na porta do quarto.
– Vai embora Sirius! – gritou manhosamente colocando o travesseiro sobre o rosto.
– Sinto muito Srta. Chambers, mas eu não sou o Sirius!
– Robert? – exclamou surpresa, o travesseiro caindo da cama.
– Fico feliz que se lembre da minha voz... – riu ele do outro lado – É melhor você acordar agora e me encontrar na cozinha!
– Ah, qual é! Me deixa dormir! – reclamou virando-se para o outro lado.
– Se você não descer em vinte minutos eu voltarei e dessa vez vou abrir a porta e te tirar nem que seja no colo! Vinte minutos hein?! E coloque roupas confortáveis porque vamos sair...
Alessa arregalou os olhos em surpresa e amaldiçoou até a quarta geração dos Tupper por ser acordada àquela hora. Mas como sabia que Robert normalmente fazia o que prometia, levantou-se de mau humor e, cerca de quinze minutos depois, desceu as escadas com os olhos pesados de sono e, bocejando, encontrou seu médico particular em pé frente à janela.
– É bom que tenha um excelente argumento por ter me acordado às sete da manhã! – avisou encarando-o mortalmente.
– Pensei que tinha dito que faria os exercícios...? – insinuou aproximando-se com um copo de suco nas mãos.
– M-mas... Mas... – gaguejou irritada – Mas eu não falei que começaríamos hoje! Pensei que iríamos... Sei lá, discutir os horários! E como você subiu? Régulus, Sirius?
– Não tem ninguém em casa e foi o Régulus que sugeriu que eu a acordasse antes de ir... – disse calmamente, fascinado por ver a ruiva praticamente acordando.
– Eu mato aquele desgraçado! – rosnou fechando os olhos raivosamente – Eu posso não conseguir correr, mas sei muito bem lançar um feitiço de longe...
– Ora vamos Alessa, o sol está maravilhoso e...
– Que sol? Ele nem nasceu ainda! – rebateu manhosamente – Quer saber? Eu vou voltar para o meu quarto, colocar meu pijama e dormir. Tranca a porta antes de sair e deixa com a Liv, ok?
– Ah não, você não vai escapar tão facilmente... – disse ele colocando-se entre a ruiva e a saída. – Você precisa fazer esses exercícios Alessa, é importante... Quando voltar pode dormir o quanto quiser!
– Eu odeio você. – rosnou pegando o copo de suco de suas mãos e voltando para a cozinha tentando controlar o mau humor.
– Obrigado pela parte que me toca... – ironizou sentando-se ao seu lado.
A manhã não foi muito agradável para a ruiva, obrigada a fazer uma longa caminhada ao ar livre. Alessa ficava de péssimo humor quando era acordada muito cedo contra sua vontade e isso geralmente a deixava irritada o dia todo. Robert precisou de muita paciência para lidar com a mulher, mas também ficou feliz por conhecer um lado “obscuro” de sua paciente. Depois de quase uma hora caminhando, pararam em um dos bancos da trilha e ficaram por ali, descansando antes de voltarem para casa.
– Você ainda me paga Dr. Tupper! – ralhou ela tomando um gole d’água.
– Sabe, seria mais fácil se você parasse de reclamar e aceitasse de uma vez... – debochou tocando seu nariz levemente. – E se eu te desse um incentivo?
– Duvido que faça alguma diferença... Você me fez acordar às sete da manhã em pleno sábado! Isso não se faz nem com uma criança.
– Não quer nem saber qual seria o incentivo? – sorriu aproximando-se perigosamente.
– Não sei se quero... – sussurrou, a proximidade lhe lembrando tudo que aconteceu noite passada.
– Certeza? – murmurou, o rosto a centímetros de distância.
– É melhor que seja um forte argumento. – respondeu no que pareceu um sussurro.
– Isso você que vai responder. – garantiu puxando-a pela nuca e colando seus lábios apaixonadamente.
Alessa não recuou um segundo sequer e, assim que sua cintura foi envolvida por um braço forte, subiu suas mãos até o pescoço do médico e apertou. Aquele era realmente um excelente incentivo.
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