The Orphan: Endless Love
3 Capítulo 3 - Now?!
Notas iniciais

“Agora?!”
– Setembro de 2000 -
Meses haviam se passado e, entre milhares de beijos e intimidades trocadas, Alessa e Robert não ultrapassaram o status de amizade. Quase todos já haviam percebido uma faísca entre eles e Sirius até desistira de impedir o óbvio relacionamento, desde que o próprio casal assumisse... O que não parecia estar tão próximo de acontecer. Robert continuava com a ideia de que era muito velho para a ruiva, que permanecia atolada em dúvidas a respeito do médico.
Em setembro, entretanto, todas as atenções voltaram-se para Régulus e Olívia, que finalmente casaram-se três meses depois de o filho Alioth nascer. Robert, como esperado, acompanhava de perto a mesa de doces, onde convenientemente ouviu seu nome em uma conversa entre Violet e Alessa.
– O que tem ele? – desconversou Alessa observando Alioth dormir serenamente num carrinho ao lado de sua cadeira.
– Não adianta desviar a conversa ruiva... – riu disfarçando uma leve contração. – Você está apaixonada não é?
– Não sei... – suspirou dando atenção exclusiva para o garotinho. – Digo... Somos apenas amigos, mas temos certas...intimidades...que não teria com outro amigo, como o Harry ou o Draco... Às vezes penso que ele só faz isso para me incentivar a continuar com o tratamento, outras chego a acreditar que ele quer estar comigo... É tão confuso... Como você descobriu que estava apaixonada pelo Vitor?
– No Baile de Primavera. – respondeu controlando a respiração – Nós estávamos nos despedindo quando ele beijou o canto da minha boca... E descobri que queria que ele realmente tivesse me beijado. Eu já estava apaixonada, mas só admiti quando o vi ir embora e percebi que o que eu mais desejava era que ele ficasse... – parou respirando fundo — Você deveria falar com ele... – sugeriu fechando os olhos em desconforto, o que não foi percebido pela ruiva e menos ainda por Robert, que ouvia atentamente o diálogo. – Colocar as cartas na mesa...
– E se eu estiver certa? – comentou preocupada – E se ele realmente só está aqui por ser meu médico e encontrou um meio fácil de me incentivar nos exercícios? Eu sei que nunca falei nada parecido mas... Eu tenho medo. – assumiu abaixando o olhar — Não sei se conseguiria me afastar caso... Não, não poderia. Ele... Ele se tornou tão importante! O Rob foi a primeira pessoa que vi quando acordei e me ajudou muito quando pensava na Jullie... Ele me tirou do buraco mais rápido do que eu faria caso estivesse sozinha...
– Ally...
– Eu sei, é besteira minha! – interrompeu a ruiva, sem perceber a amiga pálida – Digo, eu deveria ser mais confiante não é?
– Ally eu...
– Mas como poderia? Ele nem sequer fala se gosta de mim! – interrompeu encarando Alioth, Violet já com a expressão desesperada e a respiração entrecortada. – Nós só...nos beijamos sempre que possível.
– Alessa...
– Me sinto tão bem quando estamos juntos que chego a pensar que temos “algo a mais”, mas então aparece alguém e ele se afasta como se nada tivesse acontecido... E eu acabo fazendo o mesmo. Droga, estou apaixonada não é?
– Oh sim, com certeza Alessa, mas eu realmente...
– Sim, eu sei Violet, mas não quero me arriscar. Prefiro tê-lo por perto, sentir seus beijos e seus abraços... Mesmo com o rótulo de “só amigos”. – suspirou. – Seria o que, amigos com benefícios?
– Alessa Chambers cala essa boca e me ouve! – exclamou Violet já sem paciência agarrando um dos braços da ruiva, que sentir uma corrente de magia invadir-lhe o corpo, repentinamente pesado e dolorido.
– Violet... Me solta... – pediu Alessa, uma fraqueza repentina em seus músculos, a força lhe deixando em rápidas pulsões enquanto Violet sentia uma nova contração, e dessa vez não conteve o grito que atraiu a atenção de quase todos do salão. — Violet... – pediu Alessa novamente, o braço ainda preso entre os dedos da morena.
– Violet? Violet querida, o que aconteceu? – perguntou Vitor aproximando-se rapidamente ao lado de Robert, subitamente perdido.
– Dimitri.
– Agora?!
– Queria que o seu filho marcasse hora para nascer?! – ironizou irritada, seguido de um novo grito acompanhado por outro da ruiva, que via toda a sua energia ser sugada a cada contração da melhor amiga.
– Alessa! – exclamou Robert ao perceber a ruiva pálida e obviamente debilitada, a ponto de desabar.
– Violet, segura a minha mão. – mandou Eileen e, no instante em que a neta soltou Alessa, a ruiva perdeu as forças e desmaiou nos braços do médico, que prontamente a segurou. – Ela precisa repor a magia para fazer o parto, é melhor irmos para o hospital agora. – falou enquanto sentia a própria energia sendo sugada aos poucos, o que não faria diferença visto que também tinha Magia Negra. – Eu já passei por isso caso não se lembrem! – exclamou quando ninguém se moveu.
– Encontro vocês na sala de parto. – avisou Robert aparatando para o hospital com Alessa em seu colo, que acordou apenas três horas depois, com alguém segurando seu pulso. Robert ficara preocupado de vê-la novamente numa cama do St Mungus, mas enquanto observava sua “paciente” dormir, repensou tudo que ouvira minutos antes na mesa dos doces.
Alessa estava apaixonada, era um fato... E mesmo tendo aquela voz irritante gritando em sua mente que ela era quase quinze anos mais nova, ele não podia se afastar dela... Mas também não poderia sucumbir ao amor que crescia em seu peito.
Quando Alessa finalmente abriu os olhos, deparou-se com a imagem embaçada de Robert, que logo abriu um sorriso para espantar tais pensamentos.
– Aqui... – sussurrou encarando o quarto iluminado — ...de novo?
– Ah, nada de mais... – debochou — Violet grávida, a bolsa estourou, você estava perto demais...
– Parece que é minha sina ir parar no hospital e acordar um médico gato me olhando.
– Como pensei, você está delirando... – riu levemente envergonhado, já que nunca ouviu algo semelhante da ruiva, que apenas o encarava de volta. – Se isso te faz sentir bem, você também é muito “gata”. Estamos quites.
– Não... Sou tão normal... – riu confusamente, os pensamentos se embaralhando.
– Jamais repita isso Srta. Chambers. – sorriu entrando na brincadeira – Esses cabelos vermelhos me lembram o fogo, e fogo desperta paixão... É uma tentação ambulante, meu fruto proibido... – admitiu.
– Quem brinca com fogo acaba se queimando Dr. Tupper.
– Ainda bem que estou no hospital então... – piscou.
– Violet estava grávida... – repetiu — Nasceu não é?
– Um menino forte e saudável... Dimitri. – respondeu, aliviado pela mudança de assunto. – Ele é muito parecido com o Vitor, mas tem os olhos da Violet...
– Isso deve ser uma maldição, todos os membros dessa família nascem com olhos azuis! Minha mãe não me deu um par desses... – reclamou manhosamente.
– Não, mas deu um par de olhos castanhos que lembram chocolate. – disse acariciando a ponta do nariz da ruiva, que fechou a cara numa expressão infantil.
– Olhos castanhos são tão comuns...
– Ei, os meus também são castanhos! – repreendeu-a.
– São verdes.
– Certo, você está mesmo delirando... Que tal dormir um pouco? Eu posso...
– É sério! São castanhos esverdeados. E eu posso provar.
– Ah é? Essa eu quero ver. – cruzou os braços.
– Chega mais perto então... – pediu, a teimosia reinando em seu rosto.
– Tudo bem, vamos lá... – comentou sentando-se na cama da mulher, que o encarava incrédula.
Sem ao menos avisar, Alessa agarrou a gravata em seu pescoço e puxou-o ao seu encontro, os rostos extremamente próximos e ambas as mãos do médico apoiadas ao lado de seu corpo. Robert começou a se preocupar quando percebeu a expressão teimosa ser substituída por uma adulta e desafiante.
– Eu disse mais perto... – sussurrou, os olhos vidrados aos dele. – Está vendo?
– O quê? – respondeu em tom baixo, a mandíbula travada e um desejo latente crescendo-lhe no peito.
– Meus olhos estão refletindo o seu... Que cor vê?
– Castanho. – respondeu sem ao menos pensar enquanto lutava internamente com a vontade de provar do “fruto proibido”.
Dessa vez o aperto em sua gravata ficou mais firme e Robert viu-se puxado para ainda mais perto, os rostos próximos de tal forma que os narizes estavam se tocando levemente. O braço que estava sobre o colo subiu vagarosamente e logo apoiou-se em um dos braços do médico, seus lábios entreabertos e uma sensação familiar em seu coração.
– Alessa... – pediu rouco percebendo o calor que emanava da pele macia de sua paciente.
– Tente outra vez. – mandou em um sussurro extremamente sensual.
Não tinha como Robert ter visto o filete esverdeado ao redor de seus olhos castanhos, ele sabia que era insanidade. Mas também não pode deixar de engolir em seco com a proximidade, vidrado nos círculos cor de chocolate que estavam a centímetros de distância.
– Vê o que eu vejo? – perguntou vitoriosa, porém, totalmente inebriada pela presença do homem, seus dedos apertando levemente o braço de Robert, que inconscientemente aproximou os corpos ainda mais, nenhum espaço entre eles.
– Acho que vou te beijar... – avisou roucamente, observando cada movimento do olhar castanho a sua frente.
– E o que está esperando? – rebateu num sussurro quase imperceptível, porém, com o desejo explícito em seus olhos.
Alessa sentia o peso do corpo masculino sobre si, mas não sentia incômodo algum. Dizem que a expectativa muitas vezes é melhor que o beijo em si, e ambos estavam provando disso naquele instante, quando os lábios da ruiva abriram-se de bom grado para o doutor, que fechou os olhos para finalmente beijá-la e...
– Oh Merlin! – interrompeu Sophie entrando no quarto e virando-se no mesmo instante com um sorriso no rosto, o suficiente para que Robert se afastasse rapidamente e Alessa fechasse os olhos.
– Ela... Hmm... Bem, ela estava... Me provando que... Hmmmm... Que meus olhos são verdes. — tentou se explicar, mas não soou nada convincente.
– Sério, me desculpem, eu não imaginava que... Enfim, eu... Volto outra hora. – desculpou-se a loira desaparecendo rapidamente do quarto.
– Alessa eu...
– Não precisa se desculpar. – disse rispidamente.
– Ei, o que houve? – preocupou-se com a repentina mudança de humor.
– Nada Rob, está tudo bem... Só estou... cansada.
– Sabe que isso não me convenceu certo? Você é uma péssima mentirosa.
– Eu costumava ser boa.
– Não comigo. – disse sentando-se novamente. – Vamos Alessa, olhe... Me desculpe tá? É que...
– Eu sei, já entendi. – respondeu frustrada. – Só não me mande fazer exercícios depois de eu vir parar aqui de novo.
– Não, nada de exercícios por enquanto... – riu levantando-se e segurando o rosto da ruiva em uma das mãos para beijar levemente sua testa.
– Obrigada. – respondeu com os olhos fechados, assim como Robert, que apoiara a testa na sua e aparentava estar dividido. – Rob? Está tudo bem? – estranhou quando ele não se afastou.
– Não. – disse antes de atacar seus lábios e beijá-la fervorosamente, o sangue correndo mais rápido e o coração acelerando. Alessa gemeu levemente e quando percebeu seus braços já entrelaçaram o pescoço de Robert, que colava os corpos o máximo que podia.
O beijo foi de tirar o fôlego e logo bipes frenéticos das máquinas conectadas a Alessa começaram a soar. Seus dedos delicados puxavam sem dó os fios negros do doutor, que logo sentou-se novamente e puxou a ruiva consigo, segurando-a firmemente pela cintura e apertando sempre que podia.
E assim como chegou, o beijo foi desfeito num piscar de olhos quando bateram na porta do quarto e por ela entraram duas enfermeiras, preocupadas com o bater frenético do coração da paciente.
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