The Orphan: Endless Love

19 Capítulo 19 - Just feel!


Notas iniciais
Me desculpem, mesmo, sério, de verdade! Estou numa correria que nem fazem ideia... Ainda não voltei pro meu ritmo "faculdade" :( Mas se prometerem comentar, prometo postar o próximo em 7 dias :D

Apenas sinta

— Junho de 1998 -

— Tem razão... Isso tudo é... insano. – concordou Violet logo depois de Eileen lhe explicar o que aconteceu em sua mente e sobre Voldemort.

— E como você está?

— Confusa. – admitiu – É difícil diferenciar a realidade da fantasia... Às vezes me pego pensando na minha infância e me aparece meus pais juntos. É... estranho.

— Sinto muito por isso, na época não tinha ideia do que realmente estava acontecendo.

— Eu deveria ter percebido que alguma coisa estava errada quando vi meus olhos negros naquele dia. – disse lembrando-se de quando percebeu uma marca negra em seu braço no banheiro e encarou os olhos pretos no espelho.

— Não se culpe Violet.

— Não estou. – negou – Só digo que é de se imaginar que algo havia mudado. Mas tudo bem... Só preciso de tempo pra... esquecer. A fantasia também, é claro.

— Olha, eu preciso te perguntar uma coisa... Quando foi a última vez que chorou?

— Eu... o que? – estranhou.

— É importante, responda.

— Acho que... – começou forçando-se a pensar – Acho que foi no dia em que meu pai morreu e logo em seguida recebi uma carta da minha mãe.

— E o funeral? Depois da guerra, digo. Houve um... para os dois.

— Não. – murmurou encarando as mãos sobre o colo.

— Por quê?

— Por que iria querer chorar? – perguntou retoricamente – Não quero sentir dor, nem lembrar de nada...

— Mas não pode, precisa sentir!

— Sentir? – ironizou – Acho que já senti o suficiente.

— Já ouviu falar das bruxas originais? – suspirou.

— As primeiras de que se tem registro, tão poderosas que não precisavam de varinhas ou feitiços. Sim, por quê? Aliás, o que essa conversa tem a ver com isso?

— Vamos por partes, sim? Com o passar do tempo, por motivos inexplicáveis, os bruxos foram perdendo essa capacidade e passaram a depender de varinhas para canalizar seu potencial mágico. Mas os bruxos originais, os primeiros, só se casavam com originais, deram origem a famílias e essas famílias continuaram com a tradição... Dai vem a ideia de puro sangue. – explicou – Enquanto algumas famílias passaram a se envolver com os trouxas gerando mestiços, até chegar a existir os registros de nascidos trouxas, outras permaneceram fiéis à ideologia do puro sangue e obviamente surgiu o preconceito contra os não puros... Mas o que importa aqui é que as bruxas originais tiveram seus filhos e, através de milhares de gerações, alguns descendentes permaneceram tão puros quanto elas.

— O que quer dizer?

— Quero dizer que um desses descendentes é a família Prince. – disse surpreendendo-a – Você vem de duas descendências poderosas Violet, Prince é uma das famílias mais fortes em Magia Negra...

— Duas?

— Isso eu explico depois. – falou, evitando tocar no assunto Estevam – O que importa é que... Mesmo com todo esse poder, magia é sobre sentir, sobre emoção! Você não pode simplesmente esconder. Por que acha que os originais não precisavam de varinha? Porque eles eram sensitivos, mas com o tempo isso foi se perdendo, a humanidade evoluiu tecnologicamente e eles passaram a dar prioridades a outras coisas.

— Mas... Se é assim qualquer pessoa pode fazer magia negra?

— Não Violet, são séculos perdidos! Algumas famílias mantiveram isso ao longo das gerações, mas com o tempo suas habilidades foram apelidadas de Magia Negra, eram muito diferentes de todos os outros e não precisavam de regras. – explicou – Mas não é algo realmente ruim ou das trevas, é a magia pura! As pessoas que a corrompem. Levaram à serio a alcunha e desde então apenas os bruxos das trevas se atreviam a expor isso para o mundo, os outros se esconderam atrás de varinhas.

— Você fez isso?

— Na minha época Voldemort estava solto, a aura de medo e pavor que rondava o país era imensa e meu pai foi ensinado a esconder. Cresci sabendo que se exibisse nossas habilidades seríamos tratadas como monstros perante a sociedade e desacreditadas. E se tinha algo que Joseph Prince prezava era prestígio.

— O mundo tem preconceitos demais. – notou.

— Oh sim, com certeza. Mas voltando ao assunto... Você já usou o Patrono, certo? O que é preciso?

— Memórias felizes.

— Sim, mas... qualquer memória serve?

— Não, tem que ser algo... forte.

— Exato. Magia é uma espécie de sensibilidade do bruxo com o exterior. Para lançar um você precisa de sentimentos bons fortes, ou seja, deve sentir aquela memória e exterioriza-la na forma de energia através do Patrono. É assim que funciona qualquer feitiço Violet, você precisa querer, e para querer é necessário sentir algo antes. – continuou – Pra lançar a maldição da morte deve querer matar, para um Obliviate é essencial o desejo de apagar determinada lembrança. Qualquer feitiço que seja feito com sentimento, não importa a natureza, tem mais chances de sucesso que aquele feito mecanicamente. Já deve ter ouvido que comensais não têm um Patrono, certo?

— Já.

— É mentira. – afirmou – O “ser bom” é extremamente abstrato, para você pode ser um coelhinho fofinho, para um comensal pode ser torturar alguém. Tudo é relativo, mas o sentir não. Eles não usam porque não precisam, dementadores e comensais estão do mesmo lado e, de certa forma, se apreciam.

— Mas dementadores não são seres humanos.

— Não, mas são sensitivos o suficiente para diferenciar uma pessoa cheia de lembranças boas de alguém seco por dentro. Eles sentem suas melhores lembranças e as sugam.

— Como sabe tudo isso?

— Todo comensal sabe disso, são treinados para terem uma técnica perfeita. Voldemort não admitia falhas e treinou os primeiros, depois os mais velhos faziam isso com os mais novos.

— Quem te ensinou?

— Yaxley. – deu de ombros – Você tem pressentimentos, certo? Sonhos, visões, ou como quer chama-los, que te ajudam a decidir o que fazer... – falou e, após Violet surpreender-se por ela saber, continuou – Conversei com seus amigos a respeito. Quando você tomou aquela poção para encontrar as Horcruxes... Como aconteceu? Como descobriu a localização de todas?

— Eu... tive um sonho, sobre onde estavam.

— E depois? Já sabia o lugar, mas como encontrou uma Taça dentro de um cofre gigantesco?

— Eu... senti. – respondeu, o que Eileen dizia começava a fazer sentido em sua cabeça.

— Não foi nada de extraordinário o que aconteceu Violet. – afirmou a mais velha – Quem tem magia negra é mais sensível à magia, como disse, e pode senti-la muito mais facilmente. Quando você tomou aquela poção ela apenas te deixou mais frágil, mais propensa a sentir... Não foi um milagre, foi puro raciocínio lógico. Horcruxes são objetos extremamente poderosos que emanam uma energia fora do comum. E você, estando mais sensibilizada, pode captá-la muito facilmente, como se estivesse faminta e colocassem no seu caminho um bolo recém-tirado do forno. Não tinha como resistir, então absorveu tudo. Pegou para si o bolo, mas nunca era o suficiente. – apostou – Agora me diga uma coisa... Como estava seu emocional? Você estava feliz ou, ao menos, equilibrada?

— Na verdade estava com raiva dos meus pais, com ódio de Voldemort e com medo de tudo que estava e iria acontecer...

— Por isso saiu do controle. – concluiu – Nossa magia é muito forte, é sobre sentir... Se você prende isso, não consegue controlar a si mesma. Precisa estar em equilíbrio, não pode simplesmente sentir demais, como estava naquele momento... a raiva e o ressentimento são sentimentos fortes demais e, se não balanceados, podem fazer um estrago emocional. Mas também não deve reprimir. Pense em todas as situações nas quais perdeu o controle... o que estava sentindo?

Violet não demorou para reunir em sua mente as palavras que daria em resposta, mas junto com elas veio a lembrança de quando seu pai havia lhe feito a mesma pergunta anos atrás. Mas havia uma diferença... Ele lhe pedira para não sentir.

— Raiva, medo, ódio, agonia, dor...

— Sentimentos fortes em excesso. Pra ter o controle de si mesma você precisa estar no controle de suas emoções primeiro. Nunca exagerar Violet. Não pode guardar nem jorrar. – aconselhou – Agora esqueça Voldemort, ele apenas se aproveitou da situação... Por que ficou presa dentro de si mesma esse mês?

— Por reprimir?

— Também. – assentiu – Mas principalmente por se recusar a acreditar no que estava vivendo e criar uma nova realidade, que lhe convinha, em sua mente. Por reter tudo que estava sentindo e simplesmente ignorar o fato de que precisava soltar...

— Você é fechada também – observou –, ninguém sabe o que está sentindo!

— Ohhh, não confunda sentir com expor sentimento, são coisas totalmente diferentes. – discordou – Se preciso chorar, eu choro sozinha no meu quarto. Se acho que ninguém precisa saber, fico no meu canto, mas me permito sentir. Você só vai controlar o poder que tem dentro de si mesma quando aprender que reprimir não é o caminho.

— E como faço isso? A dor é forte demais...

— É natural do ser humano reprimir coisas ruins e simplesmente esquecer, mas todos os que fazem isso precisam enfrentar as consequências no final. E não são nada agradáveis. – comentou – Concordo que é difícil, mas você precisa praticar... Não é algo que se aprende em um dia, exige tempo, paciência... E persistência.

— Não sei se consigo fazer isso.

— Qualquer um consegue, depende apenas do quanto está disposta a lutar. – discordou – Eu sei que você sofreu muito Violet, mas eu também passei por coisas horríveis e estou aqui. É claro que tive meus momentos ruins e os dias em que só queria esquecer, mas eu sei que não posso fazer isso. O alívio momentâneo não compensa as consequências posteriores.

— Vou continuar no hospital, não é?

— Só sairá daqui quando eu tiver certeza de que entendeu e melhorou. Dá pra ver que tem muitas feridas não cicatrizadas... – comentou – E sinto muito, mas também não terá visitas.

— Por que não?

— Tenho meus motivos, acredite. Vamos trabalhar isso todos os dias, vamos conversar... – disse antes que Violet rebatesse – Pela manhã falaremos sobre tudo que ainda lhe faz mal, e não adianta fugir. À noite, se quiser, posso falar sobre mim.

— Eu quero... entender. – falou encarando-a e, por um segundo, Eileen percebeu que a garota estava tentando usar Legilimens.

— Não vai funcionar comigo, sou Oclumente. – sorriu maliciosamente, fazendo com que a garota ficasse levemente corada – Sabe, Ravenna odeia isso...

— Ravenna? – repetiu desistindo de tentar conseguir respostas.

— Minha irmã.

— Ahhh, claro! Você tem irmãs! – falou, condenando-se por esquecer quando leu sobre as irmãs Prince.

— Sabe das minhas irmãs?

— Li sobre elas... nomes excêntricos.

— Ela não vai gostar disso.

— Por que fala dela no presente? Digo... Eu li que...

— E você ainda confia no que lê? – ironizou – Não, minhas irmãs estão bem vivas...

Desde aquele dia uma semana já tinha se passado e, como prometido, Eileen foi visita-la todos os dias. Pelas manhãs conversavam sobre assuntos difíceis, como Bellatrix, Severo, Mary e tudo que pudesse desequilibrar a garota, e depois do jantar Eileen permitia que a neta fizesse perguntas sobre sua família, “qualquer coisa”, dissera ela.

Os assuntos eram muito variados, e com o tempo Violet percebeu porque a avó – que não queria ser chamada de avó – era tão fria e aparentemente cruel. O que a garota sempre disse sobre as aparências enganarem mostrou-se uma grande verdade. O mundo era feito de máscaras fantasiosas e luxuosas que as pessoas usavam para esconder sua verdadeira essência... A começar dela.

— Por que traiu os Comensais? – perguntou certa vez – Digo... você era poderosa, já tinha sua relevância no mundo bruxo e era de uma linhagem puro sangue.

— Porque eu conhecia muito bem as trevas para saber que não eram boas. – começou – Olha, é realmente complicado, mas apesar de concordar que trouxas, mestiços e nascidos-trouxas são inferiores, eu nunca concordei em eliminá-los para “limpar” a sociedade. Especialmente porque Riddle era um mestiço. Ele não tinha moral alguma, era apenas um bastardo revoltado que decidiu descontar no mundo sua frustração. Os ideais pregados eram bons, mas as soluções eram precárias e sujas, como ele. Mas eu também não era idiota, sabia que ele tinha um grupo realmente grande e poderoso, sem contar ele mesmo, um bruxo talentoso e de capacidades inquestionáveis. Quando ele ofereceu a marca eu não podia simplesmente recusar... E Dumbledore já havia me alertado que Voldemort certamente iria me procurar.

— Então Dumbledore te conheceu antes que ele?

— Dumbledore foi meu professor por anos, ele sabia que eu era habilidosa e, ao contrário das minhas irmãs, extremamente centrada e objetiva. Uma guerra estava começando a apontar e ele era o inimigo número um de Voldemort, alguém à altura. – explicou – Sempre foi meu melhor professor e acabou me dando aulas extras algumas vezes, me via como uma aprendiz em potencial... Eu não podia, nem queria, quebrar sua confiança. Ele teve um passado duvidoso sim, uma época tão cruel quanto a de Voldemort, mas ele sabia reconhecer isso e aprendeu com os erros, era um bruxo completo porque já passou pelos dois lados da moeda até escolher o seu.

— Você o admirava.

— Ele não era um mentiroso inconsequente como o Riddle. Se Dumbledore estivesse no lugar de Voldemort, eu o seguiria cegamente para o resto de minha vida sem ao menos contestar, mas o Riddle não. – confessou – Enfim, pouco antes de Voldemort me procurar nós conversamos e ele me alertou que minhas habilidades estavam ecoando pelo mundo bruxo e em breve Riddle iria me recrutar. Alvo me fez uma proposta e, embora eu fosse livre para recusar, aceitei.

— Ser espiã da Ordem.

— Não era a Ordem da Fênix ainda, ele tinha apenas pretensões quanto a isso, mas sim. Dumbledore tinha um grupo de bruxos habilidosos que estavam dispostos a desafiar os Comensais e acabar com o reinado de terror, mas para isso precisavam saber como chegar perto... – continuou – Aceitei a marca e passei a ser uma fonte de informações, não demorou para que Voldemort percebesse meu potencial em “convencer” as pessoas e já não precisei sair para atacar ou torturar, como minhas irmãs fariam nos próximos anos, mas apenas limpar a bagunça que elas faziam e não deixar rastros. É óbvio que fiz meu trabalho muito bem e, com o tempo, Riddle passou a confiar quase que cegamente em meus julgamentos. Sou uma Oclumente muito boa e posso garantir que ninguém, jamais, entrou na minha mente sem que eu deixasse. – gabou-se – E ele nunca percebeu.

— Mas te matou.

— Ohhh sim, mas não por ser espiã... Ele me eliminou porque já estava fazendo experimentos que iriam substituir minhas habilidades em convencer, e saber que eu me recusava a deixar meu filho se afiliar a nós o deixou furioso.

— Você não queria que o meu pai fosse comensal então?

— Eu conhecia muito bem as teias de mentiras dele e não queria que Severo fizesse parte de algo que eu tentava destruir. Sempre deixei claro a ele que meu filho nunca seria um de nós e que teria que se contentar comigo, mas no fim ele descobriu que Severo tinha algo a mais... De alguma forma sabia que meu filho era de duas linhagens poderosas e quis suas habilidades também.

— Duas? Pensei que Tobias fosse trouxa.

— E era. Mas meu filho não. – disse – Você saberá disso de qualquer forma, então...

— O que?

— Severo não é filho do Tobias, é sangue puro. – confessou, esperando que a surpresa tomasse por completo o rosto da neta, que não sabia o que falar – Enfim, eu precisava salvá-lo... E eu realmente poderia confrontar Voldemort, eu sabia sobre as Horcruxes, onde estavam e como destruí-las, bastava um aviso a Dumbledore e pronto. Mas eu também sabia que não podia destruí-lo ainda e que deveria morrer naquele mês.

— Como assim?

— 1974. Dumbledore te disse que iria obliviar a escola, certo?

E então Violet teve outra surpresa.

— Ele queria obliviar tudo, mas eu tinha fortes argumentos. – rebateu – Eu sabia que Voldemort voltaria um dia, então precisava garantir que nada o destruísse... E se esquecêssemos dos viajantes do tempo eu iria destruí-lo e causaria um grande paradoxo no tempo. Um de nós deveria manter as memórias para garantir que nada disso acontecesse, e esse alguém era eu. – confessou – Eu poderia atrasar Dumbledore caso ele quisesse agir, mas ele não poderia fazer o mesmo caso eu decidisse acabar com tudo. No fim eu que fiz o feitiço.

— Oh Merlin... – sussurrou, a história começava a beirar ao surreal.

— Você não tinha me dito que Severo seria um comensal, então se era para eu morrer naquele mês seria para evitar que ele seguisse meus passos. – afirmou encarando o vazio.

Depois disso nenhuma das duas sabia como continuar. Violet ainda estava anestesiada pela novidade e tentava digerir tudo, era muita coisa acontecendo ao mesmo tempo!

— Quem é o pai dele? Meu... avô?

— Estevam.

— Espera... o... Estevam... que esteve aqui?

— Isso.

— Mas ele deveria ter mais de setenta anos então! Como...

— É uma longa e complicada história...

Notas finais
Acho que agora deu para entender tudo que aconteceu com a Violet, certo? Nada é por acaso e, de acordo com Eileen, tudo tem uma explicação lógica. Inclusive, Eileen agora deixou claro o motivo de sua traição. E quem diria que ela seguiria Dumbledore em qualquer situação hein? Ela realmente o admirava. Muito! Ele era tipo um pai em alguns aspectos. Agora... Violet está estranha, né? ------------------------- Capítulo 20 – Black Dog - O que você sabe? – ironizou friamente – Não faz ideia de como é... se sentir dopada, como se sua vida fosse vazia... tudo que sempre gostou já não faz sentido e nata te satisfaz. Não faz ideia da dor que pulsa em seu peito todas as manhãs, quando você acorda se arrastando... E ninguém pode saber! – riu em deboche. ------------------------- Até mais people ;)