The Orphan: Endless Love

7 Capítulo 7 - Can't We Try?


Notas iniciais
Fiquei triste essa semana... Estava organizando as fics que sigo, mudando as categorias e etc e qual a minha surpresa quando descubro que quase metade delas foram excluídas pelos autores (inclusive a de uma de minhas leitoras, que desapareceu) ou foi suspensa por violação do Nyah! :( Isso é muita maldade... E algumas eram perfeitas! Mas ok, a vida segue... Voltando para Endless Love, esse capítulo foi um tanto complicado de escrever... Envolve a emoção de duas pessoas completamente diferentes, mas com um mesmo sentimento profundo... O título é o de uma música incrível que descobri essa semana e acho que é perfeita para esse casal, se quiser ouvir antes de ler, recomendo! Can’t We Try – Dan Hill & Vonda Shepard - https://www.youtube.com/watch?v=kQ-TbI4-1a4

“Não podemos tentar?”

– Setembro de 1998 –

Se antes já quase não saia de casa, agora que sabia de Draco estar livre, realmente não deixou sua casa. Tinha certeza que o sonserino iria procurar algum dos amigos que tinham em comum, especialmente Violet, e não sabia se estava pronta para vê-lo novamente.

E embora negasse veemente, intimamente sabia que uma hora ou outra iria encontrá-lo e seu coração bateria mais forte como sempre fez, talvez seus olhos a entregassem... Tinha medo de não ter superado o grande amor que sentiram, ou de agir com a mesma frieza da época da escola... E evitava o assunto sempre que podia.

No primeiro dia de setembro, entretanto, Sophie finalmente saíra de casa. E como não poderia? Hogwarts fora reconstruída e estava novamente abrindo suas portas para antigos e novos alunos. Toda a mídia esteve presente, o Ministério, o corpo docente e aqueles considerados responsáveis por salvar o mundo bruxo, em especial Violet, que ganhou uma emocionante homenagem, e Snape, agraciado com um enorme quadro ao lado de Dumbledore na parede de diretores de Hogwarts.

Sophie estava realmente satisfeita em ver o castelo novamente, recordar os bons momentos que passou nas masmorras e em quanto correu por aqueles corredores com as amigas... E chorou quando Minerva fez seu discurso em nome naqueles que morreram na guerra, o que incluiu Mary Addams – ninguém precisava saber que a garota fora uma traidora.

Naquela tarde, enquanto segurava Lana em seus braços, viu orgulhosamente Violet fazer um pequeno discurso e dar as boas vindas aos novos alunos, e envolveu-se em inúmeras conversas com seus antigos professores... E os novos.

– Eu ainda não acredito que sua avó vai trabalhar aqui... – comentou para Violet, que também mal acreditava. — Mas sabe que, pensando bem, ela é uma concorrente à altura da fama do antigo Professor Snape.

– Nem me fale... – riu acompanhando Lana, que divertia-se em seu colo.

– Treinando para quando tiver a sua? – debochou Alessa abraçando Sophie rapidamente.

– Muito engraçado Alessa... Eu poderia dizer o mesmo de quando você está com a Alpha, talvez Robert goste de saber que...

– Sem graça. – interrompeu mostrando a língua infantilmente.

– Sabe Sophie, faz um tempinho que eu preciso te contar uma coisa... Pedir, na verdade.

– Ahh, isso eu quero ver. – riu Alessa cruzando os braços.

– O que é?

– Bem... Meu casamento é em dois meses, como sabe... E eu escolhi meus padrinhos...

– Fala logo Violet! – repreendeu-a Alessa assim que Robert se aproximou.

– Meninas...

– Ela vai pedir agora, fica quieto. – interrompeu Alessa dramaticamente, aceitando quando o médico lhe ofereceu o braço com a desculpa de que ela já estava em pé por muito tempo. – Pode continuar Violet, só me dá a criança, você sabe, para o caso de ela querer te matar, nunca se sabe.

– O que está acontecendo afinal? – repetiu Sophie, que já tinha uma ideia do pedido.

– Madrinha de casamento da sua melhor amiga, o que acha? – ofereceu sorrindo.

– Era isso?

– Nossa, essa doeu... – sussurrou Alessa rindo enquanto Robert brincava com a garotinha em seu colo.

– Todo esse suspense para me convidar para ser madrinha no seu casamento? É obvio que eu aceito! – exclamou feliz abraçando a amiga, que retribuiu fortemente.

– Só... Assim, por curiosidade... – começou Alessa inocentemente – Você sabe que terá um par, certo?

– Você adora colocar fogo não é ruiva? – debochou Robert, recebendo um beliscão logo em seguida.

– Ah Merlin, não me diga que aquele amigo do Vitor é o meu par, por favor! – pediu ligeiramente desesperada.

– Não! – recusou a morena.

– Graças a Merlin...

– É o Draco.

– Fecha a boca ruiva! – exclamou Violet sem deixar os olhos da loira, com a expressão tensa no mesmo instante. – Sophie, eu...

– De certa forma eu sabia que ele seria um dos padrinhos... – sussurrou encarando o vazio, mas logo voltou os olhos para o médico que mantinha uma das mãos nas costas da ruiva protetoramente. – Talvez...

– Nem vem, Robert é meu. – interrompeu Alessa imediatamente, sem perceber o duplo sentido em sua frase e o sorriso que nasceu no rosto do médico. – Ora, vamos Sophie... Uma hora ou outra vocês vão se encontrar, e considerando que têm amigos em comum, é inevitável.

– É, eu sei... – suspirou.

– Então é melhor que vocês se resolvam ou, no mínimo, se aturem, porque os dois são meus amigos e não vou me afastar de nenhum. Ambos foram especiais e os quero ao meu lado no casamento... Por favor Sophie, se quiser pode apenas entrar com ele e dançar uma música, só. Depois disso não precisam se encontrar mais e nem ficar conversando...

– A não ser que queiram.

– Fecha a boca ruiva! – repetiu Sophie antes de virar-se para a amiga morena. – Tudo bem, você está certa... Isso vai acontecer alguma hora não é? Melhor que seja o quanto antes e em público.

– Em público?

– Claro, se corro o risco de cometer um assassinato, é melhor ter testemunhas... – respondeu simplesmente, afastando-se logo em seguida e deixando uma Alessa de boca aberta.

– Ela não fará nada disso Ally... – disse Violet revirando os olhos e se afastando também.

– Na verdade, eu ia dizer que ela deixou a irmã comigo... Isso indica que ela realmente está fora de si.

– É incrível sua auto confiança ruiva... – debochou Robert.

– E você acha que ela iria deixar uma criança inocente nas mãos de uma ruiva “corrompida”? Sou má compreendida. – riu.

– Ohhhh dó... eu te entendo ruiva. – brincou beijando sua testa e apertando o abraço de lado. – Você precisa se sentar, já passou muito tempo em pé.

– Estou bem Rob.

– Não, não está. E ainda é minha paciente.

– Sou sua paciente no hospital, aqui apenas amigos. – sorriu.

– Será minha paciente até receber alta, e isso não aconteceu ainda Srta. Chambers. Concordei que saísse do hospital porque prometeu que não iria exagerar... Não pode ficar tanto tempo assim em pé, e segurar uma criança.

– Mas eu não...

– Olá Srta. Chambers. – cumprimentou Meryl aproximando-se ao lado de um amigo do Ministério. – Vim pegar meu anjinho... – sorriu pegando Lana no colo. – Desculpe a pergunta mas... Não deveria estar no hospital?

– Sim, deveria. – interrompeu Robert antes que Alessa falasse algo. – Mas ela é teimosa como uma porta!

– E você é chato como um hipopótamo!

– Hipopótamo? – repetiu Robert rindo da “ofensa”. – Isso deveria ser uma ofensa?

– Sem graça. – disse mostrando a língua e dando-lhe um leve tapa no ombro, retribuído por um abraço.

– Não é todo dia que vemos um casal brincar dessa forma... – comentou o amigo do Ministério. – Devem ter um casamento muito feliz.

– Nós...

– Vamos então? – cortou Meryl rapidamente – Até depois Dr. Tupper, Alessa... – sorriu afastando-se e levando o amigo junto, deixando uma Alessa envergonhada e um tanto irritada.

– Estou falando sério Alessa, o exagero de hoje já foi o suficiente. É melhor irmos embora antes que você piore.

– Eu já disse que estou bem!

– Hey! O que está acontecendo? – perguntou Violet confusa – Eu acabei de ouvir o novo Chefe do Departamento de Mistérios que vocês são...

– Ela é a falsa esposa mais teimosa que eu poderia conhecer! – interrompeu Robert.

– Eu?! Você é o pior falso marido que existe! – rebateu Alessa, cruzando os braços. – Eu quero o divórcio.

– Ótimo, eu fico com a Alpha.

– Ela é minha sobrinha.

– Mas gosta mais de mim, e acha que sou tio dela também. – debochou. – Não vai nos separar.

– Tá, tá bom... Continuamos o casamento. – disse vencida.

– Vocês acham que fiz certo quanto à Sophie e o Draco? – tentou Violet, divertindo-se com a cena.

– Claro, uma hora ela precisa enfrentar isso... Olha, vou te dar duas escolhas ruiva.

– Melhor enfrentar o ex namorado comensal no seu casamento que em algum outro lugar público. – deu de ombros, virando-se em seguida para o médico, que sorria. – Você não vai me convencer.

– Mas talvez... – tentou Violet novamente, sem receber atenção.

– Ou você sai daqui comigo por livre e espontânea vontade ou eu te levo a força e passará vergonha na frente de todos. – ameaçou Robert.

– Você não me intimida Tupper. – rebateu Alessa teimosamente – Eu não sairei daqui e nada que fizer mudará isso.

– Gente...

– Nada? – repetiu Robert aproximando-se.

– Você não seria capaz... – respondeu Alessa, levemente preocupada com a expressão travessa do médico.

– Eu avisei. – disse antes de puxá-la para seus braços e carregá-la no colo.

– Robert! – exclamou com o susto, tentando se soltar – Me coloca no chão de novo!

– Não, vamos embora. – disse sorrindo enquanto a ruiva batia em seu ombro, uma cena realmente cômica – Até depois Violet.

– Claro... Obrigada por me ajudarem com o meu problema... – ironizou Violet enquanto Robert se afastava rapidamente com Alessa no colo, vermelha de vergonha e discutindo com o medico, que não se importou com os olhares do salão e simplesmente deixou o evento.

– O que acabou de acontecer exatamente? – perguntou Vitor.

– Robert levou a Alessa para o hospital porque ela estava exagerando. – respondeu com a testa franzida. — Talvez eu não devesse deixá-los como par no casamento...

– Bem, eu acho que se dão bem...

– Não eles, Sophie e Draco! – corrigiu. – Isso não vai dar certo, vai?

– Vamos descobrir no dia... – suspirou abraçando-a por trás e depositando um beijo carinhoso em sua bochecha.

Por mais que Vitor a acalmasse, Violet tinha sérias preocupações quanto ao assunto... Aquilo não daria certo. Como pode pensar em colocar Sophie e Draco juntos depois de tudo que aconteceu? A loira sabia que encontraria o ex, só não esperava que seriam parceiros no casamento da melhor amiga... Ainda sem saber ao certo o que pensar, deixou Hogwarts com mil pensamentos na cabeça e quase não dormiu à noite.

Quando amanheceu, convenceu-se de que deveria superar aquela história logo e seguir com sua vida. E não seria Draco Malfoy que a impediria.

Aquela tarde, em especial, Sophie estava livre da Academia e resolveu estudar para as provas, só não contava que receberia uma visita mais que inesperada ao atender a porta.

– Draco... – sussurrou surpresa ao encontrar o loiro na sua porta, com as mãos no bolso da calça e a expressão fechada como sempre.

– Olá Sophie. Acho que precisamos conversar...

– Precisamos? – repetiu, subitamente preenchida por toda mágoa que sentiu quando descobriu a verdade sobre o agora ex namorado.

– Por favor, Sophie, se não quiser conversar, tudo bem... Apenas... Ouça. Por favor. – pediu encarando-a profundamente, a saudade de tê-la nos braços aumentando a cada segundo. – Devo isso a você... E a mim mesmo.

Sophie não sabia bem o que dizer, estava ressentida? É claro. Mas sofreu por tantas noites por perguntas não respondidas... Merecia ouvir uma explicação, não?

– Tudo bem... Entre. – disse afastando-se da porta enquanto o loiro agradecia e entrava no apartamento, grato por não ter que ir à casa dos pais da loira procurá-la. – Espere um momento, já volto. – avisou logo saindo da sala e correndo para a cozinha, onde encostou-se na porta e fechou os olhos, respirando fundo. – Você consegue Sophie... – sussurrou para si mesma, receosa do que aconteceria.

Por fim, voltou para a sala e encontrou Draco em pé frente à lareira, onde observava atentamente uma das fotos.

– É a minha irmã, Lana. – disse chamando sua atenção enquanto cruzava os braços.

– Ela tem alguns traços seus... O formato do rosto, certamente. Mas ela é idêntica ao seu pai. – comentou voltando os olhos para a foto, onde Sophie estava com um bebê sorridente no colo, brincando. – Engraçado que... Se eu não tivesse estragado tudo, talvez essa foto fosse o meu futuro...

– Vá direto ao ponto Draco. – pediu a loira, que inúmeras vezes pensara o mesmo.

– Acredito que saiba sobre o casamento da Violet não é? Seremos padrinhos... Juntos. – começou virando-se para a loira, que assentiu cruzando os braços. – Querendo ou não, temos os mesmos amigos... Em especial a Violet. É óbvio que você me odeia agora, e com tanto em comum não podemos ficar nos evitando o tempo todo, já que nos veremos com muita frequência. Seria bom se... Ao menos... Tentássemos ser gentis... Sem odiar um ao outro, de preferência.

– Sim, está certo... – suspirou sentando-se e apontando para o lugar vago no sofá, ao qual Draco logo ocupou.

– Eu nem sei como começar... Merlin, isso é tão difícil... – sussurrou apoiando o cotovelo nos joelhos e encarando o chão.

– Comece pelo começo. – sugeriu – Por quê Draco? Por que prometeu algo que não poderia cumprir e depois quebrou essa promessa? Me fez de idiota por meses, mentindo todos os dias para no fim... Apunhalar todos que confiaram em você.

– Eu sinto muito Sophie, realmente. Eu não pensei... Ahhhh, eu não pensei nas consequências quando aceitei a marca. – suspirou encostando-se no sofá, a expressão tão carregada que quase emocionou a loira. Quase. – Desde pequeno eu sempre vi meu pai como um exemplo a ser seguido, um homem forte, poderoso, temido onde quer que fosse... Ser temido, para mim, era ser respeitado... Pode me julgar Sophie, mas eu idolatrava meu pai. E comecei a imitá-lo. Seu tom de voz, os movimentos, as palavras... E deu certo. Todos os alunos tinham medo de mim e, pensava eu, me respeitavam. Mexer comigo era mexer com a família mais influente da comunidade bruxa, e eu gostava disso. – explicou – Nunca prestei atenção dos outros ou me importei em saber se causei algo ruim... Apenas me divertia. Até que a Violet chegou.

Sophie engoliu em seco, mas não ousou perder uma palavra sequer. A loira chegou a sentir pena ao ouvir a tamanha indiferença de Draco, na época apenas uma criança.

– Violet foi a primeira a realmente me desafiar, como deve lembrar. E enquanto nos provocávamos o tempo todo, passei a prestar mais atenção nela e consequentemente, nas amigas. – disse encarando-a novamente, para depois desviar e continuar. – Com o tempo percebi que tudo aquilo que aprendi observando o meu pai não valia de nada, que estava perdendo grandes chances de ser realmente respeitado... Como ela era. Violet não intimidava ninguém, a respeitavam simplesmente por ser quem era e a amavam. De certa forma eu queria isso...

– E você conseguiu. – sussurrou.

– É... Consegui. – sorriu levemente. – Violet foi o meu primeiro passo, o que me despertou. Mas você foi o decisivo. – encarou-a profundamente, o olhar transbordando em amor. – Eu realmente me apaixonei por você Sophie, completamente. – confessou com a voz carregada de emoção, fazendo com que pequenas lágrimas escorressem dos olhos da loira, que rapidamente as limpou. – Eu já tinha me decidido que não aceitaria a marca, por você! Mas... – suspirou – Minha mãe é poderosa, mas não o suficiente. Lizzie é apenas uma criança e Lucio estava preso. Você sabia que minha mãe nunca recebeu a Marca Negra porque meu pai não deixou que Voldemort fizesse isso? – perguntou e, após Sophie negar, continuou. – Com ele em Azkaban, quem iria protegê-la? Voldemort estava tão insatisfeito com os Malfoy que poderia fazer qualquer coisa, e na noite em que me procurou... Ameaçou exterminar as “mulheres da minha vida”. Lizzie seria a primeira e eu não tinha tempo para procurar alguém ou pensar... Eu apenas... Estendi o braço. – admitiu envergonhado, massageando o braço que costumava carregar a Marca Negra – Só percebi a enorme idiotice que fiz alguns meses depois, nas férias, quando minha mãe descobriu o que eu sentia por você. Narcissa Malfoy nunca levantou a voz e jamais brigou comigo... E naquela noite, quando eu falei da promessa, vi a decepção tomar conta de seus olhos e, pela primeira vez na vida, ela discutiu comigo e me proibiu de continuar o namoro. Meu pai fez a mesma promessa antes de se casarem... E a quebrou. A diferença é que ela só descobriu na lua de mel. – suspirou fechando os olhos com a lembrança amarga. – Eu nunca havia visto minha mãe tão decepcionada comigo, tão... Quebrada. – disse voltando a encará-la. – O mesmo olhar que estava em você na noite que terminamos.

– Imagino a decepção... Talvez ela só quisesse que você não fosse como seu pai.

– É, talvez. – concordou cansado – Eu prometi a mim mesmo que iria me afastar de você, pensei que evitaria que algo ruim acontecesse... E no fim eu que a machuquei. Foi um enorme erro esperar tanto, deveria ter contado antes ou, no mínimo, terminado o namoro. Um corte menos doloroso...

– E continuaria mentindo.

– Não Sophie, eu não conseguia... – interrompeu em tom desesperado – Você não acredita mas... Eu nunca quis te afastar, te machucar. Fui egoísta o suficiente para mantê-la por perto porque você era uma das únicas pessoas que conseguia me deixar calmo. Eu precisava de você Sophie, como um... Como um bêbado precisa de bebida.

– A única coisa que manteve foi o título! Éramos namorados, mas nunca tínhamos tempo para ficar juntos... O máximo eram beijos que...

– Que eu fazia durar o máximo que podia. – completou. – Eu sei Sophie, te afastei, mas quando estávamos juntos, o pouco, me fazia esquecer tudo e todos, nos seus braços eu era apenas Draco, um garoto apaixonado. Você lembra dos nossos beijos? Ainda se lembra de que, por mais distante que estivéssemos, nossos beijos eram como o de um casal que acabara de descobrir a paixão? – perguntou aproximando-se da loira, que vacilou o olhar com as lembranças. – Ainda se lembra dos abraços apertados? De quando passávamos o dia todo longe, mas à noite nos abraçávamos... Como se fosse o último?

– Draco, por favor...

– Tudo aquilo era real Sophie. – continuou, tentado a segurar a mão da loira nas suas. – É real. Eu estava tão destruído, não queria te perder, mas também não queria te decepcionar. Mas sabia que as duas coisas iriam acontecer, então evitei o máximo que pude... Até que você me seguiu aquele dia até o banheiro. – suspirou derrotado, Sophie já chorava à essa altura. – Eu havia acabado de ver a Lovegood voltar e estava com medo de que ela se lembrasse da verdade, também me sentia derrotado por falhar novamente e por ter que seguir com aquilo. O tempo todo pensava em você e na Violet... E no segundo seguinte você entrou naquele lugar e me colocou contra a parede. Falei coisas que não devia, tentando adiar a situação... E fiquei irritado. As coisas saíram do controle e, quando eu te vi ali, tão triste, percebi que não tinha como esconder... Você merecia a verdade. – continuou, extremamente mal por ver Sophie chorando no canto do sofá, tão indefesa... Ah se pudesse pegá-la nos braços e fazê-la se sentir bem! – E você teve a mesma reação da minha mãe, novamente vi a decepção nos olhos de alguém que amava e percebi que a tinha perdido, talvez para sempre... Mas eu não estava preparado para ouvir o que você disse, sobre o futuro... O nosso futuro. – frisou – Queria tanto aquilo!! Vê-la chorar me deixa em pedaços Sophie, você não faz ideia...

– E você não faz ideia do que eu senti quando vi a marca... – sussurrou, evitando seu olhar.

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– Não, não sei. – concordou, os olhos acinzentados finalmente começaram a chorar. – Mas você não sabe o quanto eu a amava... Amo. – corrigiu, atraindo o olhar da loira – Sophie, você foi um anjo em minha vida, uma luz... Acha que já não me culpei pelo que fiz? Eu a amo tanto! Vê-la chorar foi horrível, mas vê-la partir também. Eu sabia que nunca mais a teria e que jamais conseguiria um sorriso seu novamente... Mas sabia também que eu merecia. – assumiu.

– Por todos esses meses eu fiquei me perguntando o motivo de tantas mentiras... Repassando nossas conversas e tentando encontrar algo que passou despercebido. Mas nada... Nada vinha à minha mente. Eu fiquei muito mal, mas a vida tinha que seguir! – sorriu tristemente, as lágrimas correndo livremente e a voz falhando vez ou outra. – Mas então, depois de descobrir a verdade sobre a mãe da Violet, sobre seus sentimentos... Deve saber que Bellatrix a amava, não? Violet me mostrou a carta e enquanto eu lia, depois de ouvir minha melhor amiga falar tudo que realmente acontecera, eu finalmente percebi o tamanho do amor que existe entre uma mãe e seus filhos. – disse erguendo os ombros e virando-se de frente ao loiro, que a observava atentamente. – Digo... Minha mãe é a pessoa mais importante da minha vida e eu faria qualquer coisa por ela. Eu não pensaria duas vezes. Você escolheu sua mãe, e não conseguiu viver com essa escolha.

– Sophie...

– Eu te entendo Draco... Seus motivos... Eu... Realmente entendo. – admitiu. – Mas... Não sei se consigo esquecer... – disse levantando-se para parar em frente às chamas da lareira acesa.

– Te perdi não é? – sussurrou – Eu me culpo todos os dias por isso... E agora... Agora vejo seu rosto ficar triste como o de uma garotinha, seus olhos perderam o brilho que tinham quando estávamos juntos... Queria que nada disso tivesse acontecido. – lamentou abaixando o rosto e passando as mãos sobre o cabelo. – Sabe, todos têm alguém com quem conversar... Esse alguém deveria ser eu.

– Eu tentei tantas vezes te falar! Você apenas... Se afastou.

– Eu sinto muito, muito mesmo...

– Eu também... – concordou voltando-se à ele com um triste sorriso.

– Não podemos... Tentar? – pediu. – Não vou te pedir uma segunda chance no amor porque sei que você merece muito mais que eu. – disse, porém, seu coração implorava por aquilo... Precisava dela, mais e mais a cada dia. — Mas... Não podemos ao menos... Tentar...

– Tentar o quê? – perguntou derrotada.

– Nos dar bem. – respondeu esperançoso – Termos uma conversa civilizada de vez em quando, sorrir se quisermos... Estarmos um ao lado do outro sem pensar em assassinato! Não podemos tentar... Uma amizade, talvez? – arriscou.

Sophie não sabia o que dizer ao ouvir aquelas palavras. Estava magoada, é claro... Era impossível apagar toda a dor que sentiu por meses e seguir em frente como se nada tivesse acontecido. Mas ao mesmo tempo o entendia... Todas as suas ações foram feitas baseadas em um sentimento primitivo: medo. Ela sofrera tanto por tê-lo longe... Por que não poderia aproveitar uma segunda chance? Talvez não no amor, como ele dissera. Não poderia voltar a confiar nele tão facilmente.

Mas poderia tentar... Certo? Eles iriam se encontrar com frequência, e ignorá-lo seria como lutar contra a correnteza. Além de forçar os amigos se separarem entre os dois.

– Talvez...

Notas finais
E aí? Consegui passar um pouco do conflito de emoções dentro de cada um? Sophie o ama profundamente e realmente o entende, mas também está machucada... Quanto tempo até se curar? Quanto ao Draco... Deu para perceber que ele está tentando reconquistá-la não é? Assume os próprios erros, mas não quer perdê-la... Quer se retratar. Acha que essa trégua dará certo? O rótulo “amigos” não é muito adequado para eles dois kkkkkkkkkk E falando em dois... Robert e Alessa são ótimos juntos não? Não me canso de escrever uma pontinha sobre esse casal ^^ E Violet não é nada boba hein? Colocou Draco e Sophie de padrinhos juntos! No que vai dar? “Capítulo 8 – Sometimes When We Touch” Curiosidade #3 - Bellatrix inicialmente seria uma megera que gosta apenas de maltratar Violet, mas no capítulo 21 (He’s Back) da segunda temporada vi um resquício de carinho e encontrei uma enorme oportunidade de aprofundar a história da Violet e até humanizar uma personagem tão fechada quando a Bella. E eu amei fazer isso!! Curiosidade #4 - Inicialmente Lilian Evans seria inocente e realmente tinha intenções de ficar com a Violet, mas considerei a ideia e me pareceu que ela era certinha e perfeita demais, tinha que ter um defeito grave... Grandes beijos e até a próxima!! Lembre-se de comentar hein... É logo aqui em baixo ;)