The Orphan: Endless Love
21 Capítulo 21 - I Do
Notas iniciais
“Aceito”
Um mês.
Já havia se passado um mês desde que saíra do hospital e escapara de uma “sentença de morte”. Violet não disse a ninguém, mas mesmo quando Robert afirmou que ela estava melhor e que teria alta, algumas vezes, durante a noite, a garota chegava a pensar se conseguiria seguir em frente... Ela nunca esqueceria, é claro, mas tinha que aceitar e superar. Era o que Eileen e Estevam lhe diziam, “vire a página Violet, escreva um novo capítulo”.
Tupper dizia que ela não iria ficar totalmente curada tão rápido, então não preocupou-se quando o primeiro pensamento depressivo lhe atingiu na noite em que voltou para casa. Também não quis aceitar quando sugeriram que estava na hora de reencontrar Moody, Tonks e Sirius, não conseguia pensar neles sem ter a imagem horrível de mata-los.
— Você consegue querida, é o teste final... – insistiu Estevam uma semana depois que a neta deixou o hospital.
E ele estava certo. Mas Violet também. Encontrar Tonks e Sirius foi difícil e trouxe más lembranças, mas nada a preparou para quando viu o padrinho novamente. Já tinha tanto tempo! Ficaram quase um ano separados, se viram por poucos segundos na guerra e então ela tentou mata-lo. O homem que considerava um segundo pai!
Moody tentou ajuda-la e não parou de repetir que já tinha esquecido aquilo, que não importava mais. Mas ela não deixou para trás como ele. Vê-lo foi como cutucar com ferro uma ferida aberta e em carne viva, foi totalmente destrutivo e quase a levou para o hospital novamente. Tomada por medo, vergonha e raiva, Violet praticamente destruiu a sala de estar da casa dos Prince, e não foi impedida por ninguém.
— Ela precisa disso. Apenas... vamos esperar. – disse Eileen quando Minerva ameaçou impedir que a garota queimasse as cortinas.
Ver Violet tão destruída e irritada... Alastor simplesmente observou enquanto ela jogava toda sua raiva nos móveis e queimava vasos, cortinas e o que mais aparecesse. Ele demorou a admitir, mas acabou por concordar com Eileen quando a afilhada acordou e aceitou as condições que a mulher lhe impôs. Quando enfim cansou-se, Violet ajoelhou cansada sobre o carpete e desabou a chorar, mas logo Alastor viu que o terreno era mais seguro e aproximou-se, envolvendo-a em um abraço caloroso e carinhoso, que foi retribuído.
O mês que se passou foi no mínimo confuso e volúvel. Em um segundo Violet estava calma lendo alguma coisa ou conversando com Sophie, mas no momento seguinte tinha alguma crise nervosa e trancava-se no quarto.
Conhecer as tias avós também não foi algo normal, já que em sua cabeça era muita anormalidade acontecendo ao mesmo tempo. Goethe era muito doce e gentil, e Violet não entendeu como poderia ser irmã de Eileen e Ravenna, tão fechadas, irônicas e frias. Mas, de alguma forma, a tia que mais gostou e de quem tentou se aproximar foi Raven. Ela não entendia, mas talvez a mulher também tivesse cicatrizes como as dela, era a única que não tentava lhe mimar ou dizer que ficaria bem; por vezes ignorava a presença da sobrinha na casa, mas algumas outras a acalmava com um comentário sarcástico qualquer e a mantinha equilibrada.
Harry a visitava quase todos os dias e Luna aos finais de semana, mas toda sexta a morena saía com Vitor para algum encontro “normal”, a paz e a normalidade estavam finalmente entrando em sua vida e ela não poderia estar mais agradecida. Não estava totalmente curada, e acreditava que nunca estaria, mas estava feliz e, pela primeira vez em anos, em paz.
Logo resolveu-se no Ministério e voltou a assumir suas responsabilidades, afinal, tinha que decidir o que seria feito da herança que recebeu dos Black, Lestrange e Malfoy, aliás, Ellizabeth também era um ponto que a preocupava. Por um lado tinha medo de ter outra recaída com a criança por perto, mas por outro sabia que seria bom ter a pequena ao seu lado, crianças traziam uma alegria enorme e ela precisava disso.
Obviamente não podia pedir que as tias e Eileen convivessem com a garota Malfoy e Maya – que mesmo tendo uma forte influência de Hagrid e Canino pela longa convivência, era uma cadela animada e elétrica –, então finalmente decidiu que estava na hora de seguir sua vida, aceitou isso.
Perdeu muitas pessoas, mas tinha certeza que seu pai não iria gostar de vê-la daquele jeito para sempre, e Bellatrix muito menos. Logo, assinou todos os documentos que transferiam as contas e propriedades de seus pais para o seu nome e dedicou um final de semana inteiro para limpar a casa que pertenceu às irmãs Black e, anos depois, onde foi criada pela mãe e tia. Aquele era o seu lar e, após abrir todas as janelas e tirar os objetos mágicos assustadores e os retratos da velha Druella, sentiu-se finalmente em casa.
Preparou biscoitos e, pela tarde, recebeu Sophie e Lizzie animada, sem contar Maya, que havia voltado um dia antes e Monstro, que ficara satisfeito em dividir-se entre Violet Black e Régulus Black, seus senhores. Moody e Minerva, por outro lado, não ficaram nada satisfeitos em ter que se afastar para reconstruir Hogwarts e chegaram a se preocupar em deixar a afilhada sozinha naquela casa, mas logo foram convencidos pela garota de que estava feliz e tudo ficaria bem.
E realmente ficou.
Lizzie e Maya brincavam quase todos os dias e, com as semanas, Teddy começou a visita-las e todos brincavam juntos no imenso jardim, agora florido e cheio de vida pelos cuidados que Violet e Andrômeda lhe davam. Tonks passou um período depressivo pela falta do marido, mas não podia dizer que estava triste quando reunia-se com a prima/melhor amiga para contar das travessuras do afilhado de Violet, que sorria sempre que o via e o enchia de presentes e abraços apertados.
E falando em afilhado... Vitor era uma presença constante na casa, pois além de padrinho de Teddy – que demandava boa parte da tarde querendo aprender sobre quadribol – era noivo de Violet. Os dois brigavam às vezes, mas se entendiam logo em seguida e voltavam a sorrir. Eram um “casal perfeito”, como todos insistiam em dizer. Com o fim de toda aquela loucura de guerra, eles tinham finalmente um tempo de ser um casal normal, sair com os amigos – deixando Lizzie com os Seyfried ou os Krum – e namorar escondido de Eileen, que quase os flagrou certo dia e aparecia nas horas mais inoportunas.
Mas a grande surpresa chegou no final de setembro... quando Violet recebeu um convite de casamento pelo correio.
De Estevam Ambrósio e Eileen Prince.
— Espera, quer dizer que seus avós vão se casar? – repetiu Sophie quando soube.
— Eu sei, isso é... estranho.
— Completamente normal. – corrigiu Estevam aparatando ao seu lado – Pare de ser chata querida.
— Merlin! Eu agradeceria se você parasse de fazer isso! – reclamou Violet se recuperando do susto. Aparentemente os avós adoravam aparatar do nada – E algum trouxa pode ver.
— É divertido. – comentou colocando as mãos no bolso com um sorriso descontraído em seu rosto – Oi Sophie.
— Olá Sr. Ambrósio. – riu a loira – Olha, eu vou dar uma olhada na Lizzie e no Teddy, até mais tarde. – piscou afastando-se.
— Ela sabe que eu odeio quando me chamam de Sr. Ambrósio, certo? – perguntou à neta observando Sophie caminhar pelo caminho de pedras do parque até chegar às crianças, que corriam com Maya.
Estava um sol incrível e Violet decidira aproveitar para passear no Hyde Park aquela manhã com as crianças e Sophie, mas aparentemente estar rodeada de trouxas não era um empecilho para que Estevam aparecesse do nada.
— Então é sério? O convite que recebi ontem à noite não é uma tentativa de me fazer de tonta? Vocês amam fazer isso.
— São apenas brincadeiras querida, relaxa! – brincou abraçando-a pelos ombros – Mas sim, é verdade... Eu e sua avó nos amamos e perdemos tempo demais, já está na hora de nos acertarmos definitivamente, certo?
— Desculpa, mas é que eu realmente não consigo ver Eileen Prince num vestido branco e com um buquê de flores na mão enquanto tocam a marcha nupcial.
— E nem verá. Nós não vamos fazer um alarde com isso, aliás, se depender de nós a Skeeter só descobre daqui uns dez anos. – debochou – Queremos algo simples, só a família e os amigos mais próximos.
— E onde vão morar?
— Ahhh, bem, sobre isso... – começou cauteloso puxando-a para sentar em um dos bancos – Decidimos ir para a Itália, tenho uma fazenda lá, lembra?
— Vou sentir falta dos dois... – suspirou, tinha se acostumado a visitar os avós quase todos os dias na casa dos Prince e a conviver com ambos.
— Nada que impeça um bom bruxo de aparatar. – insinuou.
— Sem graça. – reclamou mostrando-lhe a língua como uma criança.
— E temos algumas experiências com plantas e poções em mente, também estou com um projeto e vamos tentar coloca-lo em prática.
— Que tipo de projeto? – perguntou curiosa.
— Uma escola de magia.
— Vão mesmo competir com Hogwarts? – riu.
— Ah não, nem pensar. McGonagall nos mataria. – gargalhou – Não, o que tenho em mente é algo mais específico... Um Instituto de Magia Negra.
— Magia Negra? Mas... Pensei que fosse difícil encontrar pessoas com essa magia e fosse perigoso, já que ninguém sai espalhando por aí que isso realmente existe.
— Nisso que estamos pensando. Eu, na verdade, já que Eileen vai trabalhar em Hogwarts e não tem paciência para falar sobre magia negra com pessoas que não conhece.
— Ah sim, ela não é muito paciente com isso.
— Para com isso, ela te aguenta demais até.
— Não acredito! Nem casou e já está do lado dela! – fingiu-se de ofendida.
— Sem ressentimentos querida. – brincou beijando sua testa – Enfim, eu conheço algumas pessoas que estão dispostas a ajudar nisso como instrutores, e estamos tentando algumas opções para recrutar alunos. Queremos ajudar essas pessoas... nem todas conseguem usar todo o seu potencial ou mesmo controlar. E Magia Negra não é bem vista na sociedade, então muitos têm medo de usar e acabam se reprimindo e vivendo infelizes.
— E como sabe, esperto?
— Um palpite, baseado em algumas pessoas que conheço. – insinuou encarando-a – Obviamente aproveitaremos o casamento antes, se é que me entende...
— Merlin, não quero ouvir isso.
— Mas, também vamos começar a implantar esse Instituto, inclusive tenho uma conversa com a McGonagall amanhã para discutimos isso, ela pode ter dicas importantes para começarmos, como a estrutura e lugar, esse tipo de coisa.
— Hmmm... Bem, só tenho que desejar boa sorte então. Vou perder meus avós, que coisa triste.
— E a rainha do drama está de volta. Esta é a minha garota. – debochou abraçando-a ternamente.
Estevam e Violet desenvolveram um ótimo relacionamento desde que se conheceram, e a garota adorava a mudança brusca de personalidade entre os avós, que de certa forma se completavam. Estevam não gostava de se ver como um avô, então preferia acompanhar a futura esposa no pensamento de ver Violet como uma filha. Não que estivessem substituindo Severo, nunca poderiam, mas queriam aproveitar para acompanhar e participar de tudo que não puderam com o filho, e Violet era uma ótima pessoa para isso. Eram uma família, apesar de tudo.
A cerimônia não foi como qualquer outra que Violet tivesse ouvido falar. Eileen tinha regularizado sua situação no ministério, portanto, um representante ministerial ficou extremamente satisfeito por presidir um casamento tão diferente e, de certa forma, anormal, se fosse considerar que a noiva em questão tinha voltado dos mortos e estava se casando com um italiano desconhecido.
Como se conheceram era um mistério para todos, e ninguém sabia do período em que Estevam tomou a poção da imortalidade – que por sinal já havia sido destruída, assim como a receita e todos os exemplares. O casamento foi simples, mas Violet ficou feliz ao ver sua avó sorrir abertamente na frente de todos, mesmo que fossem poucas pessoas.
— Aceito. – disse ela recebendo o anel de esmeralda em seu dedo com um enorme sorriso e o coração palpitando.
O irmão e a cunhada do noivo não apareceram, haviam desaparecido alguns anos atrás numa aventura pelo mundo e era sempre Sam que entrava em contato, então não ficou sabendo das mudanças em sua família. Alguns amigos vieram e parabenizaram o casal, mas a grande atenção da festa foi a presença das irmãs supostamente mortas de Eileen. E isso foi o estopim para que as duas decidissem viajar pelo mundo por algum tempo até as coisas se acalmarem antes de se revelarem perante o Ministério.
— Têm certeza disso?
— Pare de sentimentalismos Violet, até parece sua tia.
— E qual o problema disso Raven? – interrompeu Goethe cruzando os braços pela observação da irmã.
— É enjoativo.
— É tão linda a demonstração de carinho entre vocês que chega a dar inveja. – debochou Violet para as tias enquanto se despediam.
— Bem, não importa. Esse sempre foi um dos meus sonhos Violet, conhecer o mundo! – continuou Goethe animada enquanto Ravenna rolava os olhos – E as pessoas já estão desconfiando de você simplesmente se mudar daqui e deixar a casa “sozinha”, sabemos que Eileen não é das melhores companhias, mas as pessoas comentam.
— Nossa, obrigada por isso. Muito gentil da sua parte.
— Eu sei Lee. – sorriu travessa – Enfim, agora ela está casada e morando na Itália, e nós precisamos descansar um pouco antes que todos os jornais estampem na primeira capa “o retorno das Prince”. Será um período bem estressante, sabe disso.
— Ah sim, sei muito bem. Apenas torça para que Rita Skeeter não esteja no Profeta Diário.
— Nisso tenho que concordar. – riu Vitor com Lizzie em seu colo enquanto Maya pulava ao redor de Ravenna, que odiava animais.
— Por Merlin Violet, tira esse monte pulgas de perto de mim antes que eu mesma o faça! – exclamou assim que Maya passou por suas pernas.
Não demorou para que todos começassem a comentar sobre Violet estar morando sozinha em uma das casas dos Black enquanto a dos Prince – onde deveria estar, levando em conta que passou um tempo alí com o pai – ficava abandonada, já que Eileen havia se mudado para outro país. Alguns vizinhos já haviam dito que mulheres estranhas moraram por algumas semanas na casa, o que levantou ainda mais perguntas. Apesar disso, evitava sempre que Skeeter a encontrava na rua com Lizzie ou Maya, mas aquilo não duraria para sempre.
Com o tempo livre que conseguiu, Violet aproveitou para passar o máximo de tempo que conseguia com os amigos, mas também dedicou-se a aprofundar-se nos estudos em Magia Negra. Eileen não estava por perto para ajuda-la, nem Estevam ou as tias, mas os livros deixados pelas tias estavam ajudando bastante e, com a ajuda de Robert e Sophie, finalmente aceitou o que Eileen havia lhe dito meses atrás e passou a estudar anatomia e psicologia, queria controlar sua própria magia.
Estava se saindo bem, e Eileen inclusive a elogiou certa vez quando foi visita-la em Toscana. Com a confiança em si mesma maior, estava radiante! Mas também percebeu que Sophie quase não saía e dedicava-se quase que exclusivamente aos estudos da Academia de Medicina Bruxa. Preferiu não pensar que fosse alguma válvula para esquecer o passado com Draco Malfoy e decidiu interferir.
— Isso não vai dar certo Violet... – alertou Vitor ajudando-a a tirar uma torta do forno.
— Mas só vou dar uma forcinha...
— E você sabe que a Sophie odeia isso. Espere até ela descobrir que o Soren vem.
— Para de ser pessimista Vitor, vai dar tudo certo. Ela só precisa de uma descontraída... e Soren é bonito e simpático.
— Ahhh, então ele é bonito?
— Muito. – brincou sorrindo enquanto o noivo se aproximava.
— Bom saber disso... – sussurrou antes de beijar seu pescoço e começar uma sessão de cócegas que fez a garota se contorcer de tanto rir.
Como Vitor previu, não foi nada bom o jantar. Soren era bonito sim, mas também era muito fechado e sério, era difícil fazê-lo rir ou gargalhar abertamente. Tinha seu charme e era galanteador, mas Sophie odiou a ideia de um “encontro arranjado” e não deu chances de ele se aproximar.
Obviamente as duas tiveram uma pequena discussão no fim da noite, mas Violet reconheceu o erro e prometeu que não faria novamente.
— Eu avisei.
— Fecha a boca Krum. – reclamou Violet lançando-lhe um jato de água em seu rosto, o que logo se transformou numa briga de água e espuma, ensopando o chão e espalhando sabão nos dois.
***
O noivado aconteceu algumas semanas depois, numa noite quente no jardim da casa dos Prince, embora Vyola preferisse que fosse em sua mansão.
Todos os amigos e familiares de ambos estiveram presentes – à exceção de Ravenna e Goethe, que ainda não haviam voltado – e sorriram satisfeitos quando Vitor fez o pedido formal à Alastor e Minerva, para logo em seguida dirigir-se à Violet e devolver-lhe o anel que lhe dera na guerra.
Foi um momento único para os dois e muito especial para os presentes, e por mais que Moody estivesse triste em perder “sua garotinha”, também estava feliz por finalmente vê-la no caminho certo e a salvo. Minerva, por outro lado, não poderia estar mais feliz e abraçou Vyola com lágrimas nos olhos assim que o casal se beijou.
Obviamente houve um grande alvoroço na mídia com o acontecimento, mas foi o casamento entre Harry Potter e Luna Lovegood que realmente estampou a capa do Profeta Diário.
— Tudo está tão... – comentou Rony em uma das rodas de conversa. – A cara da Luna.
— Para de debochar Ronald! – respondeu Hermione enquanto os demais riam – Ela é delicada e gosta dessas... para que servem essas coisas mesmo?
— Evitar os zonzóbulos. – respondeu Violet.
— Evitar o que? – repetiu Robert confuso.
— Zonzóbulos. Seres invisíveis que podem entrar por seu ouvido e bagunçar o seu cérebro. – riu Violet.
— Mas...
— Não pergunte, eles estão vindo. – interrompeu Sophie assim que Robert ergueu a sobrancelha para rebater a explicação – Hey! Como estão os recém-casados?
— Muito felizes. – sorriu Luna enquanto Harry beijava sua bochecha carinhosamente.
Violet estava feliz por ver seu irmãozinho se casar com a loira e não deixou de abraça-lo um momento sequer, dançaram juntos e conversaram o tempo todo, até que Luna aparecesse e tomasse o noivo de volta.
— Ela está roubando o meu irmão... – reclamou com um bico infantil se formando seus lábios.
— Oh Merlin, preciso mesmo dizer alguma coisa?
— É claro que precisa! É o meu noivo ou não? – rebateu dando-lhe um leve tapa no braço enquanto ele a puxava pela cintura rindo – Vitor!
— Não se preocupe Vi, é o casamento deles! Posso te garantir que não vou deixar ninguém se aproximar da minha noiva no meu casamento. – sorriu malicioso.
— Sem vergonha... – disse, mas toda a sua ‘birra” já havia desaparecido – Já estou sem um irmão, agora fiquei sem o outro também.
— Devo chamar uma babá, um médico ou um psiquiatra para te consolar?
— Meu irmão. – insistiu arrancando uma gargalhada de Vitor, que beijou-a carinhosamente.
Por mais que soubesse que já eram adultos e tinham suas próprias responsabilidades, sentia falta dos irmãos... Quase não teve muito tempo para ficar com Harry durante e depois da guerra, e logo ele estava noivo – e ela também – e aquele era o seu casamento. Tudo aquilo despertou o sentimento fraterno em Violet e ela sentiu-se sozinha quando Luna e Harry disseram sim perante o juiz. Não durou muito tempo, já que a sensação ruim foi logo substituída por uma maravilhosa.
Seu irmão estava casado, feliz, apaixonado... E Luna não ficava atrás! Agora a loirinha era sua irmã também e estava muito feliz com o rumo das coisas. Mas também não podia deixar de pensar nos outros dois irmãos que estavam afastados.
— Não Violet, já disse que não.
— Por favor Robert, eu já fiz isso antes!
Violet estava há semanas tentando convencer Robert que poderia fazer a irmã/melhor amiga acordar, como fizera em seu último ano em Hogwarts, mas ele se recusava a aceitar.
— Antes você estava bem. Entenda, você acabou de sair de um processo complicado e, por mais que se sinta bem, sei que não está pronta para usar tanta energia. – continuou Robert – Eu sei que quer a Alessa de volta e que estamos ficando sem opções, mas agora não é o momento... Você não vai fazer isso.
— E quando então? – perguntou suspirando derrotada.
— No mínimo dois meses.
— Mas é muito tempo!
— Você não pode fazer isso agora Violet, por favor, entenda! Não está pronta para isso ainda.
Violet não voltou a insistir com Robert, mas também não conseguiu ficar parada e pediu ajuda.
— Desculpe querida, mas não posso fazer isso. – disse Eileen após a neta pedir que ela mesma fizesse aquilo.
— Por quê? Não custa nada pra você!
— Para trazer alguém de volta do jeito que você fez é preciso existir um vínculo entre as duas partes. Tem de ter um sentimento forte... Você pensou nela quando fez na primeira vez, não é? No amor que sentia... Eu não tenho isso. Sequer a conheço. – explicou.
— Mas... E as curandeiras das histórias? As Bruxas originais?
— Ohhh isso é bem diferente. Elas tinham um sentimento de dever com a sociedade, amavam o que faziam e tinham anos de experiência. Eu não tenho qualquer sentimento em relação à sua amiga, não posso ajudar. Sinto muito, mas terá que esperar alguns meses para se recuperar se quiser fazer isso.
Violet chegou a cogitar a hipótese de entrar escondida no quarto de Alessa e tentar trazê-la de volta, mas sabia que Robert e Eileen estavam certos. Ela não estava totalmente recuperada e percebeu que já não aguentava ficar o dia todo treinando magia como antes, sentia-se mais fraca e não pode deixar de se sentir inútil por não fazer nada.
— Janeiro de 1999 -
Foi difícil, muito difícil, mas Violet aguentou alguns meses sem voltar a insistir com Robert ou Eileen para ajudar Alessa. A morena era extremamente teimosa e nem mesmo Vitor conseguiu dissuadi-la.
— Vamos ver se adivinho... vai entrar no escritório do Robert amanhã logo cedo, certo? – perguntou Vitor deitado na cama da garota folgadamente enquanto Violet se arrumava no espelho.
— Para de ser chato Vitor, eu não vou descansar até não tentar trazê-la de volta. Já fiz isso antes e posso fazer de novo.
— Claro, existe uma pequena enorme diferença, mas ok. – debochou levantando-se para ajoelhar ao lado da cadeira em que a noiva estava – Só me prometa que não vai exagerar...
— Eu estou bem Vitor.
— Sim, e eu prefiro que continue assim. – rebateu acariciando a bochecha rosada.
— Como você me aguenta? – perguntou subitamente, curiosa como sempre – Já estou atrasando o casamento há meses, sou teimosa e consigo fazer sua vida bem difícil...
— Sei muito bem como lidar com você Violet Black Snape. – debochou beijando-a rapidamente – E eu entendo, você não pode se casar sem seus irmãos. Todos os três. – riu.
— Isso não tem graça! É melhor correr se quiser continuar vivo.
— Merlin, imagino o dia que estiver grávida e de TPM, serei um homem morto, não é?
— Com certeza. – concordou séria, mas logo depois abriu um sorriso – Mas agora vamos nos ater a: você tem que se arrumar! A festa de aniversário da Lizzie começa em algumas horas e ainda falta bastante coisa. Sem contar que ela está triste por causa dos pais e do Draco...
— Bem, eu posso ficar com ela enquanto você pega o bolo. – sugeriu.
— Muito esperto, com você ela vai provavelmente correr pelo jardim com a Maya e se sujar inteira, choveu a noite toda e tem barro lá fora.
— Mas seria divertido e ela esqueceria a tristeza.
— E ficaria imunda, sujaria a casa quando entrasse correndo com a Maya, que por sinal adoraria correr pela casa com aquelas patas cheias de lama e destruir meu sofá! Então não, sem crianças para você hoje. – negou levantando-se para colocar sua sapatilha.
— Está me chamando de irresponsável? – perguntou fingindo incredulidade ao se aproximar da noiva o suficiente para aprontar.
— Sim. – afirmou – Vitor para!
— Não estou fazendo nada. – aproximou-se mais um pouco.
— Ainda. Te conheço e estamos atrasados! – rebateu afastando-se, mas não tinha para onde fugir ao sentir a parede atrás de si – Vitor!
— Violet. – respondeu sorrindo antes de puxá-la pelos braços e cair sobre a cama.
— Não! Vitor! – tentou se levantar, mas logo sentiu cócegas em sua cintura e não segurou a gargalhada – Vitor!
— Ahhh não, não vou te soltar até retirar o que disse... – riu apertando sua cintura e impedindo que ela levantasse.
Violet foi obrigada a dizer que ele era sim responsável, “a pessoa mais responsável que conheço”, para que ele a soltasse. Ela adorava aqueles momentos divertidos que sabia que apenas Vitor conseguia lhe proporcionar, mas também tinha uma festa de aniversário para terminar de organizar.
Lizzie estava triste, é claro, era o primeiro aniversário que passava longe de Lucio, Narcissa e Draco, e estava morrendo de saudades. Mas Maya era uma boa companhia e a divertia, assim como Sophie e Violet, suas “tias”, como costumava chamar. Vitor também era alguém com quem ela se importava e criou um vínculo, especialmente depois de tanto tempo por perto.
E embora tivesse certa implicância com David Krum, deixou-se divertir na festa e brincou com seus novos amigos, David, inclusive. Ellizabeth já havia aprendido a ler a algumas semanas, mas o melhor presente que poderia ganhar foi ler uma carta enviada pela mãe no fim da festa.
— Quanto tempo ela vai demorar? – perguntou a Violet quando estava prestes a dormir em sua cama abraçada ao ursinho Coral.
— Não muito querida, não muito... e agora você pode escrever para ela! Tia Cissa ficará muito feliz.
— Sim... acho que sim.
— Boa noite meu anjo... – murmurou beijando sua testa e ajeitando a coberta antes de deixar o quarto.
Violet também sentia falta de Narcissa e Draco, e embora soubesse que Sophie ia visitar a Sra. Malfoy sempre que podia, ela mesma não conseguia. Aproximar-se de Azkaban era lembrar-se de Voldemort e todos os momentos horríveis da guerra. Pediu mil desculpas aos dois por cartas, mas ela não estava pronta para encarar Azkaban e os dementadores.
Assim que amanheceu, como Vitor previu, Violet bateu na porta do consultório de Robert Tupper e tentou convencê-lo novamente.
— Já foram os dois meses Rob.
E por mais que ele tivesse receios, acabou por aceitar. Com a condição de que fossem devagar.
— Faz tempo que você não faz isso, então vamos com calma, sim? Apenas um pouco por dia, e vemos o que acontece. Não quero que se arrisque demais porque aí eu teria duas pacientes.
Violet aceitou, concordava com ele e não estava disposta a arriscar a vida de sua amiga por orgulho. Nos primeiros dias lançou jatos fracos de energia que provavelmente não chegaram a fazer qualquer efeito, mas com as semanas passando Eileen foi acompanha-la e aos poucos aumentou a intensidade de sua magia.
Com o início de fevereiro Robert ficou feliz em dizer que Alessa já estava mais corada e se recuperando aos poucos, o coração voltara a bater no ritmo certo e Violet sentia que estava alcançando a amiga.
Eileen orgulhou-se imensamente quando Robert lhe disse que Alessa Chambers estava acordada e, graças à Violet, recuperada.
— Ela precisará de um tratamento, é claro, mas está bem. – garantiu ele à Violet quando foi visita-lo – Infelizmente não quer ver ninguém, Sirius contou tudo e ela se fechou, mas já tenho algo em mente...
Robert tinha certeza que conseguiria ajudar a ruiva, e Violet sabia muito bem que ele tinha certo... interesse... em Alessa, e sorriu com a possibilidade de o médico e sua melhor amiga se resolverem num futuro não tão longe assim.
— Você tem que parar de bancar o cupido. – comentou Sophie aquela manhã para a morena, que riu ao se lembrar de Soren.
Ao voltar para casa, Violet finalmente pode respirar aliviada. Sua melhor amiga voltara e agora elas três voltariam a ser o que eram antes. Seu primeiro pensamento ao se jogar na cama foi o de que Lizzie passaria alguns dias na casa de Sophie, logo, a tarde toda seria apenas sua...
Mas seus planos foram frustrados quando ouviu tocarem a campainha.
E então tudo se completou quando encontrou Draco Malfoy sob a soleira de sua porta.
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