The Orphan: Endless Love

15 Capítulo 15 - A Sweet Dream...


Notas iniciais
Oi gente!!! Tenho boas notícias, mas só falo nas notas finais. Presentinho de ano novo para os melhores leitores do mundo! Aliás, feliz natal atrasado e próspero ano novo adiantado! Vamos ao capítulo? Nele me baseei em uma música da Beyoncé: Sweet Dreams.

"Um doce sonho..."

Violet sentia-se tão... bem! Era como estar em paz.. como se tudo de ruim que aconteceu fosse apagado de sua mente e só restasse aquela sensação de calma e tranquilidade. Seu corpo estava deitado em uma superfície macia enquanto um cheiro maravilhoso de hortelã preenchia seus sentidos... até uma luz forte atingir seu rosto.

– É hora de acordar querida...

– Ah, não... acabei de vencer uma guerra, me deixa dormir... – reclamou colocando o travesseiro no rosto.

– A única guerra que venceu ontem foi com o seu pai, aliás, ele ainda está chateado com você, não deveria ter feito aquilo...

Ao ouvir “seu pai está chateado”, Violet levantou-se como se um choque elétrico estivesse percorrendo seu corpo... E ficou ainda pior ao ver uma mulher de longos cabelos negros encaracolados bagunçados abrindo as cortinas de seu quarto.

– Não precisava ser grossa daquele jeito, não foi isso que te ensinei mocinha. – repreendeu-a.

– Onde... dnde estou? O que... – Violet tentou formular uma frase, mas estava tão confusa que não conseguia raciocinar direito, seu corpo tenso ao perceber que a mulher de cabelos negros era, na verdade, Bellatrix Black Lestrange. – O que... Não...

– Violet?

– Isso não ‘tá acontecendo...

– Está me assustando Violet, o que aconteceu? – preocupou-se Bellatrix sentando-se ao lado da garota, totalmente perdida e assustada. – Filha?

– Voldemort...

– De novo não, por favor... – pediu cansada — Voldemort foi apenas uma história que te contei há anos! Só uma história Violet, nada mais!

– Você... como... não! Eu... eu estava numa guerra...

– Você tem só 8 anos querida, como poderia ir a uma guerra?

– 8?

– Na verdade 9, feliz aniversário! – sorriu.

Pela primeira vez, Violet olhou para suas mãos... Eram tão pequenas! Não encontrou a Marca Negra em seu braço e nem qualquer resquício de sangue. Sentia-se confortável num pijama branco de estrelinhas amarelas e, ao olhar para baixo, encontrou uma colcha verde sobre a cama de solteiro... infantil.

– Mas... mas não... Ele...

– Ele não é real. Você teve outro pesadelo, não é?

– Eu... não sei?

– Oh meu Deus, pare com isso! Seu pai vai me pagar por ter enfiado essa história na sua cabeça.

– Mas ele ‘tá morto... você ‘tá morta!

– Chega! Eu entendo que esteja magoada, ele não deveria ter dito daquele jeito, mas não...

– Não! Não, eu... eu... eu vi... Você tinha acabado de... de confessar que sempre me amou e então... então morreu... – começou Violet aos soluços, pela primeira vez percebendo que a voz que saía da sua garganta era mais fina e... infantil. – Eu vi! E então... então apareceu minha avó e... os Pendragon, e também... eu tinha Magia Negra e... meu pai! Ele... ele morreu nos meus braços... ele foi...

– Shhhh... – interrompeu Bellatrix pegando o pequeno rosto entre seus braços. – Foi apenas um pesadelo querida, nada mais. Eu continuo aqui... E não vou te deixar, nunca! E nem seu pai...

– Como... como isso é possível? Foi tão... real... – sussurrou ela enquanto Bellatrix a puxava pelos ombros para um abraço, ninando-a como a uma criança. O que era, tecnicamente.

– Está tudo bem estrelinha, tudo bem...

– Meu pai... meu pai ‘tá...?

– Vivo, é claro! – riu, não conseguindo evitar – Ainda está magoado pelo que fez ontem...

– O que eu fiz?

– O pesadelo foi tão ruim a ponto de não lembrar sua travessura?

Violet não sabia o que dizer, nada daquilo era normal! Ela tinha certeza que tinha acabado de derrotar Voldemort, também lembrava de ter ido para casa e perdido a cabeça... Dormiu sentada e então... acordou alí. Não era possível!

Bellatrix sorriu ao ver a garotinha corar com o olhar perdido, e apenas por ser aniversário da filha que aceitou entrar na brincadeira.

– Ele queria que você fosse morar com ele... – respondeu acariciando o cabelo negro curto da menina, que mantinha suas pequenas safiras atentas – Não foi legal o jeito que ele disse, mas você não queria e começou a gritar quando ele insistiu... Você falou que odeia seu pai Violet, e sei que isso não é verdade... Ele ficou realmente magoado.

– Eu não... não...

– Eu sei querida, não foi por mal... Mas precisa parar com isso, ele só quer recuperar o tempo perdido, lembre-se que não foi culpa dele. – piscou beijando sua testa logo em seguida – Agora trate de levantar e colocar uma roupa, sua tia está lá em baixo e o Draco logo chega, sabe que ele fica me enchendo o saco sem você por perto... – reclamou caminhando até a porta. – Não demore!

Draco! É claro, ele poderia ajuda-la! Só poderia estar acontecendo algum engano... Algum feitiço, ilusão... qualquer coisa! Com isso em mente, Violet tentou sair da cama... mas percebeu que suas pernas eram curtas demais para fazer isso facilmente. Com um pouco de dificuldade desceu da cama, então encontrou pantufas pequenas, brinquedos e ursos de pelúcia espalhados pelo chão... Em cima de uma cadeira de balanço, uma boneca de porcelana e fios dourados... olhos tão claros... Nascis! Mas o que realmente a surpreendeu foi a imagem refletida no espelho ao lado da boneca.

Alí estava uma garota pequena, oito ou nove anos... Os cabelos eram lisos e quase não chegavam aos ombros, a franja já estava grande e incomodava... e no rosto pálido, dois grandes e lustrosos olhos azuis. Violet não acreditava no que via, aquela era ela!

Assustada, saiu do quarto correndo. Precisava de respostas e talvez Draco a ajudasse... Ao chegar nas escadas percebeu que eram muito altas e chegavam a ser assustadoras... Não! Era apenas fruto de sua imaginação, certo? Desceu os degraus com muita calma, segurando firmemente no corrimão... alto demais.

Toda a casa lhe era extremamente familiar e não pode deixar de notar alguns quadros com fotos antigas... e o brasão dos Black. Novamente assustou-se e acabou tropeçando, caindo ao lado de uma porta com uma incrível luminosidade.

– Isso é normal Bella... – ouviu uma voz doce, extremamente familiar.

– Não, não é! Snape mal assumiu a paternidade e já está provocando uma bagunça!

– Sabemos que não é culpa dele!

Narcissa! É claro, aquela voz só podia ser da tia! Violet não sabia se ficava aliviada ou preocupada...

– Claro, a Evans abandona a filha, eu adoto sem saber e anos depois esse cara aparece na minha porta com a McGonagall dizendo que é o pai e quer a filha de volta! – ironizou Bellatrix batendo na mesa com raiva — Ele nem perguntou o que eu acho, já foi falando que ela ia morar com ele! Que criança não se assusta? Ela tem só nove anos!

– A Lillian acabou com a vida dele Bella, engravidou, desapareceu e depois casou com o cara que ele mais odeia! – rebateu Narcissa. – Sev acabou de descobrir que tem uma filha de nove anos, admita que é assustador...

– Assustador foi ouvir da minha filha que eu estava morta!

– Espera, o que?

– Violet teve um pesadelo... Voldemort, de novo. Se soubesse o que aconteceria nunca teria deixado o Snape começar essa história, agora ela pensa que é real e que tem Magia Negra!

– Ela é uma criança Bella...

– E eu sou a mãe dela! Tenho o direito de me preocupar, não é? É assustador Cissa, só a perspectiva de que...

– Bella...

– Não fica assim mamãe... – Violet não conseguiu se segurar, era como se uma força a puxasse para dentro daquela cozinha e a fizesse dizer aquelas palavras. Ela não tinha ideia do que estava acontecendo, mas podia sentir seu coraçãozinho doer ao ver a mãe quase chorar...

“Coraçãozinho? Que droga está acontecendo comigo?!”, pensou Violet enquanto sentia-se ser arrastada até as duas mulheres.

– Ahhh meu anjo... – sorriu Bella ajoelhando-se para ficar na mesma altura que a menina de pijama de desenhos. – A mamãe está bem, já passou. Melhorou do pesadelo? – perguntou afastando o cabelo negro dos olhos da filha.

Violet apenas assentiu enquanto sentia Bellatrix puxá-la para um abraço apertado, e foi nesse momento que sentiu todos os seus medos irem embora. Tinha dúvidas, é claro, e não fazia ideia do que estava acontecendo... Mas sentiu-se tão segura naquele abraço que resolveu esquecer um pouco a guerra e aproveitar. Era um sonho, só podia ser! Um doce sonho...

– Agora... Será que posso dar um abraço na aniversariante? – perguntou Narcissa interrompendo o abraço das duas, que olharam para cima sorrindo.

– Estraga prazeres... – reclamou Bella enquanto a loira ajoelhava.

– Pensei que ia usar o vestido que te dei. – comentou erguendo as sobrancelhas.

– Pra quê vestido? Pijama é mais confortável.

– Bella! – repreendeu-a – Você é um péssimo exemplo nesse quesito... E você mocinha, vamos subir agora e trocar essa roupa, daqui a pouco seu melhor amigo chega e você está de pijama ainda! Isso é um crime contra a sociedade Violet.

– Crime é você usa-la de boneca Cissa. Pensei que Draco já servisse para isso...

– Não posso colocar vestidos nele. – reclamou fechando um bico extremamente engraçado que fez Violet rir... E Narcissa não deixou a oportunidade de lado, puxou-a para os braços e começou a fazer cócegas na pequena, que divertia-se como nunca antes.

Por um pequeno momento, Violet esqueceu tudo que aconteceu e concentrou-se em aproveitar o momento. Se fosse um sonho, não queria acordar tão cedo.

Não demorou para que Narcissa a levasse para o quarto e lhe ajudasse a vestir um simples, mas lindo, vestido branco e vermelho, uma sapatilha preta e um laço discreto no cabelo. E enquanto sentia as mãos delicadas da tia pentearem seus fios negros, voltou para a infância, quando a própria Bellatrix o fazia.

– Quem vem pra festa? – perguntou a uma Narcissa realmente loira, talvez no sonho não existissem cabelos bicolores.

Que besteira!, pensou a garota ao perceber, assustada, que a cada segundo que passava sua mente começava a trabalhar como se fosse a de uma criança.

– Todos os seus amigos querida, inclusive sua nova família... – comentou sorrindo – Está ansiosa para conhecê-los?

– Nova família?

– Bem, depois que seu pai apareceu você ganhou mais pessoas, como seu tio Moody e a mulher dele, Minerva, lembra dela? Ela veio aqui com o seu pai... Tem seus avós também, Alvo e Eileen, e soube que seu pai tem mais duas primas, mas não cheguei a conhecer.

– É muita gente... – comentou, resolvendo ignorar a parte de que Alvo e Eileen eram seus avós. Estranho, muito estranho.

Mas mais estranho ainda foi ver com os próprios olhos uma Minerva McGonagall de braços dados com um homem de sua altura, cabelos e olhos castanhos e uma cicatriz no rosto. Não precisava de apresentações para saber que aquele era Moody, mas um Moody sem marcas de guerra e muito menos assustador.

– Então você é a pirralha que entrou para a família?

– Não sou pirralha. – rebateu na teimosia do auge de seus nove aninhos, enquanto Moody ria e se ajoelhava para abraça-la.

– Pare com isso Alastor. – repreendeu-o uma Minerva sorridente e feliz. – Feliz aniversário querida!

Violet não poderia dizer que aquilo foi mais estranho. Talvez pior ainda foi ver Alvo Dumbledore e Eileen com a mesma idade e juntos, como um casal... Seus avós, foi o que Narcissa lhe dissera. Mas foi enquanto brincava com Dora e Draco que seus olhos brilharam desde o começo da festa... Alí na entrada, Severo Snape a observava com um sorriso no rosto.

Ele não usava uma capa negra ou assumia uma postura assustadora, mas sim roupas trouxas comuns e cabelos negros bem penteados na altura dos ombros. Não era um homem feio, percebera, e com certeza chamou atenção de algumas moças que ela não fazia ideia de quem eram.

– Pai!

Logo largou os primos e correu em sua direção, enquanto Snape abria os braços e se ajoelhava para segurá-la.

– Feliz aniversário princesa... – sussurrou beijando sua testa. – Está linda! Quem te arrumou hoje?

– Tia Cissa.

– Eu deveria ter imaginado, é a cara dela. – disse e, pela primeira vez em anos, viu Severo Snape rir em público. – Me desculpa por ontem? Eu só queria que você fosse morar comigo, mas não pensei muito em como dizer isso.

– Tudo bem... – sorriu. – E eu não te odeio.

– Que bom, porque eu amo muito você... Muito mesmo. – sorriu acariciando seu cabelo.

O tom doce do pai a surpreendeu, mas sentia tanta falta dele que não pensou em nada, apenas o abraçou pelo pescoço e ficou alí. Porém, não conseguiu segurar as lágrimas que caíam ao se lembrar que aquilo era só um sonho, e quando acordasse tudo iria desaparecer. Antes que Snape pudesse perguntar o motivo do choro, entretanto, Bellatrix apareceu tempestuosamente ao perceber que a filha chorava.

– O que você fez Snape? – rosnou abaixando-se para tirar a pequena dos braços do pai, que logo ficou irritado.

– Eu?!

– Quem mais a faria chorar no próprio aniversário? – exclamou raivosa ao ver Violet soluçar.

– Por que me odeia tanto? – explodiu Severo, inconformado com o tratamento que recebia da mulher de cachos rebeldes negros. – Estou começando a acreditar que você realmente é louca Bellatrix! Talvez não seja uma boa ideia deixa-la com você nesse estado! – acusou enquanto a Black tremia de raiva.

– Louca eu vou ficar se você continuar nessa casa. Quem você acha que é para simplesmente aparecer, falar que é pai dela e querer leva-la embora sem qualquer explicação? Ela é uma criança Severo, como pode fazer isso?!

– É a minha filha!

– Não, é a minha filha! – exclamou afastando a pequena do pai, que ficou furioso. – Você não pode chegar pensando que tem o direito de fazer tudo, porque não pode!

– Eu nunca...

– Chega! – interrompeu Narcissa aparecendo ao lado de Andrômeda. – Já chega de show, não? Se forem discutir, façam isso lá fora e, de preferência, longe dela. – avisou firmemente enquanto pegava uma Violet chorosa nos braços e desaparecia pela escada.

– Francamente, vocês não têm noção? – repreendeu Andrômeda – Violet é só uma criança, precisa dos pais! Parem de se atacar!

– Ele...

– Não! – interrompeu a mais nova. – Chega Bella, ele é o pai dela e acabou de descobrir que tem uma filha pequena. E quanto a você Severo, Bella é a mulher que adotou sua filha e a criou desde que era um bebe! É a mãe dela, então chega de discutir! Os dois têm direito à ela, desde que se comportem e parem de brigar na frente de todo mundo! Ela não precisa que os pais tentem se matar na frente dela. – avisou, Andy não chegou a gritar, mas sabia muito bem deixar as pessoas sem palavras. – Agora façam um favor à própria filha e vão conversar, porque desse jeito não tem como continuar. E não se atrevam a subir naquele quarto até se resolverem. Estamos entendidos?

Severo e Bellatrix não tiveram alternativas senão ficarem quietos e saírem da casa sob os olhares divertidos de Moody e os repreensores de Andrômeda, que realmente os colocou para pensar. E enquanto os dois tinham uma discussão acalorada, Narcissa contava histórias para Violet no quarto.

Eram quase dez da noite quando Bellatrix e Severo subiram as escadas e encontraram a pequena lendo um livro infantil enquanto os primos dormiam em barracas montadas em seu quarto.

– O que está lendo querida? – perguntou Bella sentando ao lado da menina, que logo viu-se entre os pais.

– É um presente da tia Andy, O Pequeno Príncipe. A tia Cissa acabou de ler pra gente...

– E está gostando?

– Por que vocês brigam?

– Bem...

– Você já chegou na parte da rosa? – perguntou Severo apontando para o livro, sob o olhar atento das mulheres.

– Já...

– Ela é geniosa, não é?

– É.

– E ela ficou magoada com o pequeno príncipe.

– Mas ele também ficou.

– Eles brigaram?

– Sim... E ele foi embora. – respondeu deixando-se envolver pela aura infantil que sua mente insistia em assumir, nada naquele momento a lembrou que era uma garota de quase 20 anos sonhando após vencer uma guerra, era apenas a pequena Violet de 9 anos que estava triste pelos pais brigarem.

– Por quê? – perguntou calmamente.

– Porque... ela era muito vaidosa e orgulhosa, e ele não acreditava mais nela...

– Mas ela era pequena e frágil, não é? – voltou a perguntar – E ele era responsável por ela... Lembra por quê?

– Porque...

– Você é eternamente responsável por aquilo que cativas. – disse ele sorrindo e apertando levemente o nariz pequeno. – Mas eu e sua mãe somos como a rosa, vaidosos e orgulhosos.

– São pessoas grandes! – concordou a pequena satisfeita, porém, triste pela constatação.

– Isso... E pessoas grandes têm a necessidade de explicações detalhadas, somos complicados.

– Não precisam ser complicados...

– Não... Mas para isso temos que criar laços. Lembra disso? Para mim sua mãe é apenas mais uma pessoa no universo, como milhares de outras pessoas, e para ela eu também sou assim. – explicou – Agora, se nós nos cativarmos... a história muda, não é? E você sabe que a gente só conhece bem as coisas que cativou.

– A mamãe precisa te cativar papai! – concluiu Violet alegremente, fazendo os pais se encararem rapidamente. – E você precisa cativar a mamãe também.

– E você sabe o que precisa para cativar alguém?

– Ser paciente. – continuou Bella, sabia muito bem onde Severo queria chegar e, para sua surpresa, o admirou por isso. – Primeiro, ele precisa vir aqui e se sentar um pouco longe... Não vai dizer nada para mim, e eu também não. Mas a cada dia vamos nos sentar mais perto para admirar uma pequena e brilhante rosa. – disse sorrindo, como se contasse uma história de aventura para a menina, que a observava atentamente. – E ele tem que vir no mesmo horário, porque assim saberei me preparar. E com o tempo, ele vai me cativar... E eu a ele. Você pode perdoar duas pessoas grandes que ainda não se cativaram?

– Acho que posso... – riu enquanto Bella fazia cócegas em Violet, que gargalhava gostosamente.

Logo Severo se juntou à brincadeira e, quando Narcissa passou no corredor, viu Bellatrix Black e Severo Snape juntos, brincando com uma criança que pulava na cama e os fazia rir. A loira sorriu em ver que finalmente as duas pessoas mais teimosas e geniosas que conhecia se entenderam, afinal... ambos tinham algo em comum...

– Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz, certo? – lia Bellatrix com o livro nos braços enquanto Violet observava atentamente a segunda leitura da história, dessa vez na voz dos pais. — Mas se o carneiro come a flor, para ele é como se todas as estrelas repentinamente se apagassem!

...para a mãe, a mais brilhante das estrelas. Para o pai, a mais bela das princesas...

...uma rosa.

***

– Está decidido Olho-Tono.

– Você se acha melhor que todos aqui, não é? Revive dos mortos e já chega mandando e decidindo tudo! Não lhe ocorreu que os responsáveis por ela poderiam querer saber disso antes? Ou, no mínimo, saber o que está acontecendo?

– Eu não acho, tenho certeza. – rebateu ela calmamente, Estevan sabia que ela odiava que a contradiziam e estava apenas esperando pela discussão iminente. – Esse é o melhor caminho. Magia Negra é algo instável, precisa de controle constante... e ela não tem isso. Enquanto estiver desacordada e desequilibrada, cenas como a que aconteceu em casa vão se repetir. Não quer isso, quer?

– Nós entendemos isso Sra. Snape, é só que... Merlin, eu nunca pensei que isso iria acontecer. – começou Minerva, tentando evitar que Moody abrisse a boca novamente e começasse uma discussão – Há lendas... Histórias sobre o que acontece quando bruxos poderosos perdem a essência mágica. É como se realmente fosse tirada da pessoa à força em ferro quente... irrecuperável.

– A magia não é uma lâmpada, que você pode apagar e acender quando quiser. – ironizou Eileen, cansada de tantas desculpas esfarrapadas e sem sentido, movidas por mentes imersas na emoção humana – A essência mágica de um bruxo é um pedaço dele, como um segundo coração. Tirar não é fácil e sentir ser tirado é dez vezes pior, mas também reversível... Desde que o bruxo que fez o processo o desfaça. – explicou – Sem o expoente da magia negra ela ficará mais suscetível ao controle externo, preciso disso para entrar em sua mente e fazer o que é necessário.

– E já começou. – afirmou McGonagall, apesar de odiar a ideia sabia que não poderia ir contra Eileen Prince. O que não podia dizer de seu amigo Moody.

– Acredito que saibam que existem três modos de controle mental, certo? – começou, seria melhor explicar de uma vez e se livrar daqueles dois o quanto antes — Legilimência, a capacidade de extrair sentimentos e lembranças; Oclumência, para trancar o acesso a essas lembranças; e Arquenovum, uma manipulação mental que obviamente não é ensinada na escola e exige uma capacidade acima do normal... é raro, mas a última pessoa que conheci que dominava isso foi Horácio Slughorn, meu professor de poções em Hogwarts. – comentou – Mas mesmo assim, ele só conseguia manipular as próprias memórias, algo útil que aprendi em suas aulas. O nível avançado é a própria Maldição Imperius, mas mesmo ela deixa rastros... A pessoa sabe que foi amaldiçoada quando o efeito passa.

Moody sabia muito bem aonde ela queria chegar, mas não acreditava que a Prince fosse realmente tão poderosa... seria possível alguém com tanto poder ter sido submisso à Voldemort?

– Mas existe uma lenda... de pessoas que conseguiam usar a Maldição Imperius espontaneamente e sem esforço, só o olhar era o suficiente e os efeitos eram mais duradouros e estáveis.

– Você fez isso mais cedo, não foi? – perguntou Minerva – Quando a Violet acordou e quase fugiu, você conseguiu controla-la de um jeito que... eu pensei não ser possível. Até aquele momento.

– Eileen tem muitas especialidades, mas essa é uma das mais fortes. — continuou Estevan, um admirador de “talentos” excepcionais como os dela, além de ter um conhecimento acima do normal em Magia Negra – Os Pendragon podem hipnotizar as pessoas, sabem disso, mas mesmo a hipnose é um nível baixo... Se fossemos colocar numa escala, Legilimência é o primeiro degrau, seguido pela Arquenovum, a Maldição Imperius e a Hipnose, que é algo mais profundo e irrefreável, já que mesmo que os efeitos passem a pessoa nunca poderá dizer a ninguém... Mas tem consciência. – completou – O que ela faz é... um nível acima, digamos assim.

– O que você faz exatamente? – perguntou Moody impaciente.

– Manipulação e inserção de ideias. – disse de uma vez. – Se a mente estiver em condições favoráveis e eu conseguir acesso, consigo plantar uma ideia, sentimento ou lembrança. Uma alteração permanente e inflexível. Se eu fizer isso com você agora, por exemplo... – disse Eileen para McGonagall – Se eu conseguir inserir na sua mente que tem horror a mim, quando você retomar sua consciência não vai sequer lembrar da minha interferência e o sentimento que plantei crescerá espontaneamente, como se fosse obra da sua própria mente. E a não ser que eu entre na sua mente novamente e tire esse sentimento, ele nunca acabará e você me temerá para o resto da sua vida.

– Era isso que você fazia? – interrompeu Moody secamente – Com os prisioneiros do seu Lord?

– Alguns. – admitiu sem qualquer receio – Mas essa capacidade é complicada e difícil. Sua mente precisa estar totalmente equilibrada para que eu consiga entrar facilmente. Qualquer alteração nas emoções da pessoa durante o processo ou interrupção pode ser fatal. Para a pessoa e, principalmente, para mim. – explicou – Por isso não ousei usar isso muitas vezes, foram poucos os casos em que precisei realmente.

– E onde isso se encaixa na Violet? – interrompeu Minerva antes que Moody continuasse.

– Ela está desequilibrada e, pelo que vi da primeira vez, sente tudo ao mesmo tempo. Dor, desespero, culpa, saudade, amor, traição... sentimentos fortes que, combinados, estão acabando com ela aos poucos e minando todo seu controle. – começou, escondendo as teorias que começavam a rondar em sua mente – Sozinha ela irá se afundar em tudo isso, então preciso entrar na sua mente para ter acesso a eles e dosá-los. Quero tirar os sentimentos ruins e as lembranças pavorosas e amenizá-las a um ponto em que se tornem suportáveis e consideradas normais.

– Por isso tiramos sua essência mágica, a magia dela é muito instável e imprevisível, se Eileen entrasse e acontecesse algum descontrole mágico, ela poderia não conseguir sair e, consequentemente, Violet também não. – continuou Estevan calmamente – Com isso chegamos ao segundo passo... substituir essas lembranças ruins por coisas boas que a deixem calma o suficiente para que possamos entrar sem causar danos.

– Eu dei novas lembranças a ela. Nesse exato momento Violet está sonhando com uma infância que nunca existiu, uma tão boa que se sobrepõe a toda e qualquer coisa relacionada à guerra. Mas a mente dela foi muito rápida e desenvolveu fantasias baseadas nessas memórias... fantasias fortes que estão me impedindo de chegar perto de onde preciso para trazê-la de volta. – lamentou levemente preocupada – Agora ela vê apenas o que quer ver, tudo que sempre desejou no mais íntimo de sua mente está acontecendo e criando uma nova história... E está tão imersa nisso que não consegue mais diferenciar a realidade da fantasia.

– Isso é culpa sua. – acusou Moody sem pensar, despertando a fúria da mulher – Ela passou por muita coisa, não precisava que alguém entrasse na cabeça dela e mudasse tudo! As lembranças podem ser ruins, mas a dor ajuda a curar a cicatriz!

– E quanto tempo você aguentaria caso eu te lançasse a Maldição Cruciatus nesse exato momento multiplicada por mil? – provocou ela se aproximando. – Acha que é fácil? Ninguém, ouça bem, ninguém aguenta um corpo saudável se a mente estiver destruída. Você sabe o que aconteceu com ela, tudo que sofreu e perdeu até derrotar Voldemort. Acredita que alguém consegue lidar com isso depois de uma soneca para acordar recuperado?! Uma pessoa normal leva anos até voltar ao normal! – disse ameaçadoramente – Ela precisa de ajuda, e não de um velho babão que pensa que é só dormir e tudo resolvido, que a dor cura!

– Não levante a sua voz para mim Eileen! – rebateu nervoso – Eu vi muitas coisas como auror e sei como a mente pode ser destruída, mas também vi que o tempo curou todas as cicatrizes! Todos que sobreviveram depois de passar um tempo com você e seus amiguinhos se recuperaram quando aceitaram a dor e aprenderam a conviver com ela!

– Como os Longbottom fizeram? – Eileen estava controlando-se para não perder a calma e acabar cometendo um assassinato alí mesmo.

– E quem os deixou assim? – provocou, era óbvio que Moody não suportava Comensais da Morte.

– Então essa é a questão? – debochou — Eu ser Comensal?

– Você está acostumada a manipular pessoas ao seu bel prazer, não é? Matou e sequestrou muitas pessoas inocentes, pior... você manipulou cada uma delas! Pessoas como Frank e Alice Longbottom! Não vou deixar que faça o mesmo com a minha afilhada!

– Minha neta!

– Você deveria estar morta!

– Chega! – interrompeu com os olhos em fúria — Ouvi muito a respeito do famoso ex-auror que entupiu Azkaban de comensais. Onde está esse homem racional que não vi até agora? Pare de se mover pela emoção, ela só atrapalha em momentos como esse!

– Sra. Snape... – tentou Minerva, sabia que o amigo não funcionava bem sobre pressão, ainda mais quando provocado por uma comensal.

– Ora garoto, controle suas emoções e discipline sua mente! – exclamou friamente, como se repetisse a mesma coisa pela milésima vez. Por que as pessoas simplesmente não aceitam essa verdade? – Violet está numa situação extremamente complicada e as suas emoções só vão atrapalhar e me atrasar. Lembre-se que eu sei muito bem como ela se sente. Tenho a mesma magia e, mesmo com pessoas ao meu lado para me ajudar a controlar minha vida inteira, entendo perfeitamente o que ela está passando!

– Eileen...

– Não, agora ele vai me ouvir. – interrompeu assim que Estevan tentou impedi-la. – Você obviamente odeia comensais, não é garoto? Não tiro sua razão, mas lembre-se que a família inteira da sua querida afilhada foi do círculo das trevas e ela quase fez parte também. Não faz ideia do pouco que faltou para que ela aceitasse... – sorriu diabolicamente, adorava torturar as pessoas com suas palavras, as melhores armas que existiam para derrubar – Eu estive na mente dela... Acredite quando digo que ela realmente esteve a um passo de aceitar a marca.

– Você não sabe do que está falando...

– Sabe o que a impediu de ceder? – provocou ao perceber o ponto fraco do auror – Severo, o pai dela. Se ele tivesse voltado naquela noite em que matou Dumbledore e contasse a verdade, ela iria aceitar. As pessoas que ela mais amava eram comensais e ela iria querer participar também, ajuda-lo com a farsa... e acabaria se corrompendo no processo. Mas quando percebeu o quanto foi traída pelo pai, toda e qualquer chance de algum dia ela aceitar foi por água abaixo.

– Chega!

– Ela não aceitou a Marca porque dois comensais, que você tanto repudia, a impediram. – sorriu, adorando o efeito que sabia estar causando no velho ex-auror – Pode negar o quanto quiser, mas ela apenas sobreviveu porque Severo e Bellatrix a impediram de fazer a maior besteira de sua vida! – rosnou impetuosamente.

Estevan adorava aquilo nela. A fúria brilhava em seus olhos, mas, por mais que a cólera a preenchesse, Eileen Prince nunca chegava a gritar ou passar dos limites da discrição que aprendeu em sua criação. Era a criatura mais impetuosa e determinada que conhecera!

– É admirável sua devoção a ela, mas esqueça de qualquer laço que tenha com a garota agora! – continuou — A emoção pode ser linda e cheia de coraçõezinhos fofos, mas é uma venda escura que te cegará até a alma. Então se quer que ela volte, é melhor deixar o auror racional subir à superfície e me deixar cuidar dela. – avisou.

Por mais que Alastor não aceitasse a situação da afilhada e tremesse só de pensar que ela seria amarrada no quarto – sem contar sua magia, que foi brutalmente arrancada de seu corpo – e cuidada por uma comensal cruel e fria, sabia quando a causa era perdida. Seu lado objetivo de auror concordava que era o racional a se fazer caso quisesse que Violet se recuperasse e não machucasse ninguém no processo... Sabia muito bem que ela odiava perder o controle e que, quando se lembrasse de que quase matou Sirius, Tonks e ele, entraria em desespero e iria se fechar novamente, exatamente como o próprio Severo fazia e, tinha certeza, Eileen também.

– Só... certifique-se de que ela ficará bem. – cedeu suspirando, para a surpresa de Minerva.

– Eu sei o que faço. – garantiu saindo da sala para procurar o Dr. Robert, precisaria arrumar tudo para começar a trabalhar. Em sua mente, uma única frase permeava seus pensamentos, a mesma que Voldemort a proferira anos atrás.

“Quanto mais você se importa, mais você tem a perder.”

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Notas finais
Só para deixar claro: tudo que aconteceu que envolveu Violet não ocorreu realmente, foi tudo uma ilusão criada na mente dela como reação às poções e ervas que Eileen fez + a manipulação mental. Aquilo era como a Vi (inconscientemente) queria que acontecesse, fantasias criadas pela mente dela em conjunto com as memorias que Eileen forjou, mas nada daquilo foi real. Snape e Bella estão mortos e nada daquilo foi real em nenhum momento da infância da Vi. Ok, agora que passou o esclarecimento... Uau! Vamos por partes... Que sonho fofo é esse? Violet pititica ^^ E esse mundo que ela criou é “normal”, sem magia ou qualquer coisa parecida onde Voldemort é apenas uma história contada pelo pai. Aliás... talvez eu volte para essa versão, que tal alguns flashes de uma Violet fofa com os pais? E falando em pais... Só eu entendi uma fagulha alí no “você precisa cativar a mamãe”? Bem... Nessa fantasia TUDO é possível, menos magia. Aliás, Minerva e Moody formam um casal alí hein? E Eileen e Dumbledore *o* Eu sei, surreal. Mas a melhor parte foi a do Pequeno Príncipe (pegaram a referência?), uma das histórias mais lindas que conheço e que precisava aparecer. Agora voltando para o “presente”... Eileen é realmente poderosa, a partir desse capítulo vou mostrar mais o alcance dessas “capacidades” e Estevan estará por perto. Gostaram da explicação dela? E da minidiscussão/provocação entre ela e Moody? Ele realmente estava cego pela emoção... Entendam que Eileen é totalmente racional, então não esperem momentos fofinhos dela (ou das irmãs), foi criada assim e provavelmente morrerá assim... Ela ainda guarda muitos segredos, dois que mudarão completamente a vida da família Prince Snape. Aliás, sobre a capacidade da Eileen de “convencer” as pessoas... recomendo que releiam os capítulos 50 e 51 da 4ª temporada, mas só recomendo mesmo ;) ** Falei que tinha boas notícias, né? Bem... Eu estou adaptando The Orphan para uma história original para publicar! Vai demorar (infelizmente), mas estou super ansiosa! E por fim, queria compartilhar com vocês um conto de natal/suspense que fiz para um blog, ficaria muito feliz se lessem e comentassem lá... estou meio desmotivada. Aliás, tem alguns textos meus nesse blog, só clicar no meu nome lá no final ;) Ó o link: http://mackpro.com.br/blog/item/57-era-uma-vez ** No próximo capítulo teremos o começo de uma reviravolta no caso da Violet que será completamente explicada no capítulo 17, seguida de uma confissão cabulosa no 18: - Eileen... - Sinto muito, mas eu não... - Chega! – gritou, finalmente assustando-a – Você não tinha o direito! - Tinha todo o direito do mundo, era o meu filho! Imperdível! A fic está tomando um rumo cheio de surpresas até o verdadeiro final, e estou amando isso. Mas e vocês? Que tal me falar o que está achando dessa loucura toda?