The Orphan: Endless Love
12 Capítulo 12 - Darkness
Notas iniciais

“Escuridão”
– Maio de 1998 –
Lizzie se preparava para dormir naquele exato momento.
O dia fora realmente divertido e a garota estava feliz por ter esquecido, mesmo que por algumas horas, que não veria os pais ou o irmão por um bom tempo... Mas se todos os dias Violet fosse como naquele primeiro, Lizzie ficaria mais que satisfeita e garantiu a si mesma que o tempo passaria mais rápido.
E enquanto a garota caia em sono profundo, Violet parecia se distanciar cada vez mais disso. Quando fechava os olhos podia ver Voldemort tentando matá-la tão nitidamente que acordava assustada e suada. Sempre que tentava dormir, alguma lembrança ruim vinha lhe atormentar novamente até que, desistindo, resolveu ler algum livro até sentir-se tão cansada que caísse na cama em um sono sem sonhos.
Sem ao menos pensar, acabou chegando no quarto do pai, escuro e esquecido... Tudo ali lhe lembrava o homem que mais amou na vida. Ao olhar para a decoração singela lembrou-se de quando conheceu a casa pela primeira vez, temendo ser algum tipo de masmorra e descobrindo depois ser uma casa normal...
Escorregando pela parede que estava encostada até o chão, abraçou os joelhos com os braços e deixou sua mente vagar... A poltrona preta no canto do quarto foi o primeiro lugar que olhou quando encontrou, daquela última vez, o pai dormindo. A longa estante na parede em frente estava repleta de livros pesados que ela mesma lera diversas vezes...
E, no entanto, ela estava ali, dentro daquelas quatro paredes, sentindo-se sufocada de saudades e arrependimentos...sem ao menos conseguir pregar os olhos por dez minutos. Em tempos como aqueles, seu pai costumava abraçá-la fortemente, iria acalmá-la para que dormisse e, em um último caso, lhe daria a Poção do Sono Sem Sonhos; não a deixaria sozinha a noite, permaneceria ali, ao seu lado. Como se apenas sua presença fosse espantar os pesadelos.
Ellizabeth, por sua vez, dormira tão bem que assim que acordou na manhã seguinte abriu um sorriso doce e, afastando a saudade que sentia da mãe, dedicou-se a encontrar Violet para tomarem café. Estava faminta!
– Violet? – perguntou infantilmente ao perceber que a prima não estava em seu quarto.
Olhando atentamente em cada um dos cômodos, suspirou aliviada ao encontrar Violet em um dos quartos, sentada no chão com a cabeça entre os braços, apoiados nos joelhos.
– Violet? – chamou novamente, e dessa vez conseguiu resposta.
A mais velha levantou o rosto rapidamente e acabou assustando a pequena com seus olhos avermelhados e olheiras profundas.
– Que horas são? – perguntou confusa, tinha acabado de colocar a menina para dormir!
– Sete da manhã.
– Ah, claro... – respondeu franzindo a testa — Eu deveria saber... Se acordarmos tarde o dia não rende, certo?
– Isso. – garantiu lembrando-se do que a mãe sempre lhe dizia. — Você está bem?
– Ótima. Arrumou a cama?
– Sim.
– Escovou os dentes?
– Sim. Mas estou com fome...
– Então me espera lá em baixo que já desço para fazer o café da manhã. – disse levantando-se, porém sem emoção alguma, o que surpreendeu a pequena loirinha, já que Violet era uma palhaça e sempre sorria para ela.
Ainda surpresa, Ellizabeth desceu as escadas calmamente, “Um pezinho por vez Lizzie, e cuidado com as escadas”, dizia sua mãe. Sorriu orgulhosa ao lembrar do sorriso que sempre a esperava no fim das escadas pela manhã. Mamãe faria falta... Mas ela tinha Violet. Ainda que estranha naquela manhã, Violet brincaria com ela o dia todo!
A mais velha, entretanto, já sentia dores nas costas por ter ficado na mesma posição a noite toda. E ainda não acreditava que realmente se passara uma noite inteira. Passou tão rápido! Talvez tenha cochilado, afinal. Mas a dor em seu braço ainda era bem vívida. Lembrou-se que desde que acordara no hospital após a Guerra seu braço latejava, e naquele momento não parecia melhor. Com medo que a segurassem por mais tempo naquele lugar, simplesmente ignorou e, em um momento de loucura, usou Magia Negra para desfazer a mancha.
Por algumas horas funcionou, mas logo depois voltou com mais força. E desde então tem usado o mesmo método. Arregaçou as mangas da blusa rapidamente, revelando os longos arabescos negros que desciam do ombro e peito para o antebraço, começando a despontar nas palmas das mãos.
Violet sabia que aquelas marcas eram os resquícios de energia que sugou de Voldemort, e provavelmente toda a sua maldade. Era insanidade, sabia disso, mas também a única explicação menos impossível para se acreditar.
E se alguém visse aquilo... “Não”, negou, “ninguém verá”. Alem do mais, era apenas uma fase, certo? Logo passaria.
Decidida, estendeu a mão sobre o pulso e forçou a marca a recuar. Aquilo doía como se a marca fosse uma corda pregada em sua pele, e enquanto ela empurrava para cima, alguém puxasse essa corda indelicadamente a ponto de rasgar-lhe a pele... Mas mesmo assim continuou até cinco dedos acima do pulso, onde conseguiria esconder com uma blusa.
Repetiu o processo no outro braço e, recusando-se a chorar, cobriu o pulso com a blusa. Os braços ardiam como brasas e sentia-se cansada como nunca antes esteve. Apoiou-se na pia com as duas mãos e, suspirando fundo, encarou-se no espelho.
– Você está péssima Violet... – sussurrou acompanhando as olheiras profundas sob seus olhos azuis. Estranhamente todos os ossos de seu corpo incomodavam... – Estou ficando louca. – murmurou passando as mãos sobre rosto numa tentativa de espantar tais pensamentos, mas então algo aconteceu.
Seus dedos estavam úmidos e pegajosos, e ao olhar para baixo, assustou-se ao ver suas mãos cobertas de sangue. “Não, isso não está acontecendo”, pensou desesperada. Abriu a torneira e tentou limpá-las, mas nada acontecia. Esfregou com ainda mais força e, timidamente, uma memória apareceu em sua mente... Na época em que voltou para 1974 e Voldemort invadiu seus sonhos ela sentira a mesma coisa, mas em seu ombro.
– Sai, por favor... – sussurrou ainda mais desesperada, suas mãos doíam com a força empregada.
– Violet? – chamou Lizzie na porta do banheiro.
Violet encarou-a rapidamente e a pequena recuou um passo. Olhando logo em seguida para o braço molhado e avermelhado Violet realmente sentiu-se paranóica. Sem sangue!
– Está doendo? – perguntou a loira timidamente apontando o braço.
– Um pouco... – admitiu encarando a garota fixamente.
– Draco fazia o mesmo ano passado. Eu ouvia ele dizer para a mamãe que doía muito e que esfregava até machucar... Mas não resolve.
– Eu não tenho o mesmo que ele. – rebateu secamente, assustando Ellizabeth. – Você não sabe o que está falando e... deve estar com fome. – mudou rapidamente o assunto e tom de voz sem ao menos perceber. — Eu já desço Lizzie, só vou terminar aqui.
– Tudo bem. – respondeu saindo rapidamente do quarto.
– Definitivamente estou ficando louca... – murmurou voltando seu olhar para o reflexo no espelho, assustando-se ao perceber uma fina linha negra ao redor dos olhos azuis.
Piscou várias vezes, preocupada, e no momento seguinte havia sumido. Olhou para baixo novamente e, além das marcas avermelhadas de esfregar as mãos, não tinha sangue. Apenas enxugou-se, desceu a manga da blusa e saiu do quarto.
Quando chegou à cozinha Lizzie estava sentada comportadamente, os pezinhos balançando. Violet não disse nada e começou a fazer o café da manhã em silêncio e, minutos depois, colocou um prato de panquecas e um potinho de calda sobre a mesa.
– Você gosta de panquecas? – perguntou sem humor ou preocupação.
– Gosto, mamãe fazia sempre.
– É... A minha também. – respondeu lembrando-se da época em que Bellatrix a chamava para o café e colocava um prato de panquecas sobre a mesa.
Nesse exato momento um som irritante soou pela casa e Violet fechou os olhos na tentativa de espantar o barulho.
– Não vai atender? – perguntou a pequena colocando um grande pedaço de panqueca na boca, o olhar inocente despertando Violet de seus devaneios e fazendo-a levantar para abrir a porta.
– Hey! Espero não ter te acordado... – disse Sophie após abraçar a amiga levemente e estranhar quando Violet afastou os braços, como se estivessem doloridos ou algo assim.
– Lizzie acorda cedo. Acho que é mal de família...
– Como você está?
– Bem, muito bem. – respondeu rapidamente sentando-se no sofá.
– Você dormiu a noite?
– Não.
– E mesmo assim está “muito bem”?
– Ok, talvez eu não esteja tão bem, mas estou vivendo. Já passei por coisas piores, vou sobreviver, não se preocupe. – respondeu seriamente.
– Vitor me ligou... Ele disse que tentou falar com você mas não obteve resposta...
– É, eu não estou a fim de falar com ninguém. – disse indiferente, encarando o estofado do sofá — Se puder dizer isso a ele eu agradeço.
– Claro... – estranhou — Sabe, eu estive pensando e... Bem, você obviamente precisa descansar. Acho que concordamos que com uma criança em casa fica difícil então... O que acha de a Lizzie passar um tempo comigo? Eu adoraria tê-la por perto e você teria um tempo para se recompor depois de tudo.
– Se ela quiser ir... Por mim tudo bem. – deu de ombros, preocupando Sophie novamente pela frieza.
– E o seu braço?
– O que tem ele?
– O que aconteceu? Você afasta sempre que eu ameaço chegar perto... Exatamente como na época da Umbridge.
– Estou bem Sophie. – repetiu levantando-se – Lizzie!
Assim que a garota apareceu na porta da sala um tanto assustada, preocupando Sophie, Violet sentou-se na poltrona e não ouviu uma palavra sequer das loiras, que sorriam e se divertiam. No fim, Lizzie arrumou uma bolsa com roupas e brinquedos e, após despedir-se de Violet, seguiu para a casa dos Seyfried com uma Sophie preocupada.
Sozinha, Violet subiu para o quarto e tentou novamente dormir. Mas assim como a noite passada, era apenas fechar os olhos que e a imagem do pai morrendo em seus braços ou a mãe dizendo que a amava impunha-se diante de seus olhos. Sem muito o que fazer, desistiu de dormir e desceu ao porão para treinar poções... Mas novamente, aquilo lhe trazia lembranças demais, sem contar que derrubou os frascos inúmeras vezes. Nada dava certo! Por fim irritou-se e, após jogar no chão tudo que tinha na mesa, subiu para o quarto e sentou-se encostada na parede, assim como a noite anterior.
Dois dias se passaram e Violet levantava apenas para comer alguma coisa e tomar banho. Todas as manhãs, entretanto, uma dor dilacerante percorria seu braço e queimava as veias. Novamente ia ao banheiro para lavar e esfregava com toda a sua força até parar. Depois, com Magia, forçava a Marca Negra a recuar o suficiente para escondê-la e encarava o espelho. As orbes pretas estavam lá novamente e, após o segundo dia, Violet já não se importava em vê-las novamente.
Sua mente viajava em memórias da infância e da adolescência, mas nenhuma lágrima foi derramada. Por volta do quinto dia isolada, e evitando qualquer tentativa de contato, Violet passou a ter tiques nervosos. Arranhava o chão sempre que uma má lembrança lhe vinha à mente e, quando a dor invadia o braço novamente, esfregava com uma esponja freneticamente, ignorando o sangue que, após repetidas vezes, finalmente aparecia em sua pele machucada.
Com as noites em claro e as tardes sem nada para fazer, Violet desenvolveu uma vontade absurda de substituir a dor da marca pela dor de uma navalha. Várias vezes contornou as marcas com a ponta de um estilete, porém sem se aprofundar. Sua maior vontade era arrancar aquele filete negro com as próprias mãos, e muitas vezes teve que reprimir esse instinto destrutivo.
Após uma semana sobrevivendo desse modo, Monstro apareceu em seu quarto, preocupado, e, após ver sangue seco no assoalho do quarto e Violet com as mangas da blusa avermelhadas, resolveu chamar alguém para ajudá-la.
– O que quer comigo? – perguntou Alastor após o pequeno elfo invadir uma reunião da Ordem.
– Monstro acaba de voltar da casa da Srta. Black, Monstro está preocupado...
– O que aconteceu? – alarmou-se o velho ex-auror enquanto os demais ouviam com atenção.
– A Srta. Black não parece bem, ela não dorme mais e Monstro viu sangue em suas roupas...
Não foi preciso mais nada para, segundos depois, Sirius acompanhar Alastor até a casa dos Prince, onde foi necessário usar magia para abrir a porta. Ao entrar, Moody percebeu que tudo estava em silêncio... A não ser por um barulho insistente no andar de cima. Sirius, por sua vez, não pode deixar de se sentir em um filme de terror trouxa, onde os mocinhos entram na casa escura e assombrada e encontram um monstro.
O mais velho quase não reconheceu a afilhada quando encontrou uma garota de cabelos escuros bagunçados sentada no chão com as mãos na cabeça, balançando-se incessantemente sobre o assoalho.
– Violet! – exclamou assustado aproximando-se rapidamente.
Quando a garota percebeu que não estava sozinha e ergueu o rosto, encontrou um par de olhos extremamente familiares, porém, não reconheceu o homem que se abaixava à sua frente e, quando ele apresentou sinais de que iria tocá-la, recuou como um filhote assustado.
– Hey, calma, sou eu... Alastor. – disse tentando se aproximar, preocupado ao ver os olhos negros e perdidos. – Violet...
– Merlin! – exclamou Sirius, não se contendo ao entrar no banheiro e encontrar marcas de sangue na pia e no chão, além do espelho quebrado.
Sua voz foi o suficiente para Violet se alarmar. Assustada, levantou-se rapidamente e acuou-se em um dos cantos do quarto, encarando os dois homens assustada.
– Violet, calma...
– Não, não, não, não, não... Saiam daqui, estão invadindo a casa do meu pai, não podem fazer isso!
– Violet, por favor...
– Não! – gritou desesperada – Saiam, agora!
– Só saímos daqui com você. – afirmou Alastor enquanto Sirius aproximava-se silenciosamente da garota, que recuava em sua direção sem perceber. – O que aconteceu? Por que tem sangue no chão?
– Saiam daqui!! – exclamou recuando, porém, logo sentiu alguém a segurar por trás, apertando seus braços machucados. Soltou um grito de dor e tentou se soltar, mas o homem era muito forte e a apertou mais.
Alastor não sabia o que fazer enquanto via a afilhada gritar desesperadamente ao tentar se soltar dos braços de Sirius, que estava claramente tendo problemas com isso. Logo Violet pareceu lembrar que tinha magia e, abrindo as palmas das mãos, lançou uma forte rajada de magia negra no homem que a segurava, mandando-o para a porta do quarto brutalmente.
– Violet para! – exclamou Sirius tentando se levantar, as costas doloridas devido ao tombo.
– Você sairá daqui agora. Não quer esperar meu pai chegar para tirá-lo, quer? – disse ela asperamente, aproximando-se.
– Severo está morto!
– Sirius! – repreendeu-o Alastor no mesmo instante em que Violet, irritada, lançou um novo raio de magia sobre o Black, que dessa vez foi jogado na direção das escadas repetidas vezes até que, com mais força, Violet lançou-o escada abaixo friamente. – Violet não!
Alastor então, percebendo que a afilhada estava fora de si e que obviamente queria matar Sirius, aproximou-se sem pensar e, assim que ela virou-se em sua direção, segurou em seu rosto e a abraçou fortemente.
– Violet, sou eu... Seu padrinho, lembra? Por favor, para... – pediu beijando sua testa antes de ser empurrado para trás pelas mãos femininas. – Violet!
Com um rápido puxão, Violet o lançou para o corredor também e caminhou até a escada, onde Sirius tentava se levantar. Certamente quebrara alguma coisa e havia acabado de mandar um Patrono para a Ordem pedindo ajuda quando sentiu-se colidir com um espelho pendurado na sala.
– Eu falei para irem embora... – sussurrou ela caminhando descalça sobre os cacos de vidro, o rosto numa máscara assustadora. – Mas vocês não me ouviram! – riu, erguendo-o novamente e jogando-o para a mesa de jantar, derrubando tudo que estava sobre o tampo de madeira. – Agora terei que pô-los para fora antes que meu pai chegue... Ele não gosta de invasores...
Antes que pudesse atacar novamente, Sirius ergueu a varinha e atingiu Violet, lançando-a para a parede brutalmente. Violet gemeu de dor e, após perceber as mangas da blusa rasgadas, arrancou-as, deixando à mostra as cicatrizes e a Marca Negra em ambos os braços, estendendo-se até os pulsos e, finalmente, alcançando as palmas das mãos.
– Oh Merlin... – sussurrou ele.
O Black entendeu rapidamente o que estava acontecendo ao ver as mesmas marcas dos comensais no braço da garota e tentou se aproximar, mesmo machucado. Violet, entretanto, tinha outros planos.
– Violet, essa não é você... – começou, mas logo viu-se sustentado no ar no centro da sala. Sentiu seu pescoço ser apertado e Violet aproximando-se com uma das mãos erguidas, estrangulando-o.
– Violet! – exclamou Moody sacando a varinha, não tinha outro jeito de pará-la.
– Crucio! – rebateu a menina atingindo-o, fazendo com que Alastor caísse de joelhos. Ele tinha uma boa resistência contra maldições, mas não esperava que a afilhada lhe lançasse uma.
Em questão de segundos a porta foi invadida por inúmeros bruxos, liderados por Tonks e Andrômeda. Violet virou-se rapidamente e encarou os bruxos extremamente familiares, mas, novamente, desconhecidos.
– Desipiens! – exclamou lançando um lampejo incolor em Tonks, que caiu rapidamente sentindo dores excruciantes por todo o corpo, alucinando com seus piores medos. Logo os demais bruxos se posicionaram para ataca-la enquanto Catherine aparatava com Tonks. – Sectumsempra. — dessa vez George fora o alvo e, se não fosse por um movimento rápido de Régulus, seria atingido.
– Estupore! – exclamou Andrômeda, que atingiu Violet pelas costas e derrubou-a no assoalho, desmaiada. – George?
– Estou bem... – garantiu aproximando-se da garota e erguendo os braços marcados. – O que aconteceu com ela?
– Tudo. – respondeu Eileen entrando na casa e surpreendendo os demais. – Não esperavam que ela fosse ficar bem depois de tudo que aconteceu, esperavam? Ou que eu ficaria mais de um mês no hospital? – ironizou aproximando-se de Violet, tinha visto o que aconteceu e tinha serias suspeitas. — Imaginem toda maldade e crueldade que Voldemort sentira por todos esses anos, somadas às emoções que uma Marca Negra pode guardar... Acredito que todos os que um dia foram marcados sentiram algo familiar essa semana, certo? Parecia que Voldemort estava nos chamando... Mas não era algo lúcido, era mais como... Uma alucinação.
– Era... Era ela? – surpreendeu-se Régulus — Pensei que estava ficando louco...
– Quando Violet absorveu a Marca Negra, quase morrendo no processo, para salvar a todos nós, acredito que a Marca a reconheceu como a nova senhora... Mas ao mesmo tempo a repudiou. Não sei ao certo o que aconteceu, preciso pesquisar mais. Mas o certo é... Ela perdeu amigos, descobriu traições e viu as pessoas que mais amava morrerem. Ninguém é forte o suficiente para passar por tudo aquilo sem sequelas.
– Por um momento eu vi a Bellatrix ali... – sussurrou Andrômeda enquanto George examinava Sirius. – Em um de seus ataques de loucura...
– Provavelmente seja exatamente isso. – continuou Eileen. — Violet nunca treinou o suficiente de Magia Negra para saber se controlar totalmente. Não tem como ela simplesmente usar e abusar disso e no segundo seguinte ficar bem. – explicou analisando os cortes nos braços. – Não duvido que ela tenha chegado à loucura e feito esses cortes por si mesma. Tenho minhas teorias...
– Teorias?
– Acredito que Violet se viu presa dentro da própria mente, comandada por seu lado obscuro sem poder fazer nada senão assistir a si mesma atacando a família. – respondeu acariciando os fios negros gentilmente. – Ela precisa ser internada no St. Mungus, quando acordar é provável que volte ao estado de loucura e tente atacar mais alguém. Até lá descubro o que realmente aconteceu e saímos das teorias.
– Mas isso é reversível, certo? – perguntou Alastor, ignorando a dor que se espalhava pelo corpo.
– Vai demorar, mas sim. – concordou enquanto usava sua magia para curar os cortes no braço da neta. – Digamos que... Ela precisa se desintoxicar por completo e descansar. Mas até lá terá esses picos de raiva e pode machucar alguém. Vamos anular sua essência mágica temporariamente. – respondeu. – A mente continuará confusa e desequilibrada, mas não apresentará perigo se a prendermos.
– Prender? Você fala como se ela fosse um animal!
– Prefere vê-la quebrando outra pessoa? – exclamou – Eu sei o que estou fazendo, lembre-se que tenho Magia Negra e sei como é perigosa. Há um jeito de contê-la, só preciso pegar algumas coisas antes. Mas só estaremos seguros, e ela também, se Violet ficar presa por um tempo no St. Mungus. Desacordada.
– Um tempo quanto? – perguntou Andrômeda.
– Esse tipo de recuperação não é rápida, talvez meses...
– Eu não vou deixá-la presa por meses no St. Mungus. – manifestou-se Alastor, deixando-se levar pelo lado emocional e descartando totalmente o racional, do qual Eileen parecia ser extremamente dotada.
– Você não precisa. Eu farei. – avisou Eileen firmemente. – E se quiser manter o que você ainda chama de rosto, é melhor não impedir Olho-Tonto. Vamos prendê-la em sua mente até que o corpo se recupere e expila o excesso de magia. Ela terá sonhos bons e, talvez, recupere a sanidade.
– Isso é doentio... Você está falando de prendê-la num hospital, dopá-la e dar memórias falsas enquanto ela fica desmaiada!
– Às vezes a ilusão é melhor que a realidade...
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