The Orphan: Endless Love
13 Capítulo 13 - Sisters
Notas iniciais
“Irmãs”
– Maio de 1974 -
Voldemort ainda não acreditava na sorte que teve... Como nunca pode perceber as joias que se escondiam debaixo de seu nariz? Tão poderosas!
Enquanto caminhava entre as lápides do cemitério para confrontar seu diamante mais velho, pensava no enorme desperdício que fora perder uma das irmãs Prince... Mas não deixaria as outras duas escaparem, ah não, certamente não! Elas fariam o que ele mandasse, querendo ou não. E nada, nem ninguém, iria impedi-lo. Lançando um último olhar sobre os Comensais que deixou de prontidão no cemitério, pensou no inevitável... Ravenna não iria escapar.
– É incrível como não vemos algo que sempre esteve à nossa frente, não? – disse parando ao lado de Ravenna, que encarava a lápide da irmã com pesar e, talvez, culpa.
“Oh, essa é nova...”, pensou ele, “Ravenna sentindo-se culpada?”
– Milord... – cumprimentou sem levantar o olhar, irritando-o. Como ela atrevia-se a não lhe dar atenção?
– Sabe Ravenna... Descobri uma história muito interessante essa semana e gostaria de compartilhar com você, talvez possa me ajudar em um dilema...
– Minha irmã morre e eu sou promovida a conselheira? – ironizou. – Que tocante...
– Diga-me Ravenna... Já ouviu falar nas “bruxas originais”? – perguntou e, por mais que não demonstrasse, Ravenna preocupou-se imediatamente. Ele descobrira?
– É claro Milord, estudamos isso em Hogwarts. Lendas, apenas.
– As primeiras bruxas de que se tem registro... – continuou, mantendo seus olhos atentos a qualquer reação da mulher ainda ajoelhada – Tão poderosas que não precisavam de varinhas ou feitiços específicos, bastava uma mente sadia. Na história sabemos que elas usavam sua magia para curar pessoas, mas também sabemos que quando entravam em guerra eram implacáveis... Poderosas o suficiente para derrubarem um exercito. Fascinante, não? – sorriu — Entretanto... Com o passar do tempo, por motivos inexplicáveis, os bruxos foram perdendo essa capacidade e passaram a depender de varinhas para canalizar seu potencial mágico. E embora alguns ainda consigam realizar feitiços não verbais, é preciso muita habilidade...
– Que por sorte todos os seus seguidores possuem.
– Deixe-me terminar a história Ravenna, tenho certeza de que apreciará o final. – interrompeu – Enquanto as varinhas tornaram-se frequentes, algumas famílias mantiveram essa capacidade, apelidada gentilmente de... Magia Negra. Verdadeiros diamantes escondidos. – comentou sorrindo, vendo um resquício de receio nos olhos de Ravenna. – É claro que a história nos diz que, de tempos em tempos, algum bruxo nasce com esse tipo de magia... Mas se pesquisar... Todos eles são descendentes da “bruxa original” das lendas, e suas famílias também. Muitos estão andando por aí, sem ao menos notarmos.
– É uma história interessante.
– Oh sim, muito interessante. E mais interessante ainda foi descobrir que toda a linhagem dos Pendragon possuía Magia Negra...
– E o Milord possui os gêmeos. – disse tentando desviar do assunto. Ravenna sabia há muito tempo das habilidades dos Pendragon, mas jamais deixou as suas transparecerem.
– Sim, mas a história é mais profunda Ravenna... Em algumas pesquisas, muito complexas por sinal, descobri outra família com a mesma habilidade, porém restrita às mulheres. Algo genético, talvez. – sorriu — Uma família natural da Rússia com três filhos homens. – continuou – Dois deles morreram sem filhos, mas o último... Refugiou-se em Volterra e deixou um herdeiro. Cinco gerações depois, o último da linhagem estabeleceu-se em Londres, casou-se com uma “camponesa” de olhos claros e, juntos, tiveram três filhas. Uma família influente que logo mostrou-se tão poderosa, rica e pura que não demorou a integrar a nata da sociedade bruxa. E qual foi a minha surpresa quando descobri que essas três mulheres frequentaram Hogwarts, e logo em seguida aceitaram a Marca Negra?
– Deve ter ficado muito satisfeito por tal sorte... – jogou, afinal, ele já sabia a verdade e provavelmente a puniria por esconder. Por que não divertir-se um pouco?
– Oh sim... Mas também fiquei surpreso por nunca notar que as habilidades dessas três bruxas eram fora do comum... Que eram mais poderosas do que aparentavam e nunca me disseram.
– Uma pena, realmente.
– Lembra-se do plano que tenho guardado para os Pendragon, Raven? Talvez eu possa repensar as pessoas que usarei.
– E essas mulheres estão dispostas a cooperar?
– Chega de jogos Ravenna.
– Foi você, não foi? – perguntou encarando-o subitamente, ancorada com mais coragem do que Voldemort gostaria. – Você a matou.
– É claro que não... – negou cinicamente — Foi uma infelicidade Eileen aparecer morta em sua casa. Já pensou em algum dos inimigos que conquistaram? Talvez o mesmo de meses atrás... – respondeu.
E então, uma bomba de reconhecimento caiu sobre Ravenna, finalmente vendo a verdade. Voldemort assassinou Hope e Eileen! E esse tempo todo, Raven culpou a irmã pela morte de Hope...
– Eileen era poderosa, como você mesmo disse... – continuou tentando manter a calma – Nunca se deixaria ser abatida facilmente por um simples inimigo.
– Ah não? Ao que parece ela não foi forte o suficiente. – debochou – Amor é fraqueza Raven... Sua irmã amou e pagou por isso.
– Uma pena só descobrir sobre isso agora, não acha? – ironizou levantando-se dignamente – Teria evitado a morte da mais poderosa das irmãs. – debochou soltando um sorriso irônico e diabólico, que certamente surpreendeu Voldemort pela veracidade. — Justo a mais forte! A que mais desenvolveu suas habilidades. Que conseguia manipular mentes com facilidade e nunca foi descoberta, a única com um cérebro tão brilhante que foi capaz de mentir esse tempo todo... Debaixo do seu nariz. – riu encarando-o mortalmente. – Talvez tenha que repensar seus planos Milord. O convite foi recusado.
– Não brinque com fogo criança! – exclamou ele apertando o pescoço da morena, que apesar de sentir o ar lhe esvair lentamente, mantinha um sorriso de escárnio no rosto. – Sua irmã arriscou e se queimou!
– O quê?! – exclamou Goethe, derrubando o ramo de flores que trazia consigo e assustada ao ver a cena à sua frente. – Foi você...
– Corre! – exclamou Ravenna tentando se soltar, porém, Rabicho estava logo atrás da bruxa e, assim que a mais nova distraiu-se com o pedido da mais velha, estuporou-a.
– Oh não, a festa está apenas começando! – rebateu Voldemort lançando-lhe um feitiço silencioso que a fez cair em sono profundo.
– Maio de 1998, dias atuais -
Meryl massageava as têmporas pela décima vez aquele dia. “Apenas mais uma hora”, pensava ela, “uma hora apenas”. Estava cansada de assistir Comensais tentarem se defender das acusações com argumentos ridículos para depois sentencia-los à Azkaban, boa parte sob pena de morte.
– Pettigrew. – cumprimentou assim que o bruxo gordinho foi arrastado para dentro pelos aurores. – Pensei que estivesse a caminho da morte...
– Ele diz ter “informações preciosas” sra. Ministra, e pede a liberação da pena de morte em troca. – explicou um dos aurores enquanto Rabicho se encolhia levemente ao entrar na sala particular de Meryl, acompanhada apenas por dois membros do Conselho.
– E que informações seriam capazes de livrá-lo da morte hoje Sr. Pettigrew? – perguntou entediada.
– E se eu disser que o Lord Das Trevas mantinha duas poderosas armas em um esconderijo ao norte da Rússia? – começou ele, atraindo a atenção dos demais.
– Que tipo de arma?
– Do tipo perigoso. – sorriu – Duas Comensais da Morte que se voltaram contra o Milord depois de ele ter matado a irmã mais velha... Mas por possuírem muito poder, podiam ajudá-lo futuramente. Estão em uma espécie de “coma induzido” por poções das trevas e sobrevivem à base de sangue de unicórnio. Ele contava que as convenceria quando as acordasse e mostrasse a irmã viva...
– Não tem muito tempo Pettigrew. Nomes.
– Ravenna e Goethe... Prince. – disparou, gerando um enorme burbúrio no ministério.
– Elas estão mortas Sr. Pettigrew. – acusou um dos conselheiros.
– Não... Pode ler todos os registros. As duas desapareceram pouco depois que Eileen foi enterrada e depois dois corpos apareceram. Foi mais fácil dizer que eram elas e as consideraram mortas também. Por serem comensais ninguém se importou. – justificou – Mas as duas estão vivas, presas na própria mente... Vez ou outra acordam, mas estão fracas demais para entrarem num duelo.
– Conseguiu o que queria Pettigrew, atenção. – disse Meryl – Agora explique muito bem essa história e talvez o deixemos viver.
– 1974. – começou satisfeito, porém sem esconder o medo que sentia de não acreditarem nele – Ravenna e Goethe estavam de luto pelo assassinato da irmã, Eileen. Milord descobriu então que as três descendiam de uma poderosa linhagem de bruxos capazes de coisas extraordinárias. Do tipo que a filha do Snape demonstrou na guerra. – citou, ganhando ainda mais atenção dos demais.
Meryl, que sabia da história de Magia Negra, sentiu-se estremecer levemente ao perceber que, assim como Violet e Eileen, as demais provavelmente também tinham. E se Voldemort as mantinha presas, o plano era grandioso e assustador.
– Tendo as Prince e os Pendragon juntos, Milord seria invencível e dominaria tudo mais cedo do que conseguiu, nada o impediria. – explicou – Mas as irmãs descobriram que ele assassinou Eileen e se revoltaram. Negaram o convite e garantiram que jamais se aliariam a ele novamente. Mas Lord Voldemort não aceita um não como resposta.
– É claro que não. – comentou um dos conselheiros, o mais velho.
– Milord desenvolveu uma poção extremamente poderosa, capaz de derrubar qualquer pessoa e confundir sua mente, deixando-as presas dentro de si mesmas quase ao estágio da loucura. – continuou – Ravenna e Goethe foram levadas para um retiro nos confins da Rússia e presas em jaulas imersas em feitiços e poções, uma espécie de prisão subterrânea. Elas permaneciam acorrentadas o tempo todo... Mas ele sabia que elas iriam envelhecer e, por ele ser imortal por conta das Horcruxes, as perderia. – disse estremecendo, as lembranças da noite em que prendeu Ravenna vívidas em sua mente. – Os Pendragon eram imortais por beberem sangue de unicórnio regularmente, então o Milord fez o mesmo com as Prince, as mantendo sob os efeitos de poções extremamente fortes, feitiços complexos e o sangue de unicórnio. Ele mesmo certificou-se disso até... Até o episódio com o Potter.
A cada palavra Meryl ficava ainda mais preocupada, como alguém como Voldemort poderia existir? Tanta maldade... Egoísmo...
– O Milord me instruiu a continuar os cuidados e assim o fiz. Quando descobriu da garota Snape, juntou as peças e percebeu que ela também pertencia à linhagem das Prince. Logo, seria muito mais fácil manipular uma adolescente conturbada do que duas mulheres adultas que o odiavam. E mesmo depois de voltar completamente curado, na noite do Torneio, o Milord manteve as Prince no estado em que estavam. Se seus planos dessem certo e conquistasse a garota, juntaria os Pendragon a ela e trariam todos os Comensais de volta. Teve esperança de que, com a garota como serva fiel, Eileen voltaria para suas mãos e, talvez, lhe daria um herdeiro.
– Ele pretendia ter um filho com a Eileen?! – perguntou Meryl horrorizada.
– Oh sim... E trazer suas irmãs de volta seria um presente. Uma via de duas mãos. Ravenna e Goethe agradeceriam por ter Eileen viva e estarem jovens, e Eileen ficaria feliz em reencontrar as irmãs e a neta. Então manteve o plano de vencer a batalha e a garota, enquanto as Prince ficavam como plano B. Vez ou outra acordavam, mas ele as derrubava logo em seguida. – explicou – Mas agora ninguém poderá cuidar delas e em breve vão acordar, desorientadas, furiosas e sozinhas, num mundo que não conhecem.
– Como se você estivesse preocupado.
– Mas vocês estão. – garantiu – As irmãs Prince estão vivas, as três, e são poderosas. Talvez mais que a garota Snape. E sozinhas por ai... Quem sabe o que podem fazer? – sorriu. – Se tirar a pena de morte, posso levá-los até elas antes.
– Ah sim, você certamente o fará. – garantiu Meryl, ainda assombrada pela novidade.
Não demorou para que a Ministra chamasse os melhores aurores disponíveis para uma “missão”, e ela os acompanharia. Mesmo com uma vozinha irritante em sua mente dizendo que era uma armadilha, Meryl precisava ver com os próprios olhos até onde a maldade humana era capaz... Nunca ouviu falar de tais meios para prender alguém e até imaginava o quanto as irmãs Prince sofreram.
Chegando ao tal lugar, Rabicho destravou os mecanismos de segurança e desfez os feitiços de proteção, abrindo a grande porta de ferro trancada. Por chegar a conhecer as três, Meryl foi à frente, escoltada por seus aurores, mas nada a preparou para o que viu.
No grande salão viu apenas duas celas semelhantes aos quartos de um hospício, armários impecáveis e luzes terrivelmente fracas. Chegou a tremer quando viu pequenos instrumentos de tortura, frequentemente usados no século passado pelos trouxas na guerra.
Ao encaminhar-se para a primeira cela, viu uma mulher de cabelos negros deitada numa maca, os braços cheios de hematomas e os pulsos fortemente amarrados com pesadas correntes, assim como as pernas. Vestia apenas um vestido sujo, negro, porém manchado de vermelho... Sangue. Seu rosto parecia perturbado, obviamente pálido e debilitado.
Não sabia exatamente qual das irmãs era aquela, mas ao olhar para a cela ao lado, reconheceu Goethe Prince desacordada, sem arranhões ou hematomas, apenas pálida e fraca. Voltou seu olhar para a primeira mulher e ficou enjoada ao perceber que aquela era a irmã do meio.
– Ravenna... – reconheceu horrorizada — O que aconteceu aqui?
– Raven, como era chamada, acordou um dia antes da batalha final e inexplicavelmente forte o suficiente para tentar se soltar. Ela e Voldemort duelaram e Goethe também despertou, mas estava fraca demais. No fim ele a derrubou e as colocou para dormir de novo, e não permitiu que eu as limpasse ou melhorasse sua aparência. Torturou-a um pouco, dobrou a dose de sangue de unicórnio e da poção que as mantém assim... E desde então ninguém entra aqui.
– Ela mantinha a sanidade?
– Não muito... Mas ainda era uma boa competidora. É admirável que ela tenha conseguido acordar e ainda duelar...
– Sua pena será diminuída. Sem morte para você. – mandou. – E vocês... Tirem-nas daqui com cuidado. Vamos para o St. Mungus, ala de segurança máxima. Ninguém deve saber quem são ou que estão vivas.
E assim foi feito.
Rabicho voltou para sua cela em Azkaban, satisfeito em não receber o beijo da morte aquele dia. Meryl, ainda perturbada, acompanhou os aurores até o hospital e conversou com Robert a respeito das duas, exigindo total sigilo.
Ravenna e Goethe foram internadas na ala de segurança máxima, receberam os cuidados necessários e Robert não descansou até desintoxicar o corpo de ambas das poções e ervas que consumiam à força. Os machucados foram curados com magia e, dois dias depois, as irmãs estavam impecavelmente limpas e penteadas, finalmente mostrando a beleza dos Prince.
– Bom dia Sra. Seyfried. – cumprimentou Robert à Meryl, entrando no quarto e sendo surpreendido por encontrar as mulheres fisicamente bem. – Espera, ontem elas... Elas estavam...
– É, eu sei. – concordou ela, encarando Goethe.
Enquanto Meryl e Robert conversavam sobre o estado das duas, Ravenna despertava aos poucos. Estranhou ao perceber que seus pulsos estavam livres, sentiu a luz forte em seu rosto e ficou aliviada ao sentir-se bem o suficiente para fugir de onde quer que estivesse. Não ouviu a voz gélida de Voldemort ou a amedrontada de Rabicho, e sabia que não estava mais presa... Mas não deixou de se preocupar.
– Parece que a Magia Negra é curativa. E eu já procurei, não tem sequer uma mancha na pele delas... É impressionante. – murmurou ela – Olha para ela, Ravenna está inteira!
Ao ouvir seu nome na conversa entre dois estranhos, atentou-se ao que falavam. O tom não assemelhava-se em nada ao dos comensais, mas sentiu uma estranha firmeza na voz da mulher, algo familiar, mas ao mesmo tempo estranho.
– Recebeu notícias da Violet?
– Ahhh, não, ela realmente não quer visitas. – respondeu Robert. – Moody está preocupado, mas a McGonagall o convenceu a esperar... Violet passou por muita coisa nessa guerra, talvez apenas precise de um tempo.
– Voldemort destruiu muitas famílias, mas certamente a dela foi a mais afetada... – concordou Meryl, causando um frio na espinha de Ravenna, que ouvia atentamente – Eu ainda não... Não acredito. Como alguém pode ser tão... cruel? Ele matou a Eileen e aprisionou Ravenna e Goethe por 25 anos! Como se não bastasse, recrutou o Snape e o forçou a coisas terríveis para manter Harry e Violet a salvo, manipulou a Violet de todas as formas que pode, assassinou Severo, trouxe os Pendragon e forçou a Violet a participar daquele feitiço idiota... E quando ela finalmente venceu, quase morreu e levou Eileen junto...
– Mas todas estão vivas. – rebateu Robert, não fazendo ideia do efeito que causou em Ravenna e Goethe, que agora também despertara. – Tudo está se ajeitando Meryl. Violet, apesar de não querer ver ninguém, está bem... Ravenna e Goethe estão vivas e Eileen também! Aliás... A Sra. Snape recebeu alta. Eu tentei fazê-la ficar para alguns exames, mas... Digamos que é bem geniosa.
– Era de se imaginar. – concordou rindo. – Ela já sabe... sobre... Severo?
– Não. – respondeu mais sério. – Eu queria que ficasse para poder explicar tudo certinho, mas... Não deu muito certo. Meu medo é que ela descubra pelos jornais, não se fala em outra coisa que não seja a família Snape.
– Não consigo imaginar a dor que Eileen sentirá quando descobrir... – comentou – Vou procura-la mais tarde... Nós nos conhecemos, talvez a ajude a entender... Não acho que a Violet consiga explicar tudo ainda.
– Então é verdade? – resmungou Ravenna abrindo os olhos e surpreendendo os demais, que a encararam estáticos. – Voldemort foi derrotado?
– Que lugar é esse? – perguntou Goethe logo em seguida, olhando atentamente para as paredes e o ambiente. – Eileen está viva? Como... Merlin, como nós estamos vivas?
– Acalmem-se, por favor... – pediu Robert, assumindo o controle – Vamos com calma... Vocês estão no Hospital St. Mungus, eu sou Robert Tupper, seu médico, e estou cuidando de vocês nos últimos dias.
– Voldemort...
– Está morto. – garantiu Robert verificando o pulso de Goethe e partindo para Ravenna logo em seguida, que o encarava desconfiada. – Qual a última coisa que se lembram?
– Voldemort confessando à ela que matou nossa irmã. – respondeu Goethe rapidamente, buscando respostas.
– As mãos de Voldemort no meu pescoço. – rosnou Ravenna. – Aquele mestiço imundo nos prendeu em sabe-se lá onde e, da última vez que acordei, duelamos. Mas não fui forte o bastante.
– Não é sua culpa Ravenna...
– Fica quieta Goethe! – interrompeu. – Então diga, Dr. Tupper, como chegamos aqui? – disse como o tom de afronta e ironia — E como pode ter certeza que Voldemort foi derrotado?
– Porque a neta da sua irmã o matou. – respondeu Meryl, pronunciando-se pela primeira vez. – Vocês duas ficaram presas por 25 anos em um retiro no norte da Rússia sob os efeitos de poções, ervas, feitiços e torturas. Ele as prendeu em suas mentes e as manteve vivas e, de certa forma, imortais, com sangue de unicórnio.
– Bastardo... – ralhou Ravenna, irritada. – E você, quem é? Aliás, em que ano estamos?
– Meryl Seyfried, Ministra da Magia, 1999. – falou.
– Eu vou deixá-las a sós. – comentou Robert e, após a Ministra assentir, deixou o quarto.
– Há alguns anos Voldemort começou uma guerra para tomar o mundo bruxo e eliminar os nascidos trouxas... – continuou ela — Mas de acordo com uma profecia, alguém estava destinado a derrotá-lo definitivamente, destruir as Horcruxes e finalmente trazer paz... E por uma ironia do destino, esse alguém é sua sobrinha-neta. Violet Eileen Prince Snape Black.
– Black? – repetiu Goethe, surpresa.
– É uma longa história...
– Acho que temos tempo. – ironizou Ravenna ajeitando sua postura enquanto a loira em sua frente começou a contar tudo que aconteceu desde a morte de Eileen Prince até aquele dia... Era assustador e as deixou extremamente perdidas no meio da história.
Estavam surpresas por saberem que Severo, seu sobrinho, conseguiu enganar o Lord das Trevas por tantos anos sem usar qualquer privilégio em Magia Negra, mas nada superou a notícia de que uma garota com quase 20 anos derrotou o bruxo mais temido da história e sobreviveu.
– Então Eileen... Está viva? Está bem?
– Sim, muito bem até. As enfermeiras não gostaram muito dela, devo dizer. – debochou.
– Temos uma segunda chance então Ravenna! – exclamou Goethe animada – Podemos nos aproximar da nossa irmã novamente!
– É... Podemos. – murmurou encarando o teto, lembrando-se do quanto sentiu-se mal ao descobrir que culpara sua irmã mais velha pela morte de Hope injustamente. – Por que você me é familiar Ministra?
– Eu era uma das amigas do Severo em Hogwarts. Meryl Miranda Sting. Cheguei a conhecer vocês duas certa vez, na casa da Eileen. – explicou sorrindo – Foi apenas uma oportunidade, mas... Acho que nunca vou esquecer a expressão sombria que Eileen lhes lançou quando perguntaram do Snape.
– Ela foi uma idiota em casar com aquele trouxa estúpido.
– E nós a crucificamos por isso! Já chega não é Ravenna? Ela é nossa irmã e... – continuou Goethe, porém, a porta foi aberta repentinamente e um homem alto, de olhos claros, entrou.
– Eu pedi para ficar sozinha Pierce... – ralhou Meryl, porém, ao ver a urgência nos olhos do marido, preocupou-se. – O que aconteceu?
– Violet. – respondeu – Moody foi procurá-la mais cedo em casa com o Sirius e ela os atacou.
– Mas...
– Sirius deu entrada no hospital há dois minutos e descobri que Tonks e Moody também. Ao que parece a Violet perdeu o controle e quase matou os três.
– Oh Merlin...
– A Ordem foi para lá e conseguiu contê-la, Eileen disse que ela perdeu a sanidade e tornou-se perigosa, pode machucar alguém... Então vão interná-la aqui até que melhore.
– Com “aqui” você diz...
– A ala de segurança máxima. Moody não está satisfeito, mas acho que não quer enfrentá-la.
– Ela está aqui. – avisou Ravenna, sentindo a enorme aura de Magia Negra se aproximar.
Antes que alguém pudesse perguntar como sabia, um enorme estrondo foi ouvido no corredor e, no momento seguinte, diversas vozes gritavam algo como “segurem ela!”
– Mas o que... – começou Pierce abrindo a porta e voltando logo em seguida. – Violet acordou.
– Fiquem aqui, vamos dar um jeito nisso. – avisou Meryl recolhendo sua varinha. – E que Merlin nos ajude... – disse deixando o quarto e fechando a porta.
– Se isso significa que ela acordou, imagino o que acontece quando ela estiver com raiva de alguém... – debochou Ravenna, porém, pode sentir o quanto de poder era exalado pelas paredes.
– Eles não parecem ser suficientes para pará-la... – comentou Goethe após ouvir algumas paredes serem destruídas e pessoas gritando. – Deve ser uma cena horrível... Está ouvindo?
– Ah sim... Algumas pessoas terão sérios problemas de saúde se a garota não parar... – comentou, já prevendo que, caso Violet fosse realmente muito poderosa, teriam muitas mortes no hospital. – E aparentemente Eileen não está por perto, duvido que deixaria uma menina destruir isso tudo.
– Está pensando no mesmo que eu?
– Infelizmente. – suspirou Ravenna – Você está forte o suficiente?
– Com certeza.
– Então vamos. – disse levantando-se da cama, tirando os fios que a ligavam em aparelhos estranhos e sentindo a firmeza de suas pernas em cada passo em direção á porta.
E o que encontraram foi surpreendente... No final do longo corredor que dava numa pequena sala de espera estava uma garota de costas, cabelos negros pesados e roupas estranhas para um hospital. Olhando ao redor, Goethe percebeu várias pessoas caídas no chão e desejou que estivessem apenas desacordadas, se Violet tivesse o espírito justiceiro ficaria seriamente perdida em matar pessoas.
Ravenna deu um passo a frente, porém, nesse exato momento a porta da escadaria logo em frente foi aberta e dela saiu uma mulher de cabelos escuros.
– Droga... – reclamou Eileen, deixando os livros que trazia no chão e aproximando-se da neta, sem perceber as irmãs logo atrás. – Violet? – chamou, sem resposta – Violet!
Quando a garota virou-se para a voz, Goethe quase engasgou ao ver seu rosto. Era idêntico ao de Eileen na adolescência, se não fossem pelos olhos pretos.
– Sou eu, Eileen, sua avó... Lembra-se? – perguntou calmamente, aproximando-se lentamente para não assustá-la. – Não lhe farei mal querida... Só quero ajudar.
– Não, você é como eles... Quer me prender! – exclamou irritada, a voz grave e de certa forma perdida. – Como todos eles...
– Não querida, não quero... – negou, agora a centímetros de distância. – Olhe para mim Violet... Nos meus olhos...
Nesse momento Ravenna percebeu o que a irmã faria. Manipular mentes... Queria tanto ver de perto! Meryl, por outro lado, não sabia como explicar o que via ao presenciar os olhos azuis de Eileen clarearem consideravelmente, um brilho estranho que, curiosamente, interessou Violet.
– Abaixe o braço Violet. – mandou Eileen firmemente, sem ao menos piscar. – Agora.
Violet sentiu-se puxada pela voz aveludada, algo em seu peito gritando para correr enquanto sentia seu braço abaixar.
– Agora... Você vai parar de destruir tudo e se acalmar. – continuou Eileen – Pode fazer isso?
Com um meneio da cabeça, Violet permaneceu estática e pouco a pouco os olhos negros clareavam para um azul marinho... Eileen esperou até que atingisse a cor normal antes de fazer qualquer coisa, mas seus planos foram frustrados quando um dos enfermeiros ergueu a varinha para atacar.
– Não! – exclamou e, no mesmo instante que rompeu o contato visual com a neta, Violet virou-se e lançou a Maldição Cruciatus no homem, que caiu instantaneamente. — Eu juro que tentei ser gentil... – suspirou antes de chamar a neta e erguer a mão, atingindo a garota com um feitiço silencioso e certeiro, derrubando-a desacordada no chão. – Agora... Quem eu deveria matar primeiro pelo que aconteceu? – perguntou encarando os enfermeiros assustados.
– Eileen... – tentou Meryl, mas foi interrompida por Eileen, que elevou a voz assustadoramente.
– Não vou perguntar uma segunda vez. Quem era o responsável por trazê-la aqui?!
– Eu senhora. – pronunciou-se um homem na faixa dos trinta anos.
– Certo, e o que aconteceu? – perguntou aproximando-se dele perigosamente, um sorriso brotando nos lábios de Ravenna.
– Ela... Ela estava dormindo... – começou assustado ao encarar os olhos furiosos de Eileen – E... Bem, ela começou a acordar e parecia preocupada, então tentamos acalmá-la mas... Bem, ela ficou louca e falou tudo enrolado... E atacou.
– Acho que deixei claro que deveriam deixá-la desacordada, não? – ironizou furiosa – São tão incompetentes que não conseguem sedar uma adolescente?! E ainda se acham bons o bastante para acalmar alguém que, além de poderosa, está fora de controle?!
– Desculpe senhora, mas nós não pensamos que...
– É obvio que não pensaram! – interrompeu erguendo o braço e, no momento seguinte, o pescoço do homem estava em sua mão enquanto era prensado na parede. – Só vou dizer uma vez, e é melhor que entenda. – disse em voz baixa e terrivelmente perigosa – Violet é poderosa e está fora de controle, mais uma burrada sua e não acordará no dia seguinte. Me certificarei disso.
– Eileen! – tentou Meryl.
– Não quero vê-lo nesse andar novamente, ouviu? – ameaçou ignorando totalmente a loira, que já começava a ficar preocupada – Apareça aqui outra vez e arranco seu pescoço.
– Chega Eileen! – impôs-se a Ministra aproximando-se rapidamente.
– É melhor não se esquecer disso garoto. – rosnou a morena soltando o pescoço do enfermeiro, que sugou todo o ar que podia. – Agora sai.
– Eileen...
– Agora! – exclamou fazendo-o tropeçar nos próprios pés enquanto corria até a escada o mais rápido que pode.
– Eileen! – repetiu Meryl, finalmente chamando sua atenção para a figura parada no elevador, Minerva.
– Onde está o Tupper?
– Descendo. – respondeu uma das enfermeiras – E a garota?
– A garota tem nome. – rebateu friamente, tentando se controlar. Eileen sempre odiou a incompetência humana e saia de si ao presenciar o quão longe a idiotice poderia chegar. — Levem-na para um dos quartos e a amarrem. O feitiço a deixará desacordada por algumas horas...
– Amarrada?! – repetiu Minerva. – Isso é desumano, ninguém merece ser...
– Claro, vamos deixá-la solta e, talvez, ela se recupere da insanidade em poucos segundos e ficaremos bem. – ironizou – Preferem que ela ataque mais alguém? Acho que o Black, Olho-Tonto e Tonks já foram o suficiente.
– Mas...
– Se não querem um hospital destruído, amarrem-na o melhor possível, as mãos devem ficar longe uma da outra... Há um quarto de segurança máxima não é? Usem. – falou ajoelhando-se ao lado da neta e arregaçando as mangas da blusa. Vendo as marcas, fechou a expressão e até sentiu pena da garota. Ergueu-se, levitou a neta e a colocou sobre uma maca, que os enfermeiros logo levaram para o tal quarto de segurança enquanto Robert, que descera correndo quando soube do ataque, apareceu. — É melhor correr ou sua paciente pode atacar um dos enfermeiros de novo, doutor Tupper.
– Claro, eu só... Esquece, estou indo. – ofegou Robert, correndo novamente atrás da maca e enfermeiros.
– Sem visitas para ela. – anunciou Eileen espalmando as mãos no chão e fechando os olhos, fazendo uma onda de magia cobrir cada canto do lugar e arrumar tudo que fora quebrado ou destruído. – Ao menos não por enquanto... – abriu os olhos levantando-se, ignorando os olhares surpresos ao redor.
– Ora por Merlin, parem de olhar e continuem seu trabalho! Acabou o show. – repreendeu a Ministra quando percebeu que estavam todos parados – Como... Como fez... Aquilo? – perguntou ao lado da bruxa assim que todos se dispersaram – Seus olhos...
– Longa história. – deu de ombros. – Outra hora, talvez. – disse caminhando seguramente até o fim do corredor e entrando no quarto de Violet.
– Acho que Violet tem a quem puxar... – comentou Minerva sentando-se com a expressão cansada.
– Oh sim... – riu Meryl. – E Severo também.
– Ela é...
– Incrível. – completou Goethe do outro lado da sala de forma que apenas Ravenna ouvisse. – Eu sabia que ela conseguia manipular mentes, mas nunca... Nunca vi o ato em si... E ela é realmente poderosa!
– Sim, ela é... – concordou a mais velha cruzando os braços, dividida entre procurar sua irmã e pedir desculpas ou voltar para o quarto. Porem, não teve tempo de completar o pensamento, pois Eileen logo voltava para o ambiente e, assim que viu as irmãs ali, paradas num canto, estagnou.
Meryl então percebeu que as irmãs Prince não estavam no quarto e que provavelmente viram tudo que aconteceu. E observando a expressão perdida e surpresa de Eileen, compreendeu que aquele seria um longo dia...
– Devo estar ficando louca... – sussurrou encarando Ravenna sorrir ironicamente e Goethe a observar com... orgulho?
– Olá Lee. – sorriu a mais nova, dando ainda mais veracidade à situação.
– Isso... Isso não está acontecendo... – sussurrou Eileen confusa.
Quando retornou dos mortos esperava que as irmãs também voltassem, mas acabou não tendo muito tempo para pensar naquilo. Mas como... Merlin, Ravenna e Goethe usavam roupas de hospital e...
– Você não deveria estar aqui também Eileen. – insinuou Ravenna em seu típico humor negro – E, no entanto, aqui estamos.
Eileen ainda encarava as irmãs, em silêncio, com uma confusão em sua mente. Como aquilo era possível? Como voltaram? Não as encontrou em lugar algum durante a guerra, nenhum rastro... E era impossível que estivessem vivas, Goethe ainda ostentava a beleza de seus 35 anos!
– Você continua a mandona de sempre. – comentou Ravenna, atraindo sua atenção.
Goethe não esperou uma palavra sequer, diminuiu a distância entre elas e a abraçou fortemente, deixando a mais velha sem fala.
– Senti sua falta... – sussurrou a mais nova sorrindo enquanto Eileen correspondia ao abraço e fechava os olhos, quase não acreditando no que acontecia. – Me desculpe Lee, por tudo que falamos... Eu me arrependo tanto! Não deveríamos te afastar por se casar com um trouxa, somos irmãs! Deveríamos te apoiar e...
– Podíamos conversar no quarto não é? Já atraímos atenção o suficiente. – falou Ravenna virando-se e entrando no quarto.
– Ela sempre foi cabeça dura, mas ficou pior depois que você... Morreu. – desculpou-se Goethe engolindo em seco.
– Ela nunca fez o tipo sentimental. – concordou acompanhando-as para o quarto.
Aquela seria uma longa conversa...
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