The Originals
16 Laços
Notas iniciais

POV Charlotte
Ouço o ruído dos meus passos contra a calçada molhada e naquele exato momento sei que há alguém me seguindo há algum tempo, porém não me viro para descobrir quem seria meu perseguidor e também não começo a fugir, apenas continuo andando normalmente.
Consigo ouvir a respiração ofegante de quem me segue e por isso sei que se trata de um humano. Só então a voz dele é ouvida:
– Você não acha que está muito tarde para uma garota como você estar perambulando por essas ruas essa noite? — uma voz máscula, mas que não expressa ameaça, apenas um tom normal.
Não preciso virar para descobrir quem é o dono da voz, por já tê-la ouvido antes.
– Eu sou uma vampira. Você é um humano. Eu acho que o único que está correndo perigo por aqui é você.
– Tenho que admitir... — ele diz, ainda me seguindo. — Quando olhei para você duvidei que você fosse irmã de Niklaus, mas agora posso ver que você tem o mesmo gênio e personalidade forte dele. Tem um rosto muito angelical, Charlotte.
– E você... Não posso dizer que você tem a personalidade e o gênio do Damon, Stefan Salvatore.
– Isso é ruim?
– Não. Você está no lucro. — respondo.
– Onde está indo?
– Está de madrugada e o único lugar aberto em Mystic Falls em uma hora dessas é o Grill. Creio que uma garota com um rosto tão angelical como você disse e que morreu pra ser transformada em vampira pela própria mãe e que em seguida foi morta ao tentar proteger o próprio irmão e que está prestes a morrer novamente por causa de um feitiço maluco, merece uma boa dose de álcool.
– Pare de reclamar. Eu morri duas vezes e o meu limite também era um só.
– Você também não tem o senso de humor do seu irmão. — digo, só então parando de caminhar.
Havíamos chegado no Mystic Grill e eu parei diante da porta quando Stefan agarrou a maçaneta da mesma, só então olhei em seus olhos e eles eram verdes e pareciam esconder as piores dores do mundo. Era diferente de olhar nos olhos do Damon, onde eu enxergava uma imensidão de segredos que me levavam a fazer loucuras para tentar desvenda-los. Stefan era a calmaria, Damon era o oposto: era a tempestade.
– As damas primeiro. — Stefan abriu a porta, me dando passagem.
Sorri diante de seu gesto. Acho que era a primeira vez em que eu sorria verdadeiramente desde que havia voltado a vida. Stefan retribuiu meu sorriso.
Entramos no local quente, diferente da noite lá fora que era gélida. Havia apenas um barman atrás do balcão e mais ninguém no bar.
Me aproximei do balcão e puxei um dos bancos, sentando-me ali. Stefan sentou-se ao meu lado e me perguntei o porquê dele estar tentando se aproximar de mim.
Eu não era confiável. Principalmente com as palavras de Kol soando em minha mente, sem parar:
"Faça o que deve ser feito, Charlotte."
Encarei Stefan. Ele seria entregue para a morte de qualquer maneira. Se o feitiço fosse feito, ele morreria. Se não fosse feito, seu corpo desaparecia se tornando apenas pó e ele voltaria para o mundo dos mortos, de onde Esther não devia tê-lo tirado. Não havia esperanças para ele.
Para mim havia. Se eu fizesse o feitiço voltaria a ser humana e viveria com minha família como se o vampirismo não tivesse passado de um pesadelo em nossas vidas. Eu sentiria o calor novamente em minha pele e não precisaria me alimentar de sangue inocente, eu teria meus irmãos de volta, bom... menos Klaus.
Como eu poderia entregar Klaus para a morte? Eu seria como Kol.
Ah, Kol... minha destruição, a minha ruína. Ele me fez tornar um monstro. Não foi o vampirismo que me tornou essa pessoa, mas sim a traição, a punhalada...
Sinto uma fúria imensa me atingir e acerto o balcão com um soco que faz Stefan me olhar com preocupação:
– Está tudo bem?
– O que você está fazendo aqui, Stefan? — pergunto, não dando ouvidos a ele.
– Beber. — ele responde como se fosse óbvio. Em seguida olha para o barman e diz: — Uísque. O melhor da casa.
– Não. Você estava me seguindo.
– Não. Eu estava vindo para cá. E você parecia sozinha.
– Parece que passei mil anos construindo uma verdade e simples palavras me farão destruí-la em alguns minutos.
– Você entregará Klaus para Esther. — não era uma pergunta, era uma afirmação.
– O quê? — me sinto ofendida.
– Posso ver isso em seus olhos.
– Eu não entendo. — coloco o rosto entre as mãos, me sentindo perdida. — Eu amo Klaus. Por que faria isso?
– Devido ao aumento da maldade o amor de muitos se esfriarão. — respondeu-me.
– Você devia estar com seu irmão agora. Porque quando chegar a noite do solstício...
– Ele está transando com Elena agora.
As palavras de Stefan me atingem como uma bofetada.
– Ele vai me odiar quando souber do feitiço, sabia? — digo, quase em um sussurro. — Mas ele devia odiar apenas ele mesmo.
– Sabemos como Damon é. E eu não vou culpa-lo. Ele está feliz.
– Ele te ama, Stefan. Você precisava ver como ele ficou quando você se foi...
O barman traz dois copos e uma garrafa de uísque. Mas não consigo prestar muita atenção aos copos porque meu olhar está preso em uma veia que é deixada a mostra devido a pele clara do pescoço do rapaz.
Stefan não diz nada.
Seguro a mão do barman antes que ele se vá. Olho em seus olhos e o hipnotizo para que ele se debruce sobre o balcão e me deixe beber do seu sangue. O gosto bom e o calor do sangue me deixam extasiada e fazem com que meus músculos relaxem. Quando me sinto satisfeita faço com que ele se esqueça do ocorrido e limpo meus lábios.
– Desculpe a indelicadeza. Tanto tempo morta me rendeu muita fome.
– A mim também. Mas não... esse tipo de fome. — novamente Stefan faz um pedido ao barman. — Um porção de fritas.
Eu solto uma risada cômica.
– O estripador vai comer batatas fritas. Isso é épico.
– Como sabe sobre meu passado? — perguntou, interessado.
– Eu não ouvia falar muito de você, Stefan. Mas desde que você morreu é só seu nome que ouço o tempo todo. Niklaus, Damon, Caroline, até mesmo Katerina... Não se espante se eu souber tudo sobre você.
Ele abre um pequeno sorriso.
Uma música começa a tocar. É um rock alternativo que Stefan começa a cantarolar, mas eu não, simplesmente porque não vivi aquele tempo para saber a letra.
– É Pearl Jam. Dos anos 90. — ele me explicou, parando de cantarolar por um segundo.
– Quando eu morri a moda era o jazz. Aquela música dançava pelas ruas e casas de Nova Orleans. Era incrível. Todos adoravam o trompete, mas eu preferia o saxofone. Em uma época que eu estava em Nova Orleans conheci um rapaz chamado Viktor. Ele era incrível e tocava saxofone. Em uma noite ele me chamou para tocar com ele. Eu no piano e ele no saxofone. Seria a melhor noite da minha vida, se Niklaus não tivesse chegado naquele momento e arrancado a cabeça de Viktor. — senti uma raiva crescendo dentro de mim e mais uma vez a voz de Kol voltara a rondar minha mente. Era como um CD arranhado, repetindo a mesma coisa.
– Você provavelmente tinha chateado Klaus.
– Sim. Porque arrancar cabeças é o que Klaus faz quando está chateado, ou entediado...
– Ou simplesmente respirando.
Solto uma risada. Stefan sorri. A raiva vai embora.
– Sabe, Klaus não tinha culpa. Eu estava abandonando ele. Eu iria embora com Kol no dia seguinte e deixaria Klaus e Elijah e Rebekah para trás.
– Você deve ama-lo.
– Ele é meu irmão, Stefan. Pode ser frio, cruel, um narcisista, sociopata... mas sim, eu o amo. — é a explicação que eu queria encontrar para mim mesma, era a explicação que eu queria para não entregar meu próprio irmão a Esther. Amor. A única explicação. Amor Fraternal. Entorno o copo de uísque, engolindo tudo de uma vez e coloco o mesmo sobre o balcão. Me levanto e olho para Stefan: — Até mais, Stefan.
– Você não quer que eu te acompanhe até em casa? Pode ser perigoso...
Solto uma risada:
– Obrigada pelo cavalheirismo e tudo mais, mas eu posso chegar em casa bem. A gente se fala depois. — dou-lhe as costas e sumo do bar com minha velocidade sobrenatural.
POV Elena
Damon dorme mas estou mais acordada que nunca.
Digito uma resposta para a mensagem que acabei de receber de meu amante:
" JOSH:
Elena, adivinha onde estou? Sim! Na sua cidade. Sei que os planos de chegada eram só para semana que vem mas estou em um hotel e me sinto sozinho. Você poderia vir aqui? Endereço: Rua Honoria, n 27, Hotel Lan's."
"ELENA:
Estou indo."
Calço minhas botas e prendo meu cabelo, então saio do quarto sem fazer barulho.
Sei que eu e Damon reatamos. Estamos bem agora e felizes. Mas há laços que nunca vou conseguir desfazer e quando me senti sozinha quem estava comigo era Josh, não Damon.
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