Notas iniciais
Eu gostei um pouquinho desse capítulo, não ficou tão ruim. Boa leitura.

POV Damon

Izaera abriu um sorriso de escárnio e deu uma risada debochada :

– Por que diabos eu faria isso, Charlotte Mikaelson ?

Charlotte havia pedido a Izaera que fizesse um feitiço para que eu pudesse ver meu irmão, mesmo que fosse apenas em um sonho ou em uma visão e nada permanente, mas a bruxinha não queria dar trégua.

A loira se aproximou da bruxa com passos ameaçadores, porém humanos. Encurralando Izaera contra a parede e com a voz baixa e terrivelmente perigosa respondeu :

– Porque eu estou mandando.

Mas Izaera apenas deu um passo a frente, com a cabeça erguida, como se desafiasse Charlotte :

– Já deixei de ser o pau mandado da família Mikaelson há muito tempo, querida.

– Mas nunca deixou de ser burra, pelo visto. — disse Charlie. — Você pode ter mais de um século de idade, Izaera. Mas eu tenho mais de mil anos.

Fiquei me perguntando o que eu não sabia sobre Izaera e cheguei na conclusão que nada sabia. Ela era apenas alguém que Klaus pediu ajuda, então ele devia conhece-la há um tempo, porém, eu não tinha conhecimento sobre nada mais em sua vida. Fiquei surpreso ao saber que a bruxa tinha mais de 30 anos — que era o que ela realmente aparentava ter. — mas isso logo passou, pois bruxas poderosas podem fazer um feitiço de imortalidade caso queiram e eu no lugar dela muito provavelmente também teria feito.

– Acontece que você passou mais da metade de seus anos... tomando sangue de animais, quando não era assim... você já estava morta e sob a terra. Digamos que você não conheceu muito do poder. — Izaera provocou.

– Não vou te machucar só porque quero sua ajuda. — Charlotte disse entredentes. Olhou a bruxa nos olhos e então estava hipnotizando a mulher. — Você fará um feitiço para que Damon veja o irmão caçula dele. Fará isso agora e fará isso muito bem.

Dito isso Charlotte afastou-se de Izaera, enquanto a mesma assentira com a cabeça e começou a acender velas sobre a mesa da sala de estar.

– Sente-se. — Izaera disse e eu me sentei de frente para as velas. — Agora concentre-se em seu irmão e apenas em seu irmão.

E foi o que eu fiz.

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A vela era branca, as laterais de cera lisas e reluzentes. A chama aumentou e reduziu. Fiquei a olhando até me perder nela, até que o resto da sala escurecesse. Só havia a chama, eu mesmo e a chama. Eu entrava na chama.

A última coisa que ouvi foram as palavras de Izaera, fazendo o feitiço :

– Ut viderent quidnam esset soporis.

Um clarão insuportável me cercou.

De repente, eu já estava em outro lugar.

Era uma sala imensa e fria.

Todo o ambiente estava envolto pela luz suave e branca de velas. Era como flutuar em uma ilha de energia radiante.

No meio havia um caixão branco com a tampa aberta.

Passo a passo fui me aproximando do caixão, temendo que encontrasse Stefan ali, mas quando cheguei ao caixão percebi que não havia ninguém dentro dele.

Suspirei e fechei a tampa.

Em seguida senti um arrepio na nuca, como se tivesse alguém atrás de mim.

– Damon — uma voz masculina disse.

Quando girei o corpo me deparei com Stefan ali.

Os olhos de meu irmão estavam arregalados e os lábios separados, então os mesmos começaram a tremer e percebi que as lágrimas rolavam por seu rosto. Sua expressão era tensa, os olhos verdes eram penetrantes como os de um falcão.

– Senti sua falta, irmão — Stefan disse e em seguida jogou-se em mim, me envolvendo em um abraço. Eu quase podia sentir Stefan. Quase podia sentir seus braços firmes e rígidos e sua pele fria.

– Também senti. Senti tanto sua falta, Stef. Tanto, tanto. — falei.

– Não temos muito tempo. — Stefan diz se afastando de mim e em seguida enxugando suas lágrimas.

– Do que está falando ?

– Precisa me ouvir, Damon. Precisa me ouvir. Estão querendo me tirar daqui. Alguma força está me puxando para fora daqui. Acho que há um destino pior para mim. Não me deixe partir, Damon. Por favor, só não me deixe partir.

– Stefan. — minha voz disse seu nome, mas ele já parecia não me ouvir. — Eu nunca vou te deixar. Eu sempre estarei com você. Não irei te deixar partir. Stefan.

Tudo foi ficando opaco. Eu gritei o nome dele, mas mais uma vez ele não me ouvira.

POV Charlotte

Damon permanecia deitado no chão e parecia morto. Tão branco, tão imóvel. Mas quando eu o puxei, tentando coloca-lo no sofá, seu peito se ergueu e eu o ouvi arfar.

– E então ? — perguntei com a sobrancelha erguida.

– Não posso deixar Stefan partir.

– Damon... — pensei no que diria, não poderia dizer que era tarde demais, que ele nada poderia fazer para trazer o irmão de volta. Imaginei a dor que ele sentiria e eu também sabia, no fundo, que nada era impossível. — Não sei como ajudar, mas sei que ajudarei, sei o quanto se importa com seu irmão.

Nesse momento, ouvimos o som da porta rangendo e deduzimos que a mesma estava sendo aberta. Olhamos, ao mesmo tempo, em direção a porta e foi aí que eu a vi. Todos falavam bastante dela e acho que ela foi no enterro de Stefan, mas como eu só apareci lá quando só sobrava Damon no local, eu não a havia visto.

Elena Gilbert não era apenas uma garota que foi transformada em vampira e que criou uma certa competição entre os irmãos Salvatore. Ela era a cópia fiel de Katerina Petrova ou Katherine Pierce (como você preferir). Isso já era um bom motivo para eu odiá-la. Katherine sempre atrapalhou minha vida com Damon, eu o amava e por mais que ela estivesse "morta", ela ainda estava lá, fazendo Damon ama-la incondicionalmente, além disso, antigamente, entrara na vida de meus dois irmãos : Elijah e Niklaus, atrapalhando tudo também. Não havia o porquê de pensar que Elena seria diferente.

– Onde estava, Elena ? — Damon foi o primeiro a falar. Sua respiração era ofegante, mas sua voz era calma. Ele não exigia uma resposta, só perguntava por preocupação ou curiosidade. Ele se levantou, indo até ela.

– Tive que consolar Caroline, por muito tempo. — a morena disse, mas logo notei que ela mentia. Havia algo mais. Ela estava escondendo algo.

Damon se aproximou ainda mais dela e a beijou. Era apenas um leve selinho rápido, mas ainda assim isso me fez sentir uma onda de ciúmes. Olhei para o chão no mesmo instante, achando meus pés muito mais interessantes que o casal ali.

– Quem é ela ? — Elena perguntou, me olhando da cabeça aos pés. Havia um brilho em seus olhos, algo que me dizia que ela não estava totalmente contente por me ver ali com o... namorado dela.

– Essa é Charlotte. Uma velha amiga. — Damon respondeu, mas não citou meu sobrenome e ela não pareceu perceber que eu era uma Mikaelson também.

– Ela está de passagem na cidade ? — perguntou Elena a Damon.

– Eu estou aqui e não sou muda. Pode perguntar diretamente para mim quando quiser. — falei com ironia.

Elena voltou sua atenção para mim e abriu um sorriso forçado, então disse :

– De qualquer forma, bem vinda a Mystic Falls.

– Petrovas. — murmurei revirando os olhos. — Sempre tão iguais.

Elena ignorou meu comentário, voltando-se para Damon :

– Como você está, meu amor ?

Damon suspirou. Ele ainda parecia abalado com a morte do irmão, mas depois do feitiço que Izaera fez, parecia um pouco melhor. Não graças a Elena, claro.

– Não é um dos melhores dias de minha vida, digamos assim. — Damon respondeu. Pude ver a dor e a tristeza em seus olhos, mas se Elena percebeu as mesmas ali ela não demonstrou que se importava muito.

– Salvatore. Já vou indo. — falei sorrindo forçado. — Preciso me alimentar. Não quer vir ?

Elena respondeu por ele :

– Temos bolsas de sangue suficientes para nós dois aqui em casa. Mas obrigada pelo convite. — ela abriu um sorriso.

– Disponha. — respondi secamente. — Até mais. E... Damon ?

– Sim ? — Damon ergueu os olhos e então percebi que seus olhos estavam cheios de lágrimas novamente.

– Fique bem e se precisar de mim... sabe onde me encontrar.

Ele assentiu e com minha velocidade sobrenatural sai dali.

~x~

Não aguento mais, pensei enquanto batia na porta da frente de uma casa alta e branca da qual eu não conhecia os moradores dali, não aguento mais nenhum segundo. Preciso de sangue.

Um homem alto e de cabelos negros atendeu a porta, abrindo-a em um solavanco e me encarando com uma expressão confusa.

Não, ele não me conhecia e eu também não o conhecia, mas precisava me alimentar.

Eu iria atacar. Mas uma barreira invisível, caindo como uma espécie de muro de ar denso, bloqueava minha passagem.

Droga. pensei. Malditas bruxas e feitiços de proteção. Vou mesmo ter que me dar ao trabalho de atuar.

Eu poderia controlar a mente do cara, mas estava fraca e o pouco de força que tinha não serviria para nada.

– Olá. Meu carro quebrou e vou precisar de usar o telefone. Minha bateria acabou. Será que poderia... — o sorriso doce e falso em meus lábios se alargava cada vez mais e antes que eu terminasse de pedir, o homem já falou :

– Claro, pode entrar !

Felizmente era hora do jantar e a família do homem estava reunida na mesa. Era uma mulher, duas crianças, um adolescente e o adorável cara que me convidou para entrar. Me alimentei de todos eles e não hesitei em mata-los.

Cada gota. Eu preciso de cada gota. Foi um dia estressante, pensei, e ainda terei que encarar Hayley e Rebekah hoje. Preciso de forças e preciso relaxar.

Os gritos de cada um e os olhares de horror e pânico que lançavam a mim me deixavam ainda mais sedenta. Embora eu sentisse minhas forças se recuperando enquanto o sangue quente descia por minha garganta.

POV Neutro

Charlotte limpou a boca cheia de sangue enquanto andava pela rua em meio a fileiras de casas vitorianas altas.

Tentou se lembrar do porquê que ela se alimentava com animais no passado se o sangue humano era muito melhor. Mas percebeu que a antiga Charlotte era assim. Ela não matava sem motivos e sentia remorso ao se alimentar de pessoas inocentes, mesmo que fosse um pouco só. Aquela Charlotte era doce, inocente, pura. Um anjo.

Quando chegou em casa já era tarde e esperava que todos estivessem dormindo, já que não há nada muito excitante para se fazer em uma cidade como Mystic Falls — não há boates, cinema, festas, etc.

Mas assim que pisou na sala, pôde ouvir o som dos gemidos que vinham do quarto de Rebekah. Pelo som alto, parecia que Matt era muito bom de cama, mas ela tirou essa ideia da cabeça e se convenceu de que Rebekah sempre exagerava em tudo, então provavelmente estaria exagerando nos gemidos também.

Niklaus, Elijah e Hayley ou estavam dormindo ou haviam saído.

Charlie encontrou um pequeno bilhete dourado sobre a mesa de centro da sala. O mesmo dizia :

"Querida, Charlotte.

Acho que você chegará tarde, mas seu quarto já está preparado.

Espero que goste.

É no segundo andar, siga o corredor e vire a direita.

– Nik"

Segui as instruções e entrei de fininho no quarto. Não eram grande coisa. Tons pastéis e móveis arredondados de madeira lisa, escrivaninha, estante com meus livros prediletos e um baú com objetos antigos que me pertenceram no passado.

Eu estava cansada demais para contemplar tudo e para pensar em ser grata pelo quarto só para mim. Me joguei na cama e adormeci.

Notas finais
Como eu disse,
gostei um pouco desse capítulo,
não aconteceu nada muito animador mas não foi completamente entediante, certo ?
Espero o comentário de vocês.
O que vocês acharam de Elena conhecer Charlotte finalmente ?
No próximo capítulo teremos um bom baile e não fiquem eufóricas do tipo "Mas o Tefinho tá morto e o povo vai celebrar ?" acalmem-se, vocês verão o que acontecerá e entenderão. Aliás, Stefan está cada vez mais perto de voltar.
Esse momento Defan desse capítulo ficou meio fraco. (Meio ?)
Mas tentei.
Um beijo a todas e espero seus comentários.